Paróquia Nossa Senhora do Brasil

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Disambig grey.svg Nota: Se procura pela igreja carioca, veja Igreja Nossa Senhora do Brasil (Rio de Janeiro).
Paróquia
Nossa Senhora do Brasil
Construção 1940
Diocese Arquidiocese de São Paulo
Local Praça Nossa Senhora do Brasil (esquina com a Avenida Brasil e com a Rua Colômbia) - Jardim América
São Paulo  Brasil

A Paróquia Nossa Senhora do Brasil é uma tradicional igreja da zona oeste da São Paulo, no estado brasileiro de São Paulo. Localizada na Praça Nossa Senhora do Brasil, é um ponto de referência do bairro Jardim América. A atual paróquia foi construída em 1940.

A construção da igreja, em estilo neobarroco, posto sua construção ser do século XX e não no Brasil colonial. Sua aparência remete a Igreja de São Francisco, na cidade mineira de Ouro Preto. Sua construção coube à firma de engenharia Tavares Pinheiro S.A., com projeto do arquiteto Bruno Simões Magro, tendo o engenheiro Brenno Tavares supervisionado a sua execução [1].

A Igreja também é conhecida pela celebração de cerimonias de personalidades.

Igreja Nossa Senhora do Brasil (São Paulo)[editar | editar código-fonte]

Altar das Virgens.
Teto da Igreja.

No aristocrático bairro do Jardim América, esquina da Avenida Brasil com a Rua Colômbia, ergue-se um dos mais elegantes templos de São Paulo. Inspirado nos templos coloniais mineiros, a Igreja Nossa Senhora do Brasil, é uma somatória de todos eles. O seu interior recorda belas igrejas de Portugal.

Seus magníficos painéis de pastilha cerâmica lembram a Igreja São Basílio de Moscou e a balaustrada de suas torres remetem aos minaretes muçulmanos.

No seu interior, admira-se o altar-mor de madeira entalhada que pertenceu à Igreja do Rosário, de Mogi das Cruzes, com data estimada de 1740, segundo o escritor francês Germain Bazin, na obra L'Architecture Religieuse Baroque au Brésil.

A imagem[editar | editar código-fonte]

No nicho do altar-mor está a imagem de Nossa Senhora do Brasil, Virgem com feições índias, bastante formosa, tendo ao colo o Menino-Deus mestiço (de preto e branco) e ostentando cada um, ao peito, um coração. Estas imagens representam as três raças formadoras de nossa nacionalidade.

Construção da igreja[editar | editar código-fonte]

A paróquia do Jardim América, na cidade de São Paulo, foi criada em 1940 por D. José de Afonseca e Silva. Dois anos depois teve início a construção da igreja matriz por iniciativa do vigário que foi também deputado estadual e jornalista, Monsenhor João Batista de Carvalho.

A construção da igreja foi decidida em reunião no Banco Comercial do Estado de São Paulo. A comissão executiva era presidida pelo então deputado P. João Batista de Carvalho, tendo como secretário José Emmanuel Whitaker e por tesoureiro Alcides da Costa Vidigal. A Comissão de honra era integrada por figuras ilustres como o Dr. Cásper Líbero, o industrial Nadir Dias de Figueiredo, Dr.Gabriel Monteiro da Silva e outros. A comissão de senhoras reunia figuras da alta sociedade como Adelina Lara Bueno, Ester Cardoso de Almeida, Luisa de Assumpção Machado, Amélia Piza de Lara e outras.

O local foi cedido pela Prefeitura Municipal em área planejada para jardim pela Companhia City.

O projeto inicial da igreja, em estilo colonial brasileiro modernizado, era de autoria do engenheiro George Przirembel, integrante da comissão de honra. Mas o projeto que acabou sendo efetivamente executado é do arquiteto e professor Bruno Simões Magro, catedrático da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.

A obra[editar | editar código-fonte]

A execução da obra coube à empresa Tavares Pinheiro S.A. sob direção do engenheiro Brenno Tavares e os trabalhos se prolongaram por quatorze anos quando outra empresa especializada começou a bonita decoração interna.

