Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

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Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
Álbum de estúdio de The Beatles
Lançamento 1 de junho de 1967
Gravação 6 de dezembro de 1966 – 21 de abril de 1967
Estúdio(s) Estúdios EMI e Regent Sound Studio, Londres
Gênero(s)
Duração 39:42
Gravadora(s) Parlophone
Produção George Martin
Cronologia de The Beatles
Último
Último
Revolver
(1966)
Magical Mystery Tour
(1967)
Próximo
Próximo

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band é o oitavo álbum de estúdio da banda britânica de rock The Beatles. Lançado em 1 de junho de 1967, tornou-se imediatamente enorme sucesso comercial e crítico, permanecendo durante 27 semanas no topo das tabelas de álbuns do Reino Unido e 15 semanas na primeira posição nos Estados Unidos. A revista Time o considerou "uma partida histórica no progresso da música" e a New Statesman elogiou a sua elevação da música pop ao nível de arte.[1] O trabalho conquistou quatro Prêmios Grammy em 1968, incluindo a categoria Álbum do Ano, o primeiro LP de rock a receber tal honra.

Em agosto de 1966, os Beatles retiraram-se permanentemente das turnês e começaram um período de férias que durou três meses. Em novembro, durante um voo de regresso para Londres, Paul McCartney teve ideia para uma canção envolvendo uma banda militar da era Eduardiana, o qual, eventualmente formaria o ímpeto para o conceito de Sgt. Pepper. As sessões de gravação do sucessor de Revolver começaram em 24 novembro no Abbey Road Studio Two, com a intenção inédita de criar um disco que fosse tematicamente ligado à infância dos membros da banda. "Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane" foram das primeiras faixas concebidas para o projeto, mas, depois de serem pressionados pela EMI, as canções foram lançadas como um single de dupla face. Tais canções não foram, assim, incluídas no álbum.

Em fevereiro de 1967, depois de gravarem a canção "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", McCartney sugeriu que os Beatles lançassem um LP inteiro que representasse um espectáculo feito pela banda fictícia Sgt. Pepper. Este grupo alter ego acabou por lhes dar liberdade para fazerem experiências musicais. Durante as gravações, a banda esforçou-se para melhorar a qualidade da produção em comparação com os seus lançamentos anteriores. Sabendo que não iriam tocar as canções ao vivo, adotaram uma abordagem experimental para composição, escrevendo canções como "With a Little Help from My Friends", "Lucy in the Sky with Diamonds" e "A Day in the Life". As técnicas inovadoras de gravação implementadas pelo produtor George Martin incluíam a aplicação liberal da modelagem de som com processamento de sinal e o uso de uma orquestra de quarenta integrantes a tocar crescendos aleatórios. As gravações terminaram em 21 de abril de 1967. A capa, que mostra a banda em pose em frente a uma plateia de celebridades e de figuras históricas, foi criada pelos artistas britânicos Peter Blake e Jann Haworth, baseada num esboço de McCartney.

Sgt. Pepper é considerado pelos musicólogos como um álbum conceitual, que desenvolveu o uso da forma usual na musica popular enquanto continuava a maturação artística vista nos álbuns anteriores dos Beatles. Desde então, tem sido descrito como um dos primeiros LPs de arte rock, auxiliando o desenvolvimento do rock progressivo, e creditado como marco inicial da ‘Era do Álbum’. Um importante trabalho da psicadelia britânica, o trabalho de multi-gêneros incorpora diversas influências estilísticas, incluindo vaudeville, circense, music hall, avant-garde, e música clássica ocidental e indiana. Em 2003, a Biblioteca do Congresso Americana inseriu Sgt. Pepper no Registo Nacional de Gravações, honrando o trabalho como "culturalmente, historicamente, ou esteticamente significante".[2] No mesmo ano, a revista Rolling Stone colocou-o em primeiro lugar na lista dos "500 Melhores Álbuns de Sempre" com a justificação de que é "uma aventura inultrapassável em conceito, som, composição, arte da capa e tecnologia de estúdio pelo maior grupo de todos os tempos de rock and roll."[3] Em 2014, já tinham sido vendidas mais de 30 milhões de cópias mundialmente, fazendo de Sgt. Pepper um dos álbuns mais vendidos da história da música. O Prof. Kevin J Dettmar, ao escrever para a Enciclopédia Oxford de Literatura Britânica, descreveu-o como "o mais importante e influente álbum de rock and roll já gravado".[4]

Início[editar | editar código-fonte]

Estávamos fartos de ser os Beatles. Detestávamos aquela abordagem de merda dos quatro pequenos mop-tops.[nb 1] Não éramos rapazes, éramos homens... e pensávamos em nós mesmos como artistas e não apenas como músicos para entreter.[5]

Paul McCartney

Em 1966, os Beatles estavam cansados de realizar concertos ao vivo.[6] Na opinião de John Lennon, eles podiam "enviar quatro bonecos de cera... e seria o bastante para satisfazer a multidão. Os concertos dos Beatles já não tinham nada a ver com música. Eram apenas malditos ritos tribais."[7] Em junho daquele ano, dois dias depois de terem finalizado o álbum Revolver, o grupo iniciou uma turnê mundial a partir da Alemanha.[8] Em Hamburgo, entretanto, receberam um telegrama anônimo que dizia: "Não vão a Tóquio. A vossa vida corre perigo".[9] A ameaça foi levada a sério à luz da controvérsia criada por grupos conservadores e religiosos do Japão, opostos à ideia planejada pelos Beatles de realizar uma apresentação na arena sagrada Nippon Budokan.[9] Como precaução, 35 000 policias foram mobilizados e encarregues de proteger o grupo, que foi transportado dos locais dos shows para os hotéis em carros blindados.[10] O comedimento do público japonês e a ausência de fãs a gritar durante os shows permitiram ao quarteto ouvir suas performances e perceber o quanto elas tinham perdido qualidade. Quando chegaram às Filipinas, foram ameaçados e maltratados pelos cidadãos por não visitarem a Primeira Dama Imelda Marcos. O grupo manifestava descontentamento com o seu empresário, Brian Epstein, por este insistir no que eles consideravam ser um itinerário desgastante e desmoralizante.[11] Depois do regresso a Londres, George Harrison respondeu a uma questão sobre os futuros planos da banda: "Tiraremos um par de semanas para recuperação [da viagem] antes de irmos [aos Estados Unidos] e sermos espancados pelos americanos."[12] Tal comentário provou ser profético, uma vez que o posterior dito de Lennon sobre os Beatles serem "mais populares que Jesus" envolveu a banda em enorme controvérsia, gerando protestos no Bible Belt[nb 2] dos Estados Unidos.[12] Um pedido de desculpas público amenizou a polêmica, mas a pobre excursão nos Estados Unidos, marcada por estádios em meia lotação e atuações abaixo da expectativa, provou ser a última da banda.[13] O autor Nicholas Schaffner lembra: "Para os Beatles, tocar esses concertos tinha se tornado uma charada tão distante dos novos rumos que eles estavam a perseguir, que nem uma única melodia foi tocada do recém-lançado LP Revolver, cujos arranjos eram, na sua maior parte, impossíveis de reproduzir em palco devido ao seu alinhamento de duas guitarras-baixo-bateria".[14]

Ao retornar à Inglaterra, começaram a circular rumores de que o grupo tinha decidido encerrar suas atividades.[15] Harrison informou a Epstein que ia deixar a banda, mas foi convencido a ficar com a promessa que não haveria mais turnês.[12] O grupo tirou sete semanas de férias, concentrando-se em interesses individuais. Harrison viajou para a Índia durante seis semanas para melhorar o seu desempenho na sitar, com aulas de Ravi Shankar.[16] Paul McCartney e o produtor George Martin colaboraram para a trilha sonora do filme The Family Way.[17] Lennon atuou no filme How I Won the War e participou de mostras de arte, como uma na Indica Gallery, na cidade de Westminster, onde viria a conhecer Yoko Ono, a sua futura esposa.[18] Ringo Starr aproveitou a pausa para passar mais tempo com a sua esposa Maureen e o filho Zak.[19]

Conceito e inspiração[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 1966, durante um voo de retorno do Quênia para Londres, onde estava de férias com o diretor de turnês Mal Evans, McCartney teve ideia para uma música. Tal ideia, que formaria o ímpeto para o conceito de Sgt. Pepper, envolvia uma banda militar da era eduardiana, de nome inventado por Evans, ao estilo de grupos contemporâneos de São Francisco como Big Brother and the Holding Company e Quicksilver Messenger Service.[20] Em fevereiro de 1967, McCartney sugeriu que os Beatles gravassem um disco inteiro que representasse uma performance desse grupo ficcional.[21] Tal grupo alter ego daria a eles a liberdade para experimentar musicalmente. McCartney explicou: "Eu pensei, vamos deixar de ser nós mesmos. Vamos desenvolver alter egos".[22]

Cquote1.svg O 'sargento Pepper' não apareceu até a metade do processo de feitura do álbum. Era uma música do Paul, somente um número comum de rock (...) Paul disse: "Porque não fazemos um álbum como se a banda de Pepper realmente existisse, como se o 'sargento Pepper' estivesse gravando? Gravaremos efeitos e tudo mais." Eu amei a ideia, e, daquele momento em diante, foi como se Pepper tivesse vida própria. Cquote2.svg
George Martin[23]

Em 1966, o crescente interesse do músico americano Brian Wilson por estética de gravação, além da sua admiração pelo Wall of Sound e por Rubber Soul, ambas produções de Phil Spector, serviram de fonte criativa ao que resultou no lançamento de Pet Sounds, dos Beach Boys, que mostrou seu expertise em produção e maestria em composição e arranjo.[24] [nb 3] O autor Thomas MacFarlane define o lançamento de Pet Sounds como inspirador de muitos músicos daquele tempo, com McCartney, em particular, a cantar seus louvores e extrair inspiração para uma "expansão do foco de trabalho dos Beatles com sons e texturas não usualmente associadas à música popular."[25] McCartney pensava que, por ele constantemente tocar o álbum, foi difícil Lennon "escapar da influência", adicionando: "Foi inteligentemente executado... então nós fomos inspirados por ele e pegamos algumas ideias."[26] Martin afirmou: "Sem Pet Sounds, Sgt. Pepper nunca teria acontecido. 'Pepper' foi uma tentativa de se igualar a Pet Sounds." [27] [nb 4]

Gravação e produção[editar | editar código-fonte]

Abbey Road Studio Two, onde quase todas as faixas de Sgt. Pepper foram gravadas.[28]

De acordo com o musicólogo Walter Everett, Sgt. Pepper marcou o início da ascensão de McCartney como a força criativa dominante dos Beatles. Ele escreveu mais da metade do material do LP, além de ter obtido crescente controle do processo de gravação das canções. Ele proveria, desse ponto em diante, direção artística para os lançamentos do grupo.[29] [nb 5] As sessões de gravação do disco foram iniciadas em 24 de novembro de 1966, no Abbey Road Studio Two, na primeira vez que os Beatles se reuniram desde setembro daquele ano.[30] Cobertos pelo luxo de um orçamento quase ilimitado, eles reservavam sessões sem data de volta marcada, buscando rotinas de trabalho flexíveis, em horário tão tarde quanto quisessem.[31] [nb 6] O grupo começou a empreitada com três músicas intencionadas a serem lançadas em um álbum tematicamente conectado à infância dos membros: "Strawberry Fields Forever", "When I'm Sixty-Four" e "Penny Lane".[32] A primeira sessão foi marcada pela introdução de um novo instrumento de teclado, o Mellotron,[33] cujas teclas desencadeavam gravações de fita de uma variedade de instrumentos.[34] Um notório exemplo do uso do instrumento é a performance de McCartney na introdução de "Strawberry Fields Forever" usando configuração de flauta.[33] A complexa produção da faixa envolveu inovadora divisão de dois takes que foram gravados em diferentes andamentos e alturas.[35] O engenheiro de som da EMI Geoff Emerick relembra que, durante a gravação de Revolver, "nós nos acostumamos a solicitações para se fazer o impossível, e nós sabíamos que a palavra 'não' não existia no vocabulário dos Beatles."[36] Na opinião de Martin, "Sgt. Pepper cresceu naturalmente a partir de Revolver", perfazendo "uma era de quase contínua experimentação tecnológica".[37] [nb 7]

