Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

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Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
Álbum de estúdio de The Beatles
Lançamento 1 de Junho de 1967
Gravação 6 de Dezembro de 1966 - 21 de Abril de 1967, nos Estúdios EMI e no Regent Sound Studio, Londres
Gênero(s) Rock, rock psicadélico, pop, arte rock, Pop barroco, Hard rock
Duração 39:42
Gravadora(s) Parlophone
Produção George Martin
Cronologia de The Beatles
Último
Último
Revolver
(1966)
Magical Mystery Tour
(1967)
Próximo
Próximo

Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band é o oitavo álbum de estúdio da banda britânica de rock the Beatles. Lançado a 1 de Junho de 1967, tornou-se imediatamente enorme sucesso comercial e crítico, permanecendo durante 27 semanas no topo das tabelas de álbuns do Reino Unido e 15 semanas na primeira posição nos Estados Unidos. A revista Time chamou ao álbum "uma partida histórica no progresso da música" e a New Statesman elogiou a sua elevação da pop ao nível da arte.[1] Ganhou quatro Prémios Grammy em 1968, incluindo Álbum do Ano, o primeiro LP de rock a receber tal honra.

Em Agosto de 1966, os Beatles retiraram-se permanentemente das turnês e começaram um período de férias que durou três meses. Em Novembro, durante um voo de regresso para Londres, Paul McCartney teve uma ideia para uma canção envolvendo uma banda militar da era Eduardiana que eventualmente formaria o ímpeto para o conceito de Sgt. Pepper. As gravações para o oitavo álbum dos Beatles começaram a 24 Novembro no Abbey Road Studio Two, com a intenção original de criar um álbum que fosse tematicamente ligado à infância dos membros da banda. "Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane" foram das primeiras faixas gravadas para o projecto, mas, depois de serem pressionados pela EMI, as canções foram lançadas como um single de dupla face. Tais canções não foram, assim, incluídas no álbum.

Em Fevereiro de 1967, depois de gravarem a canção "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", McCartney sugeriu que os Beatles lançassem um álbum inteiro que representasse um espectáculo feito pela banda fictícia Sgt. Pepper. Este grupo alter ego acabou por lhes dar a liberdade para fazerem experiências musicais. Durante as gravações, a banda esforçou-se para melhorar a qualidade da produção em comparação com os seus lançamentos anteriores. Sabendo assim que não iriam tocar as canções ao vivo, adoptaram uma abordagem experimental para composição, escrevendo canções como "With a Little Help from My Friends", "Lucy in the Sky with Diamonds" e "A Day in the Life". A gravação inovadora do álbum usada pelo produtor George Martin incluía a aplicação liberal da modelagem de som com processamento de sinal e o uso de uma orquestra de quarenta pessoas tocando crescendos aleatórios. As gravações terminaram a 21 de Abril de 1967. A capa, que mostra a banda de pose em frente a uma plateia de celebridades e de figuras históricas, foi criada pelos artistas britânicos Peter Blake e Jann Haworth, baseada num esboço de McCartney.

Sgt. Pepper é considerado pelos musicólogos como um álbum conceptual, que avançou o uso da forma usual na musica popular enquanto continuava a maturação artística vista nos álbuns anteriores dos Beatles. Desde então, tem sido descrito como um dos primeiros LP's de arte rock, auxiliando o desenvolvimento do rock progressivo, e dando-lhe crédito por ter marcado o inicio da ‘Era do Álbum’. Um importante trabalho da psicadelia britânica, o álbum de multi-géneros incorpora diversas influencias estilísticas, incluindo vaudeville, circense, music hall, avant-garde, e música clássica ocidental e indiana. Em 2003, a Biblioteca do Congresso Americana colocou Sgt. Pepper no Registo Nacional de Gravações, honrando o trabalho como "culturalmente, historicamente, ou esteticamente significante".[2] No mesmo ano, a revista Rolling Stone colocou-o em primeiro lugar na lista dos "500 Melhores Álbuns de Sempre" com a justificação de que é "uma aventura inultrapassável em conceito, som, composição, arte da capa e tecnologia de estúdio pelo maior grupo de sempre de rock & roll."[3] Em 2014, já tinham sido vendidas mais de 30 milhões de cópias mundialmente, fazendo de Sgt. Pepper um dos álbuns mais vendidos da história da música. O Prof. Kevin J Dettmar, escrevendo para a Enciclopédia Oxford de Literatura Britânica, descreveu-o como o "o mais importante e influente álbum de rock and roll já gravado".[4]

