Acadêmicos do Salgueiro
Acadêmicos do Salgueiro | |
|---|---|
| Fundação | 5 de março de 1953 (73 anos) [1][2][3] |
| Escola-madrinha | Mangueira[4][5] |
| Cores | |
| Símbolo | Pandeiro, surdo de barrica, tamborim quadrado, afoxé de cabaça e uma baqueta[6] Sabiá (mascote) |
| Bairro | Andaraí[2][3] |
| Presidente | André Vaz |
| Presidente de honra | Djalma Sabiá (in memorian) |
| Desfile de 2027 | |
| Enredo | Laroyê Xica da Silva - A História por Trás da História |
| Site oficial «www.salgueiro.com.br» | |
Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro (ou simplesmente Acadêmicos do Salgueiro) é uma das mais tradicionais escolas de samba da cidade do Rio de Janeiro. Originária do Morro do Salgueiro, atualmente é sediada na Rua Silva Teles, n.º 104, no bairro do Andaraí, onde também funciona a Vila Olímpica do Salgueiro.[7] Foi fundada em 5 de março de 1953, a partir da fusão de duas escolas de samba do Morro do Salgueiro: a Depois Eu Digo e a Azul e Branco.[1]
A agremiação possui nove títulos de campeã do Grupo Especial do carnaval carioca, conquistados nos anos de 1960, 1963, 1965, 1969, 1971, 1974, 1975, 1993 e 2009, ocupando assim, junto com o Império Serrano e a Imperatriz Leopoldinense, a posição de quarta maior vencedora do carnaval do Rio de Janeiro. É uma das maiores vencedoras do Estandarte de Ouro, sendo premiada como melhor escola por oito vezes.[8] É a maior vencedora do Tamborim de Ouro, conquistando por seis vezes o prêmio principal.[9] Nunca foi rebaixada do Grupo Especial. Sua pior colocação ocorreu em 2006, quando obteve o 11.º lugar.
O Salgueiro desfilou pela primeira vez em 1954, conquistando o terceiro lugar, à frente da super campeã Portela. A escola foi responsável por renovar a estética do carnaval carioca ao convidar artistas de formação acadêmica, para confeccionar seus desfiles.[10] Em 1959, foi o casal de artistas plásticos Dirceu e Marie Louise Nery os responsáveis pelo desfile da escola, sobre o pintor francês Jean-Baptiste Debret. A apresentação chamou atenção de um dos julgadores, o professor da Escola de Belas Artes e cenógrafo do Teatro Municipal do Rio de Janeiro Fernando Pamplona, que foi convidado pelo presidente da escola, Nelson de Andrade, para confeccionar o desfile de 1960. Neste ano, a escola conquistou o seu primeiro campeonato, com o enredo "Quilombo dos Palmares". Também nesse período, a escola inovou na escolha dos enredos, homenageando personalidades brasileiras, na época, pouco conhecidas, como Zumbi dos Palmares (em 1960), Xica da Silva (em 1963), Chico Rei (em 1964) e Dona Beija (em 1968). Naquela época, apenas figuras conhecidas da história nacional eram temas de enredo.[11] Em 1963, pela primeira vez no carnaval carioca, uma escola de samba apresentava um enredo centrado em uma personalidade feminina.[12] A escola inovou, mais uma vez, ao apresentar uma ala de passo marcado. Coreografada por Mercedes Baptista, a primeira bailarina negra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, a ala trazia casais dançando um minueto. A ideia causou polêmica, mas, com o passar do tempo, o artifício foi utilizado por outras agremiações em seus desfiles.[13] Polêmicas à parte, naquele ano a escola conquistou o seu segundo título de campeã do carnaval carioca, com um enredo de Arlindo Rodrigues sobre Chica da Silva. Em 1965, conquistou o seu terceiro campeonato com um enredo sobre a história do carnaval carioca. Em 1969 foi campeã fazendo uma homenagem à Bahia. Em 1971, conquistou o seu quinto título de campeã com o popular samba-enredo "Festa para um rei negro", conhecido pelo refrão "O-lê-lê, o-lá-lá / Pega no ganzê / Pega no ganzá". Os anos de 1974 e 1975 marcaram uma nova mudança na escolha dos enredos.[14] O carnavalesco Joãosinho Trinta conquista mais dois títulos para a escola com dois enredos oníricos, misturando realidade e imaginação. Em 1993, a escola foi protagonista de um dos momentos mais marcantes do carnaval carioca.[15] Com o enredo "Peguei um Ita no Norte", do carnavalesco Mário Borriello, a escola conquistava o seu oitavo campeonato. Durante o desfile, o público presente no Sambódromo cantou em coro o popular samba-enredo, conhecido pelo refrão "Explode coração / Na maior felicidade / É lindo o meu Salgueiro / Contagiando, sacudindo essa cidade".[16] Em 2009 a escola conquistou o seu nono título de campeã do carnaval carioca, com o enredo "Tambor", do carnavalesco Renato Lage.
Alguns dos mais importantes carnavalescos da história do carnaval carioca iniciaram a carreira na Acadêmicos do Salgueiro. Entre eles, Arlindo Rodrigues, Rosa Magalhães, Lícia Lacerda, Maria Augusta, Renato Lage, Max Lopes e Joãosinho Trinta - todos de formação acadêmica. A maioria foi levado para a escola por Fernando Pamplona, fato que lhe deu a alcunha de "o pai de todos os carnavalescos".[17] Aos poucos, outras escolas aderiram à ideia, consolidando a presença de artistas acadêmicos no carnaval carioca. A escola possui o lema "Nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente". É apelidada de "Academia do samba", e sua bateria é denominada "Furiosa".[18]
Fundação
[editar | editar código]A Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro teve origem no Morro do Salgueiro, no bairro da Tijuca, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.[10] Na localidade existiam vários blocos carnavalescos como: Capricho do Salgueiro, Flor do Camiseiros, Terreiro Grande, Príncipe da Floresta, Pedra Lisa, Unidos da Grota e Voz do Salgueiro. Da união de pequenos blocos, surgiram três escolas de samba: Azul e Branco, Unidos do Salgueiro e Depois Eu Digo.[19][20] A Escola de Samba Azul e Branco tinha entre seus componentes Antenor Gargalhada, o português Eduardo Teixeira, e Paolino Santoro, conhecido como Italianinho do Salgueiro. A Unidos do Salgueiro, de cores azul e rosa, foi formada pela união dos blocos Capricho do Salgueiro e Terreiro Grande, e tinha como comandante Joaquim Casemiro, conhecido como Joaquim Calça Larga. A Escola de Samba Depois Eu Digo, de cores verde e branco, foi fundada em 1934 e tinha entre seus componentes Mané Macaco, Paulino de Oliveira, Ceciliano (Peru), entre outros.[1] As três escolas tinham como patrono o industrial Antônio Almeida Valente de Pinho.[21] As escolas do Salgueiro não conseguiam ameaçar o domínio de Portela, Império Serrano e Mangueira. No carnaval de 1953, a Unidos do Salgueiro se classificou em 6.º; a Depois Eu Digo em 13.º; e a Azul e Branco em 21.º. Após a proclamação do resultado daquele ano, componentes das três escolas iniciaram uma campanha para unir as três agremiações, a fim de criar uma escola forte, que pudesse disputar os campeonatos com as agremiações mais tradicionais. O compositor Geraldo Babão desceu o Morro do Salgueiro cantando um samba composto por ele próprio cerca de um ano antes: “Vamos balançar a roseira / Dar um susto na Portela, no Império, na Mangueira / Se houver opinião, o Salgueiro apresenta uma só união (...)". Junto à Babão, se reuniram componentes e as baterias das três agremiações, em um cortejo em direção à Praça Saenz Peña.[1][22] A partir de então, foram realizadas várias reuniões e diversos debates sobre a fusão das escolas do morro. A primeira reunião foi realizada em 25 de fevereiro de 1953. Na reunião do dia 27 de fevereiro do mesmo ano, foram escolhidas as cores e o nome da nova agremiação. Em outra reunião, no dia 2 de março, a Unidos do Salgueiro desistiu de participar da fusão. Os demais sambistas procuraram o patrono das três escolas, Antônio Almeida, que incentivo a união das outras duas agremiações.[23]
A Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro foi fundada em 5 de março de 1953, a partir da fusão das escolas Depois Eu Digo e Azul e Branco, acordadas em uma reunião na sede da Depois Eu Digo, no morro do Salgueiro. A Unidos do Salgueiro, que tinha como representante maior o sambista Joaquim Calça Larga, não concordou com a união e, por esse motivo, não participou da fusão. Com o passar do tempo, a Unidos do Salgueiro foi extinta e seus componentes ingressaram na Acadêmicos do Salgueiro, inclusive Joaquim Calça Larga, que se tornou um dos principais nomes da escola.[1][19]
Em uma nova reunião, realizada na sede da Confederação Brasileira das Escolas de Samba, na Rua Uruguaiana, número 113, foi eleita a primeira diretoria da escola, formada por Paulino de Oliveira (Presidente); Olímpio Correia da Silva, o "Mané Macaco" (Vice-Presidente); Eduardo dos Santos Teixeira (Presidente de honra); Antônio Almeida Valente de Pinho (Patrono); Alcides Nascêncio de Carvalho (Secretário); Djalma Felisberto, o "Chocolate" (Segundo-secretário); Pedro Ceciliano, o "Peru" (Tesoureiro); Manoel Vicente de Oliveira, o "Manoel Carpinteiro" (Segundo-tesoureiro); Durval Antônio Jesus (Procurador); Antônio José da Silva, o "Malandro" (Segundo-procurador); Manoel Bernardo, o "Cabinho" e Manoel de Souza Gomes o "Manelito" (Sindicância); Custódio Augusto (Presidente do Conselho Fiscal); João Batista dos Santos, o "Bitaca", Mário José da Silva o "Totico", Joviano de Oliveira e Manoel Laurindo da Conceição, o "Neca da Baiana" (Membros do Conselho Fiscal).[23]
Atributos
[editar | editar código]Nome
[editar | editar código]O nome da escola foi escolhido em uma reunião realizada na sede da Confederação Brasileira das Escolas de Samba, no dia 27 de fevereiro de 1953, antes da reunião de fundação do Salgueiro. A reunião foi mediada por Oscar Messias Cardoso, presidente da Confederação. Ele próprio sugeriu nomear a agremiação de "Milionários do Salgueiro". Paulino de Oliveira, presidente da Depois eu Digo, sugeriu o nome "Salgueiro Capital do Samba". Pedro Ceciliano indicou "Unidos Acadêmicos". Eduardo Santos Teixeira, presidente da Azul e Branco, propôs "Acadêmicos do Salgueiro". Joaquim Calça Larga sugeriu “Academia do Salgueiro”. Manoel Vicente de Oliveira propôs "Voz do Salgueiro". Também foram sugeridos os nomes "União do Salgueiro" e "Catedráticos do Salgueiro". Após longa discussão, Joaquim Calça Larga apoiou o nome “Acadêmicos do Salgueiro”, que posto em votação, foi aprovado pelos demais.[24]
Alcunha
[editar | editar código]A escola é apelidada de "Academia do Samba", enquanto seus torcedores são chamados pelo designativo "salgueirense".[2][25]
Cores
[editar | editar código]Em reunião realizada no dia 27 de fevereiro de 1953, foi aprovada, através de votação, as cores verde e amarela.[24] Porém, após essa reunião, outras foram realizadas, no que as cores foram rediscutidas. O Salgueiro tem como cores o vermelho e o branco, escolhidas por Francisco Assis Coelho (Gaúcho), na reunião de fundação da escola, em 5 de março de 1953. A justificativa pela escolha e de que, na época, não havia escola com esta combinação de cores.[19][23]
Símbolos
[editar | editar código]O Salgueiro tem como símbolos quatro instrumentos de percussão: pandeiro, surdo de barrica, tamborim quadrado e afoxé de cabaça com fitas; além de uma baqueta representando os demais tambores surdos. Todos característicos da década de 1950.[6]
Bandeira
[editar | editar código]A bandeira do Salgueiro foi criada em 1956, por Pedro Ceciliano (Peru), na gestão do presidente Nelson de Andrade. Antes da oficialização, os pavilhões mudavam a cada ano, de acordo com o enredo da escola.[26] A bandeira oficial consiste em um retângulo formada por 16 raios, dispostos em cores intercaladas (8 vermelhos e 8 brancos), partindo do escudo da escola, no canto superior esquerdo, em direção às extremidades do pavilhão. O escudo do Salgueiro é formado por um círculo vermelho, onde ficam dispostos os símbolos da escola (pandeiro, surdo de barrica, tamborim quadrado, afoxé de cabaça com fitas e uma baqueta). Os instrumentos são circundados pela inscrição "G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro" em letras brancas, maiúsculas, da esquerda para a direita, começando na parte central e inferior do círculo. Entre o início e o final da inscrição, na parte inferior do círculo, localiza-se o ano de confecção da bandeira. A bandeira sofreu transformações ao longo dos anos. Durante algum tempo, o escudo localizava-se ao centro do pavilhão. A partir do carnaval de 2006 foi retomado o desenho original.[18]
Lema da escola
[editar | editar código]| “ | Nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente.[18] | ” |
Pioneirismos, inovações e "revolução estética"
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A história do Salgueiro, entre as décadas de 50 e 70, é marcada por pioneirismos e inovações.[27] A escola foi a primeira agremiação a convidar artistas plásticos, de formação acadêmica para confeccionar seus desfiles.[10] Em 1959, o casal de artistas plásticos Dirceu e Marie Louise Nery foram responsáveis pelo desfile da escola. Em 1960, o professor da Escola de Belas Artes e cenógrafo do Teatro Municipal do Rio de Janeiro Fernando Pamplona foi convidado para confeccionar o desfile da agremiação. Pamplona ainda levaria ao Salgueiro o figurinista do Teatro Municipal carioca, Arlindo Rodrigues; o aderecista e desenhista da Escola de Belas Artes, Nilton Sá; Max Lopes, também da EBA; e suas alunas, também da Escola de Belas Artes, Lícia Lacerda, Maria Augusta e Rosa Magalhães; além do cenógrafo Renato Lage. Joãosinho Trinta, naquela época bailarino do Municipal, também começou no Salgueiro, sendo levado por Arlindo Rodrigues. A entrada de artistas acadêmicos no carnaval carioca provocou uma revolução estética nos desfiles das escolas de samba.[28] Os quesitos plásticos (fantasias e alegorias), que até então ficavam em segundo plano em detrimento ao samba, bateria e outros quesitos, ganharam grande importância ao receberem maior tratamento visual. Portados de maior conhecimento sobre artes plásticas e cenografia, Pamplona e seus "pupilos" buscaram imprimir maior efeito visual às fantasias e alegorias, introduzindo materiais alternativos como palha, ráfia, raspa de vime, feltro, papel alumínio, sisal, isopor, entre outras fibras. Com o passar do tempo, outras escolas levaram artistas acadêmicos para confeccionar seus desfiles, consolidando a presença de artistas plásticos nas escolas de samba.
O Salgueiro também inovou nas escolhas dos enredos, homenageando personalidades brasileiras pouco conhecidas na época, como Zumbi dos Palmares (em 1960), Chica da Silva (em 1963), Chico Rei (em 1964) e Dona Beija (em 1968). Na época, apenas figuras conhecidas da história nacional eram temas de enredo, herança do patriotismo imposto pelo Estado Novo e que ainda vigorava no carnaval carioca.[29] Em 1957, a escola colocou os afrodescendentes como protagonistas do carnaval, ao realizar o enredo "Navio Negreiro", sobre a viagem de escravos ao Brasil. A escola criou forte identificação com essa temática, tendo diversos enredos abordando a cultura afro-brasileira. Também foi a primeira escola a fazer um enredo sobre uma personalidade feminina, com "Xica da Silva", de 1963.[12] Neste mesmo ano, foi a primeira escola a apresentar uma ala de passo marcado. Mercedes Baptista, a primeira bailarina negra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, coreografou a ala "o minueto".[30] Na época, a ideia causou polêmica, mas, com o passar do tempo, o artifício foi utilizado por outras agremiações em seus desfiles.[13] Em 1965, a escola inovou ao apresentar vinte rapazes da comunidade, fantasiados de burrinhas, em sua comissão de frente, lugar tradicionalmente ocupado por integrantes da velha guarda.[31][32] Fernando Pamplona atribuiu as mudanças na forma de fazer desfile a Nelson de Andrade, presidente do Salgueiro, que lhe convidou para fazer o desfile da escola em 1960. Segundo Pamplona, Nelson "foi o cara que revolucionou o carnaval. Em vez de cantar 'capa e espada' cantou o artista".[19][33]
A escola também foi uma das responsáveis por uma mudança no gênero de sambas-enredo.[10][34] Numa época de sambas extensos, com letras rebuscadas e melodia cadenciada, a escola apostou em sambas curtos, de letras fáceis e refrões fortes.[35] O primeiro foi "Bahia de Todos os Deuses", de 1969. Mas foi em 1971 que a escola conquistou grande êxito, com o samba composto por Zuzuca para o enredo "Festa Para Um Rei Negro".[36] O samba fez sucesso antes mesmo de vencer a disputa na quadra.[37] Foi campeão de vendagem ao ser regravado e lançado como single individual pelo cantor Jair Rodrigues.[38] Fez sucesso no exterior, e virou hino de torcida de futebol.[39] Após o sucesso do samba de 1971, compositores de outras escolas passaram a adotar o novo modelo.[40] Em 1972, a escola Império Serrano foi campeã do carnaval carioca com um samba-enredo nesse novo formato. O fato gerou grande discussão entre os sambistas. Silas de Oliveira, da Império Serrano, por exemplo, abandonara as disputas de samba exatamente por desaprovar esse novo modelo de "samba fácil".
No carnaval de 1959, em mais um ato de pioneirismo, o Salgueiro comunicou à organização dos desfiles que não usaria a corda que separava o público dos desfilantes, embora fosse obrigatório pelo regulamento.[41] Foi a primeira escola a homenagear outra agremiação, com enredo "Nossa Madrinha, Mangueira Querida", de 1972.[35]
História
[editar | editar código]Primeiros anos
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Em seu primeiro desfile, com o enredo "Romaria à Bahia" em 1954, a Acadêmicos do Salgueiro surpreendeu o público e alcançou a terceira colocação, à frente da Portela.
O primeiro presidente do Salgueiro foi Paulino de Oliveira e nos anos que se seguiram, a escola ousou ao tratar de enredos que colocassem os negros em destaque, e não como figurantes. É exemplo marcante desse novo estilo, Navio Negreiro (1957). Mas foi em 1958, sob a presidência de Nélson Andrade, que a agremiação adotou o lema que traz até hoje: nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente. Foi Nélson Andrade o responsável pela ida do carnavalesco Fernando Pamplona para o Salgueiro, em 1960, dando início a uma grande mudança no visual da escola. Pamplona criou uma equipe formada por ele, o casal Dirceu e Marie Lousie Nery, Arlindo Rodrigues e Nilton Sá, revolucionou a estética dos desfiles das escolas de samba. Essa tendência foi reforçada com a chegada de Fernando Pamplona e, posteriormente, de Arlindo Rodrigues, que resgataram personagens negros que enriqueceram a história do Brasil, embora fossem pouco retratados nos livros escolares, como Zumbi dos Palmares (Quilombo dos Palmares — 1960), Chica da Silva (Chica da Silva — 1963) e Chico Rei (Chico Rei — 1964).
Década de 1960
[editar | editar código]Desgastado após a confusão da apuração de 1960 e sentindo que já contribuíra o máximo que podia ao Salgueiro, Nelson de Andrade decidiu se afastar da escola. Solidário ao amigo, Pamplona também se afastou do Salgueiro.
1961: "Vida e Obra de Aleijadinho"
Médico do serviço penitenciário, José Nicolau Nachef foi eleito presidente do Salgueiro, indicado por Calça Larga, principal cabo eleitoral da escola. Os meses foram passando e o Salgueiro não se movimentava para o carnaval seguinte. No morro surgiam boatos de que a escola poderia não desfilar, enquanto Calça Larga dizia estar tudo sob controle. Em dezembro de 1960, o Salgueiro sequer tinha carnavalesco, enquanto outras agremiações já escolhiam seus sambas. Na tentativa de salvar a escola, um grupo de componentes procurou Nelson de Andrade para lhe pedir ajuda. O ex-presidente sugeriu que eles solicitassem uma assembleia geral, onde votariam a destituição da presidência. No dia 28 de dezembro de 1960, o plano consumou-se. José Nicolau Nachef foi destituído por assembleia, sendo substituído por uma junta governativa tendo Mário Pinheiro (Buzunga) como presidente. Nelson de Andrade reassumiu a direção de carnaval da escola, chamou Pamplona de volta, e escolheu fazer um enredo sobre o escultor mineiro Aleijadinho, maior nome do barroco brasileiro. Nelson, Pamplona e Arlindo Rodrigues viajaram para Minas Gerais para pesquisar sobre o enredo. De volta ao Brasil, distribuíram um resumo sobre Aleijadinho aos compositores e iniciaram a preparação do desfile num barracão no Largo da Carioca faltando 36 dias para o carnaval. Além de Pamplona e Arlindo, os trabalhos também foram divididos entre Dirceu Nery, Marie Louise e Mauro Monteiro.[42] O Salgueiro foi a oitava escola a se apresentar no carnaval de 1961. A única alegoria do desfile reproduziu o adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos com os Doze Profetas de Aleijadinho, considerada a obra-prima do escultor. Especialistas elogiaram o desfile, mas apontaram que a escola foi prejudicada pela invasão do público na pista, o que diminuiu o espaço de evolução dos componentes.[43][44] Com o desfile, o Salgueiro obteve o vice-campeonato por quatro pontos de diferença para a campeã, Mangueira.[45] Após o carnaval, o bicheiro Natal, patrono da Portela, convenceu Nelson de Andrade a assumir a presidência da escola de Madureira. Torcedor portelense, Nelson aceitou a proposta e encerrou, definitivamente, sua passagem pelo Salgueiro. Pamplona foi convidado a seguir com Nelson, mas recusou o convite, preferindo se afastar momentaneamente do carnaval. O desfile de 1961 marcou a estreia de Isabel Valença desfilando como destaque de chão do Salgueiro. Seu marido, Osmar Valença, comandava um ponto de jogo do bicho na Tijuca e fazia doações financeiras à escola, apesar de ser torcedor da Mangueira. Com a saída de Nelson, os salgueirenses precisavam de um novo líder, e viram na figura de Osmar, e sua condição financeira, a chance de salvação da escola.[46]
1962: "O Descobrimento do Brasil"
Novas eleições foram convocadas. Calça Larga convenceu Osmar Valença a se candidatar e, com o apoio da maioria dos salgueirenses, o bicheiro foi eleito presidente do Salgueiro. Osmar entendia pouco de samba e carnaval e frequentava o Salgueiro a pouco tempo, sendo eleito com a promessa de ajudar financeiramente a escola. De perfil debochado e falastrão, Osmar colecionou polêmicas e fez amigos e inimigos ao longo de sua trajetória na presidência do Salgueiro.[47] Arlindo Rodrigues permaneceu na escola para o carnaval de 1962 e escolheu um enredo sobre a descoberta do Brasil pelos navegadores portugueses. A ideia surgiu ao assistir a ópera O Descobrimento do Brasil no Theatro Municipal do Rio. Quinta agremiação a se apresentar na Avenida Rio Branco, o Salgueiro iniciou seu desfile com o dia amanhecendo. Especialistas elogiaram a apresentação, listando a escola entre as favoritas ao título de campeã, junto com Mangueira, Portela e Império Serrano.[48][49][50] Com o desfile, o Salgueiro se classificou em terceiro lugar. A campeã do ano foi a Portela, do ex-presidente do Salgueiro, Nelson de Andrade.[51] Após a divulgação do resultado, Salgueiro, Império, Mangueira e outras escolas entraram na Justiça contra o campeonato da Portela, alegando que a comissão julgadora foi composta ilegalmente.[52] A ação foi arquivada pelo juiz, que considerou lícita a vitória da agremiação.[53]
1963: "Chica da Silva"