Periódicos de música começaram a nos depreciar... porque [Sgt. Pepper] demorou cinco meses para ser gravado, e eu lembro da grande graça em ver, em um desses periódicos, como os Beatles tinham se tornado improdutivos... e eu estava sentado, esfregando minhas mãos e dizendo "espere só."[38]

Paul McCartney

"Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane" foram ulteriormente lançadas como um lado A e lado B em fevereiro de 1967, após a EMI e Epstein pressionarem Martin por um single.[39] Quando o trabalho falhou em alcançar o topo das paradas no Reino Unido, as agências da imprensa britânica especularam que o caminho de sucesso do grupo talvez tivesse acabado, com manchetes como "Beatles falham em alcançar o topo", "Primeira vez em quatro anos" e "A bolha estourou?".[40] Após tal lançamento, o conceito de infância foi abandonado em favor do Sgt. Pepper, e, sob a insistência de Epstein, os singles não foram inclusos no LP.[nb 8] Martin posteriormente descreveu a decisão de excluir essas duas músicas como "o maior erro de minha vida profissional".[41] Não obstante, no seu julgamento, "Strawberry Fields Forever", na qual ele e a banda permaneceram 55 horas de tempo de estúdio gravando, "estabelece a agenda de todo o álbum."[42] [nb 9] Martin explicou uma das principais características do disco: "Seria um trabalho...[com músicas que] não poderiam ser tocadas ao vivo: elas foram concebidas para serem produções de estúdio e essa era a diferença."[43] [nb 10] McCartney acreditava que estava a gravar o melhor trabalho dos Beatles, declarando: "Agora, nossa performance 'é' esse álbum."[44] Emerick relembra: "Por sabermos que os Beatles nunca tocariam essas músicas ao vivo, não existiram barreiras criativas."[45] Em 6 de dezembro de 1966, o grupo começou a trabalhar em "When I'm Sixty-Four", a primeira faixa que seria incluída no lançamento.[46]

Sgt. Pepper foi gravado com o uso de um equipamento de quatro canais. Embora fitas de oito canais estivessem disponíveis nos Estados Unidos, as primeiras unidades não eram consideradas operacionais para estúdios comerciais de Londres até 1967.[47] [nb 11] Em Sgt. Pepper, assim como nos álbuns anteriores do grupo, foi feito uso extensivo da técnica conhecida como "ping-pong", por meio da qual entre uma e quatro faixas do gravador são mescladas e passam pelo processo de dubbing num equipamento mestre de quatro faixas, possibilitando aos engenheiros da Abbey Road darem ao conjunto um tratamento virtual multi-faixa.[48] Os equipamentos Studer J37 de quatro faixas da EMI eram propriamente adequados para mixagem de redução, já que as gravações de alta qualidade produzidas por eles minimizavam o acrescido ruído associado com o processo utilizado.[49] Preferindo gravar sua parte de contrabaixo por último, McCartney tendia por tocar outros instrumentos nos períodos de gravação das faixas de apoio. Esse costume custou-lhe tempo extra necessário para escrever e gravar linhas de baixo melódicas que complementassem o arranjo final das músicas.[50] Na gravação de orquestra para "A Day in the Life", Martin sincronizou um gravador de quatro faixas tocando as camadas de apoio dos Beatles com outro gravando a orquestra. O engenheiro Ken Townsend idealizou um método para realizar esse procedimento por meio do uso de um controle de sinal de 50 Hz entre dois equipamentos.[51]

Studer J37 de quatro faixas utilizado na gravação de Sgt. Pepper.[52]

Um dos principais procedimentos técnicos em Sgt. Pepper foi o uso, por parte de Martin e Emerick, de processamento de sinal para moldar o som da gravação, que incluiu a aplicação de compressão dinâmica, reverberação e de limitação de sinal.[53] Foram usadas unidades modulares de efeito relativamente novas, como ao executar vozes e instrumentos por meio de um leslie speaker.[45] Várias técnicas inovadoras de produção foram utilizadas proeminentemente nas gravações, incluindo conexão direta, pitch control e ambiophonics.[54] Outra foi o automatic double tracking (ADT), um sistema que usa gravadores de fita para criar duplicações simultâneas de um som. Embora há muito fosse reconhecido que o uso de fitas multi-faixa para gravação de vocal principal duplo produzia som aprimorado, antes do ADT era necessário gravar tais faixas vocais duas vezes, uma tarefa considerada entediante e de grande exigência. O ADT foi inventado por Townsend durante as sessões de Revolver em 1966, especialmente para os Beatles. O processo tão logo se transformou em prática de gravação comum na música popular.[55] Martin divertidamente relatava a Lennon: "Isso duplica sua voz, John."[56] Lennon percebeu que Martin estava brincando, mas, desse momento em diante, ele passou a se referir ao efeito como flanging, um rótulo que foi universalmente adotado pela indústria da música.[56] Outro importante efeito usado foi o varispeeding.[45] Martin cita "Lucy in the Sky with Diamonds" como tendo o maior número de variações de velocidade de fita em Sgt. Pepper. Durante a gravação dos vocais de Lennon, a redução de velocidade ia de 50 ciclos para 45, o que produzia uma faixa de som mais alto e fino quando retornada à velocidade normal.[57]

Ouvindo cada fase de gravação deles, uma vez que terminaram as primeiras faixas, é difícil ver o que eles ainda estão almejando. (…) Frequentemente, a versão final, complexa, cheia de camadas, parece ter afogado a melodia simples inicial. Mas eles sabem que não é certo, mesmo que não possam colocar isso em palavras. A dedicação deles é impressionante, minando, por períodos de dez horas, cada canção.[58]

Hunter Davies, 1968

No intento de obter a sonoridade correta, os Beatles realizaram numerosas regravações de "Getting Better". Quando a decisão de regravar a faixa de base foi então tomada, Starr foi convocado ao estúdio, mas foi dispensado logo em seguida, quando o foco mudou do ritmo para o acompanhamento vocal.[59] Starr, que, após completar suas partes básicas de bateria, viu sua participação ser limitada a gravações adicionais menores de percussão, lamentou: "A maior memória que eu tenho de Sgt. Pepper... é que eu aprendi a jogar xadrez."[60] Para a música título,"Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", a gravação do conjunto de bateria de Starr foi aprimorada pelo uso de amortecimento e da prática de posicionar os microfones estrategicamente próximos ao instrumento. O musicólogo Ian MacDonald credita a nova prática de gravação como criadora de um som "tridimencional", que, junta a outras inovações dos Beatles, engenheiros de som dos Estados Unidos viriam a adotar como procedimento padrão.[61] McCartney tocou um piano de cauda em "A Day in the Life" e um órgão Lowrey em "Lucy in the Sky with Diamonds", enquanto Martin tocou um pianet Hohner em "Getting Better", um cravo em "Fixing a Hole" e um harmônio em "Being for the Benefit of Mr. Kite!".[62] Harrison usou um tanbūr em várias músicas, incluindo "Lucy in the Sky with Diamonds" e "Getting Better".[63]

A prensagem britânica de Sgt. Pepper foi a primeira ocasião na qual um álbum pop foi masterizado sem os intervalos que normalmente são colocados entre as faixas como ponto de demarcação.[64] Foi feito uso de dois crossfades que combinaram as faixas, dando a impressão de contínua performance ao vivo.[65] [nb 12] Embora tivessem sido produzidas versões de mixagem do disco tanto em stereo quanto em mono, os Beatles estiveram envolvidos de forma mínima na tarefa, que eles consideravam a menos importante das sessões de mixagem, deixando-a a cargo de Martin e Emerick.[66] Emerick relembra: "Nós passamos três semanas nas mixagens mono e talvez três dias nas stereo."[67] Ele estima que foram gastas setecentas horas no LP, tempo trinta vezes maior que o gasto no primeiro disco dos Beatles, Please Please Me, que custou £400 para ser produzido à época.[68] O custo final de Sgt. Pepper foi então de aproximadamente £25,000.[69] Os trabalhos foram finalizados em 21 de abril de 1967, com a gravação de ruídos aleatórios, como um sibilo de cão que foi incluído no groove de término.[70]

Música e letra[editar | editar código-fonte]

Sgt. Pepper é um trabalho multi-gênero de rock e pop.[71] Incorpora diversidade estilística de influências advindas do rock and roll, vaudeville, big band, jazz piano, blues, música de câmara, música circense, music hall, Avant-garde, Música clássica ocidental e música clássica indiana.[72] De acordo com o autor Naphtali Wagner, sua música reconcilia os "ideais estéticos diametralmente opostos" da música clássica e da psicodelia, angariando uma "síntese 'psicoclássica'" das duas formas musicais.[73]

(…) [Martin] me perguntou, "Você sabe o que causou Pepper?" Eu disse, "Uma palavra por vez: George. Drogas. Maconha." E George disse, "Não, não. Você não estava drogado o tempo todo." "Sim, estávamos." Sgt. Pepper foi o álbum das drogas.[74]

Paul McCartney

A preocupação acerca de referências ao uso recreativo de drogas em algumas das letras levou a BBC a banir várias canções das rádios britânicas, como "A Day in the Life", em decorrência do verso "I'd love to turn you on", com a alegação de que trechos como esse poderiam "encorajar atitude permissiva em favor do uso de drogas."[75] Embora Lennon e McCartney negassem qualquer interpretação relacionada a drogas à época, McCartney posteriormente sugeriu que o verso foi escrito deliberadamente de forma ambígua para referir-se tanto ao uso ilícito de drogas quanto a atividades sexuais.[76] A música "Lucy in the Sky with Diamonds" também foi assunto de especulação, muitos acreditando que o título era uma metáfora sobre a droga alucinógena LSD.[77] A BBC decidiu banir a faixa a partir desse argumento.[78] O grupo de mídia baniu, ainda, "Being for the Benefit of Mr. Kite!", pela menção, em sua letra, de "Henry the Horse", uma expressão que contém duas gírias comuns para heroína.[79] Fãs especularam que "Henry the Horse" significaria um traficante e que o título da faixa "Fixing a Hole" fosse uma referência ao uso de heroína.[1] Também foram apontados versos como "I get high" em "With a Little Help from My Friends", "take some tea", gíria para o uso da cannabis, em "Lovely Rita" e "digging the weeds" em "When I'm Sixty-Four", por exemplo.[80]

A autora Sheila Whiteley relaciona a filosofia subjacente de Sgt. Pepper não somente à cultura das drogas, mas também à metafísica e ao movimento Flower Power.[81] O musicólogo Oliver Julien enxerga o disco como uma materialização das "mudanças sociais, musicais e, de forma mais geral, culturais, dos anos 1960".[82] O psicólogo e personalidade da contracultura Timothy Leary sustenta que o LP "deu voz ao sentimento de que o passado foi superado... o álbum veio na hora certa" e salientou a necessidade de uma mudança cultural com base em uma agenda pacífica.[83] Seu valor primário, de acordo com o intelectual Alan F. Moore, é a habilidade de "capturar, mais vividamente que quase tudo na contemporaneidade, seu próprio tempo e lugar".[84] Whiteley concorda, creditando o trabalho como "provedor de uma captura instantânea da Inglaterra durante a ocorrência do Verão do Amor".[83] Vários acadêmicos aplicaram estratégias hermenêuticas em suas análises das letras de Sgt. Pepper, identificando "perda e inocência" e os "perigos da excessiva complacência em relação a fantasias e ilusões" como os temas mais proeminentes do disco.[85]

Lado A[editar | editar código-fonte]

MacDonald louva o "vocal hard rock de McCartney. Martin considera a faixa como a mais "mais característica do estilo dos Beatles" em Sgt. Pepper.[86]