Críticas profissionais
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
All Music Guide 5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar full.svg [5]
The A.V. Club B+[6]
Robert Christgau (A) [7]
The Daily Telegraph 5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar full.svg [8]
Encyclopedia of Popular Music 5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar full.svg [9]
MusicHound 5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar full.svg [10]
Paste 89/100 [11]
Pitchfork Media 10/10 [12]
The Rolling Stone Album Guide 5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar full.svgStar full.svg [13]
Sputnikmusic 5/5 [14]
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Início[editar | editar código-fonte]

Estávamos fartos de ser os Beatles. Detestávamos aquela abordagem de merda dos quatro pequenos mop-tops.[nb 1] Não éramos rapazes, éramos homens... e pensávamos em nós mesmos como artistas e não apenas como músicos para entreter.[16]

Paul McCartney

Em 1966, the Beatles estavam cansados de realizar concertos ao vivo.[17] Na opinião de John Lennon, eles podiam "enviar quatro bonecos de cera... e seria o bastante para satisfazer a multidão. Os concertos dos Beatles já não tinham nada a ver com música. Eram apenas sangrentos rituais tribais."[18] Em Junho, dois dias depois de terem acabado o álbum Revolver, o grupo fez uma digressão que começou na Alemanha.[19] Em Hamburgo receberam um telegrama anónimo que dizia: "Não vão para Tóquio. A vossa vida corre perigo".[20] A ameaça foi levada a sério à luz da controvérsia criada à volta de grupos conservadores e religiosos do Japão, que particularmente opunham-se à ideia planeada dos Beatles irem tocar à arena sagrada Nippon Budokan.[20] Como precaução, 35 000 policias foram mobilizados e encarregues de proteger o grupo, que foi transportado dos locais dos concertos para os hotéis em carros blindados.[21] O público japonês, educado e comedido, chocou a banda, porque, com a ausência de fãs a gritar, permitiu-lhes ouvir como tinham ficado pobres as suas actuações ao vivo. Quando chegaram às Filipinas, onde foram ameaçados e maltratados pelos cidadãos por não visitarem a Primeira Dama Imelda Marcos, o grupo estava a ficar descontente com o seu empresário, Brian Epstein, por este insistir sobre o que eles consideravam ser um itinerário desgastante e desmoralizante.[22] Depois do regresso a Londres, George Harrison respondeu a uma questão sobre os futuros planos da banda: "Tiraremos um par de semanas para recuperar antes de irmos e sermos espancados pelos americanos."[23] Tal comentário provou ser profético, pois, logo depois, os comentários de Lennon sobre os Beatles serem "mais populares que Jesus", envolveram a banda numa enorme controvérsia e protesto no Bible Belt[nb 2] dos Estados Unidos.[23] Um pedido de desculpas público acalmou as tensões, mas a pobre digressão aos Estados Unidos em Agosto, marcada por estádios de meia lotação e actuações abaixo da expectativa, provou ser a última da banda.[24] O autor Nicholas Schaffner escreveu:

Para os Beatles, tocar esses concertos tinha se tornado uma charada tão distante dos novos rumos que eles estavam a perseguir que nem uma única melodia foi tocada do recém-lançado LP Revolver, cujos arranjos eram na sua maior parte impossíveis de reproduzir em palco devido ao seu alinhamento de duas guitarras-baixo-bateria.[25]


Quando os Beatles chegaram à Inglaterra, começaram a circular rumores que eles tinham decidido acabar.[26] Harrison informou Epstein que ia deixar a banda, mas foi convencido a ficar com a promessa que não haveria mais digressões.[23] O grupo tirou sete semanas de férias, concentrando-se em interesses individuais. Harrison viajou para a Índia durante seis semanas para melhorar o seu desempenho na sitar, com aulas de Ravi Shankar.[27] Paul McCartney e o produtor George Martin colaboraram na banda sonora do filme The Family Way.[28] Lennon atuou no filme How I Won the War e em mostras de arte, como uma na Indica Gallery, onde viria a conhecer Yoko Ono, a sua futura esposa.[29] Ringo Starr aproveitou a pausa para passar mais tempo com a sua esposa Maureen e o filho Zak.[30]

Conceito e inspiração[editar | editar código-fonte]

A Novembro de 1966, durante um voo de retorno do Quênia para Londres, onde estava de férias com o diretor de digressões Mal Evans, McCartney teve ideia de uma música que eventualmente formaria o ímpeto para o conceito de Sgt. Pepper. Tal ideia envolvia uma banda militar da Era eduardiana de nome inventado por Evans, ao estilo de grupos contemporâneos de São Francisco como Big Brother and the Holding Company e Quicksilver Messenger Service.[31] A Fevereiro de 1967, McCartney sugeriu que os Beatles deveriam gravar um álbum inteiro que representasse uma performance desse grupo ficcional.[32] Tal grupo alter ego daria a eles a liberdade para experimentar musicalmente. McCartney explicou: "Eu pensei, vamos deixar de ser nós mesmos. Vamos desenvolver alter egos".[33] Martin lembrou:

"O 'sargento Pepper' não apareceu até a metade do processo de feitura do álbum. Era uma música do Paul, somente um número comum de rock... mas, quando terminamos, Paul disse, "Porque não fazemos um álbum como se a banda de Pepper realmente existisse, como se o sargento Pepper estivesse gravando? Dublaremos em efeitos e tudo mais." Eu amei a ideia, e, daquele momento em diante, foi como se "Pepper" tivesse vida própria."[34]

A 1966, o crescente interesse, por parte do músico americano Brian Wilson, em estética de gravação, além da admiração pelo Wall of Sound e pelo Rubber Soul, ambas produções de Phil Spector, resultaram no álbum Pet Sounds de seu grupo, the Beach Boys, que demonstrou seu expertise em produção e sua maestria em composição e arranjo.[35] [nb 3] O autor Thomas MacFarlane credita o lançamento de Pet Sounds como inspirador de muitos músicos daquele tempo, com McCartney, em particular, a cantar seus louvores e marcar inspiração para "expansão do foco de trabalho dos Beatles com sons e texturas não usualmente associadas à música popular."[39] McCartney pensava que, por constantemente tocar o álbum, fez com que se tornasse difícil para Lennon de "escapar da influência", adicionando: "Foi inteligentemente executado... então nós fomos inspirados por ele e pegamos algumas ideias."[40] Martin afirmou: "Sem Pet Sounds, Sgt. Pepper nunca teria acontecido. 'Pepper' foi uma tentativa de se igualar a Pet Sounds." [41] [nb 4]

Gravação e produção[editar | editar código-fonte]

Abbey Road Studio Two, onde quase todas as faixas de Sgt. Pepper foram gravadas.[46]

De acordo com o musicólogo Walter Everett, Sgt. Pepper marcou o início da ascensão de McCartney como a força criativa dominante dos Beatles. Ele escreveu mais da metade do material do álbum, além de ter apresentado crescente controle na gravação das composições. Ele proveria, desse ponto em diante, direção artística para os lançamentos do grupo.[47] [nb 5] As sessões começaram a 24 de Novembro de 1966, no Abbey Road Studio Two, na primeira vez que os Beatles juntaram-se desde Setembro daquele ano.[50] Cobertos pelo luxo de um orçamento quase ilimitado, eles reservaram sessões sem data de volta marcada que permitiram rotinas de trabalho tão tarde quanto quisessem.[51] [nb 6] O grupo começou o trabalho com três músicas intencionadas a serem lançadas em um álbum tematicamente conectado à infância dos membros do grupo: "Strawberry Fields Forever", "When I'm Sixty-Four" e "Penny Lane".[52] A primeira sessão foi marcada pela introdução de um novo instrumento de teclado, o Mellotron[53] , cujas teclas desencadeavam gravações de fita de uma variedade de instrumentos.[54] McCartney performou a introdução de "Strawberry Fields Forever" usando configuração de flauta.[53] A complexa produção da faixa envolveu inovadora divisão de dois takes que foram gravados em diferentes andamentos e alturas.[55] O engenheiro de som EMI Geoff Emerick relembra que, durante a gravação de Revolver, "nós nos acostumamos a sermos solicitados para fazer o impossível, e nós sabíamos que a palavra 'não' não existia no vocabulário dos Beatles."[56] Na opinião de Martin, "Sgt. Pepper cresceu naturalmente a partir de Revolver", perfazendo "uma era de quase contínua experimentação tecnológica".[57] [nb 7]