Para o carnaval de 1963, Arlindo Rodrigues escolheu um enredo sobre Chica da Silva, escrava alforriada que atingiu posição de destaque na alta sociedade de Minas Gerais ao manter uma relação de mais de quinze anos com o rico contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira durante o apogeu da exploração de diamantes no Arraial do Tijuco (posteriormente Diamantina). Pela primeira vez na história do carnaval um enredo foi centrado em uma personalidade feminina. Fernando Pamplona foi o responsável por escolher o samba-enredo do desfile. O carnavalesco passava férias no Brasil, quando foi convidado para analisar os dois sambas finalistas do concurso interno da escola, dando o voto de minerva que desempatou a disputa.[54] O local de desfile foi transferido para a Avenida Presidente Vargas, no trecho entre a Avenida Rio Branco e a Rua Regente Feijó, sendo a concentração atrás da Igreja da Candelária. Nona escola a se apresentar pelo Grupo 1, o Salgueiro iniciou seu desfile com o dia amanhecendo. Pela primeira vez, um desfile de escola de samba apresentou uma ala coreografada. Com perucas, luvas e roupas de época, componentes da escola representavam doze pares de nobres dançando polca. A ala "o minueto" foi coreografada por Mercedes Baptista, a primeira bailarina negra do Theatro Municipal do Rio. Na época, a ideia causou polêmica e dividiu opiniões, recebendo críticas de sambistas tradicionalistas. Com o passar do tempo, as coreografias em alas e alegorias foram incorporadas por outras escolas.[12]
Isabel Valença desfilou como destaque de chão representando Chica da Silva. Sua fantasia ostentava uma peruca de mais de um metro, e um vestido com cauda de dois metros de comprimento. A luxuosa fantasia de Isabel fez tanto sucesso que ela foi convidada para participar do concurso de fantasias do Theatro Municipal no ano seguinte, se tornando a primeira mulher negra a vencer o concurso.[55] A escola finalizou sua apresentação consagrada pelo público com gritos de "já ganhou". Especialistas elogiaram o desfile, apontando a escola como a favorita ao título.[56][57] Confirmando a expectativa, o Salgueiro foi campeão, conquistando seu segundo título no carnaval carioca. Desta vez, sozinha. A escola conseguiu a nota máxima na maioria dos quesitos, perdendo apenas dois pontos em Conjunto e Evolução, sagrando-se campeã com ampla vantagem de oito pontos de vantagem sobre a vice, Mangueira.[58] Tanto o samba-enredo quanto o desfile são comumente listados entre os melhores da história do carnaval.[59][60][61][62][63] O samba foi regravado por Monsueto Menezes, Os Cinco Crioulos, Zezé Motta, Mestre Marçal, Neguinho da Beija-Flor e pelos próprios compositores, Anescarzinho e Noel Rosa de Oliveira. O cineasta Cacá Diegues, que assistiu o desfile ao vivo, afirmou que a apresentação foi uma das inspirações para dirigir o filme Xica da Silva, lançado em 1976.[13]
1964: "Chico-Rei"

Para o carnaval de 1964, Arlindo escreveu para Pamplona, que ainda estava na Europa, pedindo um roteiro para o enredo sobre Chico Rei. Pamplona roteirizou o desfile e enviou para Arlindo. Os carnavalescos descobriram a história de Chico em Minas Gerais, durante as pesquisas para o carnaval de 1961. Segundo a tradição oral mineira, Chico era rei de uma tribo no Congo, quando foi levado como escravo para o Brasil, onde foi trabalhar nas minas de ouro de Vila Rica. Para burlar a fiscalização e conseguir dinheiro, Chico escondia pó de ouro nos cabelos; depois lavava a cabeça numa pia batismal da igreja, para recuperar o ouro. Com o ouro acumulado, Chico conseguiu comprar a própria liberdade e adquirir a sua própria mina. Com a riqueza gerada, ele alforriou dezenas de outros escravizados e construiu uma igreja.[64] O Salgueiro foi a oitava escola a se apresentar na Avenida Presidente Vargas. Especialistas elogiaram o desfile, listando a escola entre as favoritas ao título, mas apontaram que o excesso de coreografias atrapalhou a harmonia e a evolução.[65][66] Devido ao sucesso do minueto apresentado no ano anterior, Arlindo encomendou outras alas coreografadas para Mercedes Baptista. Uma dessas alas apresentou uma coreografia extensa e excessivamente teatral. A ala representava escravizados lavando a cabeça numa pia batismal para retirar o pó de ouro escondido no cabelo.[12] Com o desfile, o Salgueiro conquistou o vice-campeonato, apenas um ponto atrás da campeã, Portela.[67] Após o carnaval, Osmar Valença foi reeleito presidente da escola.[68] Em 28 de agosto de 1964, Joaquim Casemiro, o Calça Larga, morreu durante um ensaio na quadra da escola. Segundo relatos orais da época, o diretor sentiu uma dor no coração e caiu no chão. Ao ser socorrido, teria dito: "Não parem o ensaio por minha causa, o samba tem que continuar".[69] Em sua homenagem, a quadra da escola no Morro do Salgueiro recebeu o nome de Quadra Casemiro Calça Larga.[70]
1965: "História do Carnaval Carioca - Eneida"
Para o carnaval de 1965, a Prefeitura do Rio decidiu que todas as escolas fariam enredos em homenagem à cidade do Rio de Janeiro, que completava quatrocentos anos de fundação. Em troca, as agremiações receberam um patrocínio extra para fazer os desfiles.[71] De volta ao Brasil, o carnavalesco Fernando Pamplona escolheu um enredo baseado no livro História do Carnaval Carioca da jornalista e escritora paraense Eneida de Moraes. A obra narra os festejos de carnaval pela cidade carioca, passando por várias épocas, relembrando os entrudos, corsos, blocos, cordões, ranchos, as grandes sociedades e as escolas de samba. Para ajudar na confecção do desfile, Arlindo Rodrigues convidou um colega seu do Theatro Municipal, o bailarino maranhense Joãosinho Trinta, na época, apelidado de "Joãosinho das alegorias". Sexta escola a desfilar, o Salgueiro foi bem recebido pelo público, sendo saudado com confetes e serpentinas, distribuídas pela própria agremiação. A escola desfilaria com três alegorias, mas o presidente salgueirense, Osmar Valença, se esqueceu de mandar buscar o carro abre-alas no barracão de São Cristóvão. Na véspera do desfile, o jornalista Sérgio Bittencourt, do Correio da Manhã, publicou uma coluna intitulada "Crônica Antipática", que incitava vaias ao Salgueiro e a Portela pela presença de artistas alheios à cultura popular das escolas de samba nas agremiações. Com medo das vaias, Pamplona colocou as passistas Irmãs Marinho para abrir o desfile junto a Jorge Calça Larga, que representava o Rei Momo. Mary, Norma e Olívia Marinho representaram o triângulo amoroso formado por Pierrot, Colombina e Arlequim. Na Comissão de Frente, onde normalmente desfilavam integrantes da velha guarda, a escola inovou ao apresentar vinte rapazes da comunidade, vestindo fantasias de burrinhas, desenhadas por Joãosinho Trinta e confeccionadas em vime, representando o cortejo em homenagem à chegada da corte de D. João VI ao Rio de Janeiro - evento considerado o primeiro carnaval da cidade.[32]

Um calhambeque verdadeiro, ornamentado com flores e pompons, representou os corsos. Eneida de Moraes desfilaria na alegoria, mas foi internada, por problemas de saúde, na véspera do desfile, e não pode participar da apresentação. Max Lopes, que na época era chefe de ala na escola, desfilou no calhambeque, ocupando o lugar de Eneida. O Salgueiro foi campeão, conquistando seu terceiro título no carnaval carioca, com a ampla vantagem de dez pontos sobre o vice-campeão, Império Serrano. A escola conseguiu a nota máxima na maioria dos quesitos, perdendo pontos em Bandeira, Evoluções, Fantasias e Letra do samba.[72][73] Após o carnaval, Arlindo e Pamplona se desligaram da escola. A insatisfação dos carnavalescos com Osmar chegou ao limite. Acusavam o presidente de não estar presente em momentos importantes da preparação para o desfile e de investir mais na fantasia da esposa, Isabel Valença, do que na própria escola. Para piorar, Osmar fez um jantar de comemoração pela vitória e não convidou os carnavalescos que, chateados, se afastaram da agremiação.[74][75]
1966: "Os Amores Célebres do Brasil"

O Salgueiro convidou Clóvis Bornay, multipremiado dos concursos de fantasias, para fazer seu desfile no carnaval de 1966. Fazendo sua estreia como carnavalesco, Bornay escolheu um enredo sobre quatro casais célebres da história do Brasil: Caramuru (Diogo Álvares Correia) e Paraguaçu (Catarina Álvares Paraguaçu); Dom Pedro I e Marquesa de Santos; Castro Alves e Eugênia Câmara; e Dirceu (Tomás António Gonzaga) e Marília (Maria Doroteia Joaquina de Seixas Brandão). Em janeiro de 1966, chuvas fortes atingiram o Rio de Janeiro, deixando 250 mortos, além de feridos e desabrigados. A quadra da escola, no Morro do Salgueiro, foi destruída pela chuva, ficando inutilizável. O Salgueiro passou a ensaiar no Clube Maxwell, na rua de mesmo nome, em Vila Isabel. No acordo costurado por Osmar, o clube ficaria com metade da renda adquirida nos ensaios e a escola com a outra metade.[76] O Salgueiro foi a sétima escola a se apresentar pelo Grupo 1 na Avenida Presidente Vargas. Especialistas classificaram o desfile como "frio", sem a vibração dos anos anteriores, apesar de bonito.[77] Com nota máxima apenas em Fantasias e Evolução, o Salgueiro se classificou em quinto lugar, a pior colocação de sua história até então.[78] Após o carnaval, a comunidade salgueirense pediu o retorno de Arlindo e Pamplona. Pra isso acontecer, Osmar Valença foi afastado da escola, que passou a ser administrada por uma junta governativa presidida por Jesus de Oliveira.[79]
1967: "História da Liberdade no Brasil"

Com o afastamento de Osmar Valença, Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues retornaram à escola. A expectativa era de melhores condições na preparação do carnaval, mas a situação piorou. Além da falta de dinheiro, a comunidade estava "dividida" entre os apoiadores e os detratores de Osmar. Pamplona pagou as costureiras com o próprio dinheiro. As alegorias e adereços foram feitos com material doado e sucata.[80] Para o carnaval de 1967, Pamplona escolheu um enredo baseado no livro História da Liberdade no Brasil, do escritor maranhense Viriato Correia. O enredo abordou o período Colonial até a Proclamação da República, com enfoque nas revoltas populares que aconteceram no período. Em plena ditadura militar, o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) acompanhou de perto os preparativos para o desfile, visitando os ensaios da escola no Clube Maxwell e por várias vezes intimando Pamplona a prestar esclarecimentos sobre o enredo.[31][81] Integrantes da escola tinham medo que o desfile fosse censurado pelo DOPS, o que não aconteceu. O Salgueiro foi a quarta escola a se apresentar na Avenida Presidente Vargas. Especialistas elogiaram a apresentação, listando a escola entre as favoritas ao título de campeã.[82][83] Com o desfile, o Salgueiro se classificou na terceira colocação, quatro pontos atrás da campeã, Mangueira. O Salgueiro somou a mesma pontuação final que o Império Serrano, perdendo o vice-campeonato no critério de desempate.[84] Osmar Valença causou polêmica ao desfilar pela Mangueira. Questionado pela imprensa, declarou que era torcedor da Mangueira antes de ir para o Salgueiro.[85]
1968: "Dona Beja, a Feiticeira de Araxá"
Osmar Valença reassumiu a presidência do Salgueiro e convenceu Fernando Pamplona a permanecer na escola. Arlindo Rodrigues e outros salgueirenses se afastaram da agremiação após o retorno de Osmar. Mais uma vez o carnaval foi feito com muita dificuldade. Sem dinheiro, foi difícil encontrar pessoas para trabalhar na escola. Para desenhar as fantasias, Pamplona convidou Marie Louise Nery.[86][87] O desfile marcou as estreias de Laíla como diretor de harmonia, Almir Guineto no comando da bateria e do casal de mestre-sala e porta-bandeira Elcio PV e Estandília. Sétima escola a se apresentar no carnaval de 1968, o Salgueiro iniciou seu desfile na manhã chuvosa da segunda-feira de carnaval. O enredo, sobre Dona Beja, foi assinado por Pamplona, baseado no livro Dona Beja, a Feiticeira do Araxá, do escritor Thomas Othon Leonardos. Especialistas criticaram o desfile. Para o Jornal do Brasil, "foi possível destacar alguns buracos entre as alas, passando pelas alegorias de muito mau gosto, até chegar ao trabalho da porta-bandeira que não estava bem".[88] Segundo o Correio da Manhã, o Salgueiro tentou repetir o sucesso de Chica da Silva, mas foi prejudicado pela chuva, além de apresentar um samba "regular e mal cantado".[89] O jornal O Globo também apontou semelhanças com desfiles anteriores, demonstrando "limitação criadora dos responsáveis pela escola", mas pontuou que a agremiação foi aplaudida pelo público, especialmente as exibições das Irmãs Marinho e de Isabel Valença, que desfilou representando Dona Beija.[90] Recebendo nota máxima apenas em Bateria e Harmonia, o Salgueiro obteve o terceiro lugar, repetindo a classificação do ano anterior.[91]
1969: "Bahia de Todos os Deuses"

Para o carnaval de 1969, Pamplona escolheu um enredo sobre a Bahia. Os salgueirenses receberam a ideia com desconfiança por que, na época, existia uma superstição de que desfile sobre a Bahia dava azar, uma vez que nenhuma escola- incluindo o próprio Salgueiro em 1954, conseguiu vencer o carnaval homenageando o estado baiano. Com pouco dinheiro para fazer o desfile, Pamplona e Arlindo tiveram que improvisar. Contratados para fazer a decoração do baile de carnaval do Copacabana Palace, os carnavalescos fizeram todas as peças em vermelho e branco. Depois do baile, que aconteceu no sábado de carnaval, as decorações foram reaproveitadas como alegorias pelo Salgueiro, que desfilou no domingo. Na época, Pamplona era diretor técnico do Teatro Novo, cujo proprietário permitiu que o Salgueiro usasse as oficinas do Teatro para fazer as alegorias e fantasias. De volta a escola, Joãosinho Trinta usou materiais como raspas de madeira, tubos de plástico, arame e jornal para reproduzir tabuleiros de doces, frutas, flores, peixes e pássaros. O desfile marcou a estreia da carnavalesca Maria Augusta Rodrigues na equipe do Salgueiro. Maria Augusta era aluna de Pamplona na Escola de Belas Artes e foi convidada por ele para ajudar na decoração do salão do Copacabana Palace. Ao final do baile, as peças de decoração foram levadas para a oficina de teatro, onde Maria Augusta ajudou a montar as alegorias e adereços com elas.[92][93]
Oitava escola a se apresentar pelo Grupo 1, o Salgueiro iniciou seu desfile com o dia claro. Um dos destaques da apresentação foi o carro abre-alas, que tinha uma escultura de Iemanjá, confeccionada em papel machê prateado. Criador da alegoria, Arlindo Rodrigues apresentou pela primeira vez um dos recursos visuais mais utilizados em seus futuros trabalhos: espelhos redondos recortados e presos por fios de náilon, formando cascatas. A luz do sol refletia no espelho, causando grande efeito visual.[94] O ano de 1969 marcou a estreia de Xangô do Salgueiro na escola. A partir deste ano, até a sua morte, o professor Júlio Machado desfilaria sempre como destaque representando o orixá Xangô. A escola recebeu gritos de "já ganhou" do público presente na Avenida Presidente Vargas. Especialistas elogiaram o desfile, apontando a escola como favorita ao título de campeã.[95][96] Fez sucesso o samba-enredo do desfile, com letra mais curta do que o padrão da época e refrão de fácil assimilação: "Zum, zum, zum / Zum, zum, zum / Capoeira mata um!", lançando tendência para a mudança que o gênero sofreria nos anos seguintes. Pamplona dizia que a escola tinha abolido o samba-enredo e lançado o samba-tema, uma vez que a obra fazia referências ao tema do enredo ao invés de contar um enredo com início, meio e fim, como era costume na época. O samba foi cantado na avenida por Elza Soares, que mais tarde regravou a obra. O desfile teve ainda Almir Guineto no comando da bateria; Laíla na direção de carnaval e harmonia; e o casal de mestre-sala e porta-bandeira Élcio PV e Estandília.[97] Confirmando o favoritismo, o Salgueiro foi campeão, conquistando seu quarto título no carnaval carioca. A escola conseguiu a nota máxima na maioria dos quesitos, perdendo pontos apenas em Bateria, Harmonia e Letra do samba-enredo, sagrando-se campeão com vantagem de três pontos sobre a vice, Mangueira.[98][99]
Década de 1970
[editar | editar código]1970: "Praça Onze, Carioca da Gema"
Sétima escola a se apresentar no carnaval de 1970, o Salgueiro realizou um desfile sobre a Praça Onze, região da Zona Central da cidade do Rio de Janeiro; palco dos antigos carnavais da cidade, centro da boemia e berço do samba carioca, antes de sua destruição para obras de modernização da região. As alegorias do desfile foram decoradas com material de demolição da própria Praça Onze como portas, janelas, mesas, cadeiras, chafariz, e até um mictório. Também foram utilizados violões, cavaquinhos e grama de verdade. No último carro alegórico, que reproduziu um bar, componentes distribuíam cerveja de verdade ao público, até que a polícia proibiu a distribuição.[100] Isabel Valença desfilou representando Tia Ciata, e recebeu críticas por sua fantasia extremamente luxuosa não condizer com a personalidade representada por ela.[97] Segundo especialistas, a escola desfilou de forma muito rápida, com medo de perder pontos em Cronometragem.[101][102] O samba-enredo do desfile também foi criticado.[103] Com nota máxima apenas em Bateria, o Salgueiro foi vice-campeão do carnaval com cinco pontos de diferença para a campeã, Portela.[104]
1971: "Festa para Um Rei Negro"
Para o carnaval de 1971, o Salgueiro escolheu um enredo de Arlindo Rodrigues sobre o filho de um nobre africano enviado ao Brasil para estudar medicina. Posteriormente, a carnavalesca Maria Augusta apresentou a Fernando Pamplona uma outra história, que ela estava pesquisando para o seu trabalho de conclusão de curso na universidade, sobre a visita de príncipes africanos a Maurício de Nassau, em Recife, para pedir proteção à sua cidade contra os ataques de Portugal. Pamplona gostou da história e decidiu trocar o enredo de Arlindo pelo de Augusta.[105] Responsável pelas alegorias e adereços, Joãosinho Trinta inovou ao introduzir o uso do isopor no carnaval. Maria Augusta e suas auxiliares, Rosa Magalhães e Lícia Lacerda, desenharam as fantasias do desfile, fazendo uso de estampas de pele de zebra e formas geométricas.[106] Arlindo e Pamplona atuaram como supervisores, fazendo pequenas intervenções no trabalho de Augusta e João.[107]
O Salgueiro foi a quarta escola a se apresentar na Avenida Presidente Vargas. Especialistas elogiaram o desfile, listando a escola entre as favorita ao título.[108][109] Confirmando o favoritismo, o Salgueiro foi campeão, conquistando seu quinto título no carnaval. A escola conseguiu a nota máxima na maioria dos quesitos, perdendo apenas um ponto em Bateria e mais um ponto em Mestre-sala e Porta-bandeira, sagrando-se campeão com ampla vantagem de doze pontos sobre a vice, Portela.[110][111] Um dos destaques da apresentação salgueirense foi o samba-enredo, composto por Zuzuca, que fez sucesso antes mesmo de vencer o concurso interno na quadra da escola.[37][112] Eternizado pelo refrão "O-lê-lê, o-lá-lá / Pega no ganzê / Pega no ganzá", o samba fez sucesso no Brasil e no exterior e virou canto de torcida de futebol.[39][40] Foi campeão de vendagem ao ser regravado e lançado como single individual pelo cantor Jair Rodrigues.[38][113] O samba de Zuzuca é considerado um marco no gênero, pois devido ao seu sucesso, compositores de outras escolas passaram a investir em sambas curtos, com letra fácil e refrão forte.[112] O samba é comumente listado entre os mais marcantes da história do carnaval.[114][59][61]
1972: "Nossa Madrinha, Mangueira Querida"

Tentando o bicampeonato consecutivo pro Salgueiro, Fernando Pamplona propôs um enredo ousado para a época: pela primeira vez na história do carnaval, uma escola de samba homenagearia outra escola de samba. Apesar da Mangueira ser madrinha do Salgueiro e ter ajudado a escola em seu início, alguns salgueirenses desaprovaram a escolha do enredo. Na Mangueira a homenagem também não foi bem recebida. A diretoria do Salgueiro ficou reticente em aceitar a ideia. O enredo só foi aprovado após a realização de duas assembleias gerais. Novamente, a agremiação escolheu um samba do compositor Zuzuca, mantendo o estilo de letra curta e de fácil assimilação. O samba, conhecido pelo refrão "Tengo-Tengo / Santo Antônio, Chalé / Minha gente, é muito samba no pé!", fez muito sucesso e foi regravado por Jair Rodrigues, à exemplo do samba do ano anterior.[38] O desfile marcou a estreia de Mestre Louro no comando da bateria salgueirense junto com seu irmão, Almir Guineto. O Salgueiro foi a última escola a se apresentar no carnaval de 1972, iniciando seu desfile na ensolarada manhã da segunda-feira de carnaval. O carro de som da escola sofreu uma pane elétrica antes que os intérpretes Noel e Zuzuca começassem a cantar o samba. Para alguns salgueirenses, houve sabotagem de gente da própria escola que era contra o enredo, mas nada foi comprovado. Sem o acompanhamento sonoro, cada ala cantou uma parte diferente do samba. O público nas arquibancadas também cantava partes diferentes da música. Para piorar a situação, o samba de Zuzuca repetia o mesmo refrão em partes diferentes. Com isso, a volta do refrão podia se dar em dois trechos distintos, o que agravou o caos sonoro. No jargão carnavalesco, o samba "atravessou". A escola finalizou o seu desfile sendo vaiada pelo público.[115][116] Apontado como favorito no pré-carnaval, o Salgueiro não obteve o sucesso esperado, se classificando na quinta colocação.[117] Torcedores salgueirenses protestaram contra Arlindo e Pamplona, promovendo um "enterro simbólico" dos carnavalescos. Mesmo com sua segurança ameaçada, Pamplona subiu o Morro do Salgueiro e assumiu toda a culpa pelo fracasso do desfile. Após o resultado, Arlindo e Pamplona decidiram se afastar da escola.[118]
1973: "Eneida, Amor e Fantasia"

Auxiliares de Arlindo e Pamplona, Joãosinho Trinta e Maria Augusta foram promovidos ao posto de carnavalescos da escola. Na reunião para escolha do enredo, Tereza Aragão sugeriu uma homenagem à jornalista e escritora Eneida de Moraes, morta dois anos antes. Eneida escreveu o livro História do Carnaval Carioca, que serviu de base para o desfile campeão de 1965. O enredo de 1973 foi dividido em duas partes: a primeira, focada no Pará, terra natal de Eneida, com referências às lendas e costumes do local. A segunda parte enfocou o Rio de Janeiro, com destaque para a obra literária de Eneida e sua paixão pelo carnaval carioca. Responsável pelas fantasias do desfile, Maria Augusta viajou a Belém para fazer pesquisas e colher material. Joãosinho também foi ao Pará, no Círio de Nazaré, e voltou ao Rio cheio de objetos e ideias para as alegorias. Geraldo Babão teve seu samba escolhido para o desfile. O samba concorrente de Zuzuca foi cortado logo no início do concurso, mas foi regravado por Jair Rodrigues, com o título de "Boi da Cara Preta", fazendo grande sucesso.[119] O Salgueiro foi a sexta escola a desfilar no carnaval de 1973. Joãosinho Trinta inovou ao colocar diversas pessoas em cima de um carro alegórico. O desfile empolgou o público presente na Avenida Presidente Vargas, que saudou a escola com gritos de "já ganhou". O Jornal do Brasil elogiou o desfile, listando a escola entre as favoritas ao título, junto com o Império Serrano.[120] Segundo análise do jornal O Globo, a escola alternou entre bons e maus momentos.[121] A agremição recebeu três prêmios do Estandarte de Ouro: melhor bateria, melhor enredo e destaque masculino para o diretor Laíla.[122] O Salgueiro se classificou em terceiro lugar, com três pontos de diferença para a campeã Mangueira e dois pontos para o vice, Império Serrano. O Salgueiro conseguiu a pontuação máxima na maioria dos quesitos, perdendo pontos apenas em Comissão de Frente e Samba-enredo.[123]
1974: "O Rei da França na Ilha da Assombração"