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Sgt. Pepper é iniciado com a faixa-título, que começa com dez segundos de sons combinados de uma orquestra a ensaiar e de uma platéia à espera do concerto, introduzindo a ilusão do álbum como uma performance ao vivo.[87] [nb 13] O musicólogo Kenneth Womack descreve a letra da faixa "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" como "um momento revolucionário na vida criativa dos Beatles", que preenche a lacuna, às vezes descrita como quarta parede, entre a audiência e o artista. Ele argumenta que, paradoxalmente, a letra "exemplifica a retórica descompromissada dos gracejos em shows de rock", enquanto "zomba da própria noção da capacidade de álbuns pop de engendrar autêntica ligação entre artista e público".[88] Ele credita o uso, na gravação, de grupos de instrumentos de sopro e da distorção em guitarras elétricas como exemplo primitivo de rock fusion.[88] MacDonald concorda, descrevendo a faixa como uma abertura em vez de propriamente uma das canções, além de uma "astuta combinação entre uma variedade de tipos orquestrais da era eduardiana" e com hard rock contemporâneo.[89] [nb 14] O musicólogo Michael Hannan descreve a mixagem stereo não ortodoxa da faixa como "típica do álbum", com o vocal principal no microfone direito durante os versos, mas no esquerdo durante o refrão.[90] "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" foi a primeira faixa dos Beatles a ser beneficiada pela técnica de produção conhecida como "injeção direta", que, de acordo com Womack, "proporcionou ao baixo de McCartney texturas mais ricas e claridade tonal".[64] [nb 15] O arranjo da canção utiliza progressão harmônica em modo lídio orientada ao rock and roll durante a introdução e nos versos construídos em acordes de sétima paralelos, os quais Everett descreve como "a força da música".[91] A ponte de cinco compassos é preenchida por um quarteto de trompas eduardiano cujo arranjo Martin concebeu a partir da melodia vocal de McCartney.[89] A faixa muda para escala pentatônica no refrão, onde sua progressão de blues rock é aumentada pelo uso de power chords de guitarras elétricas, tocadas em quintas paralelas.[91] [nb 16]

McCartney atua como mestre de cerimônias no trecho próximo ao final da faixa, introduzindo Starr como um alter ego chamado Billy Shears.[64] A canção então segue ininterruptamente para "With a Little Help from My Friends" em meio a um momento de regozijo da platéia, gravado por Martin durante um show dos Beatles no Hollywood Bowl.[92] Womack descreve os vocais principais de barítono de Starr como "encantadoramente sinceros", atribuindo a eles a transmissão de um elemento de "seriedade em nítido contraste com o irônica distância da faixa-título."[92] Lennon e McCartney, nos vocais de apoio, fazem perguntas a Starr sobre o significado da amizade e do amor verdadeiro.[93] [nb 17] Na opinião de MacDonald, a letra é "ao mesmo tempo comum e pessoal... tocantemente entregue por Starr [e] significativa de um gesto de inclusão; todos poderiam participar."[94] Womack concorda, identificando "necessidade de comunhão", como o "dogma ético central" da canção, um tema que ele atribui ao LP como um todo.[93] Everett observa o uso de uma cadência plagal dupla que teria se tornado comum na música pop após o lançamento de Sgt. Pepper. Ele caracteriza o arranjo como inteligente, particularmente a sua inversão da relação de perguntas e respostas no verso final, em que os backing vocals fazem perguntas importantes e Starr fornece respostas inequívocas.[95] A canção termina com uma alta nota vocal que McCartney, Harrison e Lennon incentivaram Starr a atingir, apesar de sua falta de confiança como cantor.[96]

A gravação utiliza o som de tanbür misturado ao do órgão Lowrey, criando o que Hannan caracteriza como uma das "mais inusitadas combinações sonoras" de todas as faixas.[97]

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Apesar suspeita generalizada de que "Lucy in the Sky with Diamonds" continha uma referência oculta ao LSD, Lennon insistiu que foi derivada de um desenho pastel do seu filho de quatro anos, Julian. Um capítulo de Through the Looking-Glass, novela de 1871 de Lewis Carroll, teria inspirado a atmosfera da música.[98] McCartney confirmou a existência do desenho e a influência de Carroll na faixa, notando que, embora a aparente referência às drogas no título não tivesse sido intencional, a letra foi propositalmente escrita para uma música psicodélica.[99] O primeiro verso começa com o que Womack caracteriza como "um convite na forma de um imperativo", em "Picture yourself in a boat on a river", e continua com descrições imaginárias de cenários, incluindo "tangerine trees" ,"rocking horse people" e "newspaper taxis", por exemplo.[100] Martin considera a melodia da introdução como "crucial para o vigor da música".[101] Na sua opinião, o verso pode soar monótono se não pela justaposição "dessa quase única nota vocal contra as inspiradas notas introdutórias", as quais ele descreve como "irresistivelmente mesméticas". [102] Na visão de Womack, com a união entre a letra de Lennon e a introdução do órgão Lowrey de McCartney, "os Beatles alcançaram a mais vívida instância do timbre musical".[103] O musicólogo Tim Riley identifica a música como o momento "no álbum, [onde] o mundo material é completamente nublado na mítica do texto e da atmosfera musical."[104] De acordo com MacDonald, "o caráter explícito da letra recria a experiência psicodélica".[77] Lennon explicou: "Era a Alice no barco. Ela está comprando um ovo e ele se transforma no Humpty Dumpty. A mulher que serve na loja se transforma em ovelha e no minuto seguinte eles estão... em um barco a remo e eu estava visualizando isso. Havia também a imagem de uma mulher que viria um dia me salvar, uma 'menina com olhos caleidoscópicos', que viria do céu. Ela acabou por ser Yoko... então talvez deveria se chamar 'Yoko in the Sky with Diamonds'."[105]

MacDonald acredita que "Getting Better" contém "a performance mais efervescente" em Sgt. Pepper.[106] Womack credita a "condução sonora de rock" da faixa como o fator distintivo em relação ao material abertamente psicodélico do disco, e sua letra inspiraria o ouvinte "a usurpar o passado vivendo bem e fazendo florescer o presente".[100] Ele cita a música como um exemplo da força da escrita colaborativa de Lennon e McCartney, particularmente a adição, por parte de Lennon, do verso: "couldn't get much worse", que serve como uma tréplica sarcástica ao refrão de McCartney: "It's getting better all the time".[107] McCartney descreve a letra de Lennon como "sarcástica" e "contra o espírito da canção", o que ele conclui ser o "típico John".[108] [nb 18] MacDonald caracteriza o início da faixa como "alegremente inortodoxo", com duas guitarras em staccato a tocar o dominante contra o subdominante de uma corda fá maior com nona, com a tônica a resolver quando o verso se inicia. O dominante, que atua como um pedal, é reforçado pelo uso de oitavas tocadas no contrabaixo e arrancadas nas cordas do piano.[109]

Pôster de 1843 do Circus Royal que serviu de inspiração para "Being for the Benefit of Mr. Kite!".

Womack interpreta a letra de "Fixing a Hole" como "a busca do falante por identidade entre o público", em particular, "buscas por consciência e conexão" que diferenciam da sociedade como um todo.[107] MacDonald caracteriza-a como uma "faixa distraída e introvertida", durante a qual McCartney esquece sua "usualmente suave projeção" em favor de "algo mais preocupado".[110] Womack acrescenta que a guitarra elétrica de Harrison acompanha bem a faixa, capturando seu tom e transmitindo desapego.[110] McCartney buscou inspiração para a canção em parte do seu trabalho de restauração de uma fazenda escocesa.[111] Womack nota uma adaptação da letra de "We're Gonna Move", de Elvis Presley, em "a hole in the roof where the rain leaks in".[112] A música denota o desejo de McCartney de deixar sua mente vaguear livremente e expressar sua criatividade sem o fardo de inseguranças auto-conscientes.[113] [nb 19]

Na perspectiva de Everett, a letra de "She's Leaving Home" fala sobre o problema da alienação "entre pessoas discordantes", particularmente entre grupos afetados por separações entre gerações.[114] A "narração descritiva" de McCartney, que detalha os apuros de uma "garota solitária" que escapa do controle de seus "egoístas porém bem intencionados pais", foi inspirada por uma reportagem do Daily Mail sobre as fugas de adolescentes de suas casas.[115] É a primeira faixa de Sgt. Pepper que evita o uso de guitarras e baterias, caracterizada por um noneto de cordas e harpa, estimulando comparações com "Yesterday" e "Eleanor Rigby", as quais usam um quarteto de cordas e um octeto, respectivamente.[116] [nb 20] Enquanto a resenha de Richard Goldstein em 1967 para o The New York Times caracteriza a canção como pouco inspirada, MacDonald identifica a faixa como uma das duas melhores do disco. Moore nota o julgamento do resenhista como feito a partir de "critérios de oposição", considerando que Goldstein opinou durante o surgimento dos movimentos de contracultura da década de 1960, enquanto MacDonald, a escrever em 1995, é "intensamente consciente dos revezes [do movimento]".[116]

Lennon adaptou a letra para "Being for the Benefit of Mr. Kite!" a partir de um póster de 1843 de um circo comprado em Kent no dia da filmagem do videoclipe para "Strawberry Fields Forever".[117] Womack elogia a mistura bem sucedida das características visuais do impresso com a música: "O poder interpretativo da aplicação de mistura de mídias tem sua importância advinda da produção musical com a qual o grupo imbui o texto original do poster."[118] MacDonald nota no pedido de Lennon por uma "produção de campo na qual se pudesse sentir o cheiro da serragem" uma atmosfera que Martin e Emerick tentaram criar com uma colagem sonora que compreendeu gravações aleatoriamente montadas de harmônios, harmônicas e calíopes.[119] [nb 21] MacDonald descreve a música como "expressão expontânea do hedonismo brincalhão do autor".[120] Everett pensa que o uso de imaginários eduardianos na faixa liga-a tematicamente ao número de abertura do álbum.[121]

Lado B[editar | editar código-fonte]

Após Martin decidir que "Only a Northern Song" não era boa o suficiente para ser incluída Sgt. Pepper, Harrison escreveu "Within You Without You", inspirada em música clássica hindu.[122] MacDonald descreve a faixa como uma "ambiciosa composição de fusão intercultural e filosofia meditativa", embora muitos a tivessem rejeitado e classificado como entediante, outros críticos caracterizando-a como fraca em termos de "atratividade harmónica", com letra "santimonial... didática e datada".[123] [nb 22] Moore defende a dependência da gravação na melodia em detrimento da harmonia como um atributo musical inteiramente apropriado para o género. Ele caracteriza a resposta crítica como "extremamente variada", notando que Goldstein identifica a faixa como um dos pontos altos do disco enquanto outros a veem como uma epítome adequada do material do lado A.[124] MacDonald considera a canção como um "distante afastamento" do estilo sonoro dos Beatles e uma "notável conquista" que representa a "consciência" do LP.[125] Womack concorda, definindo-a como "sem dúvida, a alma ética do álbum".[126] Maximizando a "potência da expressividade" do disco, a música apresenta um tempo rubato que não apresenta precedentes na discografia dos Beatles.[126] A altura da música é derivada da escala oriental da Khamaj, a qual é semelhante ao modo mixolídio no mundo ocidental.[127] [nb 23] A música termina com um arroubo de risos que alguns ouvintes interpretavam como escárnio à canção, mas Harrison explicou: "Bem, depois de toda essa coisa indiana você deseja algum alívio. É uma libertação depois de cinco minutos de música triste... Você deveria ouvir o público, de qualquer maneira, como eles ouvem a apresentação do sargento Pepper. Esse é o conceito do álbum."[128] [nb 24] Martin usou o momento de leveza como transição para o que ele descreveu como a "faixa humorística" de Sgt. Pepper, "When I'm Sixty-Four".[129]

Hannan escreve: "Os ricos timbres de clarinetes dão ao mix uma sonoridade mais completa, mais cheia, que muitas das outras faixas do trabalho".[130] [nb 25]