Periódicos de música começaram a nos depreciar... porque [Sgt. Pepper] demorou cinco meses para ser gravado, e eu lembro da grande alegria em ver, em um desses periódicos, como os Beatles tinham se tornado improdutivos... e eu estava sentado, esfregando minhas mãos, dizendo "espere só."[62]

Paul McCartney

"Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane" foram ulteriormente lançadas como um lado A e lado B a Fevereiro de 1967, após a EMI e Epstein pressionarem Martin por um single.[63] Quando falhou em alcançar o número um no Reino Unido, as agências da imprensa britânica especularam que o caminho de sucesso do grupo talvez tivesse acabado, com manchetes como "Beatles falham em alcançar o topo", "Primeira vez em quatro anos" e "A bolha estourou?"[64] Após o lançamento, o conceito de infância foi abandonado em favor do Sgt. Pepper, e, sob a insistência de Epstein, os singles não foram inclusos no LP.[nb 8] Martin posteriormente descreveu a decisão de excluir essas duas músicas como "o maior erro de minha vida profissional".[66] Não obstante, no seu julgamento, "Strawberry Fields Forever", na qual ele e a banda permaneceram 55 horas de tempo de estúdio gravando, "estabelece a agenda de todo o álbum."[67] [nb 9] Martin explicou: "Seria um trabalho...[com músicas que] não poderiam ser tocadas ao vivo: elas foram concebidas para serem produções de estúdio e essa era a diferença."[69] [nb 10] O objetivo de McCartney era criar o melhor álbum dos Beatles, declarando: "Agora nossa performance 'é' esse álbum."[71] Emerick relembra: "Por sabermos que os Beatles nunca tocariam essas músicas ao vivo, não existiram barreiras criativas."[72] A 6 de Dezembro de 1966, o grupo começou a trabalhar em "When I'm Sixty-Four", a primeira faixa que seria incluída no álbum.[73]

A colour image of a grey recording machine
Studer J37 de quatro faixas utilizado na gravação de Sgt. Pepper.[74]

Sgt. Pepper foi gravado com o uso de de um equipamento de quatro canais. Embora fitas de oito faixas estivessem disponíveis nos Estados Unidos, as primeiras unidades não eram consideradas operacionais para estúdios comerciais de Londres até 1967.[75] [nb 11] Assim como os álbuns anteriores do grupo, em Sgt. Pepper foi feito uso extensivo da técnica conhecida como "ping-pong", por meio da qual uma a quatro faixas do gravador são mescladas e passam pelo processo de dubbing num equipamento mestre de quatro faixas, possibilitando aos engenheiros da Abbey Road darem ao grupo um tratamento virtual multifaixa.[77] Os equipamentos studer J37 de quatro faixas da EMI eram propriamente adequados para mixagem de redução, já que as gravações de alta qualidade produzidas por eles minimizavam o acrescido ruído associado com o processo utilizado.[78] Preferindo gravar sua parte de contrabaixo por último, McCartney tendia por tocar outros instrumentos nos períodos de gravação das faixas de apoio. Essa abordagem custou-lhe tempo extra necessário para escrever e gravar linhas de baixo melódicas que complementassem o arranjo final das músicas.[79] Na gravação de orquestra para "A Day in the Life", Martin sincronizou um gravador de quatro faixas tocando as camadas de apoio dos Beatles com outro gravando a orquestra. O engenheiro Ken Townsend idealizou um método para realizar esse procedimento por meio do uso de um controle de sinal de 50 Hz entre dois equipamentos.[80]