Para o carnaval de 1974, Joãosinho Trinta criou seu primeiro enredo. O carnavalesco inovou, apresentando, pela primeira vez na história, um enredo onírico, misturando realidade e imaginação.[124] Segundo a sinopse do enredo, a corte francesa planejava invadir o território onde se localiza o estado brasileiro do Maranhão e estabelecer no local um novo reino da França. O desfile retratou a imaginação de Luís XIII de França, com oito anos de idade, imaginando como seria este novo habitat. No delírio do pequeno rei, a sala de espelhos da Corte Francesa se transformava em floresta, candelabros em palmeiras, e os nobres do salão em indígenas. No desfile, também foram abordadas lendas maranhenses que o próprio Joãosinho Trinta - natural do Maranhão - ouvia de sua babá, Nhá Vita, quando era criança. As lendas foram tratadas como parte da imaginação fértil de Luís XIII. O Salgueiro foi a quarta escola a se apresentar pelo Grupo 1. Devido às obras de construção do Metrô do Rio de Janeiro, o local de desfile foi transferido para a Avenida Presidente Antônio Carlos.[125] Sem dinheiro, Joãosinho teve que usar materiais baratos como isopor, papel alumínio, feltro e madeira. Especialistas elogiaram o desfile, apontando o Salgueiro como favorito ao título de campeão.[126][127] Pela primeira vez, o Salgueiro recebeu o prêmio Estandarte de Ouro de melhor escola do ano. Também foi premiado nas categorias Melhor Enredo e Fantasias.[128] Confirmando a expectativa, o Salgueiro foi campeão, conquistando o seu sexto título no carnaval carioca. A escola conseguiu a pontuação máxima na maioria dos quesitos, perdendo pontos apenas em Bateria, Harmonia e Samba-enredo, sagrando-se campeã com um ponto de vantagem sobre a vice, Portela.[129][130]
1975: "O Segredo das Minas do Rei Salomão"

Para escolher o enredo de 1975, Joãosinho Trinta, Laíla, Maria Augusta e Osmar Valença se reuniram na casa do babalorixá Nilson de Ossaña, que há anos desfilava como destaque no Salgueiro. Maria Augusta sugeriu adaptar o conteúdo do livro Antiga História Brasileira, do escritor austríaco, radicado no Brasil, Ludwig Schwennhagen. Coincidentemente, Joãosinho tinha como ideia um enredo sobre as minas do Rei Salomão, baseado no livro Inscripções e Tradições da América Pré-Histórica Especialmente do Brasil, do escritor brasileiro Bernardo de Azevedo da Silva Ramos. Como os dois livros tratavam da teoria da presença de fenícios no Brasil, os carnavalescos resolveram conciliar as duas propostas. Segundo a teoria, a frota de Rei Salomão esteve na Amazônia, entre 993 e 960 a.C. Utilizando-se dessa brecha, Joãosinho criou um enredo em que navegadores fenícios chegavam à selva brasileira e eram recebidos por amazonas, que acreditavam que eles fossem semideuses. Após a "grande noite de amor e festa de prazer das Amazonas", os navegadores partiam levando as riquezas minerais e pedras preciosas da região que, segundo o enredo, seriam as minas do Rei Salomão.[131] A escolha do enredo causou polêmica. Parte da imprensa e alguns dirigentes de outras escola acusaram o Salgueiro de infringir o regulamento, que determinava que os enredos deveriam ser sobre temas nacionais brasileiros. Joãosinho Trinta precisou explicar nas emissoras de rádio e televisão que o enredo tinha base histórica e não se tratava de um tema estrangeiro.[124]

Em mais um ato de pioneirismo, o Salgueiro foi a primeira escola a realizar uma junção de samba-enredo. Laíla e Joãosinho Trinta resolveram unir trechos de duas obras que estavam na disputa para ser o samba oficial do ano. A decisão causou polêmica na época, mas, com o passar do tempo, a junção de samba virou um artifício usado por outras escolas e pelo próprio Salgueiro. Décima agremiação a se apresentar no carnaval de 1975, o Salgueiro iniciou seu desfile com o dia amanhecendo. Assim como nos anos anteriores, Joãosinho ficou responsável pelas alegorias e Maria Augusta pelas fantasias. A escola continuava em crise financeira e sem quadra. Para fazer o desfile, os carnavalescos usaram sucatas, sobra de materiais do ano anterior e doações de voluntários. Com muita criatividade, canos de plástico, bacias de alumínio, papéis metalizados e muito espelho ajudaram a criar uma ilusão de luxo e brilho em reproduções de pirâmides, bigas e totens africanos.[132] A bateria de Mestre Louro recebeu o prêmio Estandarte de Ouro.[133] Apesar da polêmica em torno do enredo, o Salgueiro ganhou nota dez no quesito e conquistou o seu sétimo título de campeão do carnaval carioca. A escola perdeu apenas dois pontos no quesito Mestre-sala e Porta-bandeira, sagrando-se campeã com dois pontos de vantagem sobre a vice, Mangueira.[134] O desfile marcou a despedida de Joãosinho Trinta, Laíla e Maria Augusta da escola. João recebeu um convite da Beija-Flor de Nilópolis, com a promessa de receber melhores condições de trabalho e mais dinheiro para a confecção do desfile. O carnavalesco aceitou, mas impôs como condição a contratação de Laíla, seu "homem de confiança" no Salgueiro. Maria Augusta se transferiu para a União da Ilha.[131]
1976: "Valongo"

Osmar Valença se afastou da escola, que passou a ser comandada pelo vice-presidente, Moacyr de Carvalho, conhecido como "Moacyr Lord".[135] Tentando o tricampeonato consecutivo, o Salgueiro convidou o carnavalesco Edmundo Braga, que desenvolveu um enredo sobre o Cais do Valongo, localizado na Zona Portuária do Rio de Janeiro, e que serviu para desembarque e comercialização de escravizados chegados da África durante o século XIX. O Salgueiro foi a sétima agremiação a se apresentar no carnaval de 1976. Segundo o Jornal do Brasil, o desfile não empolgou o público presente na Avenida Presidente Vargas; e a escola desfilou com muitos componentes brancos, inclusive representando escravizados, apesar da temática afro-brasileira.[136] A passista Paula do Salgueiro recebeu o prêmio Estandarte de Ouro de Destaque Feminino.[137] Com o desfile, o Salgueiro se classificou em quinto lugar. A escola conseguiu a pontuação máxima em Bateria; enquanto os quesitos mais despontuados foram Enredo e Harmonia. Com Joãosinho Trinta, a Beija-Flor foi a campeã do ano.[138] Após a apuração, Moacyr Lord declarou que achou o resultado justo e que "o pessoal da Beija-Flor é todo saído do Salgueiro. Gente boa, que recebeu melhores ofertas e se mandou".[139] Após o carnaval, Osmar Valença renunciou a presidência da escola e novas eleições foram convocadas.[140]
1977: "Do Cauim ao Efó, com Moça Branca, Branquinha"

Na eleição de 1976 o contraventor do jogo do bicho Euclides Pannar, mais conhecido como China Cabeça Branca, foi eleito presidente do Salgueiro numa disputa contra Aigo, candidato indicado por Osmar Valença. China recebeu o título de sócio benemérito da escola após pagar as dívidas da bateria (fantasias e instrumento) para o carnaval de 1976. Após a eleição, China cumpriu a promessa de conseguir uma quadra para a agremiação. O local escolhido foi na Rua Silva Teles, no Andaraí, onde ficava a sede do Confiança Atlético Clube, o time de operários da Fábrica de Tecidos Confiança. Em 1956, a fábrica foi comprada pelo Grupo Abdalla, mas os novos donos não tinham interesse na manutenção do clube, iniciando uma disputa judicial para expulsar o Confiança de sua sede. Em 1976, China Cabeça Branca se aliou ao Confiança, conseguindo uma liminar para manter o Clube no local e, em troca, realizar os ensaios do Salgueiro lá.[141] Para fazer o carnaval de 1977, China convidou Fernando Pamplona, que relutou, mas acabou aceitando o convite. Para lhe auxiliar com as alegorias, Pamplona convidou seus amigos cenógrafos da TVE, Renato Lage e Stoessel Cândido; além de sua ex-aluna Maria Carmen de Souza, que ficou responsável pelas fantasias.[142] Após meses de construção, que reuniu salgueirenses em regime de mutirão, a quadra do Salgueiro foi inaugurada no dia 3 de outubro de 1976. Na festa de inauguração, Pamplona anunciou o enredo de 1977, sobre comidas e bebidas da culinária brasileira. Pouco tempo depois, China se desentendeu com a cúpula do jogo do bicho, começando uma campanha em defesa da legalização do jogo e denunciando fraudes na apuração dos resultados. China chegou a enviar uma carta aos ministérios da Fazenda e da Justiça denunciando irregularidades e listando as vantagens da legalização do jogo, contrariando a cúpula de bicheiros, que não queriam a legalização. Cerca de um mês depois, em 1 de dezembro de 1976, China foi assassinado ao sair de uma reunião na quadra do Salgueiro. A presidência da escola foi assumida pelo então vice-presidente, Moacyr Lord.[143][144] Nona escola a desfilar na Avenida Presidente Vargas, o Salgueiro iniciou seu desfile com o dia claro. O enredo foi desenvolvido de forma alegre e irreverente, retratando o ciclo da cana-de-açúcar no Brasil; comidas brasileiras como o frango assado e o churrasco gaúcho; a comida dos orixás; o Mercado Ver-o-Peso; o Mercado Modelo; bares e restaurantes; o chope; etc. Adele Fátima desfilou fantasiada de feijoada.[145] Isabel Valença desfilou simbolizando a cachaça e recebeu o prêmio Estandarte de Ouro.[146] O Salgueiro se classificou em quarto lugar, com um ponto de diferença para a bicampeã Beija-Flor. Portela e União da Ilha somaram a mesma pontuação que o Salgueiro, mas ficaram na frente nos quesitos de desempate.[147]
1978: "Do Yorubá à Luz, a Aurora dos Deuses"
Para o carnaval de 1978, o carnavalesco Fernando Pamplona escolheu um enredo semelhante ao da Beija-Flor, sobre a criação do mundo segundo a mitologia iorubá. O enredo foi escolhido propositalmente para desafiar a escola de Nilópolis, que tentaria o tricampeonato consecutivo com o mesmo tema, sob o comando de Joãosinho Trinta. O Salgueiro teve um carnaval conturbado, marcado por dificuldades financeiras e conflitos políticos internos. Para bancar o desfile, Pamplona teve que pedir ajuda a amigos empresários, uma vez que a escola não tinha dinheiro. Foi difícil encontrar pessoas para trabalhar na agremiação, uma vez que não havia dinheiro para pagar os trabalhadores. Pamplona contou com a ajuda de amigos como Paulo César Cardoso, Renato Lage, Stoessel Cândido e Walter Bacchi, que foram pagos pelo próprio Pamplona. Para piorar a situação, a escola sofreu boicote de opositores à presidência de Moacyr Lord. Alegorias e fantasias foram danificadas e os assistentes do carnavalesco foram impedidos de consertá-las por homens armados. A escola não conseguiu sequer pagar os empurradores de alegorias e, mais uma vez, Pamplona teve que pedir ajuda a amigos. Mestre Arengueiro, que comandava a bateria junto com Mestre Louro, foi detido antes do desfile após ameaçar com um revólver um ritmista que estava sem fantasia. A direção da escola se recusou a iniciar o desfile até que o mestre fosse libertado. Pamplona conseguiu que a polícia liberasse Arengueiro para desfilar, com a promessa de que ele se entregaria após a apresentação, o que de fato aconteceu.[148] Quarta agremiação a se apresentar na Rua Marquês de Sapucaí, o Salgueiro desfilou com três carros alegóricos, representando, respectivamente: uma floresta, Oxumarê e Iemanjá.[149] A escola teve problemas de harmonia e evolução, por causa da invasão de público na pista de desfile. O samba "atravessou" e a escola recebeu vaias.[150] Especialistas criticaram o desfile, mas elogiaram o samba-enredo, que também foi premiado com o Estandarte de Ouro.[151][152] O desfile marcou a estreia de Rico Medeiros como intérprete oficial da escola. Enquanto a Beija-Flor conquistou o tricampeonato, o Salgueiro perdeu pontos em todos os quesitos, se classificando em sexto lugar, uma posição acima da zona de rebaixamento.[153] Após o carnaval, Moacyr Lord renunciou a presidência e novas eleições foram convocadas.[154]
1979: "O Reino Encantado da Mãe Natureza Contra o Reino do Mal"
Na eleição de 1978, Osmar Valença foi eleito presidente numa disputa acirrada contra seu opositor, Pedro Nobre de Almeida. A eleição de Osmar afastou muitos salgueirenses, como o próprio carnavalesco Fernando Pamplona.[155] Para o carnaval de 1979, o Salgueiro escolheu como enredo uma fictícia batalha entre a natureza e o "reino do mal", simbolizado por males como a poluição, a seca e a peste. O desfile foi confeccionado pelos carnavalescos Edmundo Braga, Paulino Espírito Santo e Stoessel Cândido. O enredo, de autoria do jornalista Jorge Ivan, é considerado por especialistas como o primeiro de temática ecológica da história do carnaval.[156][157] Peninha e Adriane Nunes assumiram o posto de mestre-sala e porta-bandeira. O Salgueiro foi a quinta escola a se apresentar pelo Grupo 1A. O primeiro setor do desfile representava "o reino encantado da mãe natureza". Um carro alegórico giratório, com diversos pavões coloridos, simbolizava a mãe natureza. O segundo setor do desfile representava "a invasão do mal", com alas simbolizando as queimadas, a poluição e as pragas. O final do desfile simbolizava o futuro. Com roupa branca e carregando ramos de flores nas mãos, as baianas simbolizavam o reflorescimento. Apesar da correção no tratamento do tema, especialistas indicaram que a escola fez um desfile "frio", sem empolgar o público.[158][159] Baiana mais antiga do Salgueiro, Dona Maria Romana recebeu o prêmio Estandarte de Ouro de Personalidade Feminina.[160] Com o desfile, o Salgueiro repetiu a sexta colocação do ano anterior. A escola conseguiu a pontuação máxima apenas nos quesitos Harmonia e Mestre-sala e Porta-bandeira. O quesito mais despontuado foi Comissão de Frente com a perda de cinco pontos.[161]
Década de 1980
[editar | editar código]1980: "O Bailar dos Ventos. Relampejou, mas não Choveu"
Com problemas de saúde, Osmar Valença se afastou da escola, delegando plenos poderes ao então diretor de carnaval, Walter Fernandes. Sob nova direção, a escola convidou o carnavalesco Max Lopes, que iniciou sua carreira no carnaval como assistente de Fernando Pamplona no Salgueiro. Max sugeriu um enredo sobre o compositor Lamartine Babo e começou a desenhar as fantasias e alegorias. Porém, durante a preparação para o desfile, o presidente Osmar Valença reassumiu a presidência da escola e demitiu o carnavalesco. O enredo foi considerado fraco por Osmar, que convidou os carnavalescos Ney Ayan e Jorge Nascimento para substituir Max. Os novos carnavalescos desenvolveram um enredo sobre Iansã, orixá relacionada aos raios e ventos. Valença também trocou a Direção de Carnaval, substituindo Walter Fernandes pelos industriais Wilson Gusmão e Jorge Pinto Claro, que já desfilavam na escola desde 1976.[162] Para o carnaval de 1980, a AESCRJ tomou a polêmica decisão de abolir os quesitos Mestre-sala e Porta-bandeira e Comissão de Frente com a justificativa de que eles estavam se tornando onerosos, visto que as escolas estavam negociando financeiramente os melhores profissionais. Apesar de não serem julgados, a apresentação dos segmentos foi mantida como obrigatória. Quarta escola a se apresentar, o Salgueiro realizou um desfile multicolorido, com pouco uso das cores vermelho e branco, o que gerou críticas de especialistas.[163][164] Pelo segundo ano consecutivo, Dona Maria Romana recebeu o prêmio Estandarte de Ouro; dessa vez, na categoria Destaque Feminino.[165] Oficialmente, o Salgueiro se classificou em terceiro lugar, mas ficou atrás de seis escolas, já que três agremiações empataram na primeira colocação e outras três empataram em segundo, o que, na prática, lhe confere o sétimo lugar entre as dez escolas do grupo.[166]
1981: "Rio de Janeiro"

Para o carnaval de 1981, o ator e diretor Régis Cardoso, que já desfilava há anos na escola, se juntou a Wilson Gusmão e Jorge Pinto Claro na Direção de Carnaval. Juntos, organizaram rodas de samba, shows e lista de doações a fim de conseguir recursos para o desfile do Salgueiro. Gusmão teve a ideia de fazer um enredo sobre a cidade do Rio de Janeiro, convidando o carnavalesco Geraldo Sobreira para desenvolvê-lo.[167] O Salgueiro foi a sétima escola a se apresentar, iniciando seu desfile com o dia amanhecendo. O desfile começou retratando a fundação da cidade; passando pelo período colonial, com referências ao pintor francês Debret; e o período imperial, com Isabel Valença representando a Marquesa de Santos. A época contemporânea do Rio foi representada com referências ao futebol, com as bandeiras dos times cariocas; além da praia, do sol e do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A última alegoria, em forma de bolo, tinha Elke Maravilha como destaque.[168] Especialistas elogiaram o desfile, apontando que foi a melhor apresentação da escola nos últimos anos.[169][170] Apesar dos elogios, o Salgueiro obteve apenas a quinta colocação. A escola perdeu pontos em todos os quesitos, sendo Alegorias o mais despontuado, com a perda de nove pontos.[171] O presidente Osmar Valença classificou o resultado como "um verdadeiro absurdo". A Imperatriz Leopoldinense foi a campeã do ano com um desfile em homenagem a Lamartine Babo, enredo cancelado por Osmar Valença no ano anterior. O quesito Comissão de Frente voltou a ser avaliado.[172]
1982: "No Reino do Faz de Conta"

Findo seu mandato, Osmar Valença decidiu não concorrer à reeleição. Apoiado por Wilson Gusmão, Jorge Pinto Claro e outros salgueirenses históricos, Sillos de Oliveira foi aclamado presidente, tendo o compositor Djalma Sabiá como vice. Para o carnaval de 1982, Geraldo Sobreira ganhou a companhia de José Félix. Os dois carnavalescos desenvolveram um enredo sobre reinos encantados: "Reino de Ouro", "Reino de Prata", "Reino Brilhante", "Reino das Águas", "Reino de Xangô", "Reino da Magia", "Reino das Fadas" e o "Reino do Pássaro de Cristal". Semanas antes do desfile, surgiram boatos de que os trabalhos estavam atrasados e a escola poderia não desfilar, contrastando com as declarações públicas do presidente Sillos de que estaria tudo bem. Faltando uma semana para o carnaval, Sillos admitiu que a confecção do desfile estava atrasada e acusou um grupo de oposição de estar tentando sabotar seu trabalho. Com a fantasia da bateria retida no ateliê de costura por falta de pagamento e muita coisa a se fazer no barracão, um grupo de salgueirenses, liderado por Wilson Gusmão, expulsou Sillos da presidência da escola. Com ajuda financeira de comerciantes, Gusmão conseguiu pagar a roupa da bateria.[173] Quinta escola a se apresentar pelo Grupo 1A, o Salgueiro desfilou com apenas duas alegorias: o carro abre-alas, que representava um castelo, e tinha efeito giratório; e um outro representando o encontro entre o "Rei Sol" e a "Rainha Lua". A terceira alegoria não chegou até o local de desfile por falta de reboque.[174] Especialistas criticaram o samba-enredo da escola, mas elogiaram a garra dos componentes diante da crise política e financeira na agremiação, destacando o desempenho do casal Adriane e Peninha e da bateria de Mestre Louro.[175][176] Adriane recebeu o prêmio Estandarte de Ouro de melhor porta-bandeira.[177] Com o desfile, o Salgueiro se classificou em oitavo lugar, a pior colocação de sua história até então. A escola conseguiu a pontuação máxima apenas no quesito Mestre-sala e Porta-bandeira, que voltou a ser julgado.[178]
1983: "Traços e Troças"

Duas chapas concorreram à eleição no Salgueiro: uma liderada por Régis Cardoso; e outra liderada por Edson Valença, filho do ex-presidente Osmar Valença com a destaque Isabel Valença. Com apoio expressivo da comunidade, Régis Cardoso foi eleito presidente do Salgueiro.[179] O diretor Augusto César Vannucci sugeriu a Régis um enredo sobre a caricatura no Brasil. O enredo foi formalizado num encontro com diversos caricaturistas brasileiros como Ziraldo, Lan, Chico Caruso e Jorge Guidacci. Para o posto de carnavalesco, Ziraldo sugeriu o artista José Luiz Rodrigues, que havia feito um desfile baseado num de seus livros para uma escola de Juiz de Fora. O artista chegou a desenhar as fantasias e alegorias para o desfile, mas se desligou da agremiação muito antes do carnaval. Régis preferiu não contratar outro carnavalesco, cuidando, ele próprio, dos preparativos para o desfile. O samba-enredo escolhido fez sucesso na fase pré-carnaval, sendo apontado por especialistas entre os melhores do ano.[180] O Salgueiro foi a sétima escola a se apresentar no carnaval de 1983. A comissão de frente foi formada por atrizes famosas como Susana Vieira, Marília Pêra e Lady Francisco, que vestiam figurinos vermelhos, desenhados por Lan. O carro abre-alas representava o Pão de Açúcar, de onde surgia a caricatura do então governador fluminense Leonel Brizola. Devido a crise financeira, a escola apresentou poucas alegorias, preferindo utilizar estandartes com frases que remetiam ao enredo.[181] Especialistas criticaram o desfile, destacando negativamente a falta de leitura do enredo e a precariedade das alegorias.[182][183] O desfile marcou a estreia da porta-bandeira Rita Freitas, que dançou com a mestre-sala Amauri, conquistando a nota máxima dos jurados. Com o desfile, o Salgueiro repetiu a oitava colocação do ano anterior. Além de Mestre-sala e Porta-bandeira, a escola também conseguiu a pontuação máxima em Harmonia. O quesito mais despontuado foi Alegorias, com a perda de oito pontos.[184]
1984: "Skindô, Skindô"
O carnaval de 1984 foi o primeiro realizado no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, inaugurado no mesmo ano.[185][186] A partir desse ano, o desfile da primeira divisão passou a ser dividido em duas noites. Ficou definido que nesse ano em específico, uma escola seria campeã da primeira noite de desfiles (iniciada no domingo) e outra escola venceria a segunda noite (iniciada na segunda-feira), sendo que os dois desfiles teriam comissões julgadoras diferentes.[187] No sábado seguinte aos desfiles seria realizada uma nova apresentação, valendo o título de Supercampeã, disputada pelas três primeiras colocadas do desfile de domingo mais as três melhores classificadas do desfile de segunda-feira e as duas primeiras colocadas do Grupo 1B (a segunda divisão do carnaval). Esse modelo de uma escola campeã por noite e um Supercampeonato entre as campeãs foi adotado apenas em 1984. [188]