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MacDonald cita "When I'm Sixty-Four" como um exemplo da versatilidade dos Beatles. Ele classifica a música como "destinada principalmente aos pais", tomando emprestado muito do estilo de música inglesa de salão de George Formby, enquanto evoca imaginários de "cartões postais de beira-mar" do ilustrador Donald McGill.[46] Seu esparso arranjo inclui carrilhão de orquestra, clarinete e piano.[131] MacDonald nota que a faixa tem "fria recepção" da maioria do público mais jovem e Everett atribui isso à propensão de McCartney pelo "vaudeville aprazível à audiência... que Lennon detestava".[132] McCartney escreveu a canção no final dos anos 1950 como um ato instrumental, com uma de suas versões apresentada ocasionalmente durante shows em Hamburgo.[133] Ele revisitou a composição em 1966, por volta da época em que seu pai completou 64 anos.[127] Moore caracteriza a música como uma síntese de ragtime e pop, notando que sua posição, logo após "Within You Without You", uma mistura de música clássica indiana e pop, é representativa da diversidade presente no disco.[134] McCartney requisitou clarinetes and pediu que eles fossem arranjados "da forma clássica", o que, de acordo com Martin, "deixou um sentimentalismo à espreita".[135] MacDonald nota que a inclusão da música em meio às "texturas psicodélicas repletas de camadas" características das outras faixas "proporciona um singelo interlúdio" ao LP.[46] Moore define os arranjos de clarinete de Martin e o uso de vassourinhas por Starr como estabelecedores de uma atmosfera music hall, que é reforçada pela entrega vocal de McCartney e pelo uso de cromatismo, um padrão harmónico que remonta ao "The Ragtime Dance" de Scott Joplin e ao Danúbio Azul de Johann Strauss.[136] Varispeeding foi usado na faixa, elevando a altura da música por um semitom na intenção de fazer McCartney soar mais jovem.[137] Everett nota que o protagonista da letra é às vezes associado à Lonely Hearts Club Band, mas, em sua opinião, a música é tematicamente desconexa às outras do disco.[138]

Womack caracteriza "Lovely Rita" como um trabalho de "acelerada psicodelia" que contrasta nitidamente com a faixa precedente.[139] Ele identifica a música como um exemplo do talento de McCartney para "criar retratos musicais imagísticos", mas a coloca entre as mais fracas de todo o disco, pressagiando que ele descreve como as "composições menos eficazes" que os Beatles viriam a gravar pós-Sgt. Pepper.[139] Na sua perspectiva, "a canção realiza pouco na jornada do álbum em direção a uma consciência humana mais expansiva".[139] Apesar das suas observações, ele considera a faixa "irresistivelmente charmosa".[139] Moore concorda, definindo a composição como "de se desconsiderar", embora louve o que caracteriza como seu "forte senso de direção harmónica".[140] MacDonald descreve a música como "sátira à autoridade" que é "imbuída com um exuberante interesse na vida, que eleva espíritos, dispersando auto-absorção".[141]

"Good Morning Good Morning" foi inspirada por um comercial de televisão do produto Corn Flakes, da Kellogg's, cujo jingle Lennon adaptou como o refrão da música. A faixa utiliza o modo mixolídio em , e, na visão de Everett, "expressa perfeitamente a queixa de Lennon contra a complacência".[142] Lennon, no entanto, considerava a música "um lixo", e McCartney via essa postura como uma reação do parceiro às frustrações de sua vida doméstica.[143] Womack louva a variedade de tempos da faixa, incluíndo 5/4, 3/4 e 4/4, chamando-a de "obra prima da energia elétrica".[144] MacDonald nota a "performance de alta qualidade" de Starr e o "cintilante solo de guitarra pseudo-indiana" de McCartney, o qual ele acredita criar o clímax da faixa.[145] A pedido de Lennon, uma série de sons de animais foram inseridos durante o fade out sequenciado, como se cada sucessivo animal fosse um maior a devorar o precedente.[145] Martin emendou o som de uma galinha a cacarejar ao final da faixa para sobrepor com uma guitarra sendo sintonizada na próxima, criando uma transição suave entre as duas músicas.[146]

"Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)" serve como um suporte delimitador e uma transição ao ato final. A música, um característico hard-rock, foi escrita após sugestão do assistente do grupo, Neil Aspinall, já que a música original, que inicia o disco, demandava uma "reaparição" da banda ficcional no momento próximo ao fim do disco.[147] A reprise omite a seção de metais da faixa-título e apresenta um andamento mais rápido.[148] MacDonald observa nessa faixa emoção aparente dos Beatles, tangivelmente traduzida a partir das sessões de gravação.[149]

Womack descreve o final dessa sequência como o "momento mais decisivo" de Sgt. Pepper.[149]

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Quando o último acorde de "Sgt. Pepper... (Reprise)" é tocado, um dedilhar não usual de colcheia de guitarra acústica é iniciado, introduzindo o que Moore descreve como "uma das músicas mais pungentes já escritas".[150] "A Day in the Life" consiste em quatro estrofes de Lennon, uma ponte, dois crescendos orquestrais aleatórios e uma parte média escrita e cantada por McCartney. O primeiro crescendo desempenha papel de transição entre a terceira estrofe e a parte média, conduzindo à ponte conhecida como "sequência onírica", caracterizada pelas vocalizações de Lennon.[150] Na opinião de Martin, o "lamento", tratado com eco de fita e lento panning da direita para a esquerda e repetido uma vez antes do término repentino na escuta esquerda, contribuiu para que a crítica considerasse tal música como um "sonho de marijuana".[151] O acompanhamento de metais indica altamente o fim da sequência e o começo do quarto e final verso, após o qual a música entra num último crescendo antes do desfecho com um acorde de piano a desvanecer por quase um minuto.[152] A ideia de usar uma orquestra foi de McCartney. Ele buscou inspiração a partir dos compositores avant-garde John Cage and Karlheinz Stockhausen.[153] Os crescendos são executados por quarenta músicos selecionados dos quadros da Orquestra Filarmônica Real e da Orquestra Filarmônica de Londres, incumbidos da tarefa de preencher o espaço da música com o que Womack descreve como "a sonoridade de puro apocalipse".[154] Martin também destaca o pedido de Lennon por "um tremendo composto, a partir do nada até algo absolutamente próximo ao fim do mundo".[155] Lennon lembrava que a inspiração para a letra veio de um jornal: "Eu estava escrevendo a canção com o Daily Mail deitado na minha frente quando eu estava no piano... havia um parágrafo sobre 4000 buracos de asfalto em Blackburn, Lancashire".[156] [nb 26] Ele não havia gostado do som da sua própria voz e sempre pedia por generosas quantidades de eco de fita nos seus vocais no intento de "enterrá-lo" em meio a efeitos e mixagens. Para "A Day in the Life", ele queria que sua voz soasse como Elvis Presley em "Heartbreak Hotel". Martin e Emerick, então, adicionaram noventa milissegundos de eco.[157] Womack define a performance de Starr como "uma das mais inventivas passagens de bateria do álbum", algo que McCartney o encorajou a executar a despeito de protestos do baterista contra os "rufos espalhafatosos".[154] O violento acorde de piano que conclui a faixa e o disco foi produzido a partir de gravação de Lennon, Starr, McCartney e Evans simultaneamente a tocar um acorde em mi maior em três pianos distintos; Martin então ampliou a sonoridade com um harmônio.[158] [nb 27] Riley caracteriza a música como um "poslúdio à fantasia Pepper... que coloca todas as outras músicas do álbum em perspectiva", enquanto quebra a ilusão de uma "Pepperland" ao introduzir um "universo paralelo da vida cotidiana".[159] MacDonald descreve a faixa como "uma canção não de desilusão com a vida, mas de desencanto com os limites da percepção mundana".[160] De acordo com ele, tal faixa "permanece entre as mais penetrantes e inovadoras reflexões artísticas de sua era", representando "a mais alta realização única" dos Beatles.[161]

Enquanto "A Day in the Life" termina, um tom de alta frequência de 15-kilohertz é ouvido; Ele foi adicionado, por sugestão de Lennon, no intento de que tal tom perturbasse cães.[162] [nb 28] Seguem-se, então, sons de risadas de trás para frente e falas sem nexo adicionadas ao groove de desfecho, que volta e é tocado em loop interminavelmente em qualquer tocador não equipado com retorno automático de agulha. Lennon pode ser ouvido a falar: "been so high", seguido pela resposta de McCartney: "never could be any other way".[163] [nb 29]

Arte da capa[editar | editar código-fonte]

A capa de Sgt. Pepper foi concebida pelos artistas de pop art Peter Blake e Jann Haworth, a partir de um desenho em tinta de McCartney.[164] A direção de arte ficou a cargo de Robert Fraser e a fotografia, de Michael Cooper.[165] A frente do LP inclui uma colagem colorida, marcada pela presença doquarteto em fantasias, a representar o grupo fictício Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, à frente de um grupo de recortes de papelão de pessoas famosas em tamanho real.[166] Segundo o biógrafo Jonathan Gould, os bigodes espessos usados pelos Beatles refletiam a crescente influência das tendências de estilo hippie, enquanto que as vestimentas "falsificavam a moda britânica para fardamentos militares".[167] O grupo posa ao centro em frente a uma pele de bateria, na qual o artista Joe Ephgrave pintou o título do disco. À frente da pele, está um arranjo de flores em que se lê "Beatles".[168] O quarteto veste-se de uniformes de cetim e coloridos em day-glo. A indumentária foi confeccionada pela empresa de figurinos para teatro M. Berman Ltd., de Londres.[169] As letras das canções do álbum foram impressas por completo na contracapa, a primeira vez em que isso foi feito em um LP de rock.[170]

Uma imagem dos quatro integrantes nas coloridas e reluzentes vestes em ciano, magenta, amarelo e laranja
Fotografia que compõe a luva interna de Sgt. Pepper. McCartney pode ser visto usando uma insígnia na sua manga esquerda, que apresenta as iniciais O.P.P. Adeptos da lenda da morte de Paul McCartney alegam que a sigla é, na verdade, O.P.D., o que eles interpretam como "Officially Pronounced Dead" ("Oficialmente Declarado Morto", em português). De acordo com Martin, o distintivo foi um presente de um fã e as iniciais representariam "Ontario Provincial Police".[171] [nb 30]

Em 30 de março de 1967, foi realizada uma sessão de fotos com Cooper, que também produziu as imagens da contracapa e do encarte, as quais o musicólogo Ian Inglis acredita transmitir "um óbvio e imediato 'calor'... que as distanciam da esterilidade e artificialidade típica de tais imagens [produzidas em estúdios de fotografia]."[168] McCartney explicou: "Uma das coisas que mais nos interessava naqueles tempos eram mensagens visuais... Então, [na sessão] para a foto interna de Michael Cooper, nos dissemos, 'Agora, olhe para essa câmera e diga um real "eu te amo!" De fato, tente sentir amor; dê amor nisso! Vai dar certo; Vai transparecer; É uma atitude.' E foi o que aconteceu, se você olhar para ela [a foto], você vai ver nos [nossos] olhos o grande esforço."[172] A luva interna do álbum apresenta arte do coletivo neerlandês de design gráfico The Fool, que evitou pela primeira vez o uso de papel branco comum em favor de um tipo de material com padrão abstrato de ondas de castanho, vermelho, rosa e branco.[168] Inclusos ao trabalho como presentes bônus, estavam uma folha de recortes de papelão criada por Blake e Haworth, um retrato em tamanho de postal de Sgt. Pepper baseado em uma estátua da casa de Lennon que foi usada na capa principal, um bigode falso, dois conjuntos de insígnias de sargento, dois emblemas de lapela e um modelo para recortar dos Beatles em seus uniformes de cetim.[173] Moore acredita que a inclusão desses itens ajudou os fãs a imergir no universo do disco e da banda fictícia.[174]

