Edifício Praça da Bandeira

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Edifício Joelma
Edifício Praça da Bandeira
Edifício Joelma.JPG
Edifício Praça da Bandeira em 2008
São Paulo, SP, Brasil Brasil
23° 32' 58.5" S 46° 38' 26.5" O
Status Completo
Destruição Incêndio em 1 de fevereiro de 1974 (43 anos)
Após reforma foi reaberto em 1978
Inauguração 1971 (46 anos)
Restaurado 1974 - 1978
Uso Comercial
Características
Elevador 4
Andares 25

O Edifício Praça da Bandeira, anteriormente denominado Edifício Joelma, é um prédio situado na cidade de São Paulo. Foi inaugurado em 1971.

Com vinte e cinco andares, sendo dez de garagem, localiza-se no número 225 da Avenida Nove de Julho, com outras duas fachadas para a Praça da Bandeira, na lateral, e para a rua Santo Antônio, nos fundos.

Tornou-se conhecido nacional e internacionalmente em 1° de fevereiro de 1974, quando ainda tinha a denominaçãoriginal, e um grande incêndio deixou 191 mortos e mais de 300 feridos.[1]

Construção[editar | editar código-fonte]

O prédio começou a ser construído em 1969, pela Joelma S/A - Importadora, Comercial e Construtora, que "o dotou do mais moderno sistema de incêndios", conforme afirmou um dos diretores da empresa, Jorge Cassab.[2] Na construção foi utilizada uma estrutura de concreto armado, com vedações externas de tijolos ocos cobertos por reboco e revestidos por ladrilhos na parte externa. As janelas eram de vidro plano em esquadrias de alumínio, com telhas de cimento amianto sobre estrutura de madeira.[3]

O subsolo e o térreo seriam destinados à guarda de registros e documentos; entre o 1° e o 10° andar, ficariam os estacionamentos; do 11° ao 25°, as salas de escritórios[3], divididas em duas torres: Norte, com face para a Av. Nove de Julho; e Sul, voltada para a Rua Santo Antônio.

Incêndio[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Incêndio no Edifício Joelma

Concluída sua construção em 1972, o edifício foi imediatamente alugado ao Banco Crefisul de Investimentos.[4] No começo de 1974 a empresa ainda terminava a transferência de seus departamentos, quando no dia 1° de fevereiro, às 08h54 de uma sexta-feira, um curto-circuito em um aparelho de ar condicionado no 12° andar, deu início a um incêndio, que rapidamente se espalhou pelos demais pavimentos.[1] As salas e escritórios no Joelma eram configurados por divisórias, com móveis de madeira, pisos acarpetados, cortinas de tecido e forros internos de fibra sintética, condição que muito contribuiu para o alastramento incontrolável das chamas.

O Joelma contava com uma única escada central para servir às duas torres de escritórios. Não havia escadas de emergência nem brigadas de incêndio ou plano de evacuação. No início do incêndio, muitos conseguiram fugir pelos elevadores, até que estes pararam de funcionar e também provocaram várias mortes, incluindo um grupo de treze pessoas encontradas em um dos elevadores, que nunca puderam ser identificadas, e ficaram conhecidos como as Treze Almas do Edifício Joelma. A escada foi rapidamente tomada pela densa fumaça, impedindo a fuga dos ocupantes, que ao invés de descerem, começaram a subir, na esperança de serem resgatados no topo do prédio.

Edifício Praça da Bandeira em 2014

Sem ter como deixar o prédio, muitos tentaram abrigar-se em banheiros e nos parapeitos das janelas.[3] Outros sobreviventes concentraram-se no 25° andar, que tinha saída para os terraços das Torres Norte e Sul.[5] O Corpo de Bombeiros recebeu a primeira chamada às 09:03 da manhã. Dois minutos depois, viaturas partiram de quartéis próximos, mas devido à condições adversas no trânsito só chegaram no local às 09:10.[3] Helicópteros foram acionados para auxiliar no salvamento, mas não conseguiram pousar no teto do edifício, pois este não era provido de heliponto.[1] Telhas de amianto, escadas, madeiras e a fumaça do incêndio também impediram o pouso das aeronaves.[4]