Para surpresa da comunidade salgueirense, Arlindo Rodrigues e Laíla aceitaram retornar à escola, que passava por um momento de turbulência política e financeira. Arlindo Rodrigues desenvolveu um enredo baseado em um show produzido por Haroldo Costa, denominado "Na Pista do Samba", que tinha como tema a influência da cultura negra na formação da música brasileira. Com dificuldade financeira, o carnavalesco optou por utilizar mais tripés do que carros alegóricos. Uma alegoria não ficou pronta a tempo e algumas fantasias foram entregues momentos antes do início da apresentação.[189][190] O samba-enredo do desfile, assinado pelos ícones portelenses David Corrêa e Jorge Macedo, fez sucesso no período de pré-carnaval. O próprio David interpretou o samba no desfile. Causou polêmica a decisão de Laíla de destituir o diretor de bateria, Mestre Louro, a poucas semanas do carnaval. O fato causou mal estar entre os ritmistas, que ameaçaram não desfilar. A situação foi contornada e o próprio Louro desfilou tocando tamborim na bateria da escola. O Salgueiro foi a quarta agremiação a se apresentar na primeira noite (domingo) de desfiles. Especialistas classificaram o desfile como "correto", mas reclamaram da falta de garra e empolgação, tão características da comunidade salgueirense.[191][192] Mestre Louro e a bateria da escola receberam o prêmio Estandarte de Ouro.[193] O Salgueiro conquistou a quarta colocação do desfile de domingo, não se classificando para disputar o Supercampeonato. A escola só conseguiu a pontuação máxima nos quesitos Mestre-sala e Porta-bandeira e Samba-enredo.[194] Em julho de 1984, o Salgueiro participou da fundação da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (LIESA). Dirigentes de dez das principais escolas de samba do Rio decidiram se desligar da AESCRJ e fundar a nova entidade com o objetivo de administrar o desfile do grupo principal, negociar diretamente a subvenção com Prefeitura e os direitos de imagem com as emissoras de televisão, além de controlar e repartir o lucro dos desfiles com as agremiações.[195][196]
1985: "Anos Trinta, Vento Sul - Vargas"

Régis Cardoso renunciou a presidência da escola. Com apoio da comunidade salgueirense, Milton Souza de Almeida, conhecido como Miltão, foi eleito presidente do Salgueiro.[197] Com Laíla fora da escola, Mestre Louro retomou o comando da bateria. Rico Medeiros também retornou ao posto de intérprete principal. Os carnavalescos Edmundo Braga e Paulino Espírito Santo, campeões com a Portela em 1984, foram convidados a fazer o desfile salgueirense, e propuseram um enredo em homenagem ao ex-presidente brasileiro Getúlio Vargas, morto em 1954. O enredo recebeu críticas de especialistas. Fernando Pamplona, que comentava o desfile ao vivo pela Rede Manchete, acusou a escola de trair sua tradição de "cantar a liberdade" ao homenagear um "ditador".[198] Para fugir das polêmicas, os carnavalescos desenvolveram o enredo como se fosse uma história medieval, com referências ao folclore do Rio Grande do Sul e analogia aos orixás.[199] O Salgueiro foi a quarta escola a se apresentar na primeira noite (domingo) do carnaval de 1985. Segundo especialistas, o desfile não empolgou o público presente no Sambódromo e pouco se viu do homenageado no enredo, que abusou de metáforas e simbolismos.[200][201] A porta-bandeira Rita Freitas e a passista Narcisa Macedo foram premiadas com o Estandarte de Ouro.[202] Com o desfile, o Salgueiro se classificou em sexto lugar. A escola conseguiu a pontuação máxima apenas no quesito Mestre-sala e porta-bandeira. O quesito mais despontuado foi Fantasias, com a perda de três pontos.[203] Após o carnaval, Miltão renunciou a presidência do Salgueiro e novas eleições foram convocadas.[204]
1986: "Tem que se tirar da cabeça aquilo que não se tem no bolso - Tributo a Fernando Pamplona"

Atendendo a pedidos da própria comunidade salgueirense, a ex-passista, destaque e relações públicas da escola, Elisabeth Nunes foi eleita a primeira presidente mulher do Salgueiro. Sem dinheiro para fazer o desfile, Elisabeth pediu ajuda ao amigo Waldemiro Garcia, mais conhecido como Miro, que aceitou o convite para se tornar patrono do Salgueiro. Miro era contraventor do jogo do bicho e já tinha sido presidente e patrono da Unidos de Vila Isabel.[205][204] Sexta escola a se apresentar na segunda noite (segunda-feira) do carnaval de 1986, o Salgueiro prestou uma homenagem ao carnavalesco Fernando Pamplona, relembrando os doze carnavais realizados por ele na escola. O título do enredo é uma frase do próprio Pamplona.[206][207] O desfile foi confeccionado pelos carnavalescos Ney Ayan, Mário Monteiro e Yarema Ostrower. Pamplona, que na época comentava os desfiles pela Rede Manchete, foi contra a homenagem e não desfilou, mas se emocionou ao comentar a apresentação, ao vivo, na transmissão da Manchete. A Comissão de Frente do desfile foi formada por amigos do homenageado, entre eles: Arlindo Rodrigues, Maria Augusta, Haroldo Costa e Albino Pinheiro. A escola teve problema em uma de suas alegorias, o que prejudicou a evolução dos componentes, que tiveram que "correr" no final do desfile para não ultrapassar o tempo limite. Especialistas elogiaram o desfile, mas apontaram que o samba-enredo não empolgou o público no Sambódromo.[208] O Salgueiro recebeu quatro prêmios do Estandarte de Ouro: melhor porta-bandeira para Rita Freitas; melhor mestre-sala para Amauri; melhor Ala de Baianas; e Personalidade Feminina para a presidente Elisabeth Nunes.[209] Com o desfile, o Salgueiro repetiu a sexta colocação do ano anterior. A escola conseguiu a pontuação máxima nos quesitos Bateria, Comissão de Frente, Fantasias e Mestre-sala e Porta-bandeira. O quesito mais despontuado foi Conjunto, com a perda de três pontos.[210]
1987: "E por que não?"

Para o carnaval de 1987, a escola trocaria novamente de carnavalescos. Renato Lage, que começou sua carreira como auxiliar de Fernando Pamplona no Salgueiro, retornou à escola, assinando o desfile junto com sua esposa, Lilian Rabelo. Rixxah, que já atuava como apoio de Rico Medeiros, fez sua estreia como intérprete oficial. O Salgueiro foi a quinta agremiação a se apresentar na primeira noite (domingo) do Grupo 1. O enredo da escola questionava por que não era possível um mundo com paz, harmonia e felicidade. A alegoria "Aeroplano Supersônico" apresentava uma réplica carnavalizada do 14-bis, lembrando que o desejo de voar era um sonho que foi concretizado. Outra alegoria representava uma nave espacial, com luzes LED, faróis de carro e acabamento em espelho. Uma bem-humorada alegoria, intitulada "O polvo no poder", tinha esculturas dos presidentes do Brasil (José Sarney) e dos Estados Unidos (Ronald Reagan) presos nos tentáculos de um polvo. Um carro alegórico simbolizava a transformação das usinas atômicas em usinas harmônicas. Outro elemento alegórico representava um tanque de guerra com o cano do canhão amarrado com um nó. A última alegoria tinha a reprodução de uma grande pomba branca, simbolizando um pedido de paz.[211][212] Especialistas classificaram o desfile como "correto", destacando a bateria de Mestre Louro e o samba-enredo.[213][214] Com o desfile, o Salgueiro se classificou em quinto lugar. A escola conseguiu a pontuação máxima nos quesitos Bateria, Fantasias, Harmonia e Samba-enredo.[215]
1988: "Em Busca do Ouro"
Em mais uma troca de carnavalescos, o Salgueiro contratou o experiente cenógrafo Mário Monteiro e o figurinista Chico Spinoza, que fez sua estreia no carnaval. Os dois assinaram um enredo sobre o ouro. O Salgueiro foi a sétima e penúltima agremiação a se apresentar na "primeira noite" (domingo) do Grupo 1, iniciando seu desfile com o dia amanhecendo. O desfile abordou tudo o que envolve o ouro, como o mito do Rei Midas, que transformava em ouro tudo o que tocava; o ciclo do ouro no Brasil; as bodas de ouro; o roubo e derretimento da Taça Jules Rimet; a busca pelo ouro no esporte, nas artes e no carnaval, com as medalhas de ouro, os discos de ouro e o Estandarte de Ouro - respectivamente. A cantora Joanna desfilou no tripé que representava os discos de ouro. Os cantores Ângela Maria e Cauby Peixoto desfilaram no tripé que representava a "era de ouro" das rádios. O carnavalesco Arlindo Rodrigues, morto no ano anterior, foi homenageado em um tripé com a inscrição "Arlindo Rodrigues - Carnavalesco de Ouro". A ala das baianas causou impacto com suas fantasias nas cores preto e dourado, representando o "ouro negro" (petróleo). A ala foi premiada com o Estandarte de Ouro. Estreando na escola, formando par com a porta-bandeira Norminha, o mestre-sala Ronaldinho também foi premiado pelo Estandarte.[216] O desfile foi encerrado por uma alegoria em formato de galinha, intitulada "Brasília, galinha dos ovos de ouro", numa crítica à então política econômica do Brasil.[217] Especialistas elogiaram o desfile, destacando a garra dos componentes e apontando que a escola conseguiu animar o público presente no Sambódromo.[218][219] O Salgueiro se classificou em quarto lugar no carnaval de 1988. A escola perdeu pontos em Alegorias, Bateria, Mestre-sala e Porta-bandeira e Samba-enredo.[220] Após o carnaval, Miro Garcia foi eleito presidente do Salgueiro, tendo seu filho, Maninho, como vice-presidente.[221]
1989: "Templo Negro em Tempo de Consciência Negra"
Para o carnaval de 1989, o Salgueiro contratou os carnavalescos Luiz Fernando Reis e Flávio Tavares; enquanto Élcio PV e Dóris assumiram o posto de mestre-sala e porta-bandeira. Conhecido por seus desfiles de temática afro-brasileira, o Salgueiro foi criticado por não apresentar algo do tipo em 1988, ano do centenário da abolição da escravatura no Brasil, quando outras escolas apostaram nessa temática, incluindo a campeã Vila Isabel, que apresentou o histórico "Kizomba, Festa da Raça". Miro Garcia reagiu às críticas, solicitando aos novos carnavalescos um enredo de temática afro. Conhecido por seus desfiles leves e debochados na Caprichosos de Pilares, Luiz Fernando Reis apresentou um novo estilo, com alegorias luxuosas e uma abordagem mais séria. O enredo assinado pelos carnavalescos foi dividido em duas partes: "Salgueiro - Templo negro", que relembrou os desfiles de temática afro-brasileira apresentados pelo Salgueiro; e "Salgueiro em tempo de consciência negra", que exaltou personalidades que lutaram pela liberdade como Escrava Anastácia, João Cândido e Zumbi dos Palmares. Assim como no ano anterior, o Salgueiro foi a penúltima agremiação a se apresentar na "primeira noite" (domingo) do Grupo 1, iniciando seu desfile com o dia claro. Participaram da apresentação, a cantora Watusi, o ator Antonio Pitanga e a destaque Isabel Valença, que voltou a representar Chica da Silva, 26 anos após o histórico desfile campeão de 1963. Após um início lento, a escola teve que "correr" no final do desfile para não ultrapassar o tempo limite. O contingente da escola beirou os cinco mil componentes, o que contribuiu para atrasar a evolução. Especialistas elogiaram o desfile, listando o Salgueiro entre as favoritas ao título junto com Beija-Flor, Imperatriz, Vila Isabel e União da Ilha, mas apontando vantagem para a escola de Nilópolis, que desfilou com o antológico "Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia".[222][223] O intérprete Rixxah e a Ala de Baianas receberam o prêmio Estandarte de Ouro.[224] O Salgueiro foi a quinta colocada do carnaval de 1989, ficando atrás de desfiles históricos como o campeão, "Liberdade! Liberdade! Abre as Asas Sobre Nós" da Imperatriz; "Ratos e Urubus" da Beija-Flor; "Festa Profana" da União da Ilha; e "Direito É Direito" da Vila Isabel. O Salgueiro conseguiu a pontuação máxima na maioria dos quesitos, perdendo apenas três pontos em Harmonia, Evolução e Comissão de Frente.[225] No Desfile das Campeãs, integrantes da agremiação protestaram contra o resultado, exibindo uma faixa com o escrito: "Nem melhor, nem pior. Apenas roubado" - uma paródia ao lema da escola.[226]
Década de 1990
[editar | editar código]O Salgueiro começou a década de 1990 com bons resultados, conquistando o título do carnaval de 1993 com o histórico "Peguei Um Ita no Norte". O samba-enredo do desfile, conhecido como "Explode Coração", fez tanto sucesso que a escola tentou repetir a catarse nos anos seguintes, mas não obteve o mesmo resultado. Ainda nessa década a escola conseguiu de forma definitiva a sua quadra no Andaraí.
1990: "Sou Amigo do Rei"

Rosa Magalhães, que iniciou sua carreira no carnaval como auxiliar de Fernando Pamplona no Salgueiro, retornou à escola como carnavalesca titular da agremiação. O intérprete Rico Medeiros também retornou à escola, substituindo Rixxah.[227] O Salgueiro foi a sétima agremiação a se apresentar na primeira noite (domingo) do Grupo Especial (antigo Grupo 1). O enredo da escola teve como tema as histórias e lendas do Rei Carlos Magno e seus cavaleiros, denominados "os doze pares da França". As histórias do Rei influenciaram a origem de festejos folclóricos populares como a congada, a cavalhada e a folia de reis. [228] Especialistas elogiaram o desfile, apontando a escola entre as melhores do ano.[229][230] O Salgueiro recebeu o Estandarte de Ouro de melhor enredo. Representando cavaleiros medievais, a Comissão de Frente, coreografada por Suzana Braga, também foi premiada.[231] O Salgueiro conquistou o terceiro lugar do carnaval de 1990 com apenas um ponto de diferença para a campeã, Mocidade. A escola conseguiu a pontuação máxima na maioria dos quesitos, perdendo apenas um ponto em Harmonia e um ponto em Alegorias.[232] O desfile marcou a despedida da histórica destaque Isabel Valença, morta no mesmo ano, vítima de problemas circulatórios. Ainda em 1990, Rosa Magalhães fez uma exposição sobre o desfile no Parque Lage, no Rio, intitulada "Salgueiro no Parque".[233]
1991: "Me Masso se não Passo pela Rua do Ouvidor"

O carnaval de 1991 marcou a estreia do intérprete Quinho no Salgueiro. A porta-bandeira Rita Freitas e o mestre-sala Ronaldinho retornaram à escola dançando juntos pela primeira vez. Sexta agremiação a se apresentar na segunda noite (segunda-feira) do Grupo Especial, o Salgueiro realizou um desfile sobre a Rua do Ouvidor, logradouro localizado no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Até 1900 era considerada a rua mais importante da cidade, por abrigar a maioria dos jornais cariocas. Posteriormente virou reduto de livrarias, confeitarias e relojoarias.[234][235] Especialistas elogiaram o desfile, destacando o samba, apontando entre os melhores do ano.[236][237] Pelo segundo ano consecutivo, o Salgueiro recebeu o Estandarte de Ouro de melhor enredo. Rita Freitas recebeu o prêmio de melhor porta-bandeira.[238] Com o desfile, o Salgueiro conquistou o vice-campeonato, 1,5 pontos atrás da bicampeã Mocidade, sendo seu melhor resultado desde o título conquistado em 1975. A escola conseguiu a pontuação máxima nos quesitos Comissão de Frente, Enredo e Harmonia. O quesito mais despontuado foi mestre-sala e porta-bandeira, com a perda de 1,5 pontos.[239] Após o carnaval, o Salgueiro dispensou a carnavalesca Rosa Magalhães e o casal Rita e Ronaldinho.[240]
1992: "O Negro que Virou Ouro nas Terras do Salgueiro"

De volta ao Salgueiro, Flávio Tavares desenvolveu um enredo sobre a história do café. O carnavalesco chegou a desenhar as fantasias e alegorias, mas foi desligado da escola poucos meses antes do desfile.[241] O cenógrafo e artista plástico Mário Borriello foi convidado para assumir o carnaval da agremiação, mantendo o enredo e o desenho das fantasias, mas redesenhando as alegorias, que ganharam tom humorístico, baseado em figuras criadas pelo caricaturista Stil. Até então conhecido por seu trabalho na TV Globo e participações em concursos de fantasias, Borriello fez sua estreia como carnavalesco. O segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vanderli e Taninha, foi promovido ao primeiro posto. Guilherme Nóbrega assumiu a Direção de Harmonia. O Salgueiro foi a sexta escola a se apresentar na primeira noite (domingo) do carnaval de 1992. O Jornal do Brasil destacou o desempenho da bateria de Mestre Louro; enquanto o jornal O Globo apontou que "a escola estava bonita, mas não conseguiu empolgar o público".[242][243] Completando vinte anos na bateria do Salgueiro, Mestre Louro recebeu seu segundo Estandarte de Ouro de Personalidade.[244] Com o desfile, o Salgueiro se classificou em quarto lugar. A escola conseguiu a pontuação máxima na metade dos quesitos. Alegorias e Comissão de Frente foram os mais despontuados, com a perda de 2,5 pontos em cada.[245]
1993: "Peguei Um Ita no Norte"

Para o carnaval de 1993, o carnavalesco Mário Borriello se inspirou na canção "Peguei Um Ita no Norte" (1945) de Dorival Caymmi, para criar um enredo sobre uma viagem fictícia entre Belém do Pará e Rio de Janeiro, a bordo de um "Ita", nome dado aos navios que faziam a navegação de cabotagem entre o Norte e o Sul do Brasil. Na fictícia viagem proposta pelo enredo, um migrante paraense passa por várias capitais do Nordeste brasileiro, onde conhece mais sobre a cultura de cada região, até chegar ao Rio, onde se encanta com o carnaval carioca.[246] O Salgueiro manteve a mesma equipe do ano anterior, com exceção do diretor de harmonia Guilherme Nóbrega, que se desligou da escola, sendo substituído por Jorge Calça Larga. Terceira agremiação a se apresentar na segunda noite (segunda-feira) do Grupo Especial, o Salgueiro empolgou o público presente no Sambódromo, recebendo gritos de "é campeã!". Especialistas aclamaram o desfile com adjetivos como "histórico", "brilhante" e "deslumbrante"; e apontaram a escola como favorita ao campeonato.[247][248][249] Em pesquisa realizada pelo IBOPE com o público presente na Sapucaí, o Salgueiro foi eleito a melhor escola do ano.[250] O júri do Jornal do Brasil também escolheu o Salgueiro como a melhor escola do ano.[251] O Salgueiro recebeu quatro prêmios do Estandarte de Ouro: melhor escola, melhor bateria, melhor enredo e ala de crianças.[252] Confirmando a expectativa, o Salgueiro foi campeão do carnaval de 1993, acabando com o jejum de dezessete anos sem conquistas.[253] Dos trinta julgadores do carnaval, apenas um não deu nota máxima ao Salgueiro. A escola perdeu apenas meio ponto em Harmonia, sagrando-se campeã com 2,5 pontos de vantagem sobre a vice, Imperatriz.[254]
O desfile é comumente listado entre os mais marcantes da história do carnaval.[255][256][257] O samba-enredo do desfile também é constantemente listado entre os mais marcantes da história.[258][114][59][61] O público presente no Sambódromo cantou em coro o popular samba-enredo, conhecido como "Explode Coração" por causa do emblemático refrão "Explode coração / Na maior felicidade / É lindo o meu Salgueiro / Contagiando, sacudindo essa cidade".[259] Fora do carnaval, é um dos sambas mais executados e regravados no Brasil e foi adaptado como canto de torcidas de futebol.[260][261] O sucesso foi tanto que nos anos seguintes o Salgueiro passou a escolher sambas animados, com letra fácil e refrão "empolgante", na tentativa de repetir a catarse de 1993. Especialistas diziam que a escola estava "em busca do 'Ita' perdido", sem conseguir obter o mesmo sucesso.[262][263]
1994: "Rio de Lá pra Cá"

Em 1993, Waldemir Paes Garcia (Maninho) foi eleito presidente da escola, substituindo seu pai, Miro Garcia. Pouco depois, em maio de 1993, Miro, Maninho e vários outros contraventores, incluindo presidentes de outras agremiações, foram condenados e presos por formação de quadrilha.[264] O então vice-presidente e diretor de carnaval do Salgueiro, Paulo César Mangano Barreiros, assumiu a presidência da escola. Com a prisão dos patronos, houveram mudanças na equipe da agremiação. O carnavalesco Mário Borriello e o intérprete Quinho se desligaram da escola após não chegarem a um acordo financeiro com a nova diretoria. Para substituí-los, o Salgueiro contratou o carnavalesco Roberto Szaniecki e o intérprete Quinzinho. Faltando um mês para o desfile, o mestre-sala Vanderli sofreu uma torção no joelho, sendo substituído pelo segundo mestre-sala, Dionísio. Sexta agremiação a se apresentar na segunda noite (segunda-feira), o Salgueiro realizou um desfile sobre a cidade do Rio de Janeiro. A agremiação iniciou sua apresentação recebendo gritos de "bicampeã" do público presente no Sambódromo. O samba-enredo, dos mesmos compositores de "Peguei Um Ita no Norte", agradou ao público, sendo bem cantado durante o desfile. A escola desfilou com um contingente estimado em seis mil componentes, mas não apresentou problemas de evolução.[265] Especialistas elogiaram o desfile, listando a escola entre as favoritas ao título de campeã.[266][267][268] Em pesquisa realizada pelo IBOPE com o público no Sambódromo, o Salgueiro foi eleito a melhor escola das duas noites.[269] Pelo segundo ano consecutivo recebeu o prêmio Estandarte de Ouro de melhor escola.[270] O Salgueiro foi vice-campeão do carnaval de 1994, 3,5 pontos atrás da campeã Imperatriz, invertendo a classificação do ano anterior. A escola conseguiu a pontuação máxima nos quesitos Bateria, Enredo, Evolução e Fantasias. O quesito mais despontuado foi Alegorias, com a perda de dois pontos. O resultado causou revolta no presidente Paulo César Mangano, que invadiu a área de apuração das notas e chutou o troféu da campeã, sendo contido por seguranças da LIESA e da RioTur. O resultado também foi mal recebido pelos torcedores salgueirenses, que acompanhavam a leitura das notas no Sambódromo, mas deixaram o local antes do final da apuração. Uma festa que estava preparada na quadra da escola, para comemorar o possível campeonato, foi cancelada. Jornalistas foram hostilizados na quadra da agremiação.[271][272] No Desfile das Campeãs, o Salgueiro levou alguns componentes da Mangueira (11.ª colocada) carregando um cartaz de protesto com a inscrição "Mangueira e Salgueiro na cabeça! Quem está errado, o povo ou os jurados?".[273] Após o carnaval, a quadra do Salgueiro foi interditada pela Justiça até que se definisse de quem era a propriedade. A Prefeitura do Rio já havia desapropriado o local, mas o antigo proprietário tentava retomar a propriedade. O Salgueiro passou a fazer seus ensaios na rua da quadra.[274]
1995: "O Caso do Por Acaso"

Após um ano afastado da escola, o intérprete Quinho retornou ao Salgueiro, substituindo Quinzinho. A segunda porta-bandeira, Andréia, foi promovida ao primeiro posto, formando par com o mestre-sala Vanderli, que também retornou à escola. O coreógrafo e bailarino Dennis Gray assumiu a direção da Comissão de Frente. Sexta escola a se apresentar na primeira noite (domingo) do carnaval de 1995, o Salgueiro desfilou com um enredo que contestava a versão oficial da descoberta do Brasil. Baseado nos livros Lisboa Ultramarina, de Michel Chandeigne; História do Brasil nos Velhos Mapas, de Jaime Cortesão; e 500 Anos de América, Imaginário e Utopia, de Sandra Jathai Pesavento; além de pesquisas de doze historiadores, o enredo apresentou a versão de que após o descobrimento da América, informações detalhadas sobre um novo continente chegaram à coroa portuguesa, que organizou uma expedição secreta, comandada por Duarte Pacheco Pereira, que teria chegado até a costa brasileira anos antes da expedição comandada por Pedro Álvares Cabral, que ficou conhecida como a descoberta do Brasil. Com os patronos presos e sem quadra, o Salgueiro teve um pré-carnaval tumultuado. A dificuldade financeira refletiu na falta de acabamento de algumas alegorias. O carro abre-alas desfilou incompleto, com panos rasgados, estruturas de ferro e madeira à mostra e esculturas sem finalização. Uma outra alegoria, que apresentou uma réplica em tamanho real da caravela com que Cabral chegou ao Brasil, também desfilou incompleta. A entrega das botas dos integrantes da comissão de frente atrasou. Com isso, a velha guarda salgueirense abriu o desfile. Por volta dos dez minutos de apresentação, as botas foram distribuídas aos componentes e a comissão de frente assumiu o seu lugar de origem. A alegoria "Comércio Italiano" ficou presa no portão de saída da Sapucaí, e teve que ser quebrada para que as alas posteriores passassem pelo portão.[275][276] Apesar dos problemas, o desfile animou o público presente no Sambódromo, que elegeu a escola como a melhor da primeira noite em uma pesquisa realizada pelo IBOPE na Sapucaí.[277] Com o desfile, o Salgueiro se classificou em quinto lugar. Dos cinquenta julgadores do carnaval, apenas seis não deram nota máxima à escola, que perdeu apenas meio ponto em Alegorias e um ponto em Conjunto.[278]
1996: "Anarquistas sim, mas nem todos"

Após um ano ensaiando na rua, o Salgueiro conseguiu reaver sua quadra de forma definitiva. No terreno ao lado da quadra foi construída a Vila Olímpica do Salgueiro Para o carnaval de 1996, o Salgueiro contratou o carnavalesco Fábio Borges, que desenvolveu um enredo sobre a imigração italiana no Brasil. A coreógrafa Regina Miranda assumiu a direção da Comissão de Frente. O Salgueiro foi a quarta escola a se apresentar na primeira noite (domingo) do Grupo Especial. O carro abre-alas, com o símbolo do Salgueiro dentro de um coração, homenageou dois fundadores da escola: Pedro Siciliano (Peru) e Paulinho Santoro (Italianinho) - os dois de descendência italiana.[279] Especialistas elogiaram o desfile, mas apontaram que a escola desfilou com muitos componentes e precisou correr no final da apresentação para não ultrapassar o tempo máximo permitido, prejudicando quesitos como Harmonia e Evolução.[280][281] A Comissão de Frente, com integrantes vestidos de Pierrot, com fantasias carregadas de plumas brancas e um coração vermelho nas costas, recebeu os prêmios Estandarte de Ouro e Troféu Manchete.[282][283] Com o desfile, o Salgueiro repetiu a quinta colocação do ano anterior. A escola conseguiu a pontuação máxima na maioria dos quesitos, perdendo pontos em Alegorias, Conjunto, Evolução e Samba-enredo. Como esperado, o quesito mais despontuado foi Evolução, com a perda de um ponto.[284] No final de 1996, Miro e Maninho ganharam liberdade após três anos e meio de prisão.[285]
1997: "De Poeta, Carnavalesco e Louco... Todo Mundo Tem Um Pouco"

O carnavalesco Mário Borriello retornou ao Salgueiro, quatro anos após o icônico desfile campeão de 1993. O segundo casal da escola, Sidclei Santos e Ana Paula Oliveira, foi promovido ao primeiro posto, substituindo Vanderli e Andréa. O Salgueiro desfilou com o dia amanhecendo, encerrando a primeira "noite" (domingo) do carnaval de 1997.[286] A escola abordou o mesmo tema da Unidos do Porto da Pedra - que desfilou pouco antes: a loucura. Porém, enquanto o enredo da escola de São Gonçalo sintetizou o tema, o Salgueiro focou na influência da loucura nas criações artísticas.[287] O enredo foi baseado em estudos da psiquiatra Nise da Silveira.[288] Aos 92 anos de idade, a psiquiatra fez questão de assistir o desfile no Sambódromo e auxiliar o carnavalesco no desenvolvimento do enredo.[289] Especialistas apontaram que o enredo foi desenvolvido de forma confusa e a escola não conseguiu empolgar o público, além dos próprios componentes parecerem desanimados.[290][291] O Salgueiro se classificou em sétimo lugar, ficando de fora do Desfile das Campeãs. A escola conseguiu a pontuação máxima em Bateria, Comissão de Frente, Fantasias e Mestre-sala e Porta-bandeira. O quesito mais despontuado foi Alegorias, com a perda de um ponto. A Porto da Pedra, que desfilou com enredo semelhante, se classificou em quinto lugar.[292]
1998: "Parintins, a Ilha do Boi-bumbá: Garantido X Caprichoso, Caprichoso X Garantido"

Segunda escola a se apresentar na primeira noite do carnaval de 1998, o Salgueiro realizou um desfile sobre as lendas amazonenses da Ilha de Parintins e o Festival Folclórico de Parintins, disputado por Boi Caprichoso e Boi Garantido. O desfile foi patrocinado pelo Governo do Amazonas. Por divergências com a LIESA e a Gravasamba, a escola optou por gravar e lançar o próprio samba-enredo de forma independente, se ausentando do álbum oficial.[293] Especialistas classificaram o desfile como "frio", apontando que a escola não conseguiu empolgar o público presente no Sambódromo.[294][295][296] Artistas parintinenses como Marquinhos Azevedo e Glaucivan Silva participaram da apresentação. A escola investiu em alegorias grandes e articuladas, realizadas com auxílio de artistas de Parintins. A Bateria de Mestre Louro recebeu os prêmios Estandarte de Ouro e Troféu Manchete.[297] O mestre-sala Sidclei também recebeu o Estandarte de Ouro.[298] O Salgueiro repetiu a sétima colocação do ano anterior, ficando mais uma vez de fora do Desfile das Campeãs. A escola conseguiu a pontuação máxima nos quesitos Alegorias, Bateria e Fantasias. Os quesitos mais despontuados foram Comissão de Frente e Harmonia, com a perda de dois pontos em cada.[299]
1999: "Salgueiro É Sol e Sal nos Quatrocentos Anos de Natal"

Para o carnaval de 1999, o Salgueiro contratou o carnavalesco Mauro Quintaes, que desenvolveu um enredo sobre a cidade de Natal, que completava quatrocentos anos em 1999. O desfile teve patrocínio do Governo do Rio Grande do Norte e da Prefeitura de Natal. As coreógrafas Beth Oliose e Regina Sauer assumiram o comando da Comissão de Frente. O Salgueiro foi a quarta escola a se apresentar na primeira noite (domingo) do Grupo Especial. Causou polêmica a ideia do intérprete Quinho, por sugestão dos seus filhos, de cantar a música "Erguei as mãos", do Padre Marcelo Rossi, antes do início do desfile, ignorando o pedido da Arquidiocese do Rio para não cantar a canção.[300] No final da apresentação, componentes precisaram correr para não ultrapassar o tempo limite de desfile.[301] Segundo especialistas, a escola desfilou com muitos convidados, com roupa de diretoria entre as alas, e não conseguiu contagiar o público nas arquibancadas, apesar da animação inicial.[302][303] Com o desfile, o Salgueiro se classificou na quinta colocação, garantindo a última vaga para o Desfile das Campeãs. A escola conseguiu a pontuação máxima nos quesitos Bateria, Enredo e Samba-enredo. O quesito mais despontuado foi Mestre-sala e porta-bandeira, com a perda de 1,5 pontos.[304]
Década de 2000
[editar | editar código]Na década de 2000, o Salgueiro perdeu seus dois patronos, Maninho e Miro Garcia, mortos num curto espaço de tempo. A família Garcia ainda tentou continuar na escola, mas divergências com o então presidente Fu, fizeram eles abandonarem a agremiação. A década ainda marcou a volta do carnavalesco Renato Lage, que apostou em temas autorais, interrompendo uma sequência de enredos patrocinados. Mesmo sem patrocínio e sem patronos, o Salgueiro manteve a competitividade, conquistando em 2009 seu nono título de campeão do carnaval.
2000: "Sou Rei, Sou Salgueiro, Meu Reinado É Brasileiro"

O Salgueiro promoveu diversas mudanças em sua equipe para o carnaval de 2000. Wander Pires substituiu Quinho como intérprete oficial. A segunda porta-bandeira, Fernanda, foi promovida ao primeiro posto, formando par com o mestre-sala Vanderli, que retornou à escola. A coreografa Carlota Portella assumiu o comando da Comissão de Frente. Sidney Machado, o "Chope", assumiu a Direção de Harmonia. Em comemoração ao aniversário de quinhentos anos da descoberta do Brasil pelos portugueses, a LIESA decidiu que todas as escolas do Grupo Especial fariam desfiles sobre a história do país. A própria Liga forneceu 21 opções temáticas para as agremiações. Cada escola recebeu uma quantia extra de quinhentos mil reais da Prefeitura do Rio de Janeiro para confeccionar os desfiles.[305][306] Terceira escola a se apresentar na segunda noite (segunda-feira), o Salgueiro realizou um desfile com enredo sobre a transferência da corte portuguesa para o Brasil. A escola animou o público presente no Sambódromo, recebendo gritos de "é campeã!".[307] Especialistas elogiaram o desfile, listando a escola entre as favoritas ao campeonato.[308][309] O Salgueiro recebeu o Estandarte de Ouro de melhor escola e de melhor bateria do ano.[310] Apesar dos elogios, o Salgueiro se classificou na sexta colocação, ficando de fora do Desfile das Campeãs. A escola conseguiu a pontuação máxima apenas no quesito Bateria. Os quesitos mais despontuados foram Alegorias e Mestre-sala e porta-bandeira, com a perda de dois pontos em cada.[311] Após o carnaval, Luiz Augusto Laje Duran, mais conhecido como Fú, foi eleito presidente da escola. Fú chegou ao Salgueiro em 1984 e já tinha exercido cargos de diretoria antes de chegar à presidência.[312]
2001: "Salgueiro no Mar de Xarayés, É Pantanal, É Carnaval"

Para o carnaval de 2001, o Salgueiro novamente promoveu mudanças em sua equipe. Nêgo assumiu como intérprete oficial, substituindo Wander Pires. O bailarino Caio Nunes foi contratado para coreografar a Comissão de Frente. A porta-bandeira Marcella Alves fez sua estreia na escola, dançando com o experiente mestre-sala Ronaldinho, que retornou à agremiação. Guilherme Nóbrega também retornou à escola, assumindo a Direção de Harmonia. Quarta escola a se apresentar na primeira noite (domingo) do Grupo Especial, o Salgueiro realizou um desfile sobre o Pantanal Sul-Mato-Grossense com patrocínio do governo do Mato Grosso do Sul.[313] Especialistas apontaram pouca criatividade e falta do uso de verde (cor predominante no pantanal) em fantasias e alegorias.[314][315][316] Foram utilizados cerca de trinta mil litros de água em alegorias do desfile. A cantora mato-grossense Tetê Espíndola foi destaque na penúltima alegoria; enquanto Valéria Valenssa e suas irmãs, Claudia e Eliane, desfilaram usando apenas um tapa-sexo.[317] Marcella Alves e Ronaldinho receberam o prêmio Estandarte de Ouro.[318] Com o desfile, o Salgueiro se classificou em quarto lugar. A escola conseguiu a pontuação máxima na metade dos quesitos, perdendo pontos em Conjunto, Evolução, Fantasias, Harmonia e Samba-enredo.[319]
2002: "Asas de Um Sonho. Viajando com o Salgueiro, o Orgulho de Ser Brasileiro"

Penúltima escola a se apresentar na primeira noite (domingo) do carnaval de 2002, o Salgueiro realizou um desfile sobre a história da aviação. O enredo foi semelhante ao da Beija-Flor, que desfilou logo em seguida. Enquanto o desfile do Salgueiro foi patrocinado pela TAM, a escola de Nilópolis foi patrocinada pela Varig.[320] O Salgueiro investiu em iluminação, com luzes vermelhas em todos os instrumentos da bateria, na saia da fantasia das baianas e na última ala, que simbolizava sinalizadores de aeroportos. Os carros alegóricos também tinham bastante iluminação, com destaque para a segunda alegoria com mais de vinte mil micro lâmpadas. O pugilista Popó desfilou como destaque na quinta alegoria, que representava a quebra da barreira do som. Luana Piovani e Luciano Huck desfilaram na frente do penúltimo carro alegórico, que tinha a reprodução de um avião em proporções reais.[321] A última alegoria apresentava uma grande escultura do comandante Rolim Amaro, ex-presidente da TAM, patrocinadora do desfile.[322] Rolim morreu em um acidente aéreo em 8 de julho de 2001, pouco depois de ser escolhido como homenageado do enredo. O comandante, que era torcedor salgueirense, desfilaria no último carro.[323] Segundo especialistas, a escola fez uma apresentação tecnicamente correta, mas não conseguiu empolgar o público.[324][325] Também foram apontados problemas como um componente da Comissão de Frente que desmaiou, desfalcando a apresentação para a última cabine de jurados; e a porta-bandeira Marcella Alves, que deixou a bandeira cair durante sua apresentação no primeiro módulo, o que rendeu uma nota 9,2 ao casal da escola.[326] Com o desfile, o Salgueiro se classificou na sexta colocação, conquistando a última vaga para o Desfile das Campeãs. A escola conseguiu a pontuação máxima apenas no quesito Samba-enredo; enquanto o quesito mais despontuado foi Alegorias com a perda de 1,6 pontos.[327]
2003: "Salgueiro, Minha Paixão, Minha Raiz - 50 Anos de Glória"

O Salgueiro realizou mudanças em sua equipe para o carnaval de 2003. Renato Lage retornou à escola, onde começou a fazer carnaval, assinando o desfile de 2003 junto com sua esposa, Márcia Lage. O intérprete Quinho também retornou à escola. O coreógrafo Marcelo Misailidis assumiu o comando da Comissão de Frente. O Salgueiro foi a segunda escola a se apresentar na primeira noite (domingo) do Grupo Especial. Completando cinquenta anos em 2003, o Salgueiro realizou um desfile em sua homenagem, relembrando a própria história. A escola iniciou seu desfile sendo saudada pelo público com gritos de "é campeã!". O samba-enredo caiu no gosto popular, sendo bem cantado por público e componentes. Na comissão de frente, integrantes vestiam fraque e cartola, nas cores da escola, como nos antigos carnavais. Durante a coreografia, as capas dos figurinos formavam palavras como "Salgueiro", "50 anos" e "glórias". O carro abre-alas reuniu ícones salgueirenses como Djalma Sabiá, Zuzuca, Aldir Blanc, Mercedes Baptista, Marie Louise Nery, Osmar Valença, além de Delegado e Jamelão, representando a Mangueira, madrinha do Salgueiro. Zezé Motta desfilou representando Xica da Silva, personagem que interpretou no cinema e o Salgueiro homenageou em 1963. O carro abre-alas e a última alegoria tiveram dificuldade para se locomover pela pista de desfile, o que prejudicou a evolução.[328] Com muitas alas coreografadas e contingente grande, a escola ultrapassou em quatro minutos o tempo máximo regulamentar, o que gerou uma penalização de oito décimos (dois por cada minuto).[329]

Especialistas elogiaram a beleza do desfile, mas concluíram que os problemas de evolução e o atraso final tiraram a chance de titulo da escola.[330][331][332] O Salgueiro foi campeão do Estandarte de Ouro 2003, conquistando cinco prêmios: melhor escola, melhor bateria, melhor comissão de frente, melhor mestre-sala (Ronaldinho) e Personalidade do ano (Djalma Sabiá).[333] Também recebeu o troféu Tamborim de Ouro de melhor samba-enredo.[334] Apesar dos problemas, a expectativa ainda era de uma boa colocação, mas a escola perdeu pontos em todos os quesitos. Vencedoras do Estandarte de Ouro, a bateria e a comissão de frente perderam 1,4 pontos cada. No quesito Conjunto também foram perdidos 1,4 pontos. Como resultado, a escola se classificou na sétima colocação, passando o seu cinquentenário fora do Desfile das Campeãs. Após o carnaval, Mestre Louro foi desligado do Salgueiro, encerrando uma longa passagem de mais de trinta anos no comando da Bateria Furiosa.[335] Em 2 de junho de 2003 morreu Osmar Valença, ex-presidente da escola, vítima de câncer.[336]
2004: "A Cana que Aqui se Planta, Tudo Dá… Até Energia! Álcool – O Combustível do Futuro"

Para o carnaval de 2004, Guilherme Nóbrega retornou à escola, assumindo as direções de Carnaval e Harmonia. Mestre Jonas assumiu o comando da Bateria Furiosa, que pela primeira vez na história teve uma Rainha de Bateria. A escolhida foi Ana Cláudia Soares, esposa de Maninho, patrono da agremiação.[337] Quarta escola a se apresentar na primeira noite (domingo), o Salgueiro realizou um desfile sobre o álcool. O enredo começava na Índia, onde iniciou-se o cultivo de cana-de-açúcar; passava pela chegada da cana ao Brasil; e terminava defendendo o álcool como o combustível do futuro.[338] O desfile foi patrocinado pelo conglomerado de usinas de álcool e açúcar J. Pessoa.[339] Segundo especialistas, a escola fez uma apresentação tecnicamente correta, mas não conseguiu empolgar o público, muito em função do samba-enredo, classificado como "arrastado".[340][341] Pelo segundo ano consecutivo, Ronaldinho recebeu o Estandarte de Ouro de melhor mestre-sala.[342] A escola ainda recebeu o Tamborim de Ouro de melhor bateria do ano.[343] Com o desfile, o Salgueiro se classificou na sexta colocação, garantindo seu retorno ao Desfile das Campeãs. A escola conseguiu a pontuação máxima nos quesitos Comissão de Frente, Fantasias e Mestre-sala e Porta-bandeira. O quesito mais despontuado foi Enredo, com a perda de nove décimos.[344] No final de 2004, o Salgueiro perdeu seus dois patronos. Em 28 de setembro de 2004, Maninho foi assassinado a tiros ao sair de uma academia de ginástica no Rio.[345] Pouco depois, em 31 de outubro de 2004, morreu o pai de Maninho, Miro Garcia, vítima de problemas pulmonares.[346]
2005: "Do Fogo que Ilumina a Vida, Salgueiro É Chama que não se Apaga"
O carnaval de 2005 marcou a estreia de Mestre Marcão no comando da Bateria Furiosa. A atriz Carol Castro foi coroada rainha de bateria.[347] Terceira escola a se apresentar na primeira noite (domingo), o Salgueiro realizou um desfile com muita pirotecnia para contar a história do fogo. A comissão de frente de Marcelo Misaillidis causou impacto utilizando fogos de artifício. No carro abre-alas, uma escultura simulando um vulcão lançava uma labareda a seis metros de altura. Outro carro alegórico, simbolizando as festas de Ano-novo, também soltava fogos de artifício. Duas alegorias colidiram com árvores ainda na armação da escola, na Avenida Presidente Vargas. Em uma dessas alegorias, uma escultura representando uma torre foi danificada.[348][349] Encerrando o desfile, um grande telão de LED exibiu imagens de Maninho e Miro Garcia, mortos no ano anterior. A LIESA permitiu que a alegoria fosse apresentada apenas como forma de homenagem, não sendo avaliada pelos jurados.[350][351] O Salgueiro recebeu o Tamborim de Ouro de melhor escola do ano.[352] Também recebeu os Estandartes de Ouro de melhor Comissão de Frente e de melhor Ala de Baianas.[353] Com o desfile, o Salgueiro se classificou em quinto lugar. A escola conseguiu a pontuação máxima na metade dos quesitos. Bateria e Conjunto foram os mais despontuados, com a perda de seis décimos em cada.[354] Após o carnaval, a porta-bandeira Marcella Alves se desligou da escola, atribuindo sua saída a desentendimentos com o então presidente da agremiação, Fú. Segundo Marcella, seu relacionamento com o mestre-sala Ronaldinho também estava desgastado.[326]
2006: "Microcosmos - O que os Olhos não Veem, o Coração Sente"

O carnaval de 2006 foi o primeiro confeccionado na Cidade do Samba, inaugurada em setembro de 2005.[355] A porta-bandeira Rita Freitas retornou ao Salgueiro, reeditando a parceria com Ronaldinho, mas avisou de antemão que seria seu último desfile. Primeira escola a se apresentar na primeira noite (domingo), o Salgueiro realizou um desfile sobre microrganismos presentes na natureza e no corpo humano. Diretores da escola fizeram um cordão de isolamento impedindo que cinegrafistas e fotógrafos se aproximassem dos componentes, o que gerou uma grande briga entre as partes no início do desfile.[356] Segundo especialistas, o desfile foi criativo, mas não empolgou o público presente no Sambódromo.[357][358][359] Entre os destaques apontados estava a bateria de Mestre Marcão, que fez "paradinhas" imitando a batida de um coração durante o refrão principal do samba, que foi formado por uma junção de duas composições diferentes.[360] O Salgueiro recebeu o Estandarte de Ouro de melhor enredo do ano.[361] O mestre-sala Ronaldinho recebeu o Troféu Apoteose.[362] Perdendo pontos em todos os quesitos, o Salgueiro se classificou em 11.º lugar, a pior classificação de sua história até então. Dos quarenta julgadores do carnaval, apenas sete deram nota máxima à escola. O premiado enredo foi o quesito mais despontuado da escola, pendendo 2,2 pontos.[363]
2007: "Candaces"
O Salgueiro promoveu mudanças em sua equipe para o carnaval de 2007. Gleice Simpatia substituiu Rita Freitas como primeira porta-bandeira. Ricardo Fernandes assumiu a Direção de Carnaval; enquanto Fernando Costa assumiu a Direção de Harmonia. Dançarina do grupo Tchakabum, Gracyanne Barbosa foi coroada Rainha de Bateria, fazendo sua estreia no carnaval carioca.[364] Dias antes do desfile, em 14 de fevereiro de 2007, o vice-presidente da escola, Guaracy Paes Falcão (Guará), e sua esposa, Simone Moujarkian, foram assassinados a tiros após saírem de um ensaio na quadra da agremiação.[365] Terceira escola a se apresentar na segunda noite (segunda-feira), o Salgueiro realizou um desfile sobre as Candaces, rainhas guerreiras da África Oriental, que dominaram o continente antes da era cristã. Outras guerreiras, orixás femininas e mães de santo também foram homenageadas como exemplos de luta e perseverança.[366] Especialistas elogiaram o desfile, listando a agremiação entre as favoritas ao título de campeã.[367][368][369] O desfile contagiou o público nas arquibancadas, que saudou a escola com gritos de "é campeã!".[370][371] O Salgueiro recebeu o Tamborim de Ouro de melhor escola do ano.[372] A Ala de Baianas recebeu o prêmio Estandarte de Ouro.[373] Apesar dos elogios, o Salgueiro se classificou na sétima colocação, ficando mais um ano de fora do Desfile das Campeãs. O resultado foi muito contestado por torcedores da escola e pela crítica especializada.[374][375] A escola perdeu pontos em todos os quesitos, sendo Harmonia o mais despontuado, com a perda de 1,2 pontos e a justificativa de que o intérprete Quinho substituiu parte da letra do samba por um caco ("ôôô...").[376] Após o carnaval, o coreógrafo Marcelo Misailidis se desligou da agremiação.[377] Foi o último desfile de Júlio Machado, o Xangô do Salgueiro, que desde 1969 desfilava na escola como destaque de luxo, sempre representando o orixá Xangô. Júlio morreu em 25 de março de 2007, aos 67 anos de idade, vítima de complicações cardiológicas.[378]
2008: "O Rio de Janeiro Continua Sendo…"

O carnaval de 2008 marcou as estreias de Viviane Araújo como Rainha da Bateria Furiosa e do coreógrafo Hélio Bejani no comando da Comissão de Frente salgueirense. Terceira escola a se apresentar na primeira noite (domingo), o Salgueiro realizou um desfile sobre o Rio de Janeiro, exaltando as belezas naturais e os pontos turísticos da cidade. Especialistas elogiaram a leveza e o colorido do desfile, mas apontaram que a chuva fina que caía no momento danificou algumas fantasias.[379][380][381] O Salgueiro recebeu o prêmio Estrela do Carnaval de melhor desfile do ano.[382] A Bateria Furiosa recebeu prêmio Estandarte de Ouro pela oitava vez em sua história.[383] O Salgueiro foi vice-campeão do carnaval 2008 com 1,3 pontos de diferença para a campeã, Beija-Flor. A escola conseguiu a pontuação máxima na metade dos quesitos. Alegorias foi o quesito mais despontuado, com a perda de seis décimos.[384]
2009: "Tambor"
Em maio de 2008, Regina Celi Fernandes, esposa do presidente Fú, foi eleita para presidência do Salgueiro, sendo a segunda mulher presidente na história da agremiação.[385] O diretor Fernando Costa se desligou da escola, sendo substituído por uma Comissão de Harmonia formada por Jô Calça Larga, Siro Carvalho e Alda Alves.[386] Para o carnaval de 2009, o Salgueiro escolheu um enredo sobre o instrumento tambor. O desfile foi assinado pelo carnavalesco Renato Lage, sem o auxílio de sua esposa, que se transferiu para o Império Serrano. O Salgueiro foi a segunda escola a se apresentar na segunda noite (segunda-feira). Especialistas elogiaram o desfile, listando a escola entre as favoritas ao título de campeã.[387][388][389] A última alegoria do desfile homenageou Mestre Louro, morto no ano anterior. Desfilaram no carro todos os mestres de bateria do Grupo Especial daquele ano. A escola finalizou a sua apresentação recebendo gritos de "é campeã!" do público presente no Sambódromo.[390] O Salgueiro foi a escola mais premiada do ano, recebendo os prêmios Estandarte de Ouro,[391] Estrela do Carnaval,[392] Troféu Rádio Manchete[393] e Troféu Sambario.[394] Confirmando o favoritismo, o Salgueiro conquistou o seu nono título de campeão do carnaval, acabando com o jejum de dezesseis anos sem conquistas.[395] Dos quarenta julgadores do carnaval, apenas oito não deram nota máxima à escola, que perdeu apenas um ponto no julgamento.[396]
Década de 2010
[editar | editar código]O Salgueiro começou a década de 2010 mantendo a competitividade e o favoritismo, com desfiles elogiados pelo luxo e beleza, além de sambas premiados como "Gaia" (2014), "A Ópera dos Malandros" (2026) e "Xangô" (2019). No período, conquistou três vice-campeonatos (em 2012, 2014 e 2015). O final da década marcou a saída de Renato e Márcia Lage da escola e o fim da presidência de Regina Celi, após uma intensa disputa judicial.
2010: "Histórias sem Fim"

Tentando o bicampeonato consecutivo, Renato Lage e o Departamento Cultural desenvolveram um enredo sobre a história dos livros, relembrando as mais consagradas obras da literatura brasileira e estrangeira. O samba-enredo do desfile fez sucesso no pré-carnaval e foi adaptado como canto de torcida do Flamengo.[397] Ex-Diretor de Barracão da escola, Anderson Abreu assumiu a Direção de Carnaval, substituindo Tavinho Novello, que se desligou da escola. O Salgueiro foi a quinta agremiação a se apresentar na primeira noite (domingo) do carnaval de 2010. Especialistas elogiaram a beleza plástica do desfile, mas apontaram que o samba não rendeu o esperado e a escola não empolgou o público como no ano anterior.[398][399][400] A Ala de Baianas recebeu o prêmio Estandarte de Ouro.[401] Com o desfile, o Salgueiro se classificou em quinto lugar. A escola conseguiu a pontuação máxima apenas nos quesitos Fantasias e Harmonia. O quesito mais despontuado foi Bateria com a perda de cinco décimos.[402] Após o carnaval, o mestre-sala Ronaldinho comunicou seu desligamento da escola.[403] No final de 2010, os presidentes dos Conselhos Deliberativo e Fiscal do Salgueiro, Francisco Alves Latorre e André Vaz, se desligaram da escola após reprovarem a prestação de contas de 2009 e 2010 apresentadas pela presidência, se negando a assiná-las e aprová-las.[404]
2011: "Salgueiro Apresenta: O Rio no Cinema"

Márcia Lage retornou ao Salgueiro para o carnaval de 2011, desenvolvendo, junto com Renato Lage e o Departamento Cultural da escola, um enredo que transformava a cidade do Rio de Janeiro em cenários de filmes clássicos do cinema nacional e internacional. O enredo foi proposto pelo então prefeito do Rio, Eduardo Paes, e teve patrocínio da Fox Film do Brasil, servindo de divulgação para o lançamento do filme Rio, lançado logo depois do carnaval.[405][406] Mestre-sala do Salgueiro entre 1997 e 1999, Sidclei Santos retornou à escola, substituindo Ronaldinho. Leonardo Bessa e Serginho do Porto, até então cantores de apoio da escola, foram promovidos a intérpretes oficiais, formando um trio junto com Quinho.[407] O Salgueiro foi a segunda escola a se apresentar na segunda noite (segunda-feira). A maioria dos carros, grandes e pesados, teve dificuldade tanto para entrar, quanto pra sair da pista de desfile.[408]

Por volta dos cinquenta minutos de apresentação, o desfile, até então tecnicamente perfeito, ganhou contornos dramáticos.[409] Representando as chanchadas da Atlântida, a segunda alegoria teve dificuldade para entrar na Sapucaí; enquanto o carro do filme Rio teve um princípio de incêndio.[410] A penúltima alegoria, com uma grande escultura do personagem King Kong escalando o relógio da Central, numa sátira ao filme King Kong, teve muita dificuldade para entrar no Sambódromo, chegando a colidir com a grade de proteção do Setor 1.[411] O último carro, que simbolizava o Óscar, também teve dificuldade para entrar na pista. A escola permaneceu parada por alguns minutos, enquanto diretores tentavam acoplar a alegoria. Ao completar oitenta e dois minutos de desfile, tempo máximo permitido pelo regulamento, integrantes precisaram correr para não ultrapassar ainda mais o tempo. A bateria não entrou no segundo recuo.[412]. As alegorias congestionaram a dispersão, atrapalhando a saída.[413] Componentes chegavam ao final do desfile chorando pelo acontecido. O Salgueiro encerrou a sua apresentação com uma hora e trinta e dois minutos de desfile, dez minutos a mais do que o máximo permitido. Com isso, a escola foi penalizada com a perda de um ponto (um décimo por minuto), o que a tirou da disputa pelo título. Apesar dos problemas, o Salgueiro se classificou em quinto lugar, garantindo seu retorno ao Desfile das Campeãs. A escola só conseguiu a pontuação máxima em Comissão de Frente e Fantasias, perdendo pontos nos demais quesitos.[414]
2012: "Cordel Branco e Encarnado"

Em maio de 2011, Regina Celi foi reeleita presidente do Salgueiro numa disputa contra seu ex-marido e ex-presidente da agremiação, Luiz Duran (Fú).[415] Para o carnaval de 2012, Dudu Azevedo passou a integrar a Direção de Carnaval, formando uma Comissão com Anderson Abreu, Paulo Barros (Paulinho) e Renato Duran. Terceira escola a se apresentar na segunda noite (segunda-feira), o Salgueiro realizou um desfile sobre a literatura de cordel. As alegorias, novamente muito grandes, tiveram dificuldades para entrar na Sapucaí.[416] Porém, ao contrário do ano anterior, a escola passou sem maiores problemas em evolução e cronometragem.[417] Sidclei e Gleice Simpatia dançaram passos de xaxado. O mestre-sala ainda tocou triângulo durante a coreografia.[418] Representando o "Bando de Lampião", a bateria de Mestre Marcão executou "paradinhas" em ritmos nordestinos, como forró, xote e xaxado.[419] Especialistas elogiaram o desfile, listando a escola entre as favoritas ao título de campeã.[420][421][422] O Salgueiro recebeu o prêmio SRzd de melhor desfile do ano[423] e o Troféu Tamborim de Ouro de melhor bateria.[424] O Salgueiro foi vice-campeão do carnaval 2012 com dois décimos de diferença para a campeã, Unidos da Tijuca. O Salgueiro conseguiu a pontuação máxima na maioria dos quesitos, perdendo apenas três décimos em Comissão de Frente, Evolução e Mestre-Sala e Porta-Bandeira.[425]
2013: "Fama"

Segunda escola a se apresentar na primeira noite (domingo) do carnaval de 2013, o Salgueiro realizou um desfile sobre a fama, patrocinado pela Revista Caras, que completava vinte anos na ocasião.[426] A opção por um enredo patrocinado causou polêmica, mas a escola se defendeu alegando que o patrocínio surgiu após a escolha do tema pelo carnavalesco Renato Lage.[427] Vocalista do Grupo Revelação e torcedor declarado da escola, Xande de Pilares passou a integrar o carro de som salgueirense junto aos intérpretes Quinho, Leonardo Bessa e Serginho do Porto.[428] Especialistas elogiaram a forma como o enredo foi desenvolvido, com visão crítica e carnavalesca da fama, e apontaram o samba-enredo como ponto fraco do desfile.[429][430][431][432] O enredo recebeu o prêmio Estandarte de Ouro.[433] A comissão de frente de Hélio Bejani, que tinha componentes interpretando Chacrinha, Amy Winehouse e Marilyn Monroe, recebeu os prêmios Estandarte de Ouro e Tamborim de Ouro.[434] O Salgueiro teve ainda a bateria mais premiada do ano. Perdendo pontos em todos os quesitos, o Salgueiro se classificou na quinta colocação. Como esperado, o quesito samba-enredo foi o mais penalizado, com a perda de quatro décimos.[435] Após o desfile, a escola dispensou a porta-bandeira Gleice Simpatia.[436] Em 31 de maio de 2013, morreu aos 79 anos de idade, o baluarte e ex-vice-presidente e diretor de harmonia da escola Jorge Casemiro, conhecido como Jorge Calça Larga.[437] Em 16 de janeiro de 2014, morreu o então vice-presidente do Salgueiro, Marcello Tijolo, dois dias após sofrer um atentado a tiros no Rio.[438]
2014: "Gaia - A Vida em Nossas Mãos"

Quinta escola a se apresentar na primeira noite (domingo) do carnaval de 2014, o Salgueiro realizou um desfile sobre a preservação do planeta Terra, abordando os mitos grego e iorubá sobre a criação do Universo, o apelo dos orixás pela preservação do meio ambiente e a busca pela sustentabilidade no tempo presente. O enredo foi dividido em elementos clássicos: terra, água, fogo e ar. A escola foi patrocinada pela montadora japonesa Nissan, envolvida com projetos sustentáveis.[439] Especialistas elogiaram o desfile, apontando a escola entre as favoritas do ano, mas pontuaram problemas de evolução que poderiam comprometer a disputa pelo título.[440][441][442] O carro abre-alas, de 47 metros de comprimento, teve um problema na embreagem, além de soltar muita fumaça, causando um "buraco" (espaço vazio) na evolução da escola. A quarta alegoria, sobre o fogo, passou a maior parte do desfile apagada, sem a iluminação e o efeito programados. O carro do ar também teve problema na embreagem.[443] Na última alegoria, uma caveira manipulava um globo terrestre, num cenário de completa devastação, alertando para um futuro trágico do planeta Terra caso não haja preservação do meio ambiente. No final da apresentação, componentes precisaram correr para não ultrapassar o tempo limite de desfile. A escola terminou sua apresentação a um minuto do tempo máximo permitido, recebendo gritos de "é campeã!" do público presente no Sambódromo.[444] O desfile marcou o retorno da porta-bandeira Marcella Alves à escola, substituindo Gleice Simpatia.[436]
O Salgueiro ganhou os prêmios Estandarte de Ouro e Tamborim de Ouro de melhor escola, de melhor samba-enredo e de melhor bateria do ano.[445][446] Na apuração das notas, Salgueiro e Unidos da Tijuca travaram uma disputa acirrada pelo título. Porém, assim como em 2012, o Salgueiro ficou com o vice-campeonato. Dessa vez, por apenas um décimo de diferença. O Salgueiro perdeu pontos em Alegorias, Conjunto, Evolução e Fantasias.[447] O resultado causou revolta e protestos de torcedores e de segmentos da agremiação como Viviane Araújo e Mestre Marcão.[448][449]
2015: "Do Fundo do Quintal, Saberes e Sabores na Sapucaí"

Em maio de 2014, Regina Celi foi reeleita presidente da escola, como candidata única no pleito, após serem constatadas irregularidades nas chapas dos seus adversários: o ex-presidente Fú e o intérprete Quinho.[450] A chapa de Quinho foi considerada uma surpresa, sendo mal recebida por salgueirenses simpatizantes de Regina.[451] Após a reeleição da presidente, o intérprete foi dispensado da escola. Leonardo Bessa e Serginho do Porto foram mantidos como intérpretes, ganhando novamente a companhia de Xande de Pilares, que venceu a disputa de samba-enredo da escola pela segunda vez consecutiva.[452] Quinta escola a se apresentar na primeira noite (domingo) do carnaval de 2015, o Salgueiro realizou um desfile sobre a culinária de Minas Gerais. Com um desfile orçado em dez milhões de reais, os carnavalescos Renato e Márcia Lage confeccionaram mais um carnaval de luxo e grandiosidade.[453] Na comissão de frente, integrantes vestiram um tecido de cem quilos, todo confeccionado em LED, que projetava várias imagens e se transformava no manto de Nossa Senhora do Rosário.[454] Especialistas elogiaram o desfile, apontando a escola entre as favoritas ao título.[455][456][457] O Salgueiro foi a escola mais premiada do ano, recebendo quatro prêmios de melhor escola: Estrela do Carnaval[458]; Gato de Prata[459]; Tamborim de Ouro[460]; e Troféu Tupi.[461] Destaque também para a comissão de frente, vencedora dos prêmios Gato de Prata e S@mba-Net e para a Bateria Furiosa, que venceu os prêmios Estrela do Carnaval e Troféu Tupi.[462] Pelo segundo ano consecutivo, o Salgueiro foi vice-campeão. Dessa vez, por quatro décimos de diferença para a campeã, Beija-Flor. O Salgueiro conseguiu a pontuação máxima na maioria dos quesitos, mas perdeu décimos em mestre-sala e porta-bandeira, enredo e evolução.[463]
2016: "A Ópera dos Malandros"

Para o carnaval de 2016, Renato e Marcia Lage, junto ao Departamento Cultural do Salgueiro, desenvolveram um enredo baseado no musical Ópera do Malandro de Chico Buarque, abordando aspectos da malandragem e os Malandros na Umbanda.[464] O samba-enredo escolhido para o desfile agradou o público e a crítica, e impulsionou o favoritismo da escola no período pré-carnaval.[465][466] O Salgueiro foi a segunda escola a se apresentar na segunda noite (segunda-feira). Especialistas elogiaram o desfile, apontando como ponto fraco o conjunto alegórico, especialmente o carro abre-alas, que passou apagado por toda a avenida.[467][468] A escola finalizou o seu desfile recebendo gritos de "é campeã!" do público presente no Sambódromo. O samba-enredo do desfile fez sucesso junto ao público, especialmente pelo refrão: “É que eu sou malandro batuqueiro / Cria lá do Morro do Salgueiro / Se não acredita, vem no meu samba pra ver / O couro vai comer”.[466][469]
O Salgueiro recebeu o Troféu Tamborim de Ouro de melhor escola e de melhor samba-enredo.[470] Também recebeu o Estandarte de Ouro de melhor enredo, comissão de frente e porta-bandeira; além de ter a Ala de Baianas mais premiada do ano.[471] Na apuração das notas, o Salgueiro liderou a classificação, empatado com a Mangueira, até chegar ao último quesito - Alegorias e Adereços. Como esperado, devido ao problema de iluminação do abre-alas, a escola perdeu alguns décimos, caindo do primeiro ao quarto lugar, posição em que terminou classificada.[472]
2017: "A Divina Comédia do Carnaval"

A única mudança na equipe do Salgueiro para o carnaval de 2017 foi a saída do Diretor de Carnaval Dudu Azevedo. Para substituí-lo, a escola promoveu Alexandre Couto, que anteriormente atuava como Diretor de Barracão da agremiação.[473] Quinta escola a se apresentar na primeira noite (domingo), o Salgueiro realizou um desfile com enredo inspirado na obra A Divina Comédia, fazendo uma analogia entre o carnaval carioca e a obra do escritor italiano Dante Alighieri. Especialistas elogiaram o desfile, destacando a criatividade do enredo e o desempenho da bateria.[474][475][476] Marcella e Sidclei e a bateria Furiosa foram os mais premiado do ano em suas categorias. O Salgueiro ainda recebeu o Troféu Tamborim de Ouro de melhor escola e de melhor samba-enredo.[477] Com o desfile, o Salgueiro se classificou em terceiro lugar, apenas dois décimos atrás das campeãs Portela e Mocidade. O Salgueiro conseguiu a pontuação máxima na maioria dos quesitos, perdendo apenas três décimos em Samba-enredo.[478] Após quinze carnavais no Salgueiro, Renato Lage encerrou sua segunda passagem pela escola e, juntamente com sua esposa, se transferiu para a Grande Rio.[479] Em 30 de dezembro de 2017 morreu o ex-presidente da escola, Luiz Duran, o Fu.[480]
2018: "Senhoras do Ventre do Mundo"

Em junho de 2017, o Prefeito do Rio, Marcelo Crivella, anunciou o corte de 50% do repasse de verbas públicas para as escolas de samba.[481] A decisão causou polêmica visto que em sua campanha à Prefeitura, Crivella prometeu manter o patrocínio às agremiações.[482] Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, ele também foi acusado de ser influenciado pela sua religião ao cortar parte da verba do carnaval.[483] A LIESA ameaçou cancelar os desfiles e sambistas organizaram protestos, mas o Prefeito manteve o corte.[484] Sem dinheiro, a LIESA cancelou os ensaios técnicos realizados no sambódromo, após quinze anos bancando o evento.[485] Para o carnaval de 2018, o Salgueiro contratou o carnavalesco Alex de Souza, que desenvolveu um enredo sobre mulheres negras. Também foram contratados os intérpretes Tuninho Jr e Hudson Luiz para formarem um trio com Leonardo Bessa, que já estava na escola desde 2011. O Salgueiro foi a quarta escola a se apresentar na segunda noite (segunda-feira). Especialistas elogiaram o desfile, listando a agremiação entre as favoritas ao título de campeã.[486][487][488][489] O Salgueiro recebeu cinco prêmios de melhor escola: Estandarte de Ouro[490]; Estrela do Carnaval[491]; Gato de Prata[492]; SRzd[493]; e Troféu Sambario.[494] Destaque também para a Ala de Baianas, vencedora de quatro prêmios. Com o desfile, o Salgueiro repetiu a terceira colocação do ano anterior, com apenas um décimo de diferença para a campeã, Beija-Flor. A escola conseguiu a pontuação máxima na maioria dos quesitos, mas perdeu décimos importantes em Alegorias, Enredo, Evolução e Samba-enredo.[495] Após o carnaval, a escola dispensou o trio de intérpretes. O desfile marcou a despedida do coreógrafo Hélio Bejani, que se desligou da agremiação após onze carnavais.[496]
2019: "Xangô"

Para o carnaval de 2019, o Salgueiro contratou o coreógrafo Sérgio Lobato e o intérprete Emerson Dias, que estreou como cantor de apoio na escola, na década de 1990.[497] Em maio de 2018, Regina Celi foi reeleita para um quarto mandato na presidência do Salgueiro.[498] Grávida, a porta-bandeira Marcella Alves foi afastada pela direção da escola com a justificativa de que ela precisava cuidar da sua "gravidez de risco". Marcella rebateu a agremiação, alegando que foi demitida por estar grávida. Sidclei Santos também foi afastado, segundo a escola, por ter gritado com a presidente ao cobrar pagamentos atrasados, o que foi desmentido pelo mestre-sala.[499] Enquanto isso, a chapa de oposição a Regina, liderada pelo empresário André Vaz, foi à Justiça para impugnar a chapa eleita, alegando irregularidades na mesma, o que foi provido. Em razão disto, Regina foi proclamada inelegível e o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou a realização de novas eleições na escola.[500] Os representantes legais de Regina recorreram da decisão, mas, após sete meses de imbróglio, a Justiça determinou, em dezembro de 2018, a posse de André Vaz à presidência após a chapa de Regina não apontar um outro nome para a disputa.[501] André Vaz era presidente do Conselho Fiscal do Salgueiro durante o primeiro mandato de Regina, mas havia se desligado da escola após reprovar a prestação de contas do primeiro ano dela na presidência.[404] Com a posse de Vaz, foram anunciados os retornos do intérprete Quinho, para formar dupla com Emerson Dias, e do casal Sidclei e Marcella.[502] Djalma Sabiá foi empossado presidente de honra.[503] Fiel a Regina Celi, Mestre Marcão se desligou da escola após quinze anos, sendo substituído pelos irmãos Guilherme e Gustavo, que já atuavam como diretores na Bateria Furiosa.[504][505] Pelo segundo ano consecutivo, o prefeito Marcelo Crivella cortou 50% da verba destinada às escolas que desfilam no Sambódromo.[506]
Quarta escola a se apresentar na primeira noite (domingo), o Salgueiro realizou um desfile sobre Xangô, orixá relacionado à justiça, raios, trovão e fogo; e patrono espiritual da escola. Segundo especialistas, a agremiação fez um desfile luxuoso e empolgou o público presente no Sambódromo, mas teve problemas de evolução e apresentou uma comissão de frente aquém das demais escolas.[507][508][509] Marcella Alves foi a porta-bandeira mais premiada do ano. O samba-enredo do desfile, apontado por especialistas como um dos melhores do ano, venceu os prêmios SRzd e Tamborim de Ouro.[510][511] A escola ainda recebeu o Estandarte de Ouro de melhor Ala de Baianas.[512] Perdendo pontos em Alegorias, Comissão de Frente, Evolução e Fantasias, o Salgueiro se classificou em quinto lugar.[513] Em novembro de 2019, Regina Celi foi excluída do quadro de sócios beneméritos da agremiação após uma auditoria autônoma constatar que ela contraiu empréstimos bancários expressivos, em nome da escola, sem a aprovação prévia do Conselho Deliberativo, como exige o estatuto; além de inúmeras outras irregularidades financeiras.[514]
Década de 2020
[editar | editar código]2020: "O Rei Negro do Picadeiro"

Para o carnaval de 2020, a escola manteve sua equipe, e escolheu um enredo sobre Benjamin de Oliveira, considerado o primeiro palhaço negro do Brasil. O artista, morto em 1954, completaria 150 anos em 2020.[515] Após dois anos cortando a verba pela metade, o prefeito Marcelo Crivella decidiu cortar integralmente a subvenção das escolas que desfilam no Sambódromo.[516] O Salgueiro foi a terceira agremiação a desfilar na segunda noite (segunda-feira) do Grupo Especial. Especialistas elogiaram o conjunto de fantasias e alegorias, mas citaram problemas de evolução e no desenvolvimento do enredo, que foi mais focado no universo do circo do que na história do palhaço homenageado.[517][518] Marcella e Sidclei foram o casal mais premiado do ano, recebendo entre outros prêmios, o Estandarte de Ouro, que também premiou a Ala das Damas.[519] Perdendo décimos em Evolução, Harmonia, Enredo e Samba-enredo, o Salgueiro obteve o quinto lugar, repetindo a classificação do ano anterior.[520] Após o carnaval, a escola dispensou o coreógrafo Sérgio Lobato.[521] Em 4 de novembro de 2020 morreu a ex-presidente e baluarte do Salgueiro, Elisabete Nunes, aos 73 anos de idade.[522]
2021/2022: "Resistência"

Para 2021, o Salgueiro escolheu um enredo sobre a luta dos negros para garantir a preservação de aspectos da própria cultura, fé e sobrevivência. O enredo foi assinado pela historiadora Helena Theodoro, com concepção de Eduardo Pinto e Marcelo Pires, integrantes da Diretoria Cultural do Salgueiro e desenvolvimento do carnavalesco Alex de Souza.[523] Patrick Carvalho foi contratado para coreografar a comissão de frente.[524] Em novembro de 2020 morreu, aos 95 anos, o compositor Djalma Sabiá, presidente de honra da escola e um dos fundadores da agremiação.[525] Com o retorno de Eduardo Paes à Prefeitura do Rio de Janeiro, a subvenção voltou a ser paga às agremiações.[526] Por causa do avanço da Pandemia de COVID-19 em todo o mundo, o desfile das escolas de samba de 2021 foi cancelado, sendo a primeira vez, desde a criação do concurso, em 1932, que o evento não foi realizado.[527][528] Com o agravamento da pandemia, as escolas paralisaram as atividades presenciais nas quadras e barracões, mas seguiram se programando para o desfile futuro. No final de 2021, com a campanha de vacinação contra a COVID e a diminuição de mortes pela doença, as escolas retomaram os ensaios para o carnaval de 2022.[529] Com o aumento dos casos de COVID no país devido ao avanço da variante Ómicron, o desfile das escolas de samba que ocorreriam no carnaval de 2022 foram adiados para abril do mesmo ano, durante o feriado de Tiradentes.[530] O Salgueiro foi a terceira escola a se apresentar na primeira noite do Grupo Especial. O desfile homenageou personalidades negras, exaltou as religiões afro-brasileiras e lembrou da influência de negros na arte. A rainha de bateria, Viviane Araújo, desfilou grávida de cinco meses.[531] Morto em 2020, Djalma Sabiá foi homenageado com uma escultura no abre-alas da escola, além de ser citado no refrão do samba-enredo. O mestre-sala Sidclei e a ala dos passistas foram premiados pelo Estandarte de Ouro.[532] O Salgueiro obteve o sexto lugar na classificação oficial do carnaval de 2022. A escola conseguiu a pontuação máxima nos quesitos Bateria, Comissão de Frente e Mestre-sala e Porta-bandeira. O quesito mais despontuado foi Alegorias com a perda de quatro décimos.[533] Após o desfile, a escola dispensou Alex de Souza.[534] Em julho de 2022, André Vaz foi reeleito presidente da escola.[535]
2023: "Delírios de Um Paraíso Vermelho"

Para o carnaval de 2023, o Salgueiro contratou o carnavalesco Edson Pereira, que desenvolveu um enredo sobre a busca do ser humano pelo seu próprio "paraíso", onde ele possa viver livre de preconceitos. O tema foi baseado em ideais defendidos por Joãosinho Trinta ao longo de sua carreira como carnavalesco. O intérprete Quinho se afastou da escola para tratar um câncer de próstata. Mesmo afastado, a agremiação renovou o contrato do cantor por quatro anos.[536] O Salgueiro foi a quinta agremiação a se apresentar na primeira noite (domingo) do Grupo Especial. Segundo especialistas, a escola apresentou uma das melhores plásticas do ano, com um abre-alas de quase cem metros de comprimento, o maior do Carnaval de 2023, mas teve problemas no desenvolvimento do enredo, apontado como "confuso", além de problemas em evolução devido a dificuldade de manobras dos grandes carros, abrindo buracos pela avenida.[537] Marcella e Sidclei foram o casal mais premiado do ano. Com o desfile, o Salgueiro se classificou em sétimo lugar, ficando de fora do Desfile das Campeãs, o que não acontecia desde 2007. A escola conseguiu a pontuação máxima na maioria dos quesitos, mas perdeu muitos décimos em Evolução, Enredo e Samba-enredo.[538]
2024: "Hutukara"

Em 3 de janeiro de 2024, morreu o intérprete Quinho, aos 66 anos de idade.[539] Terceira escola a se apresentar na primeira noite (domingo) do carnaval de 2024, o Salgueiro realizou um desfile sobre a mitologia Yanomami e em defesa dos povos indígenas, que passavam por uma crise humanitária, agravada em 2022.[540][541] Na língua yanomami, "Hutukara" significa "o céu original a partir do qual se formou a terra". O enredo foi assinado por Edson Pereira e Igor Ricardo, enredista contratado pela escola, e teve a colaboração de Davi Kopenawa, escritor e líder político yanomami.[542][543] O desfile teve a presença de Davi Kopenawa e seu filho Dário Kopenawa; Ehuana Yanomami, primeira mulher yanomami a escrever um livro na sua língua; Morzaniel Iramari, primeiro cineasta yanomami; do artista visual Joseca Yanomami; entre outros ativistas da causa indígena.[544] Especialistas destacaram a força de quesitos como Mestre-sala e Porta-bandeira, Bateria, Comissão de Frente, Harmonia e Samba-Enredo, mas apontaram falhas de acabamento em alegorias e problemas de evolução.[545][546][547] Com o desfile, o Salgueiro se classificou em quarto lugar, garantindo seu retorno ao Desfile das Campeãs.[548] A escola conquistou a pontuação máxima nos quesitos Bateria, Mestre-sala e Porta-bandeira, Harmonia e Samba-Enredo; perdendo um décimo nos quesitos Evolução e Fantasias, e dois décimos em Comissão de Frente. A maior perda foi no quesito Alegorias, com cinco décimos perdidos.
O samba-enredo do desfile, aclamado pela crítica como um dos melhores do ano, venceu os troféus Gato de Prata, Sambario, Tupi Carnaval Total e Resenha dos Sambistas.[549][550][551][552] Após o desfile, o Salgueiro anunciou o desligamento do carnavalesco Edson Pereira, do intérprete Emerson Dias e do coreógrafo Patrick Carvalho.[553][554] No Cannes Lions de 2024, a parceria do Salgueiro com a agência DM9 para divulgação do desfile, recebeu três Leões de Bronze, sendo premiada nas categorias Entertainment for Music, Industry Craft e Entertainment.[555] Em 19 de março de 2024, morreu o diretor de harmonia e ex-vice-presidente da escola, Jô Calça Larga, aos 55 anos de idade.[556]
2025: "Salgueiro de Corpo Fechado"

Para o carnaval de 2025, o Salgueiro contratou o carnavalesco Jorge Silveira e o intérprete Igor Sorriso, ambos egressos da Mocidade Alegre.[557] A contratação marcou o retorno dos dois profissionais ao carnaval carioca. Com passagem pelo Aprendizes do Salgueiro, Igor retornou ao Rio, de onde estava afastado desde 2018.[558] Dispensado da Mocidade Independente de Padre Miguel, Paulo Pinna foi contratado como novo coreógrafo da comissão de frente.[559] O contraventor do jogo do bicho Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, foi apresentado como novo patrono da escola.[560] A partir de 2025, o desfile do Grupo Especial passou a ser dividido em três noites, com quatro escolas se apresentando em cada noite.[561] Terceira escola a se apresentar na segunda noite (segunda-feira), o Salgueiro realizou um desfile sobre a relação humana com a busca pela proteção espiritual.[562] Especialistas elogiaram o desfile apontando a força de quesitos consolidados como a Bateria e o primeiro casal.[563][564][565] O júri do Estandarte de Ouro elegeu a escola como a melhor da segunda noite.[566] Apesar dos elogios, o Salgueiro se classificou em sétimo lugar, ficando de fora do Desfile das Campeãs. A escola conseguiu a pontuação máxima nos quesitos Bateria, Comissão de Frente, Evolução, Harmonia, e Mestre-sala e Porta-bandeira.[567] O samba-enredo do desfile, que tem Xande de Pilares entre os seus compositores, foi o mais executado do ano no Spotify.[568]
2026: "A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora que não Tinha Medo de Bruxa, de Bacalhau e nem do Pirata da Perna-de-pau"

O Salgueiro manteve a mesma equipe para o carnaval de 2026 e escolheu um enredo em homenagem a carnavalesca Rosa Magalhães, morta em 2024. Rosa estreou no carnaval no Salgueiro, em 1971, fazendo parte da chamada "Revolução Salgueirense".[569] O Salgueiro foi a última escola a se apresentar na terceira noite (terça-feira), encerrando os desfiles do Grupo Especial pela primeira vez desde a inauguração do Sambódromo.[570] A Bateria Furiosa executou bossas com auxílio de um violinista.[571] A crítica especializada elogiou o desfile, destacando o primeiro casal Sidclei e Marcella e os quesitos plásticos (alegorias e fantasias), mas fez ressalvas quanto ao samba-enredo, fruto de uma junção entre duas obras distintas.[572][573] Marcella e Sidclei foram o casal mais premiado do ano. Igor Sorriso recebeu o Estandarte de Ouro de melhor intérprete.[574] Com o desfile, o Salgueiro se classificou na quarta colocação. A escola conseguiu a pontuação máxima na maioria dos quesitos, perdendo apenas um décimo em Alegorias e dois décimos em Samba-enredo.[575] Após o carnaval, Marcella Alves se desligou do Salgueiro, se transferindo para a Viradouro, escola presidida pelo seu namorado, Marcelinho Calil.[576]
2027: "Laroyê Xica da Silva - A História por Trás da História"
Sem concorrentes, André Vaz foi aclamado presidente da escola para mais um mandato, tendo o compositor Dudu Botelho como vice-presidente.[577] Para substituir Marcella Alves, o Salgueiro contratou a porta-bandeira Laryssa Victória, que ocupava o segundo posto de casal da Imperatriz.[578] Mais de seis décadas após o histórico desfile sobre Xica da Silva de 1963, o Salgueiro escolheu um novo enredo sobre a escrava alforriada que atingiu posição de destaque na sociedade mineira. O enredo propõe uma releitura da trajetória de Xica a partir de documentos inéditos, entre eles o testamento dela, divulgado em 2025. Também busca destacar a força da mulher negra, além de abordar temas como ancestralidade, resistência e protagonismo feminino, ampliando o debate sobre os estereótipos que marcaram a representação cultural de Xica ao longo das décadas.[579]
Carnavais
[editar | editar código]| Acadêmicos do Salgueiro | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| Ano | Colocação | Divisão | Enredo | Carnavalesco(a) | Ref. |
| 1954 | 3.º Lugar | Grupo 1 | "Romaria à Bahia" (Compositores do samba: Abelardo Silva, Duduca e José Ernesto Aguiar) |
Hildebrando Moura | [580] [581] |
| 1955 | 4.º Lugar | Grupo 1 | "Epopéia do Samba" (Compositores do samba: Bala, Duduca e José Ernesto Aguiar) |
Hildebrando Moura | [580] [582] |
| 1956 | 4.º Lugar | Grupo 1 | "Brasil, Fontes das Artes" (Compositores do samba: Djalma Sabiá, Eden Silva e Nilo Moreira) |
Hildebrando Moura | [580] [583] |
| 1957 | 4.º Lugar | Grupo 1 | "Navio Negreiro" (Compositores do samba: Armando Régis e Djalma Sabiá) |
Hildebrando Moura | [580] [584] |
| 1958 | 4.º Lugar | Grupo 1 | "Um Século e Meio de Progresso a Serviço do Brasil - Homenagem ao Corpo de Fuzileiros Navais" (Compositores do samba: Carivaldo da Mota, Djalma Sabiá e Graciano Campos) |
Hildebrando Moura | [580] [585] |
| 1959 | Vice-campeã | Grupo 1 | "Viagem Pitoresca Através do Brasil - Debret" (Compositores do samba: Djalma Sabiá e Duduca) |
Marie Louise Nery e Dirceu Nery | [580] [586] |
| 1960 | Campeã | Grupo 1 | "Quilombo dos Palmares" (Compositores do samba: Anescarzinho do Salgueiro e Noel Rosa de Oliveira) |
Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues, Marie Louise Nery e Dirceu Nery | [587] [580] |
| 1961 | Vice-campeã | Grupo 1 | "Vida e Obra de Aleijadinho" (Compositores do samba: Bala, Duduca e Juca) |
Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues, Marie Louise Nery, Dirceu Nery e Mauro Monteiro | [580] [588] |
| 1962 | 3.º Lugar | Grupo 1 | "O Descobrimento do Brasil" (Compositor do samba: Geraldo Babão) |
Arlindo Rodrigues | [580] [589] |
| 1963 | Campeã | Grupo 1 | "Chica da Silva" (Compositores do samba: Anescarzinho do Salgueiro e Noel Rosa de Oliveira) |
Arlindo Rodrigues | [580] [590] |
| 1964 | Vice-campeã | Grupo 1 | "Chico-Rei" (Compositores do samba: Binha, Djalma Sabiá e Geraldo Babão) |
Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues | [580] [591] |
| 1965 | Campeã | Grupo 1 | "História do Carnaval Carioca – Eneida" (Compositores do samba: Geraldo Babão e Valdelino Rosa) |
Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues | [580] [592] |
| 1966 | 5.º Lugar | Grupo 1 | "Os Amores Célebres do Brasil" (Compositores do samba: Bala, Nilo e Zuzuca) |
Clóvis Bornay | [580] [593] |
| 1967 | 3.º Lugar | Grupo 1 | "História da Liberdade no Brasil" (Compositor do samba: Aurinho da Ilha) |
Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues | [580] [594] |
| 1968 | 3.º Lugar | Grupo 1 | "Dona Beja, a Feiticeira de Araxá" (Compositor do samba: Aurinho da Ilha) |
Fernando Pamplona e Marie Louise Nery | [580] [595] |
| 1969 | Campeã | Grupo 1 | "Bahia de Todos os Deuses" (Compositores do samba: Bala e Manuel Rosa) |
Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues | [580] [596] |
| 1970 | Vice-campeã | Grupo 1 | "Praça Onze, Carioca da Gema" (Compositores do samba: Duduca, Omildo, Miro e Silvio) |
Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues | [580] [597] |
| 1971 | Campeã | Grupo 1 | "Festa para Um Rei Negro" (Compositor do samba: Zuzuca) |
Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues, Joãosinho Trinta e Maria Augusta | [580] [598] |
| 1972 | 5.º Lugar | Grupo 1 | "Nossa Madrinha, Mangueira Querida" (Compositor do samba: Zuzuca) |
Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues | [580] [599] |
| 1973 | 3.º Lugar | Grupo 1 | "Eneida, Amor e Fantasia" (Compositor do samba: Geraldo Babão) |
Joãosinho Trinta e Maria Augusta | [580] [600] |
| 1974 | Campeã | Grupo 1 | "O Rei da França na Ilha da Assombração" (Compositores do samba: Malandro e Zé Di) |
Joãosinho Trinta e Maria Augusta | [580] [601] |
| 1975 | Campeã | Grupo 1 | "O Segredo das Minas do Rei Salomão" (Compositores do samba: Dauro Ribeiro, Mário Pedra, Nininha Rossi e Zé Pinto) |
Joãosinho Trinta e Maria Augusta | [580] [602] |
| 1976 | 5.º Lugar | Grupo 1 | "Valongo" (Compositor do samba: Djalma Sabiá) |
Edmundo Braga | [580] [603] |
| 1977 | 4.º Lugar | Grupo 1 | "Do Cauim ao Efó, com Moça Branca, Branquinha" (Compositores do samba: Geraldo Babão e Renato de Verdade) |
Fernando Pamplona | [580] [604] |
| 1978 | 6.º Lugar | Grupo 1 | "Do Yorubá à Luz, a Aurora dos Deuses" (Compositor do samba: Renato de Verdade) |
Fernando Pamplona | [580] [605] |
| 1979 | 6.º Lugar | Grupo 1A | "O Reino Encantado da Mãe Natureza Contra o Reino do Mal" (Compositores do samba: Bala, Cuíca e Luís Marinheiro) |
Edmundo Braga, Paulino Espírito Santo e Stoessel Cândido | [580] [606] |
| 1980 | 3.º Lugar | Grupo 1A | "O Bailar dos Ventos. Relampejou, mas não Choveu" (Compositores do samba: Edinho, Haydée, Moacir Arantes, Pompeu, Zé Di e Zuzuca) |
Ney Ayan e Jorge Nascimento | [580] [607] |
| 1981 | 5.º Lugar | Grupo 1A | "Rio de Janeiro" (Compositores do samba: Buguinho, Henrique Rodrigues Filho, Mauro Torrão) |
Geraldo Sobreira | [580] [608] |
| 1982 | 8.º Lugar | Grupo 1A | "No Reino do Faz de Conta" (Compositores do samba: César Veneno e Zé Di) |
Geraldo Sobreira e José Félix | [580] [609] |
| 1983 | 8.º Lugar | Grupo 1A | "Traços e Troças" (Compositores do samba: Bala e Celso Trindade) |
Augusto César Vannucci, José Luiz Rodrigues, Lan e Régis Cardoso | [580] [610] |
| 1984 | 4.º Lugar | Grupo 1A (Domingo) |
"Skindô, Skindô" (Compositores do samba: David Corrêa e Jorge Macedo) |
Arlindo Rodrigues | [580] [611] |
| 1985 | 6.º Lugar | Grupo 1A | "Anos Trinta, Vento Sul – Vargas" (Compositores do samba: Bala, Jorge Melodia e Jorge Moreira) |
Edmundo Braga e Paulino Espírito Santo | [580] [612] |
| 1986 | 6.º Lugar | Grupo 1A | "Tem que se Tirar da Cabeça Aquilo que não se Tem no Bolso - Tributo a Fernando Pamplona" (Compositores do samba: Jorge Melodia, Paulo Emílio, Bicho de Pena e Marcelo Lessa) |
Mário Monteiro, Ney Ayan e Yarema Ostrower | [580] [613] |
| 1987 | 5.º Lugar | Grupo 1 | "E por que não?" (Compositores do samba: Bala, César Veneno e Didi) |
Renato Lage e Lílian Rabello | [580] [614] |
| 1988 | 4.º Lugar | Grupo 1 | "Em Busca do Ouro" (Compositores do samba: Alaor Macedo, Arizão, Buguinho, Gilberto Tobias, Henrique do Salgueiro, Jorginho da Cadeira, Mauro Torrão, Rixxah e Rolando Medeiros) |
Chico Spinoza e Mário Monteiro | [580] [615] |
| 1989 | 5.º Lugar | Grupo 1 | "Templo Negro em Tempo de Consciência Negra" (Compositores do samba: Alaor Macedo, Arizão, Demá Chagas, Helinho do Salgueiro e Rubinho do Afro) |
Flávio Tavares e Luiz Fernando Reis | [580] [616] |
| 1990 | 3.º Lugar | Especial | "Sou Amigo do Rei" (Compositores do samba: Alaor Macedo, Arizão, Demá Chagas, Fernando Baster e Pedrinho da Flor) |
Rosa Magalhães | [580] [617] |
| 1991 | Vice-campeã | Especial | "Me Masso se não Passo pela Rua do Ouvidor" (Compositores do samba: Diogo, Luiz Fernando e Sereno) |
Rosa Magalhães | [580] [618] |
| 1992 | 4.º Lugar | Especial | "O Negro que Virou Ouro nas Terras do Salgueiro" (Compositores do samba: Bala, Efealves, Preto Velho, Sobral e Tiãozinho do Salgueiro) |
Mário Borriello e Flávio Tavares | [580] [619] |
| 1993 | Campeã | Especial | "Peguei Um Ita no Norte" (Compositores do samba: Arizão, Bala, Celso Trindade, Demá Chagas e Guaracy) |
Mário Borriello | [580] [620] |
| 1994 | Vice-campeã | Especial | "Rio de Lá pra Cá" (Compositores do samba: Celso Trindade, Demá Chagas, Bala, Arizão e Guaracys) |
Roberto Szaniecki | [580] [621] |
| 1995 | 5.º Lugar | Especial | "O Caso do Por Acaso" (Compositores do samba: Adalto Magalha, Eduardo Dias, Márcio Paiva e Quinho) |
Roberto Szaniecki | [580] [622] |
| 1996 | 5.º Lugar | Especial | "Anarquistas Sim, mas nem Todos" (Compositores do samba: Adalto Magalha, Eduardo Dias, Márcio Paiva e Quinho) |
Fábio Borges | [580] [623] |
| 1997 | 7.º Lugar | Especial | "De Poeta, Carnavalesco e Louco... Todo Mundo Tem Um Pouco" (Compositores do samba: Adalto Magalha, Eduardo Dias, Guaracy, Márcio Paiva, Quinho, Tico do Gato) |
Mário Borriello | [580] [624] |
| 1998 | 7.º Lugar | Especial | "Parintins, a Ilha do Boi-Bumbá: Garantido X Caprichoso, Caprichoso X Garantido" (Compositores do samba: Mestre Louro, Paulo Onça e Quinho) |
Mário Borriello | [580] [625] |
| 1999 | 5.º Lugar | Especial | "Salgueiro É Sol e Sal nos Quatrocentos Anos de Natal" (Compositores do samba: Celso Trindade, Demá Chagas, Eduardo Dias, Líbero e Quinho) |
Mauro Quintaes | [580] [626] |
| 2000 | 6.º Lugar | Especial | "Sou Rei, Sou Salgueiro, Meu Reinado É Brasileiro" (Compositores do samba: Fernando Baster, J.C. Couto, João da Valsa, Touro e Wander Pires) |
Mauro Quintaes | [580] [627] |
| 2001 | 4.º Lugar | Especial | "Salgueiro no Mar de Xarayés, É Pantanal, É Carnaval" (Compositores do samba: Augusto, José Carlos Saara, Nêgo e Rocco Filho) |
Mauro Quintaes | [580] [628] |
| 2002 | 6.º Lugar | Especial | "Asas de Um sonho. Viajando com o Salgueiro, o Orgulho de Ser Brasileiro" (Compositores do samba: Claudinho, Nêgo, Leonel, Luizinho Professor, Serginho 20 e Sidney Sã) |
Mauro Quintaes | [580] [629] |
| 2003 | 7.º Lugar | Especial | "Salgueiro, Minha Paixão, Minha Raiz - 50 Anos de Glória" (Compositores do samba: Claudinho, Leonel, Luizinho Professor, Serginho 20 e Sidney Sã) |
Renato Lage e Márcia Lage | [580] [630] |
| 2004 | 6.º Lugar | Especial | "A Cana que Aqui se Planta, Tudo Dá… Até Energia! Álcool – o Combustível do Futuro" (Compositores do samba: Leonel, Luizinho Professor, Professor Newtão, Serginho 20 e Sidney Sã) |
Renato Lage e Márcia Lage | [580] [631] |
| 2005 | 5.º Lugar | Especial | "Do Fogo que Ilumina a Vida, Salgueiro É Chama que não Se Apaga" (Compositores do samba: Fernando Magaça, Luiz Antonio, Moisés Santiago, Quinho e Waltinho Honorato) |
Renato Lage e Márcia Lage | [580] [632] |
| 2006 | 11.º Lugar | Especial | "Microcosmos: O que os Olhos não Veem, o Coração Sente" (Compositores do samba: ABS, Fernando Magaça, Leonel, Luizinho Professor, Moisés Santiago, Paulo Shell, Tiãozinho do Salgueiro, Quinho e Waltinho Honorato) |
Renato Lage e Márcia Lage | [580] [633] |
| 2007 | 7.° Lugar | Especial | "Candaces" (Compositores do samba: Dudu Botelho, Luiz Pião, Marcelo Motta e Zé Paulo) |
Renato Lage e Márcia Lage | [580] [634] |
| 2008 | Vice-campeã | Especial | "O Rio de Janeiro Continua Sendo…" (Compositores do samba: Dudu Botelho, João Conga, Josemar Manfredini, Luiz Pião e Marcelo Motta) |
Renato Lage e Márcia Lage | [580] [635] |
| 2009 | Campeã | Especial | "Tambor" (Compositores do samba: Leandro Costa, Moisés Santiago, Paulo Shell e Tatiana Leite) |
Renato Lage | [580] [636] |
| 2010 | 5.º Lugar | Especial | "Histórias sem Fim" (Compositores do samba: Brasil do Quintal, Betinho do Ponto, Jassa, Josemar Manfredini e Fernando Magaça) |
Renato Lage | [580] [637] |
| 2011 | 5.º Lugar | Especial | "Salgueiro Apresenta: O Rio no Cinema" (Compositores do samba: Anderson Benson, Dudu Botelho, Luiz Pião e Miudinho) |
Renato Lage e Márcia Lage | [580] [638] |
| 2012 | Vice-campeã | Especial | "Cordel Branco e Encarnado" (Compositores do samba: Diego Tavares, Dílson Marimba, Domingos PS, Marcelo Motta, Ribeirinho e Tico do Gato) |
Renato Lage e Márcia Lage | [580] [639] |
| 2013 | 5.º Lugar | Especial | "Fama" (Compositores do samba: Ge Lopes, João Ferreira, Marcelo Motta e Thiago Daniel) |
Renato Lage e Márcia Lage | [580] [640] |
| 2014 | Vice-campeã | Especial | "Gaia - A vida em Nossas Mãos" (Compositores do samba: Betinho de Pilares, Dudu Botelho, Jassa, Miudinho, Rodrigo Raposo e Xande de Pilares) |
Renato Lage e Márcia Lage | [641] [580] |
| 2015 | Vice-campeã | Especial | "Do Fundo do Quintal, Saberes e Sabores na Sapucaí" (Compositores do samba: Betinho de Pilares, Jassa, Luiz Pião, Miudinho, W. Corrêa e Xande de Pilares) |
Renato Lage e Márcia Lage | [642] [580] |
| 2016 | 4.º Lugar | Especial | "A Ópera dos Malandros" (Compositores do samba: Francisco Aquino, Fred Camacho, Getúlio Coelho, Guinga do Salgueiro, Marcelo Motta e Ricardo Fernandes) |
Renato Lage e Márcia Lage | [580] [643] |
| 2017 | 3.º Lugar | Especial | "A Divina Comédia do Carnaval" (Compositores do samba: Francisco Aquino, Fred Camacho, Getúlio Coelho, Guinga do Salgueiro, Marcelo Motta e Ricardo Fernandes) |
Renato Lage e Márcia Lage | [644] |
| 2018 | 3.º Lugar | Especial | "Senhoras do Ventre do Mundo" (Compositores do samba: Demá Chagas, Dudu Botelho, Xande de Pilares, Renato Galante, Jassa, Leonardo Galo, Betinho de Pilares, Vanderley Sena, Ralfe Ribeiro e W. Corrêa) |
Alex de Souza | [645] |
| 2019 | 5.º Lugar | Especial | "Xangô" (Compositores do samba: Demá Chagas, Marcelo Motta, Renato Galante, Fred Camacho, Leonnardo Gallo, Getúlio Coelho, Vanderlei Sena e Francisco Aquino) |
Alex de Souza | [646] |
| 2020 | 5.º Lugar | Especial | "O Rei Negro do Picadeiro" (Compositores do samba: Marcelo Motta, Fred Camacho, Guinga do Salgueiro, Getúlio Coelho, Ricardo Neves e Francisco Aquino) |
Alex de Souza | [647] |
| 2021 | Não houve desfile devido a pandemia de Covid-19 | [648] | |||
| 2022 | 6.º Lugar | Especial | "Resistência" (Compositores do samba: Demá Chagas, Pedrinho da Flor, Leonardo Gallo, Zeca do Cavaco, Joana Rocha, Renato Galante e Gladiador) |
Alex de Souza | [649] |
| 2023 | 7.º Lugar | Especial | "Delírios de Um Paraíso Vermelho" (Compositores do samba: Moysés Santiago, Líbero, Serginho do Porto, Celino Dias, Aldir Sena, Orlando Ambrósio, Gilmar Silva e Marquinho Bombeiro) |
Edson Pereira | [650] |
| 2024 | 4.º Lugar | Especial | "Hutukara" (Compositores do samba: Pedrinho da Flor, Marcelo Motta, Arlindinho Cruz, Renato Galante, Dudu Nobre, Leonardo Gallo, Ramon Via 13 e Ralfe Ribeiro) |
Edson Pereira | [651] |
| 2025 | 7.º Lugar | Especial | "Salgueiro de Corpo Fechado" (Compositores do samba: Xande de Pilares, Pedrinho da Flor, Betinho de Pilares, Renato Galante, Miguel Dibo, Leonardo Gallo, Jorginho Via 13, Jeferson Oliveira, Jassa e W.Correa) |
Jorge Silveira | [557] |
| 2026 | 4.º Lugar | Especial | "A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora que não Tinha Medo de Bruxa, de Bacalhau e nem do Pirata da Perna-de-pau" (Compositores do samba: Rafa Hecht, Samir Trindade, Thiago Daniel, Clairton Fonseca, Fabrício Sena, Deiny Leite, Felipe Sena, Ricardo Castanheira, JP Figueira, Deco, Marcelo Motta, Dudu Nobre, Julio Alves, Manolo, Daniel Paixão, Jonathan Tenório, Kadu Gomes, Zé Moraes, Jorge Arthur e Fadico) |
Jorge Silveira | [652][653] |
| 2027 | Especial | "Laroyê Xica da Silva - A História por Trás da História" | Jorge Silveira | [579] | |
Títulos
[editar | editar código]| Títulos do Salgueiro | ||
|---|---|---|
| Divisão | Títulos | Carnavais |
Primeira divisão |
9 | 1960, 1963, 1965, 1969, 1971, 1974, 1975, 1993, 2009 |
Premiações
[editar | editar código]O Salgueiro tem uma vasta lista de prêmios recebidos ao longo de sua história. A escola é uma das maiores vencedoras do Estandarte de Ouro, considerado o "óscar do carnaval carioca". Também conquistou diversas outras premiações como Tamborim de Ouro; S@mba-Net; Estrela do Carnaval; Prêmio SRzd; Cannes Lions entre outros.
Homenagens
[editar | editar código]• No carnaval de 2013, a Unidos do Viradouro homenageou os sessenta anos do Salgueiro com o enredo "Nem Melhor nem Pior, que não Sai da Minha Mente. Inspiração para o Meu Samba, Eu Também Sou Diferente", conquistando o vice-campeonato da Série A (segunda divisão) do carnaval carioca.[654][655]
• Também em 2013, o Jornal Extra recriou os desfiles salgueirenses de 1963, 1969 e 1971 em um show especial de comemoração aos sessenta anos da escola.[656]
• No carnaval paulistano de 2023, a Primeira da Cidade Líder desfilou com o enredo "70 Anos de Uma Escola Diferente, Lá Vem Salgueiro!", conquistando o quarto lugar no Grupo de Acesso 2.[657]
Segmentos
[editar | editar código]Presidente de Honra
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| Presidentes de honra | Período | Ref. |
|---|---|---|
| Djalma Sabiá (in memoriam) | 2018-presente | [503] |
Presidentes
[editar | editar código]| * Sem informação disponível |

| Presidentes | Mandato | Vice-presidentes | Ref. |
|---|---|---|---|
| Paulino de Oliveira (Silas) | 1955-1956 | * | [658] [659] |
| Nelson de Andrade | 1956-1958 | * | |
| Manoel Carpinteiro | 1959-1960 | * | |
| José Nicolau Nachef | 1961 | * | |
| Mário Pinheiro (Buzunga) | 1960-1961 (interino) | * | |
| Osmar Valença | 1961-1964 | Neca da Baiana | |
| 1964-1967 | * | ||
| Jesus de Oliveira | 1967 (interino) | * | |
| Osmar Valença | 1968-1976 | * | |
| Euclides Pannar (China Cabeça Branca) | 1976 | Moacyr de Carvalho (Moacyr Lord) | |
| Moacyr de Carvalho (Moacyr Lord) | 1976-1978 (interino) | * | |
| Osmar Valença | 1978-1981 | * | |
| Sillos de Oliveira | 1981-1982 | Djalma Sabiá | |
| Régis Cardoso | 1982-1984 | * | |
| Milton de Souza | 1984-1985 | * | |
| Elisabeth Nunes | 1985-1988 | Paulo César Mangano | |
| Miro Garcia | 1988-1993 | Maninho Garcia | |
| Maninho Garcia | 1993-1994 | Paulo César Mangano | |
| Paulo César Mangano | 1994-1997 (interino) | - | |
| 1997-2001 | Luiz Augusto Laje Duran (Fú) | ||
| Luiz Augusto Laje Duran (Fú) | 2001-2005 | Guaracy Paes Falcão (Guará) | [365] |
| 2005-2008 | |||
| Regina Celi Fernandes | 2008-2011 | Marcelo Montero | [660] |
| 2011-2014 | Marcello Tijolo | [415][438] | |
| 2014-2018 | Jomar Casemiro (Jô Calça Larga) | [450][556] | |
| Jomar Casemiro (Jô Calça Larga) | Dezembro de 2018 (interino) | - | [501] |
| André Vaz | 2018-2022 | Joaquim Cruz | [501] |
| 2022-2026 | [535] | ||
| 2026-presente | Dudu Botelho |
Intérpretes
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| Intérpretes | Carnavais | Ref. |
|---|---|---|
| Djalma Sabiá | 1956-1957 | [583][584] |
| Raul Moreno | 1958 | [585] |
| Djalma Sabiá | 1959 | [586] |
| Noel Rosa de Oliveira | 1960-1977 | [661] |
| Rico Medeiros | 1978-1981 | [662] |
| Zé Di | 1982 | [663] |
| Rico Medeiros | 1983 | [664] |
| David Corrêa | 1984 | [665] |
| Rico Medeiros | 1985-1986 | [664] |
| Rixxah | 1987-1989 | [666] |
| Rico Medeiros | 1990 | [664] |
| Quinho | 1991-1993 | [667] |
| Quinzinho | 1994 | [668] |
| Quinho | 1995-1999 | [667] |
| Wander Pires | 2000 | [669] |
| Nêgo | 2001-2002 | [670] |
| Quinho | 2003-2010 | [667] |
| Quinho, Leonardo Bessa e Serginho do Porto | 2011-2012 | [671][672] |
| Quinho, Leonardo Bessa e Serginho do Porto (Participação Especial: Xande de Pilares) |
2013-2014 | [673][428] |
| Leonardo Bessa e Serginho do Porto (Participação Especial: Xande de Pilares) |
2015-2017 | [673] |
| Leonardo Bessa, Hudson Luiz, Tuninho Júnior (Participação Especial: Xande de Pilares) |
2018 | [674] |
| Emerson Dias e Quinho | 2019-2022 | [497] |
| Emerson Dias | 2023-2024 | [536] |
| Igor Sorriso | 2025-presente | [558] |
Comissão de Frente
[editar | editar código]| Coreógrafos(as) | Carnavais | Ref. |
|---|---|---|
| Suzana Braga | 1990-1994 | [621] |
| Dennis Gray | 1995 | [622] |
| Regina Miranda | 1996-1998 | [623] |
| Beth Oliose e Regina Sauer | 1999 | [626] |
| Carlota Portella | 2000 | [627] |
| Caio Nunes | 2001-2002 | [628] |
| Marcelo Misailidis | 2003-2007 | [634] |
| Hélio Bejani | 2008-2018 | [496] |
| Sérgio Lobato | 2019-2020 | [675] |
| Patrick Carvalho | 2022-2024 | [524] |
| Paulo Pinna | 2025-presente | [559] |
Mestre-sala e Porta-bandeira
[editar | editar código]Primeiro casal
[editar | editar código]| Primeiro casal | Carnavais | Ref. |
|---|---|---|
| Chico Mangonga e Eni | 1954 | [581] |
| Mário e Marina | 1958 | [585] |
| Ananias e Eni | 1959-1961 | [586] |
| Mário e Iolanda | 1963 | [590] |
| Mário e Maria de Lourdes | 1964 | [676] |
| Agostinho e Maria de Lourdes | 1965-1967 | [677][594] |
| Elcio PV e Estandília | 1968-1970 | [595] |
| Bira e Marina | 1971 | [598] |
| Elcio PV e Estandília | 1972 | [599] |
| Agostinho e Celma | 1973 | [600] |
| Cheiroso e Marina | 1974 | [601] |
| Agostinho e Celina | 1975 | [602] |
| Ronaldo e Celina | 1976 | [603] |
| Oswaldo e Lourdes | 1977 | [604] |
| Ronaldo e Celina | 1978 | [605] |
| Peninha e Adriane Nunes | 1979-1982 | [606] |
| Amauri e Rita Freitas | 1983-1986 | [610] |
| Marquinho e Andréa | 1987 | [614] |
| Ronaldinho e Norminha | 1988 | [615] |
| Élcio PV e Dóris | 1989-1990 | [616] |
| Ronaldinho e Rita Freitas | 1991 | [618] |
| Vanderli e Taninha | 1992-1993 | [619] |
| Dionísio e Taninha | 1994 | [621] |
| Vanderli e Andréia Neves | 1995-1996 | [622] |
| Sidclei Santos e Ana Paula Oliveira | 1997-1999 | [624] |
| Vanderli e Fernanda | 2000 | [627] |
| Ronaldinho e Marcella Alves | 2001-2005 | [628] |
| Ronaldinho e Rita Freitas | 2006 | [633] |
| Ronaldinho e Gleice Simpatia | 2007-2010 | [634] |
| Sidclei Santos e Gleice Simpatia | 2011-2013 | [638] |
| Sidclei Santos e Marcella Alves | 2014–2026 | [576] |
| Sidclei Santos e Laryssa Victória | 2027–presente | [578] |
Segundo casal
[editar | editar código]| Segundo casal | Carnavais | Ref. |
|---|---|---|
| Guará e Deni | 1955 | [678] |
| Ananias e Eni | 1958 | [585] |
| Mário Rosa e Marina | 1961 | [679] |
| Berani e Marina | 1963 | [590] |
| Cheiroso e Maria | 1973 | [600] |
| Ronaldo e Celina | 1977 | [604] |
| Cabeção e Mariazinha | 1983 | [610] |
| Jorge e Andréa | 1984 | [611] |
| Edeson e Georgete | 1986-1987 | [613][614] |
| Edeson e Taninha | 1988 | [615] |
| Vanderli e Taninha | 1990-1991 | [680][618] |
| Maurício Martins e Andréia Neves | 1992-1994 | [619][620][621] |
| Dionísio Mendes e Ana Paula Oliveira | 1995 | [622] |
| Sidclei Santos e Ana Paula Oliveira | 1996 | [681] |
| Jorginho e Fernanda Saint'Clair | 1997-1999 | [624][625][626] |
| Mosquito e Priscila Rosa | 2000-2002 | [627][628] |
| Dionísio e Ruth | 2003 | [682] |
| Mosquito e Mara Rosa | 2004-2008 | [631][635] |
| Daniel Jofre e Luana Gomes | 2009-2011 | [636][637][638] |
| Mosquito e Luana Gomes | 2012-2015 | [683][642] |
| Vinicius Pessanha e Jackeline Pessanha | 2016-2017 | [643][684] |
| Vinícius Pessanha e Natália Pereira | 2018 | [685] |
| Luan Castro e Natália Pereira | 2019-2022 | [686][687][688] |
| José Roberto e Nathália Pereira | 2023 | [689] |
| Leonardo Moreira e Barbara Moura | 2024-2026 | [690] |
| Leonardo Moreira e Beatriz Paula | 2027 | [691] |
Terceiro casal
[editar | editar código]| Terceiro casal | Carnavais | Ref. |
|---|---|---|
| Daniel Jofre e Luana Gomes | 2008 | [692] |
| Leonardo Moreira e Letícia Malaquias | 2020-2023 | [687][688][689] |
| Leonam Santos e Beatriz Paula | 2024-2026 | [690] |
| Leonam Santos e Jéssica Ferreira | 2027 | [693] |
Bateria
[editar | editar código]A bateria do Salgueiro é apelidada de "Furiosa". É a bateria que mais vezes foi premiada com o Estandarte de Ouro, com um total de nove Estandartes; entre outras premiações.[694] Até o ano de 2004 o Salgueiro não possuía rainha de bateria pois Mestre Louro acreditava que os ritmistas ficariam desconcentrados com uma mulher desfilando à frente deles. Em 2004, com o desligamento de Louro, Ana Cláudia Soares - esposa de Maninho, o patrono da escola - inaugurou o posto.[337] Em 2023 a Bateria Furiosa foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Município do Rio de Janeiro.[695]

Mestres
[editar | editar código]| Mestres de bateria | Carnavais | Ref. |
|---|---|---|
| Dorinho | 1954-1957 | [581] |
| Tião da Alda e Dorinho | 1958 | [585] |
| Tião da Alda | 1959-1962 | [586] |
| Bira | 1963-1964 | [590] |
| Ernesto Rodrigues | 1965-1967 | [592] |
| Almir Guineto | 1968 | [595] |
| Almir Guineto e Gavilan | 1969-1970 | [596] |
| Ubirajara Nascimento | 1971 | [598] |
| Almir Guineto e Louro | 1972-1973 | [599] |
| Arengueiro e Louro | 1974-1975 | [601] |
| Arengueiro e Mané Perigoso | 1976 | [603] |
| Arengueiro e Louro | 1977-1978 | [604] |
| Louro | 1979-1983 | [606] |
| Wilson | 1984 | [611] |
| Louro | 1985-2003 | [612] |
| Jonas | 2004 | [631] |
| Marcão | 2005-2018 | [504] |
| Guilherme e Gustavo | 2019-presente | [505] |
Rainhas
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| Rainhas de bateria | Carnavais | Ref. |
|---|---|---|
| Ana Cláudia Soares | 2004 | [337] |
| Carol Castro | 2005-2006 | [347] |
| Gracyanne Barbosa | 2007 | [364] |
| Viviane Araújo | 2008-presente | [696] |
Direção de Carnaval
[editar | editar código]| Diretores de carnaval | Carnavais | Ref. |
|---|---|---|
| Pedro Ceciliano (Peru) | 1954-1955 | [581] |
| Casemiro Calça Larga | 1956 | [583] |
| Nelson de Andrade | 1957-1961 | [584] |
| Casemiro Calça Larga | 1962-1964 | [589] |
| Laíla | 1968-1975 | [595] |
| Walter Fernandes | 1979-1980 | [606] |
| Wilson Gusmão, Jorge Pinto Claro e Régis Cardoso | 1981-1982 | [167] |
| Laíla | 1984 | [611] |
| Comissão de carnaval | 1985 | [612] |
| Djalma Sabiá | 1987 | [614] |
| Aidno Sá | 1988 | [615] |
| Paulo César Mangano Barreiro | 1989-1994 | [619] |
| Paulo Roberto Mangano Barreiro | 1995-1998 | [622] |
| Sérgio Costa | 1999-2003 | [626] |
| Guilherme Nóbrega | 2004 | [631] |
| Comissão de carnaval | 2005 | [632] |
| Pedro Nobre | 2006 | [633] |
| Ricardo Fernandes | 2007 | [634] |
| Tavinho Novello | 2008-2009 | [635] |
| Anderson Abreu | 2010-2011 | [637] |
| Anderson Abreu, Dudu Azevedo, Paulo Barros (Paulinho) e Renato Duran | 2012-2013 | [697] |
| Dudu Azevedo | 2014-2016 | [697] |
| Alexandre Couto | 2017-2022 | [473] |
| Julinho Fonseca | 2023 | [689] |
| Wilsinho Alves | 2024-presente | [698] |
Direção de Harmonia
[editar | editar código]| Diretores de harmonia | Carnavais | Ref. |
|---|---|---|
| Duduca | 1955 | [678] |
| Casemiro Calça Larga | 1960-1964 | [587] |
| Laíla | 1968-1975, 1984 | [595][611] |
| Renato Fernandez de Assis (Renatão) | 1985 | [612] |
| Jorge Calça Larga | 1986-1989 | [613] |
| Renato Fernandez de Assis (Renatão) | 1990-1991 | [617] |
| Guilherme Nóbrega | 1992 | [619] |
| Jorge Calça Larga | 1993-1997 | [620] |
| Reinaldo Fernandes Da Costa (Rone) | 1998-1999 | [625] |
| Sidney Machado (Chope) | 2000 | [627] |
| Guilherme Nóbrega | 2001-2002 | [628] |
| Clodoaldo Fabriciano | 2003 | [682] |
| Guilherme Nóbrega | 2004-2005 | [699] |
| Gilberto Cabeça Rica | 2006 | [633] |
| Fernando Costa | 2007-2008 | [635] |
| Jomar Casemiro (Jô Calça Larga), Siro Carvalho e Alda Alves | 2009-2018 | [636] |
| Jomar Casemiro (Jô Calça Larga) | 2019-2022 | [686] |
| Fagney Lins | 2023 | [689] |
| Diego Pedroso, Paulo Dimitri e Paulinho Evangelista | 2024-presente | [700] |
Discografia
[editar | editar código]Além das aparições nos álbuns de sambas-enredo, o Salgueiro possui os seguintes trabalhos fonográficos:[701]
1957 - Samba! Com a Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro
1957 - Aí Vem o Samba
1960 - Samba Nº 2
1965 - Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro
1965 - Ala dos Compositores - Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro
1969 - Lá Vem o Salgueiro - Ala dos Compositores da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro
1969 - Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro
1970 - Samba de Quadra - GRES Acadêmicos do Salgueiro
1971 - GRES Acadêmicos do Salgueiro Apresenta os Maiores Sambas-Enredos de Todos os Tempos
1971 - Salgueiro, a Academia do Samba
1974 - Salgueiro, As Minas do Rei Salomão
1975 - História das Escolas de Samba - Salgueiro
1993 - Escola de Samba Enredos - Salgueiro
2006 - Os Sambas do Salgueiro
Quadra
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A quadra do Salgueiro está localizada na rua Silva Teles, n.º 104, no Andaraí. Tem capacidade para 4.000 pessoas. Possui dezoito bares, oito banheiros, posto de atendimento médico, palco para shows, camarotes, camarins e sistema de ar-condicionado central. Além de ensaios e eventos particulares da escola, a quadra também recebe shows de diversos artistas da música popular brasileira.[702]
Departamento Médico
O Salgueiro também oferece atendimento de saúde gratuito à comunidade da escola. Os atendimentos são realizados no Departamento Médico Miro Garcia, através de médicos voluntários.[703]
Centro Cultural
Em 2013 foi anunciada a criação do Centro Cultural Djalma Sabiá. O nome homenageia um dos fundadores do Salgueiro e compositor de diversos sambas da escola. O projeto foi idealizado pela presidente Regina Celi Fernandes. No espaço encontra-se todo o acervo cultural da agremiação, e uma loja onde são vendidos produtos da escola. O Centro Cultural localiza-se em frente à quadra da escola, na rua Silva Teles, n.º 79, no Andaraí.[704]
Vila Olímpica do Salgueiro
[editar | editar código]Em 30 de março de 1996 foi inaugurada a Vila Olímpica Felinto Epitácio Maia, mais conhecida como Vila Olímpica do Salgueiro, situada ao lado da quadra do Salgueiro, na rua Silva Teles, n.º 104, no Andaraí.[705] Possui um espaço físico de 4000 m². Conta com dois campos de grama sintética, quadra poliesportiva, piscina semi olímpica, pista de atletismo, lanchonete, biblioteca, sala de dança, sala de luta, entre outras salas de aula e administrativas, além de vestiários e banheiros. No local são realizados diversos projetos de cidadania e inclusão social, entre atividades físicas e esportivas.[706] Em abril de 2015 foi inaugurada, dentro da Vila Olímpica, uma unidade da Faetec Digital, com sala de informática e uso gratuito de internet banda larga.[707] Em 2019 a Vila foi fechada para reformas, sendo reaberta em 2024.[708]
Escola Mirim
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Em 3 de outubro de 1989 foi fundado o Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Mirim Aprendizes do Salgueiro, a escola de samba mirim do Salgueiro. A escola participa dos desfiles mirins desde a sua implantação. Em 2002 participou da criação da AESM, entidade responsável pelos desfiles mirins. A escola alterna entre enredos inéditos e reedições do Salgueiro. Os enredos são desenvolvidos pelo Departamento Cultural salgueirense, e compositores da "Academia do samba" também compõem para a Aprendizes. O desfile das escolas mirins não é competitivo, ou seja, não há uma campeã.[709] A escola serve de celeiro para revelar novos talentos. Começaram na Aprendizes do Salgueiro, artistas como o compositor e cantor Dudu Nobre, a porta-bandeira Lucinha Nobre, os intérpretes Zé Paulo Sierra e Leonardo Bessa, o mestre de bateria Thiago Diogo, entre outros sambistas.[710][711]
Referências
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- ↑ «Salgueiro leva o Estandarte de Ouro de melhor escola». O Globo. plus.google.com/+JornalOGlobo/. Consultado em 30 de dezembro de 2015. Cópia arquivada em 17 de outubro de 2025
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- 1 2 3 Costa, Haroldo (1984). Salgueiro: academia de samba 1.ª ed. Rio de Janeiro: Editora Record. pp. 54–56
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Bibliografia
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