A famosa colagem da capa incluiu 57 fotografias e nove trabalhos em cera que retratam uma diversidade de personalidades famosas, entre atores, esportistas, cientistas, pensadores, por exemplo, e até mesmo – a pedido de Harrison – os gurus Mahavatar Babaji, Lahiri Mahasaya, Sri Yukteswar Giri e Paramahansa Yogananda da Self-Realization Fellowship.[175] Inglis vê o quadro "como um guia da topografia da cultura daquela década", denotando uma crescente democratização na sociedade, pela qual as "tradicionais barreiras entre 'alta' e 'baixa' cultura estavam a ser corroídas."[176] [nb 31] [nb 32] Adolf Hitler e Jesus foram solicitados por Lennon, mas foram, ao final, rejeitados.[177] Quando McCartney foi perguntado sobre o porquê do quarteto não ter incluído Elvis Presley, foi dada a resposta: "Elvis era muito importante e muito acima do resto para ser até mesmo mencionado... então nós não colocamos ele na lista, já que ele era mais que um mero... cantor pop, ele era Elvis, o Rei."[178] O custo final da arte da capa foi de aproximadamente £3,000 da época, uma vultosa soma em um tempo onde capas do gênero custavam normalmente cerca de £50.[173] Pelo seu trabalho em Sgt. Pepper, o então casal Blake e Haworth conquistou um prêmio Grammy em 1968 na categoria "Melhor Capa de Álbum".[179]

Lançamento[editar | editar código-fonte]

Entre a finalização e o lançamento comercial de Sgt. Pepper, os Beatles levaram uma versão de disco de acetato do álbum ao apartamento da cantora estadunidense Cass Elliot nas imediações de King's Road, Chelsea, onde, às seis da manhã, eles puseram o material para tocar em volume máximo com caixas de som direcionadas a janelas abertas. O assessor de imprensa do grupo, Derek Taylor, relembra que residentes da vizinhança abriram suas janelas e ouviram sem reclamações o que eles haviam entendido ser um conjunto de músicas inéditas dos Beatles.[180] Em 1 de junho de 1967, Sgt. Pepper tornou-se o primeiro trabalho do grupo a ser lançado no mundo todo simultaneamente.[181] [nb 33] Foi também o primeiro álbum do grupo no qual as listas de faixas das versões estadunidense e britânica não se diferenciavam. Sendo o oitavo LP da banda, debutou no Reino Unido em primeiro lugar nas paradas e nessa posição permaneceu por 22 semanas consecutivas, vendendo 250 000 cópias na primeira semana de comercialização.[182] Em 4 de junho, The Jimi Hendrix Experience tocou uma versão da faixa título ao abrir um concerto no Saville Theatre, em Camden. Epstein era o proprietário do Saville à época, e Harrison e McCartney assistiram à performance. McCartney descreveu o momento: "As cortinas foram abertas e [o frontman, Jimi Hendrix] veio caminhando para a frente do palco, tocando "Sgt. Pepper". Uma baita e única homenagem. Eu vejo aquilo como uma das maiores honras em minha carreira."[183] Langdon Winner, editor da revista Rolling Stone, denota:

O mais próximo que a civilização ocidental chegou de união desde o Congresso de Viena, em 1915, foi a semana em que o disco Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band foi lançado. Em toda cidade da Europa e da América, as estações de rádio tocavam [o álbum]... e todos ouviam... Aquilo foi a coisa mais incrível que eu já tinha ouvido. Por um breve momento, a irreparavelmente fragmentada consciência ocidental foi unificada, ao menos nas mentes dos jovens.[184]


Sgt. Pepper foi amplamente visto pelos seus ouvintes como uma trilha sonora para o "Verão do Amor".[185] Na opinião de Riley, o trabalho "uniu as pessoas por meio da experiência comum da música popular em uma escala maior que qualquer outra que já existiu".[186] Estações de rádio americanas interrompiam suas programações regulares para tocar Sgt. Pepper de forma virtualmente incessante, sempre do começo ao fim.[187] O lançamento ocupou a primeira posição do Top LPs da Billboard nos Estados Unidos por quinze semanas, de 1 de julho a 13 de outubro de 1967.[188] Com 2,5 milhões de cópias vendidas nos primeiros três meses, o sucesso comercial inicial de Sgt. Pepper ultrapassou as conquistas de todos os discos anteriores do quarteto.[1] Nenhuma de suas faixas foi lançada como singles naquele tempo.[189]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Críticas profissionais
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
All Music Guide 5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar full.svg [190]
The A.V. Club B+[191]
Robert Christgau (A) [192]
The Daily Telegraph 5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar full.svg [193]
Encyclopedia of Popular Music 5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar full.svg [194]
MusicHound 5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar full.svg [195]
Paste 89/100 [196]
Pitchfork Media 10/10 [197]
The Rolling Stone Album Guide 5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar full.svg [198]
Sputnikmusic 5/5 [199]

A esmagadora maioria dos das resenhas contemporâneas ao disco são positivas, que recebe ampla aclamação crítica, em sintonia com seu atemporal sucesso comercial e impacto cultural.[200] Kenneth Tynan, da The Times, descreve o lançamento como "um momento decisivo na história da sociedade ocidental".[180] Richard Poirier escreve: "ouvir Sgt. Pepper o faz pensar não somente na história da música popular, mas na história daquele século."[201] A revista Time declarou o LP "uma partida histórica no progresso da música – qualquer música".[1] Jack Kroll, do Newsweek, classificou o trabalho como "obra-prima", comparando suas letras às obras literárias de Edith Sitwell, Harold Pinter e T. S. Eliot, particularmente "A Day in the Life", a partir da qual ele traçou paralelo a The Waste Land, de Eliot.[202] The New York Times Book Review caracterizou Sgt. Pepper como um prenúncio da "dourada Renascença da Música" e Wilfrid Mellers, do New Statesman, elogiou a elevação da música pop ao nível das belas artes proporcionada pelo disco.[203]

Um dos mais conhecidos críticos musicais estadunidenses, Richard Goldstein, elaborou uma contundente resenha contemporânea no The New York Times na qual ele descreve Sgt. Pepper como "estragado" e "exala[ando]" "efeitos especiais. Deslumbrante, mas, no fim das contas, fraudulento".[204] De acordo com o jornalista especializado em música Robert Christgau, após a publicação da famigerada resenha, o jornal nova-Iorquino foi "inundado por cartas, muitas abusivas, mas todas em discordância", uma reação que ele credita como "a maior resposta uma crítica de música" na história do periódico.[205] Goldstein publicou uma defesa da sua avaliação, na qual explicou que, embora o álbum não estivesse ao nível do melhores discos anteriores dos Beatles, ele o considerava "melhor que oitenta porcento da música lançada por aí", mas sentiu que, debaixo da produção, quando "as composições são analisadas a partir de sua essência musical e lírica", o LP mostra-se como "uma elaboração sem melhora" no contexto do conjunto de produções da banda.[206] Na coluna de 1967 de Christgau para a revista Esquire, ele descreveu Sgt. Pepper como "uma consolidação, mais complexa que Revolver, mas não mais substancial", sugerindo que Goldstein foi vítima de uma super-antecipação", identificando sua "permissão para que todos os filtros e reverberações e efeitos orquestrais e overdubs o deixassem surdo ao que existe abaixo" como seu erro primário.[207] [nb 34]

Na décima edição do Grammy Award, em 1968, Sgt. Pepper conquistou os prêmios das categorias "Melhor Arte de Capa", "Melhor Engenharia de Som Não Clássico" e "Melhor Álbum Contemporâneo". O disco também recebeu o prêmio de "Álbum do Ano", o primeiro LP de rock a receber a essa honraria.[179]

Reavaliação[editar | editar código-fonte]

Os Beatles nunca fingiram que estivessem a criar arte com Sgt. Pepper, ou a procurar por alguma integridade musical. Eles só queriam fazer algo diferente.[208]

George Martin, em seu livro Summer of Love: The making of Sgt. Pepper, 1994

Enquanto coletava material para sua antologia de 1979, "Stranded: Rock and Roll for a Desert Island", o jornalista e crítico cultural Greil Marcus listou vinte críticos de rock a partir de suas escolhas de melhor álbum de todos os tempos dentro do escopo desse gênero musical. Embora Rubber Soul tivesse sido mencionado no levantamento, Sgt. Pepper não foi.[209] Marcus afirma que, em 1968, o lançamento surgiu "vazio" em relação à conjuntura emocional da efervescência política e social na vida americana, descrevendo-o como um "triunfo de efeitos", porém também "uma lápide day-glo de seu tempo".[210] Ele o classifica como "divertido, porém artificial" e "menos um resumo e mais uma concessão à sua era".[184] Marcus acredita que o LP "estrangula-se em seus próprios conceitos" enquanto é "vindicado como aclamação mundial".[211] [nb 35]

Em 1981, Christgau declarou que, embora poucas críticas tivessem concordado com Goldstein à época de sua resenha negativa, muitas vieram a corroborar com sua linha de raciocínio tempos depois.[212] Na opinião de Lester Bangs – então conhecido como o "padrinho" do jornalismo especializado em punk rock, a escrever em 1981 – "Goldstein estava certo em sua muito vilipendiada resenha... prevendo que este disco tinha o poder de destruir o rock and roll praticamente sozinho."[213] [nb 36] Ele nota: "Nos anos sessenta, rock and roll começou a ser pensado como uma 'forma de arte'. Rock and roll não é uma 'forma de arte'; rock and roll é uma lamúria bruta vinda do fundo das entranhas."[214] O musicólogo John Kimsey cita a preservação da autenticidade como um princípio guia do rock e sugere que muitos puristas denunciavam Sgt. Pepper no tocante a isso, acusando o trabalho de "instituir a queda da graça original [do gênero] à pretenção."[213] [nb 37] Em sua opinião, tais detratores consideram o LP como menos avanço e mais "destruição de tudo aquilo que é bom, verdadeiro e comovente".[213] [nb 38] Para Christgau, "embora Sgt. Pepper seja tido como a mais influente de todas as obras primas do rock, é somente a mais famosa. Em retrospectiva, ela soa peculiarmente apolínea – precisa, controlada, até mesmo rígida – e é claramente periférica para o [meio] mainstream do rock".[215] Moore considera que, "por seu impacto cultural ter sido tão grande, estava a ser exigido muito [do álbum]."[216]

Conceito[editar | editar código-fonte]

De acordo com Womack, com a primeira música de Sgt. Pepper, "os Beatles fabricaram um espaço textual artificial no qual puderam encenar sua arte."[64] A reprise de tal faixa, que aparece no lado B, logo antes da climática "A Day in the Life", criaria uma "estrutura narrativa".[147] Na opinião de Starr, apenas as duas primeiras músicas e a reprise são conceitualmente conectadas.[29] Lennon concorda e, em 1980, comentou: "Sgt. Pepper é chamado de primeiro álbum conceitual, mas ele não vai a lugar algum... funcionou porque nós 'dissemos' que funcionou."[217] Lennon era especialmente inflexível a respeito da sua afirmação de que suas contribuições para o LP não tinham relação com o conceito "Sgt. Pepper". Em outra ocasião, ele sugeriu que a maioria das outras canções eram igualmente desconectadas, afirmando: "Com excessão de Sgt. Pepper a introduzir Billy Shears e a posterior reprise, todas as outras musicas poderiam estar em qualquer outro álbum.".[217] Logo após a conclusão do trabalho, Martin preocupou-se que a falta de unidade musical pudesse incitar críticas e acusações de pretensiosidade.[218]

MacFarlane nota que, apesar dessas preocupações, Sgt. Pepper "é amplamente aclamado como o primeiro grande álbum conceitual na história da música popular".[219] Na sua visão, os Beatles "escolheram empregar um abrangente conceito num esforço aparente de unir faixas caracteristicamente individuais."[219] Everett sustenta que a "unidade musical resulta... das relações nucleares entre áreas tonais, particularmente envolvendo , Mi e Sol."[163] Moore argumenta que o "uso de padrões harmônicos comuns" contribui para a coesão geral, que ele descreve como unidade narrativa, mas não necessariamente unidade conceitual.[220] MacFarlane concorda, sugerindo que, com excessão de "Sgt. Pepper... (Reprise)", o disco é carente da continuidade melódica e harmônica que é consistente na forma cíclica.[221] Em maio de 1967, em uma resenha publicada no The Times pelo crítico musical William Mann, foi feita uma observação similar, indicando a conexão temática entre a faixa título, sua reprise e "Being for the Benefit of Mr. Kite!", enquanto sugeria que, com excessão dessas faixas, a "unidade [do disco] é ligeiramente especiosa".[222] Em 1972, o musicólogo Richard Middleton argumentou que o trabalho estaria "sub codificado", e que seus ouvintes podiam compreender apenas a ideia geral do material que, em suma, não seria dotado de grandes significados.[223] A autora Martina Elicker, no entanto, afirma que o lançamento de Sgt. Pepper familiarizou de forma semelhante a crítica e os fãs com a noção de um "conceito e estrutura unificadas subjacentes a um LP de música pop", então originando o termo "álbum conceitual".[224] [nb 39]

Lista de faixas[editar | editar código-fonte]

Sgt. Pepper foi o primeiro álbum dos Beatles a ser lançado com lista de faixas idêntica nos Estados Unidos e Reino Unido.[225]

Todas as faixas foram compostas por Lennon-McCartney, exceto "Within You Without You", composta por George Harrison.