Os bombeiros, muitos deles desprovidos de equipamentos básicos de segurança, como máscaras de oxigênio, decidiram entrar no prédio para o resgate, tentando alcançar aqueles que haviam conseguido chegar ao topo do edifício. Foram apenas parcialmente bem sucedidos. A fumaça e as chamas já haviam vitimado dezenas de pessoas. Algumas pessoas, movidas pelo desespero, começaram a se atirar do edifício.[1] Mais de 20 saltaram e nenhum sobreviveu. Apenas uma hora e meia após o início do fogo é que o primeiro bombeiro conseguiu, com a ajuda de um helicóptero do Para-Sar (o único potente o suficiente para se manter pairando no ar enquanto era feito o resgate), chegar ao telhado. Já então muitos haviam perecido devido à alta temperatura no topo do prédio, que chegou a alcançar 100 graus celsius.[1] A maioria dos que ali estavam conseguiu se salvar por se abrigarem sob uma telha de amianto.[4] Apenas no telhado da Torre Norte foram resgatados sobreviventes. No telhado da Torre Sul, todos padeceram.

Por volta de 10h30, o fogo já havia consumido praticamente todo o material inflamável no prédio. O incêndio foi finalmente debelado, com a ajuda de 12 autobombas, 3 autoescadas, 2 plataformas elevatórias e o apoio de dezenas de veículos de resgate. Às 13h30, todos os sobreviventes haviam sido resgatados.[3] Dos aproximadamente 756 ocupantes do edifício, 191 morreram e mais de 300 ficaram feridos.[1] A grande maioria das vítimas era formada por funcionários do Banco Crefisul de Investimentos.[1]

A tragédia do Joelma, que se deu apenas dois anos após o incêndio no Edifício Andraus, reabriu a discussão popular com relação aos sistemas de prevenção e combate a incêndio nas metrópoles brasileiras, cujas deficiências foram evidenciadas nas duas grandes tragédias. Na ocasião, o Código de Obras do Município de São Paulo em vigor era o de 1934, um tempo em que a cidade tinha 700 000 habitantes, prédios de poucos andares e não havia a quantidade de aparelhos elétricos dos anos 1970.[6]

A investigação sobre as causas da tragédia, concluída e encaminhada à justiça em julho de 1974, apontava a Crefisul e a Termoclima, empresa responsável pela manutenção elétrica, como principais responsáveis pelo incêndio. Afirmava que o sistema elétrico do Joelma era precário e estava sobrecarregado.[7] O resultado do julgamento foi divulgado em 30 de abril de 1975. Kiril Petrov, gerente-administrativo da Crefisul, foi condenado a três anos de prisão. Walfrid Georg, proprietário da Termoclima, seu funcionário, o eletricista Gilberto Araújo Nepomuceno e os eletricistas da Crefisul, Sebastião da Silva Filho e Alvino Fernandes Martins, receberam condenações de dois anos.[8]

Após o incêndio, o prédio ficou interditado para obras por quatro anos. Reinaugurado em setembro de 1978, foi dado amplo destaque para seus novos padrões de segurança, e foi chamado de "Novo Joelma" nas propagandas veiculadas pela Itaoca, empresa responsável pela locação das salas comerciais. Porém nunca teve ocupação completa desde a reabertura. Em meados dos anos 2000 foi rebatizado como Edifício Praça da Bandeira.

Fama de mal-assombrado[editar | editar código-fonte]

Local onde estão enterrados os corpos não identificados.

A tragédia acabou ajudando a espalhar entre a população rumores de que o terreno no qual o prédio foi erguido seria amaldiçoado, com especulações de que até o fim do século XIX teria sido um pelourinho. Fantasmas rondariam o local[9]. Durante o incêndio, treze pessoas tentaram escapar por um elevador, mas não foram bem sucedidas. Seus corpos, não identificados, foram enterrados lado a lado no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina. O fato acabaria sendo inspiração para o chamado Mistério das Treze Almas, às quais são atribuídos diversos milagres[10]. Funcionários que já trabalharam no edifício revelam terem presenciado aparições de espíritos, ouvido gritos e vozes, além de terem visto fenômenos estranhos, como faróis de carros vazios acenderem e apagarem. A fama de que o local seria mal-assombrado aumentou ainda mais após a divulgação de que o terreno teria sido palco de assassinatos, no acontecimento trágico o qual ficou conhecido como Crime do Poço.[11]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências