Colégio Sion

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Colégio Nossa Senhora de Sion
Colégio Sion 06.jpg
Vista do outro lado da rua da fachada do Colégio Sion, em São Paulo (SP)
Data da construção 1901 (114–115 anos)
Cidade São Paulo, SP
Tombamento 1986
Órgão Condephaat

O Colégio Nossa Senhora de Sion é uma tradicional instituição de ensino básico privada, localizada no bairro de Higienópolis, na região central da cidade de São Paulo. A escola é parte da Congregação das Religiosas de Nossa Senhora de Sion, organização católica internacional, com escolas em diversos países e estados brasileiros[1].

Durante o período seguinte à sua inauguração, em 1901, a história do Colégio teve relação direta com a trajetória social da cidade, tendo sido um espaço de autorreconhecimento de uma burguesia àquela altura emergente[2][3].

Inicialmente uma escola, de modelo francês, voltada à meninas de classes sociais mais abastadas e de educação estritamente religiosa, hoje o Colégio Sion é uma escola mista, que passou a adotar uma visão identificada como moderna[4].

Seu edifício, de estrutura eclética projetada pelo arquiteto Ramos de Azevedo[5], bem como as reformas e ampliações realizadas na década de 1940 foram consideradas, pelo Condephaat, órgão de preservação de São Paulo, como patrimônio histórico do Estado[6], após intensa campanha de associações lideradas por ex-alunas, com apoio da comunidade da região[7].

História[editar | editar código-fonte]

Congregação[editar | editar código-fonte]

A Congregação das Religiosas de Nossa Senhora de Sion é uma organização religiosa cristã, de matriz católica, fundada na França, em 1843, pelos padres Teodoro Ratisbonne e Afonso Ratisbonne[1]. Os irmãos, de ascendência judia, nascidos na cidade francesa de Estrasburgo, converteram-se ao cristianismo, respectivamente, em 1827 e 1842[1].

O passo decisivo para a formação da Congregação foi a conversão de Afonso, realizada após uma experiência com uma aparição da Virgem Maria, durante uma viagem à capital católica de Roma, na Itália. O objetivo da organização é propagar a fé no cristianismo e proporcionar a conversão do povo judeu à crença em Jesus Cristo e em Nossa Senhora[1].

Após a consolidação das atividades da Congregação, os irmãos dividiram-se. Teodoro se tornou um embaixador da organização, fixado na cidade de Paris. Já Afonso, por sua vez, migrou para a cidade santa de Jerusalém, hoje no Estado de Israel[4].

Vinda para o Brasil[editar | editar código-fonte]

O prestígio do sistema educacional francês inspirou o governo brasileiro a, no final do Século XIX, convidar irmãs pertencentes à organização a desenvolverem atividades educacionais no país, tendo estas desembarcado no Rio de Janeiro, em 1988[4].

Parte externa da capela localizada no Colégio Sion, em São Paulo (SP)

A França, junto com a Alemanha, era uma das principais nações irradiadoras de conhecimento do mundo naquele momento[8]. A escolha pela organização francesa em detrimento de similares alemãs, no entanto, se deu justamente pela questão religiosa. Enquanto a França é um país, assim como o Brasil, de tradição católica, a Alemanha, desde a Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero, se tornou um dos países-símbolo do protestantismo[8].

A primeira tentativa de uma escola com a filosofia da organização no país, em Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais, fracassou[5] em grande parte por conta do surto de febre amarela que assolou a região, o que obrigou as freiras a tomar a medida de não prosseguir com as atividades. Vindas para São Paulo, as irmãs fundaram, em 1901, no bairro de Higienópolis, o Colégio Nossa Senhora de Sion[5].

Colégio[editar | editar código-fonte]

Após a fundação, o Colégio Nossa Senhora de Sion foi instalado em uma ampla edificação, localizada no nº 901 da Avenida Higienópolis, com um projeto assinado pelo renomado engenheiro-arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo[5].

Fachada do Colégio Sion, em São Paulo (SP)

A escola foi baseada em uma proposta educacional, à época comum na França, da "escola das meninas ricas". Instituições, com regime de internato, altas mensalidades e exigências diversas, como padrões de etiqueta e enxovais, que eram voltadas à educação das moças provenientes dos extratos mais abastados da sociedade[9].

Ao mesmo tempo, estas escolas mantinham outras escolas, de menor qualidade, para estudantes carentes, que, em troca, prestavam serviços domésticos e de limpeza à escola das classes mais elevadas[9]. O ensino do colégio valorizava os preceitos da família tradicional e do incentivo ao matrimônio, adotando propostas de educação de futuras esposas e mães[9].

O Colégio foi o primeiro a adotar, no Brasil, o Método Montessori, voltado a uma formação globalizante[5]. A instituição funciona até hoje, oferecendo ensinos a meninos e meninas de todas as faixas etárias, com uma mudança na filosofia educacional, adotando um programa mais laico em seu conteúdo, mas que segue se identificando como uma escola baseada em preceitos cristãos[4].

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

A capela do Colégio Sion, em São Paulo (SP), inaugurada em 1941

Inicialmente em uma estrutura menor, o Colégio Nossa Senhora de Sion necessitou de um projeto de ampliação dado o elevado número de matrículas solicitadas logo em seus primeiros meses. Contratado, o escritório do arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo elaborou a construção das edificações atuais da escola, contando a necessidade de dispor de espaços como cozinha, copa, dispensa, dormitórios e refeitórios, uma vez que esta tinha a proposta de ser um internato, com alunas vivendo ali por longos períodos consecutivos[10].

O prédio possui três pavimentos e um subsolo, projetados por Ramos de Azevedo, com um corpo central pensado por um outro arquiteto, o italiano Domiciano Rossi[5]. Destacam-se, nas disposições da arquitetura da edificação construção, o pé direito de cinco metros de altura e nas paredes externas com cerca de um metro de largura, em uma sólida construção, baseada em alicerces de pedra[10].

O terreno hoje ocupado pelo Colégio Nossa Senhora de Sion tem, ao todo, 17.117m²[5], sendo que, deste total, cerca de 11.783m² são área construída, completamente rodeada por jardins[10]. Anos após a inauguração do colégio, duas obras, a ampliação do espaço, com a construção de uma segunda ala, em 1940, e a edificação de uma capela, ao modelo das demais Capelas de Nossa Senhora de Sion existentes pelo mundo, em 1941[5].

Significado Histórico e Cultural[editar | editar código-fonte]

O Colégio Nossa Senhora de Sion tem um papel importante no contexto do desenvolvimento econômico da cidade de São Paulo, inaugurado durante um período de aceleração e crescimento e de ressignificação das classes sociais na capital[2]. Em sua fundação, o Sion cumpre uma demanda que se fez fortemente presente no período, a de uma burguesia emergente, que buscava formas de se integrar ao processo de socialização da elite da cidade e que passa por um processo de autorreconhecimento enquanto classe social[3].

A escola apresentou um processo ambíguo em relação ao estabelecimento de novas práticas educacionais. Por um lado, o processo representa a abertura da elite nacional, sobretudo a paulistana, para a cultura e os costumes de outras nações do mundo, rompendo um isolamento que era particular do país naquele momento e que atendia aos princípios iluministas e positivistas de busca pelo conhecimento[8]. Por outro, trata-se de educação religiosa, em um momento que, pela primeira vez, a Constituição havia separado definitivamente a Igreja Católica do Estado brasileiro, estabelecendo a laicidade deste e da educação que oferece[9].

Outro papel importante do Colégio Sion no panorama histórico da educação brasileira foi a implementação, até então inédita, do chamado Método Montessori[5]. O Método, conjunto de práticas educacionais idealizado pela médica e pedagoga italiana Maria Montessori, uma educadora católica[11] que previa, entre outras coisas, uma escola que estimulasse o equilíbrio entre liberdade e disciplina, estabelecendo o que chamou de "autoeducação"[12]. Com liberdade de ação, regras e parâmetros claros, ambiente escolar preparado e material didático ideal, as crianças poderiam aprender com a interferência mínima de seus professores, que seriam o que a pedagoga chama de "Adultos Preparados", profissionais com amplo conhecimento das fases de desenvolvimento cognitivo, capazes de guiar as crianças dentro de suas "autodescobertas"[13].

Em uma frase-símbolo deste preceito, que foi difundido no Brasil, em parte, através do Colégio Sion, Maria Montessori define o papel do professor como:

"A tarefa do professor é preparar motivações para atividades culturais, num ambiente previamente organizado, e depois se abster de interferir"[14].

Nos anos de 1960, durante o período de agitação política do fim do governo de João Goulart e do Golpe Militar em abril de 1964, começou a atividade política das estudantes, então apenas mulheres, do Sion, com a fundação do grêmio escolar da instituição. Uma das fundadoras[15] foi uma aluna que hoje é uma importante personalidade política do Brasil[16]: Marta Suplicy, que, à época, utilizava seu nome de solteira "Marta Smith de Vasconcelos", jovem que depois foi fundadora também do Partido dos Trabalhadores, deputada federal, prefeita de São Paulo, ministra do Turismo e da Cultura e que hoje é senadora da república, pelo Estado de São Paulo[17]. A unidade da Congregação de Sion em Belo Horizonte recebeu, quase ao mesmo tempo, outra aluna ilustre: a ex-presidente da República Dilma Rousseff[18].

Tombamento[editar | editar código-fonte]

Jardim localizado em frente do prédio destinado aos estudantes do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, do Colégio Sion, em São Paulo (SP)

A edificação que abriga o Colégio Nossa Senhora de Sion, em Higienópolis, bairro nobre da região central da cidade de São Paulo, é um marco do estilo arquitetônico eclético e uma obra importante de um dos maiores arquitetos brasileiros, Ramos de Azevedo[5].

O seu processo de tombamento, registrado sob o nº 24168/86 junto ao Condephaat[5], foi perpassado por uma intensa campanha de ex-alunas da instituição, apoiadas por vizinhos e pela comunidade local, favorável a sua preservação inalterada. Á época, foi apontado que obras de interesse da então diretoria da instituição poderiam descaracterizar a edificação e impedir sua futura conservação, mesmo que, em ofícios anexados junto ao processo, a Diretoria do Colégio negasse o fato e que a Arquidiocese de São Paulo, representada pelo arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, cobrasse diálogo por parte de Modesto Carvalhosa, então dirigente do conselho estadual de preservação[7].

A conclusão do processo foi feita através da Resolução nº 48, de 10 de novembro de 1986, que decidiu pelo tombamento da estrutura do Colégio Sion[6], com posterior inscrição no Livro do Tombo do Estado, sob nº 238, em 23 de janeiro de 1987.

Estado Atual[editar | editar código-fonte]

Colégio Nossa Senhora de Sion, na avenida Higienópolis, São Paulo

Com a conclusão do processo de tombamento em 1986 e a participação de uma comunidade ativa de ex-alunas[10], o Colégio Nossa Senhora de Sion segue em plena atividade até hoje. A decisão do Condephaat que determinou a preservação do local decidiu, também, que este deve permanecer tendo como função principal de utilização "instituição de ensino"[5].

Atualmente, o Colégio não é mais uma escola para mulheres nem com propósitos exclusivamente religiosas, sendo mista, com acesso também a meninos e educação atualizada às necessidades do Século XXI, apesar de continuar se definindo como uma instituição cristã, que faz parte de uma congregação religiosa, presente em outros estados brasileiros e em outros países[4].

De acordo com seu site oficial, a missão, hoje, do Colégio Nossa Senhora de Sion é:

"Atuar no campo da Educação, tendo em vista valores, princípios cristãos e o conhecimento, de acordo com as exigências da sociedade moderna, de modo que nossos alunos se tornem cidadãos conscientes."[4]

A instituição oferece aos interessados, as modalidades de educação infantil, ensino fundamental 1 e 2, ensino médio, educação semi-integral e integral[4]. Em 2015, as mensalidades da instituição oscilavam, entre a educação infantil e o ensino médio, em planos anuais de R$ 17.654,00 a R$ 21.762,00, divididos em treze parcelas[19].

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Colégio Sion

Referências

  1. a b c d «Histórico – Congregação das Religiosas de Nossa Senhora de Sion». www.sion.com.br. Consultado em 2016-11-23. 
  2. a b Condephaat (1986). Processo 24618/86 [S.l.: s.n.] p. 188. 
  3. a b Condephaat. Processo 24618/86 (1986 [s.n.]). p. 187. 
  4. a b c d e f g «Colégio Nossa Senhora de Sion». www.colegiosion.com.br. Consultado em 2016-11-23. 
  5. a b c d e f g h i j k l «Ficha de Identificação». www.arquicultura.fau.usp.br. Consultado em 2016-11-23. 
  6. a b «Resolução 48/86» (PDF). Condephaat. Consultado em 23 de novembro de 2016. 
  7. a b Condephaat (1986). Processo 24618/86 [S.l.: s.n.] pp. 82–133. 
  8. a b c Condephaat (1986). Processo 24618/86 [S.l.: s.n.] p. 189. 
  9. a b c d Condephaat (1986). Processo 24618/86 [S.l.: s.n.] p. 190. 
  10. a b c d Condephaat (1986). Processo 24618/86 [S.l.: s.n.] p. 243. 
  11. "María Montessori". Catholic.net.
  12. (2012-12-16) "O Método" (em pt-BR). Lar Montessori.
  13. «Folha Online - Educação - Escola: como escolher». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 2016-11-25. 
  14. «Pensamento de Maria Montessori». educarparacrescer.abril.com.br. Consultado em 2016-11-25. 
  15. «Marta | Senadora Federal». Marta | Senadora Federal. Consultado em 2016-11-25. 
  16. «ISTOE Gente ::  Marta Suplicy Do gremio escolar ao Ministerio :: Celebridades». www.terra.com.br. Consultado em 2016-11-25. 
  17. «Marta Suplicy». UOL Educação. Consultado em 25 de novembro de 2016. 
  18. (2010-06-18) "Os tempos de Dilma no Sion - ISTOÉ Independente" (em pt-BR). ISTOÉ Independente.
  19. «Manual do Aluno 2015» (PDF). Colégio Sion. 2015. Consultado em 23 de novembro de 2016.