Lado A

N.º Título Duração
1. "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band"   2:02
2. "With a Little Help from My Friends"   2:44
3. "Lucy in the Sky with Diamonds"   3:28
4. "Getting Better"   2:48
5. "Fixing a Hole"   2:36
6. "She's Leaving Home"   3:35
7. "Being for the Benefit of Mr. Kite!"   2:37

Lado B

N.º Título Duração
1. "Within You Without You"   5:04
2. "When I'm Sixty-Four"   2:37
3. "Lovely Rita"   2:42
4. "Good Morning Good Morning"   2:41
5. "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)"   1:19
6. "A Day in the Life"   5:39
Duração total:
39:52

Informação de lista de faixas de acordo com Mark Lewisohn e Ian MacDonald.[226]

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

De acordo com Mark Lewisohn e Ian MacDonald:[227]

The Beatles
Músicos adicionais e produção
  • Sounds Incorporated – sexteto de saxofones em "Good Morning, Good Morning".[228]
  • Neil Aspinall – tambura and harmônica.[229]
  • Geoff Emerick – engenharia de som; loops de fita e efeitos sonoros.[230] [nb 40]
  • Mal Evans – contagem, harmônica, alarme de relógio e acorde final de piano em Mi.[231]
  • George Martin – produção e mixagem de áudio; loops e efeitos sonoros; cravo em "Fixing a Hole", harmonium, órgão Lowrey e glockenspiel em "Being for the Benefit of Mr. Kite!", órgão Hammond em "With a Little Help from My Friends", piano em "Getting Better" e solo de piano em "Lovely Rita"; acorde final de harmonium.[232]
  • Músicos de sessão – quatro trompas francesas em "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band": Neill Sanders, James W. Buck, John Burden, Tony Randall,[233] arranjadas e conduzidas por Martin e McCartney; seção de cordas e harpa em "She's Leaving Home", arranjada por Mike Leander e conduzida por Martin; harmonium, tabla, sitar, dilruba, oito violinos e quatro violoncelos em "Within You, Without You", arranjados e conduzidos por Harrison e Martin; trio de clarinetes em "When I'm Sixty-Four": Robert Burns, Henry MacKenzie, Frank Reidy, arranjados e conduzidos por Martin McCartney; saxofones em "Good Morning, Good Morning", arranjados e conduzidos por Martin e Lennon; e orquestra de quarenta integrantes, incluindo cordas, metais, madeiras e percussão em "A Day in the Life", arranjada por Martin, Lennon e McCartney e conduzida por Martin e McCartney.[234]

Desempenho nas tabelas musicais[editar | editar código-fonte]

Sgt. Pepper permaneceu no Billboard 200 dos Estados Unidos por 175 semanas não consecutivas a 1987.[235]

Tabelas semanais

Certificações[editar | editar código-fonte]

País (Empresa) Certificação
 Alemanha (BVMI) Platinum.png Platina[263]
 Argentina (CAPIF) Double Platinum.png 2× Platina[264]
 Argentina (CAPIF) Triple Platinum.png 3× Platina[265]
 Austrália (ARIA) Quadruple Platinum.png 4× Platina[266]
 Brasil (ABPD) Gold record icon.svg Ouro[267]
 Canadá (Music Canada) Octuple Platinum.png 8× Platina[268]
 Estados Unidos (RIAA) Platinum.png 11× Platina[269]
 França (SNEP) Gold record icon.svg Ouro[270]
 Itália (FIMI) Gold record icon.svg Ouro[271]
 Japão (Oricon) [272]
 Nova Zelândia (RMNZ) Sextuple Platinum.png 6× Platina[273]
 Reino Unido (BPI) Triple Platinum.png 3× Platina[274]

Drogas[editar | editar código-fonte]

Várias canções do álbum com letras influenciadas por drogas levou a BBC a vetá-las, assim tornando-as proibidas de serem tocadas.

A BBC baniu a canção "A Day in The Life", alegando que poderia "incentivar uma atitude permissiva para consumo de drogas". Lennon e McCartney negaram que a canção foi feita sobre qualquer tipo de droga, alegando que a letra se tratava de um sonho.

A canção "Lucy in the Sky with Diamonds" também se tornou alvo de especulações quanto ao seu significado, muitos acreditaram que as letras inicias de seu título foi um código de LSD. A BBC teve isso como base para a proibição da canção nas rádios britânicas. Mais uma vez, John Lennon negou que a letra fosse sobre LSD, mas apenas tentando evitar a censura no país; é amplamente sabido o uso de substâncias psicoativas pelos membros da banda e até mesmo certo abuso à época. John Lennon era um dos membros mais abertos a essas práticas e inclusive mudou-se para os Estados Unidos após o fim da banda, em razão de acreditar tratar-se de um país mais tolerante, mas ainda lá passou por problemas relativos à sua percepção sobre psicoativos. Após a polêmica diminuir, passados anos desde o lançamento do álbum, Paul McCartney confirmou em várias outras oportunidades que a música de fato era sobre LSD e que o álbum teve grande - e importante - influência das drogas, mas jamais entoou o fato negativamente.

As gravações[editar | editar código-fonte]

Sobre as canções[editar | editar código-fonte]

O disco começa com o ruído proveniente de um público espectador, que antecede os primeiros riffs de guitarra elétrica ao estilo hard rock da canção que dá título ao disco, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band.

Depois desse tema, sem pausas nem silêncios, começa "With a Little Help from My Friends", cantada pelo baterista Ringo Starr. Antes da canção começar só se ouve um coro apresentando Billy Shears, referindo-se a um sósia de Paul McCartney que teoricamente teria tomado o lugar do Beatle após um acidente fatal de automóvel. Ringo começa então a cantar "With a Little Help from My Friends", de autoria de Paul McCartney com colaboração de John na letra. "With A Little Help From My Friends" tornar-se-ia a número 1 nas paradas de sucesso em uma regravação com Joe Cocker um ano mais tarde.

"Lucy in the Sky with Diamonds" do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967). O filho de Lennon, Julian, inspirou a canção com um desenho na creche que chamou de "Lucy - no céu com diamantes".[275] Logo após o lançamento da canção, surgiu a especulação de que a primeira letra de cada um dos substantivos do título estava intencionalmente escrito "LSD". Apesar de Lennon negar isso veemente, a BBC proibiu a canção.

Amostra de "Within You Without You" do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967). Esta canção de Raga Rock demonstra a influência da música clássica indiana sobre a banda.

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"Lucy in the Sky with Diamonds", de John Lennon, sofreu especulação que suas iniciais - LSD - seriam em referência à droga que os Beatles consumiam, ainda que John tenha desmentido isto, alegando que o título aludia a um desenho de seu filho. A psicodélica melodia foi alterada ao extremo que se pensa que cada nota está com uma velocidade superior ou inferior à anterior. Devido a suposta menção às drogas, a faixa foi banida pela BBC. Na época John e George Harrison já haviam experimentado LSD, mas a Julho de 1967 Paul declarou na imprensa que também havia experimentado a droga. Em 2004, Paul McCartney disse em uma entrevista que "Lucy In The Sky With Diamonds" realmente era sobre LSD.

"Getting Better" é outro tema que mudaria as estruturas básicas do rock para transformá-las em algo totalmente novo. Com sua constante guitarra, este tema é um canto à felicidade e à esperança de mudança. Neste título se evidencia, na letra, o contraste das atitudes de Lennon e McCartney. Segundo os Beatles mesmos, "Getting Better" era uma frase muito repetida por Jimmy Nicol, o baterista que uma vez substituiu Ringo Starr em uma turnê.

"Fixing a Hole" parece ter sido influenciada pela época dos anos 20 ou 30, ainda que possuísse também algo inovador, como a combinação de guitarras e teclado e a capacidade de McCartney de alternar entre harmonias. Esta canção foi apontada como uma referência ao uso de heroína, o que nunca foi confirmado.

"She's Leaving Home", uma bela peça musical, contou com o uso de cordas clássicas e harpas, na dor de uma jovem que abandona seu lar. É comparada por muitos críticos com grandes obras da música clássica. Dizem que a ideia de compô-la surgiu de uma notícia que contava a história de uma jovem que fugiu de seu lar para poder viver com seu namorado, mas esta verdadeira história não durou muito tempo já que a jovem voltou para casa na semana seguinte. Na canção, John e Paul cantam acompanhados por músicos de estúdio. Os arranjos da canção não foram feitos por George Martin, o produtor dos Beatles. Segundo Paul, ele havia procurado George para fazer os arranjos, mas como este estava muito ocupado, Paul acabou chamando Mike Leander, o que ocasionou um certo aborrecimento em George Martin na época.

O som da seguinte canção, "Being for the Benefit of Mr. Kite!", remete a um grande circo, com clavicordes, órgãos, uma bateria hipnótica, voz nasal e fria de Lennon, com possivelmente uma das melhores atmosferas jamais criadas por um produtor. Esta canção, escrita por John, foi inspirada em um cartaz de um circo de 1843.

"Within You Without You" é ao estilo hindu de autoria de George Harrison, com sua sitar e acompanhamento de violinos com escalas orientais enquanto com sua voz nos fala de Deus, das pessoas e de amor. Só há a participação do próprio autor na gravação. Ela é acompanhada por músicos indianos e é baseada na música de Ravi Shankar. Foi a única composição de George a entrar no disco; ele também compôs e gravou "Only A Northern Song", que acabou ficando de fora e entrando no disco Yellow Submarine

"When I'm Sixty-Four", uma obra típica de McCartney, mostra uma história sobre o amor eterno, com ar de cabaret, devido ao uso de clarinetes, que a faz única e inconfundível, sem deixar de ser puramente ingênua. Esta canção foi escrita por McCartney na sua adolescência. Foi a primeira faixa a ser gravada para o disco.

"Lovely Rita" é um pop renovado em contraste com a canção anterior, com excelentes pianos e vozes de McCartney e Lennon. Conta a história de Rita, uma "Meter Maid" (controladora de parquímetros).

Este tema contém uma misteriosa mensagem aludindo a suposta morte de Paul McCartney. A lenda da morte do músico dizia que ele havia morrido em um acidente de carro (por isso muitas de suas canções fazem alusão a este dia e esta data), não notando que as luzes do semáforo mudaram por estar olhando para uma inspectora de parquímetros (em inglês, Meter Maid). Esta mensagem encontra-se, supostamente, na última canção do álbum, ainda que realmente não se saiba ao certo sobre a lenda da morte de McCartney e sua substituição por William Campbell (de nome artístico Billy Shears).

"Good Morning Good Morning" começa com um galo cantando anunciando o amanhecer, para dar lugar a uma canção um tanto rara e acelerada. Foi idealizada por Lennon a partir de um aviso de cereais de milho Kellogg's, uma conhecida marca identificada por um galo. No final foram incorporados uma série de ruídos de animais que aparentemente comem uns aos outros. O solo da canção foi feito por McCartney, e sua guitarra usada foi uma Fender Esquire. O solo possui características de hard rock e heavy metal, devido a sua rapidez e peso. Com o ruído do galo passa-se à canção seguinte.

Quase chegando ao final, a "Reprise" da primeira canção tem basicamente seu mesmo ritmo, ainda que um pouco mais rápida, somando-se uma guitarra que a faz inconfundível e mantém um ritmo hard rock.

Para terminar: "A Day in the Life", uma obra de arte criada tanto por Lennon como por McCartney, baseado em uma colagem de notícias tomadas de um jornal e suas respectivas reflexões na voz nasal e sonhadora de John, permitindo-lhe fazer uma visão crítica muito especial do que se descreve na canção. Todo em um meio difuso e quase acústico, que se vai sumindo pouco a pouco e ressurge em um ascendente ruído sinfônico até chegar às notas mais agudas possíveis para quebrar em um pedaço cantado e escrito por Paul McCartney. O relógio soa para sinalizar que esta divisão não é acidental. Sua função era avisar a Paul quando deveria começar cantar. A quantidade de instrumentos era tal que a gravação foi superposta quatro vezes com leves diferenças de tempo. Desta forma parecia uma orquesta de 160 instrumentos. O resultado final soa como uma aterrissagem de um voo, cortada subitamente por um relógio despertador.

Canções que ficaram de fora[editar | editar código-fonte]

Os Beatles gravaram outras canções na época que não fizeram parte do álbum.

"Strawberry Fields Forever", na verdade a primeira canção gravada para fazer parte do álbum, escrita por John Lennon com o título em referência ao orfanato do Exército da Salvação que ficava perto da casa em que John viveu na infância em Liverpool.
"Penny Lane", escrita por McCartney, traz referências a sua juventude em Liverpool.

Tanto "Strawberry Fields Forever" como "Penny Lane" tinham sido originalmente gravadas para o novo álbum, mas em janeiro de 1967 o produtor George Martin respondeu a pressão da EMI para o lançamento de um novo compacto (os Beatles não lançavam um desde agosto de 1966) e lançou as duas canções em fevereiro de 1967. Como no reino Unido era prática não duplicar lançamentos de canções recém lançadas em compacto nos álbuns, as duas canções ficaram de fora do Sgt. Pepper. As canções fizeram parte do lançamento norte-americano para a trilha sonora do filme Magical Mystery Tour ainda em 1967, e foram lançadas no resto do mundo em 1973, no álbum homônimo ao americano de 73. George Martin mais tarde diria que a decisão de excluir as duas canções de Sgt. Ppper's foi o maior engano de sua carreira.[276]

"Only a Northern Song" é uma composição de George Harrison com um cometário sarcástico em referência ao contrato dos Beatles com a companhia Northern Songs. Depois de gravar esta canção, George resolveu gravar outra composição sua para o álbum, "Within You Without You". "Only a Northern Song" foi lançada posteriormente como parte da trilha sonora para o desenho animado Yellow Submarine em 1968.

"Carnival of Light", uma composição de Paul McCartney com colagens sonoras. A canção jamais foi lançada nem oficialmente nem em bootlegs.

Homenagens ao álbum[editar | editar código-fonte]

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  • Um filme e sua trilha sonora, LP, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, foi lançado em 1978 homenageando não só o álbum original mas os Beatles, pois na produção da "RSO" contém canções de outros álbuns dos Beatles também. O filme produzido por Robert Stigwood e estrelado por Peter Frampton (como Billy Shears) e Bee Gees (como the Hendersons) inclui a participação de Steve Martin---na sua primeira atuação em filmes---, no papel do Dr. Maxwell; George Burns, no papel do Mr Kite; Alice Cooper, no papel do Sun King; Billy Preston, no papel de Sgt. Pepper; e inclusive a participação de George Harrison e Linda McCartney, como convidados da Heartland; além de várias outras celebridades.
  • Em 1988 o New Musical Express lançou um álbum tributo chamado Sgt. Pepper Knew My Father. As regravações das canções contaram com artistas como Wet Wet Wet, The Christians, e Sonic Youth entre outros.
  • Com o pseudônimo de The Beachles, o compositor e músico Clayton Counts misturou Sgt. Pepper's a Pet Sounds dos Beach Boys e lançou o trabalho Sgt. Petsound's Lonely Hearts Club Band em 2006.
  • A MOJO Magazine lançou o Sgt. Pepper…With a Little Help From His Friends em março de 2007, um tributo comemorativo pelo quadragésimo aniversário do álbum dos Beatles. As regravações incluíram entre outros o Simple Kid e o Echo & The Bunnymen.
  • Um regravação comemorativa do quadragésimo aniversário foi feita na rádio BBC em 1 de junho de 2007 e contou com a participação de Bryan Adams, Oasis, Travis e Stereophonics, entre outros.
  • Os Beatles nunca chegaram a tocar Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band ao vivo. Mas em 19 de maio de 1979, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr a tocaram juntamente com Eric Clapton, na festa de casamento de Clapton.
  • A banda Norte-Americana Panic! at the Disco lançou o Pretty Odd,um álbum inspirado em "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", principalmente nas músicas "Nine in the afternoon","We're so starving" "I Have Friends In Holy Spaces","Northern Downpour" e "From A Mountain In The Middle Of The Cabins".

Além disso a capa do álbum também serviu de inspiração, e o figurino do clipe "Nine in the afternoon" faz lembrar as roupas usadas no álbum da banda de Liverpool.

A capa também serviu de inspiração por muito tempo:

  • The Rutles com o seu Sgt.Pepper's.
  • Frank Zappa and the Mothers of Invention no álbum We're Only in It for the Money em 1968
  • O desenho animado The Simpsons fez uma paródia da capa de Sgt. Pepper's e de Abbey Road.
  • A revista Mad em uma edição de agosto de 2002 apresentando a "50 piores coisas sobre música" ("The 50 Worst Things About Music").
  • O cantor brasileiro Zé Ramalho, na capa do álbum Nação Nordestina.
  • A também britânica banda Def Leppard com a capa de seu álbum de 2008 Songs from the Sparkle Lounge.
  • Apenas 3 dias após o lançamento da canção homônima, Jimi Hendrix a tocou em um show no Teatro Saville em Shaftesbury Avenue, que foi alugado por Brian Epstein. Na platéia estavam Harrison e McCartney, que ficaram muito impressionados com sua versão e sua capacidade de aprender-la tão rapidamente. Outra versão de Hendrix para a canção também está presente em seu álbum ao vivo Blue Wild Angel: Live at the Isle of Wight, gravado no Festival da Ilha de Wight de 1970.

Prêmios[editar | editar código-fonte]

  • Os Beatles ganharam quatro prêmios Grammy pelo trabalho: "melhor álbum do ano", "melhor capa de álbum", "melhor álbum de música contemporânea" (atualmente conhecido como "melhor álbum vocal Pop") e "melhor engenheiro de som" (Geoff Emerick). Porém perdeu três indicações: "melhor desempenho" (para Anita Kerr), "melhor desempenho de grupo ou dupla" (para The Mamas & The Papas) e melhor arranjo instrumental (perdendo por "A Day In The Life" para "Strangers In The Night").
  • O álbum ganhou o título de melhor disco de todos os tempos, pela revista Rolling Stone.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Um homem com corte de cabelo desgrenhado e à tigela. Os mop-tops mais famosos foram os Beatles, que popularizaram o estilo de corte na década de 1960, quando o seu empresário lhes disse que o público iria apreciá-los mais se eles adotassem tal estilo.[277]
  2. O Bible Belt (em português, Cinturão Bíblico) é uma região dos Estados Unidos onde a prática do protestantismo faz parte da cultura local. O Bible Belt está localizado no sudeste do país, em decorrência das fundações coloniais da região a partir desse ramo do cristianismo.
  3. Durante o início e metade da década de 1960, o grupo americano Beach Boys lançou trabalhos de crescente nível de sofisticação. Liderados pelo seu principal compositor e produtor, Brian Wilson, eles combinavam harmonias vocais inspiradas no jazz com surf music, criando seu estilo único.[278] Wilson, escrevendo no encarte de Pet Sounds, explicou sua inspiração: "Em dezembro de 1965, eu ouvi o álbum Rubber Soul. Foi definitivamente um desafio para mim. Vi que cada parte era fascinante e estimulante artisticamente. Eu, imediatamente, fui trabalhar nas canções de Pet Sounds."[279] O biografo de Beatles Jonathon Gould escreveu: "dos tantos singles pop lançados durante o outono de 1966, nenhum teve mais forte influência dos Beatles que o Good Vibrations dos Beach Boys"; uma música criada durante as sessões de Pet Sounds, mas lançada vários meses depois.[280]
  4. Freak Out!, de the Mothers of Invention, é também citado como influenciador de Sgt. Pepper.[281] De acordo com o autor Philip Norman, durante as sessões de gravação de Sgt. Pepper, McCartney afirmou repetidamente: "Este é nosso Freak Out!".[282] O jornalista musical Chet Flippo pondera que McCartney foi inspirado, no tocante à gravação de um álbum conceitual, após ouvir Freak Out!.[281] O autor Will Romano observa que Sgt. Pepper termina com vocais sem sentido, assim como Freak Out!.[283] O autor Barry Miles nota que "Carnival of Light", música não lançada do quarteto, gravada durante as sessões para o que depois evoluiu para Sgt. Pepper, tem uma notável semelhança com a última faixa de Freak Out!, "The Return of the Son of Monster Magnet". The Mothers of Invention posteriormente parodiou a capa de Sgt. Pepper com seu álbum de 1968, We're Only in It for the Money.[284]
  5. Na opinião de Emerick, os trabalhos em Sgt. Pepper marcaram a emergência de McCartney como o produtor de facto dos Beatles, já que Martin mostrava-se cada vez mais ausente aos finais das sessões de tarde da noite, que sempre duravam até o amanhecer.[285] Emerick sustenta também que, no tempo das sessões de Sgt. Pepper, "era evidente que a personalidade de John estava mudando. Em vez de mostrar teimosia a respeito de tudo, ele estava se tornando complacente. Em verdade, ele parecia de certa forma contente de ter alguém pensando no lugar dele."[78]
  6. A EMI era proprietária das gravações do grupo e do Abbey Road Studios. Por isso, a entidade não descontou taxas de tempo de estúdio dos pagamentos em royalties da banda durante a gravação e produção de Sgt. Pepper.[31]
  7. De acordo com o biógrafo especializado nos Beatles Hunter Davies, a "experimentação realmente séria" foi iniciada em abril de 1966, com a última faixa de Revolver, "Tomorrow Never Knows".[286] Martin concorda, notando o uso da tambura com vocais ao contrário em "Rain" como um importante avanço que levou à produção experimental de "Tomorrow Never Knows".[287] Na opinião de Emerick, a "maior diferença" entre Revolver e Sgt. Pepper é que não houve prazo absoluto para conclusão do segundo. Ele também pondera que as sessões de gravação de Revolver eram primariamente marcadas para a tarde e começo da noite, enquanto que as sessões para Sgt. Pepper tipicamente começavam após as 19h.[288] Ele atribui a diferença em som entre os dois álbuns ao fato de que Revolver foi primariamente gravado no Abbey Road Studio Three, que era muito menor e dotado de "som de estúdio acusticamente mais sujo", em comparação ao Studio Two.[289]
  8. Martin e Epstein decidiram que era inapropriado requerir que fãs pagassem o dobro pelo mesmo material. Por isso, não incluíram "Strawberry Fields Forever" ou "Penny Lane" no álbum Sgt. Pepper.[290]
  9. Após três semanas, eles concluíram somente duas músicas. De acordo com Emerick, isso provocou críticas da parte de seus colegas da EMI, que foram respondidas com mensagens que basicamente diziam "somente espere".[291]
  10. O momento de gravação de "Strawberry Fields Forever" foi a primeira ocasião em que o grupo pode trabalhar sem o fardo de um prazo, e marcou o início dos "anos de estúdio" dos Beatles.[292]
  11. Gravadores de oito faixas foram usados pela primeira vez em álbum dos Beatles em 1968, durante sessões para o Álbum Branco.[293]
  12. Foi aplicado crossfade entre as faixas "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" e "With a Little Help from My Friends" e entre a reprise de "Sgt. Pepper..." e "A Day in the Life".[294]
  13. Os sons da platéia em Sgt. Pepper foram retirados dos arquivos da Abbey Road. Para os murmúrios, foi usado o "Volume 28: Audience Applause and Atmosphere, Royal Albert Hall and Queen Elizabeth Hall". Já para as risadas, Martin coletou uma de suas gravações de 1961 do programa de comédia Beyond the Fringe. O grito que se ouve com a passagem para "With a Little Help from My Friends" é uma versão em overdub de um dos registros de Martin dos Beatles em apresentação no Hollywood Bowl.[295] Segundo MacDonald, eles também usaram gravações de sons ambientes capturados durante a sessão de 10 de fevereiro da orquestra para "A Day in the Life".[89]
  14. Moore identifica a parte central de "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" como o momento em que a justaposição se transforma em fusão.[296]
  15. A "injeção direta" foi concebida pelo engenheiro assistente da EMI Ken Townshend como um método em que são plugadas guitarras elétricas diretamente nos consoles de gravação, eliminando a necessidade de amplificadores e microfones.[64]
  16. O trecho de guitarra principal na música foi tocado por McCartney, em substituição a Harrison, que permaneceu por sete horas tentando gravá-lo. MacDonald especula que isso talvez tenha contribuído para a minimização do papel de Harrison em Sgt. Pepper.[297]
  17. No meio de março de 1967, durante uma sessão de composição de letras na casa de McCartney em St John's Wood, na cidade de Westminster, ele e Lennon escreveram "With a Little Help from My Friends" como uma música para Starr. Com Lennon na guitarra e McCartney no piano, eles trocavam versos em vai e volta, eventualmente decidindo-se acerca do formato de pergunta e resposta característico da música.[298] De acordo com Emerick, foi "uma das poucas músicas" que Lennon e McCartney "escreveram juntos nos anos recentes".[299]
  18. A contribuição de Lennon para a letra inclui uma confissão em relação a sua atitude violenta com suas companheiras, no verso "I used to be cruel to my woman".[107] Ele explicou: "Eu era um batedor. Eu não podia me expressar e eu batia".[107] Na opinião de Womack, a música encoraja o ouvinte a seguir o exemplo do falante e "alterar seus próprios caminhos de angústia" no trecho "Man I was mean but I'm changing my scene and I'm doing the best that I can".[107]
  19. A faixa de apoio de "Fixing a Hole" foi gravada no Regent Sound Studio, na região oeste de Londres.[300]
  20. Para a gravação a 17 de Março de 1967 de "She's Leaving Home", McCartney contratou Mike Leander para os trechos de arranjos de cordas enquanto Martin esteve ocupado com a produção de outro de seus artistas, Cilla Black.[301] Martin ficou bravo ao descobrir que Leander escreveu os arranjos em sua ausência, mas conduziu os músicos usando as partituras mais ou menos como foram escritas.[302]
  21. Emerick empregou primeiramente esse método em 1966, enquanto criava ambiência para a música "Yellow Submarine", de Revolver.[303]
  22. Na opinião de Riley, "Within You Without You", a qual ele descreve como monótona, enfadonha e "sem propósito", é a "mais antiquada do disco" is " (...) [ela] poderia facilmente ter sido deixada de fora com pouco ou nenhum prejuízo".[304]
  23. "Within You Without You" foi gravada a 15 de Março com Harrison nos vocais principais, sitar e tambura; os outros instrumentos, incluíndo tabla, esraj, swarmandal e uma tambura adicional, foram tocados por quatro músicos britânicos de origem indiana. Nenhum dos outros Beatles participou da gravação.[305]
  24. Martin e Emerick desaconselharam a inclusão do riso, o qual foi retirado de uma fita de efeitos da Abbey Road chamada "Volume 6: Applause and Laughter", mas Harrison insistiu.[306]
  25. De acordo com seu género, "When I'm Sixty-Four" representa a mais prevalecente aplicação de dominante secundária em Sgt. Pepper.[138]
  26. O trecho "lucky man who made the grade" foi inspirado – mas não diretamente baseado – na então morte acidental do amigo da banda e então herdeiro da Guinness Tara Brown. Lennon lembrava: "Não entendi o acidente. Tara não enlouqueceu, mas aquilo ficou na minha cabeça quando eu estava escrevendo aquele verso."[307] De acordo com Martin, o verso: "he blew his mind out in a car" é uma referência às drogas.[308]
  27. As gravações de "A Day in the Life" foram iniciadas em 19 de janeiro de 1967 com Lennon acrescentando ao primeiro take o balbucio "sugar plum fairy, sugar plum fairy".[154] O vocal principal de McCartney no meio da faixa foi gravado no dia seguinte. Já a sessão de overdub orquestral aconteceu em 10 de fevereiro. Martin gravou quatro faixas dos músicos de orquestra e as dispôs em camadas dentro de uma faixa composta.[309] O acorde final de piano foi gravado doze dias depois.[310]
  28. Lennon não sabia que a maioria dos tocadores de música e alto-falantes da época eram incapazes de reproduzir o tom, e que por isso muitos ouvintes não o ouviriam, até o lançamento da versão em CD em 1987.[311]
  29. Quando o áudio contido no groove de desfecho é tocado em reverso e em velocidade reduzida, McCartney pode ser ouvido a gritar: "I will fuck you like Superman", com Starr e Harrison a rir ao fundo.[312] Quando o álbum foi prensado novamente para o relançamento em 2012, foram necessárias várias tentativas até o sucesso na reprodução do efeito do groove de desfecho.[313]
  30. McCartney e Harrison são também vistos vestindo suas medalhas da Ordem do Império Britânico.[69] De acordo com Gould, a capa de Sgt. Pepper despertou uma frenesi de análises e interpretações.[314] Inglis a cita como o único exemplo na história da música popular onde a arte visual do álbum atraiu tanta atenção quanto o álbum em si. Ele lista vários elementos da capa que podem e/ou foram interpretados como evidências da morte de McCartney, destacando a tese de que o quarteto estaria de pé sobre um túmulo, a mão acima da cabeça de McCartney seria um notório "símbolo da morte", e o fato de que, na foto da contracapa, tal beatle é o único a estar de costas.[315]
  31. Inglis também parafraseia George Melly, que, em 1970, descreveu a capa de Sgt. Pepper como "um microcosmos do mundo underground".[176]
  32. A montagem da capa é composta pelos cantores Bob Dylan, Bobby Breen e Dion DiMucci; os atores Marlon Brando, Tony Curtis, Marlene Dietrich, Marilyn Monroe, Mae West, Shirley Temple, Bette Davis, Diana Dors, Huntz Hall, Tom Mix e Tyrone Power; os artistas plásticos e escultores Aubrey Beardsley, Richard Merkin, Wallace Berman, Richard Lindner, Larry Bell, H. C. Westermann, Aubrey Beardsley e Simon Rodia; os atletas Sonny Liston, Albert Stubbins e Johnny Weissmuller; os comediantes W. C. Fields, Lenny Bruce, Tommy Handley, Stan Laurel, Oliver Hardy, Max Miller e Issy Bonn; os escritores Edgar Allan Poe, Aldous Huxley, Terry Southern, William S. Burroughs, H. G. Wells, Oscar Wilde, Stephen Crane, Lewis Carroll, Dylan Thomas, James Joyce e George Bernard Shaw; o psiquiatra Carl Gustav Jung; o ocultista Aleister Crowley; o filósofo político Karl Marx; o primeiro ministro britânico do século XIX Robert Peel; o missionário David Livingstone; o militar T. E. Lawrence; o físico Albert Einstein; além de figuras anônimas, como um legionário americano, uma pin-up "pretty girl" de George Petty, um manequim de cera de um cabeleireiro e uma pin-up "vargas girl" de Alberto Vargas.[176] Starr foi o único beatle que não sugeriu ninguém a incluir na colagem.[316]
  33. Sgt. Pepper foi lançado poucos dias antes do quinto aniversário desde a primeira sessão de gravações do quarteto pela EMI.[317]
  34. De acordo com Moore, a posição de Goldstein foi uma excessão diante de um grupo de críticas contemporâneas essencialmente positivas, que figuram, segundo ele, em quantidade maior que para qualquer lançamento em qualquer época.[318]
  35. De acordo com Riley, Rubber Soul e Revolver são "milagres de intuição" que são "maiores que a soma de suas partes", enquanto que, em comparação, "Sgt. Pepper é colorido pela presunção".[319] Ele ainda descreve Sgt. Pepper como "uma obra-prima defeituosa que apenas ecoa a força de Revolver.[320]
  36. A temática central da crítica de 1967 de Goldstein sobre Sgt. Pepper envolvia reclamações sobre substância estilística. Em suas palavras, o "tom toma a frente do significado [no álbum]".[321] Ele põe muito da culpa em relação a isso no uso copioso de efeitos de produção como eco e reverb.[321] Ele também criticava a falta de substância lírica, destacando: "até da fantasia eu espero autenticidade".[321]
  37. Kimsey nota que, com Sgt. Pepper, o "rock começou a ser chamado, de forma mais enfática, de 'forma de arte' ."[214] Na opinião de Bangs, punk rock "é o rock em sua forma mais básica e primitiva", uma abordagem estilística que decididamente não é autoconsciente.[214] Na visão de Riley, Sgt. Pepper tem um grau de autoconsciência que despreza a urgência e energia bruta do primitivo rock and roll."[320] No final de 1967, a revista Down Beat publicou uma resenha desfavorável ao trabalho, escrita por John Gabree, na qual é questionado onde o crédito apropriado para Sgt. Pepper deveria estar, com base nas acusações de que "A Day in the Life" consistiria em duas músicas que foram emendadas por Martin. Kimsey cita o suposto caso como uma demonstração de detratores a combinar preocupações éticas com questões de estética enquanto lançam dúvidas sobre a autenticidade musical do trabalho.[322]
  38. De acordo com Kimsey, puristas de rock como Bangs – os quais ele define como "ideólogos punk" – abordam o problema de autenticidade com o pressuposto de que a verdadeira música rock é inerentemente "incorruptível por habilidade ou autoconsciência".[214] Ele compara as ideias de Bangs sobre o "artista padrão movido pela atitude" com o conceito de bom selvagem de Jean-Jacques Rousseau, sugerindo que o desdém de Bangs por Sgt. Pepper é alimentado por uma rejeição romantizada da modernidade e da inovação.[214]
  39. De acordo com Riley, "estritamente falando, Freak Out!, de The Mothers of Invention's, é reivindicado como o primeiro "álbum conceitual", mas Sgt. Pepper foi o primeiro trabalho que fez tal ideia tornar-se convincente à maioria dos amantes de música."[323]
  40. Apesar dos esforços de Martin para assegurar os créditos de engenheiro para Emetic em Sgt. Pepper, a EMI recusou os pedidos com base nas políticas da empresa à época. Embora Peter Blake tenha recebido disco de ouro pela sua contribuição à capa do álbum, Emerick não recebeu o mesmo prêmio pela sua contribuição à gravação do LP. Em 1968, entretanto, ele conquistou o Grammy de "Melhor Engenharia de Som Não Clássico".[324]

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]


Precedido por
"Headquarters" por The Monkees
Billboard 200 – álbum número um
1 de Julho de 196713 de outubro de 1967
Sucedido por
"Ode to Billie Joe" por Bobbie Gentry