A definição da decoração dos interiores coube inteiramente a Antônio Paim Vieira. Paim foi pintor e ceramista, atuante desde as primeiras décadas do século. O nacionalismo foi a característica marcante da temática e até da técnica que empregou. É sua a pintura do teto da capela-mor que mostra o céu estrelado como no dia de Natividade de Maria, festa da padroeira, celebrada no dia oito de novembro. Ao centro, a Virgem e o Menino estão cercados de representantes das diversas regiões brasileiras, vestidos de roupas típicas.

Ao inaugurar a Capela, em 1958, o renomado orador sacro Mons. Castro Nery disse: "Tu não és italiana, nem francesa, nem grega. És brasileira. Bem brasileira assim como teu moreno de cuia..." São famosas as Virgens flamengas, as de Rafael, Murilo e outros, cada qual expressiva de uma raça e de uma época. Hoje, seis vitrais internos e oito nas torres reproduzem quadros do grande artista. Iluminado à noite o belo conjunto de arquitetura religiosa impressiona os que passam pela região.

Via Sacra e Escadório[editar | editar código-fonte]

Via Sacra em azulejo na Igreja Nossa Senhora do Brasil em São Paulo

O detalhe dos azulejos da Via Sacra, pintados quadro por quadro, em tom azul e fundo branco, iguala ou supera a via sacra da Igreja de São João Maria Vianney, Lapa, Capital, desenhada por Benedito Calixto.

Como no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, oito estátuas ornamentam o tablado abrangido pelo semi-círculo formado pelos dois pórticos frontais: de São João Batista e Evangelista, Pedro e Paulo, Ana com Nossa Senhora Menina e José, Isabel e Joaquim. As estátuas foram esculpidas por professores da Faculdade de Belas Artes de São Paulo como Galvez, Orleani e Júlio Guerra. A de São Pedro é doação de José Ermírio de Moraes. Moldadas em cimento com estrutura de ferro compõem um conjunto harmonioso.

Capela da Ordem de Malta[editar | editar código-fonte]

No interior da igreja encontra-se a Capela da Ordem de Malta. A Ordem dos Cavaleiros de Malta, de origem medieval, tratava de hospitais cristãos peregrinos da Terra Santa e defendia os lugares sagrados contra as incursões de muçulmanos.

Foi em 1113 que o Hospital de São João Batista de Jerusalém tornou-se Ordem Religiosa. Com a queda do último reduto na Terra Santa, a Ordem teve que deslocar-se para Chipre. Em 1310, os cavaleiros conquistaram Rodes. Tomada essa ilha pelos turcos, os cavaleiros receberam de Carlos V a ilha de Malta, como sede, donde o nome "Cavaleiros de Malta".

Hoje a Ordem conserva com orgulho títulos e insígnias medievais. Mas perdeu as finalidades militares. Desenvolve suas obras sócio-educativas em mais de 50 países.

Altares do Santíssimo e das Virgens[editar | editar código-fonte]

O Pe. Afonso de Moraes Passos, além de construir a estrutura de aço no teto, de colocar o piso e de edificar o altar policrômico da Virgem Latino-americanas, edificou a primeira capela do Santíssimo no altar de São José. Seu sucessor, o Cônego Leme, deslocou o altar do Santíssimo para onde se encontra hoje, edificando para tanto o altar voltado para o povo. Ao Cônego Leme coube a decoração de toda a igreja com azulejos de Paim .

Painéis do teto da igreja[editar | editar código-fonte]

O teto da igreja é decorado com reproduções de pinturas da Capela Sistina, no Vaticano, obras de extremo valor artístico e histórico.

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Paróquia Nossa Senhora do Brasil


Ver também[editar | editar código-fonte]

  • Paróquias da Arquidiocese de São Paulo
  • Nossa Senhora do Brasil
  • Barroco
  • São Paulo
  • Dados extraídos das seguintes obras de autoria da Profª. Drª. Maria Cecília Naclério Homem, que figuram no site da Paróquia Nossa Senhora do Brasil: HOMEM, Maria Cecília Naclério. Retábulo no Altar-Mor da Igreja de Nossa Senhora do Brasil, São Paulo. (Estudo do Retábulo e da Igreja). Curso de pós-graduação: “Arte e Arquitetura dos Três Primeiros Séculos”. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU/USP, 1986. HOMEM, Maria Cecília Naclério. Igreja de Nossa Senhora do Brasil e seu Retábulo Colonial. São Paulo: Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, 2008.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]