Uma das principais características de Sgt. Pepper e o uso, por parte de Martin e Emetick, de processamento de sinal para moldar o som da gravação, que incluiu a aplicação de compressão dinâmica, reverberação e de limitação de sinal.[81] Foram usadas unidades modulares de efeito relativamente novas, a execução de vozes e instrumentos por meio de um leslie speaker.[72] Várias techniques inovadoras de produção foram usadas proeminentemente nas gravações, incluindo conexão direta, pitch control e ambiophonics.[82] Outra foi o automatic double tracking (ADT), um sistema que usa gravadores de fita para criar a duplicações simultâneas de um som. Embora há muito tinha sido reconhecido que o uso de fitas multifaixa para gravação de vocal principal duplo produzia som aprimorado, antes do ADT era necessário gravar tais faixas vocais duas vezes, uma tarefa considerada entediante e de grande exigência. O ADT foi inventado por Townsend durante as sessões de Revolver em 1966 especialmente para os Beatles, que não gostavam das sessões de gravação e regularmente demonstravam desejo por uma solução técnica. O processo tão logo se transformou e prática de gravação comum na música popular.[83] Martin divertidamente relatava a Lennon: "Isso duplica sua foz, John."[84] Lennon percebeu que Martin estava brincando, mas desse momento em diante ele passou a se referir ao efeito como flanging, um rótulo que foi universalmente adotado pela indústria da música.[84] Outro importante efeito usado foi o varispeeding.[72] Martin cita "Lucy in the Sky with Diamonds" como tendo o maior número de variações de velocidade de fita em Sgt. Pepper. Durante a gravação dos vocais de Lennon, a redução de velocidade da fita ia de 50 ciclos para 45, o que produzia uma faixa de som mais alto e fino quando retornada à velocidade normal.[85]

No intento de obter a sonoridade correta, os Beatles realizaram numerosas regravações de "Getting Better". Quando a decisão de regravar a faixa de base foi feita, Starr foi convocado ao estúdio, mas foi dispensado logo em seguida, quando o foco mudou do ritmo para o acompanhamento vocal.[86] Starr, que, após completar suas partes básicas de bateria, viu sua participação ser limitada a gravações adicionais menores de percussão, lamentou: "A maior memória que eu tenho de Sgt. Pepper... é que eu aprendi a jogar xadrez."[87] Para a música título,"Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", a gravação do conjunto de bateria de Starr foi aprimorada pelo uso de amortecimento e da prática de posicionar os microfones estrategicamente próximos ao instrumento. O musicólogo Ian MacDonald credita a nova técnica de gravação como criação de som "tridimencional", que, junta a outras inovações dos Beatles, seria adotada como prática padrão de engenheiros de som dos Estados Unidos.[88] McCartney tocou um piano de cauda em "A Day in the Life" e um órgão Lowrey em "Lucy in the Sky with Diamonds", enquanto Martin tocou um pianet Hohner em "Getting Better", um cravo em "Fixing a Hole" e um harmônio em "Being for the Benefit of Mr. Kite!".[89] Harrison usou um Tanbur em várias músicas, incluindo "Lucy in the Sky with Diamonds" e "Getting Better".[90]

Drogas[editar | editar código-fonte]

Várias canções do álbum com letras influenciadas por drogas levou a BBC a vetá-las, assim tornando-as proibidas de serem tocadas.

A BBC baniu a canção "A Day in The Life", alegando que poderia "incentivar uma atitude permissiva para consumo de drogas". Lennon e McCartney negaram que a canção foi feita sobre qualquer tipo de droga, alegando que a letra se tratava de um sonho.

A canção "Lucy in the Sky with Diamonds" também se tornou alvo de especulações quanto ao seu significado, muitos acreditaram que as letras inicias de seu título foi um código de LSD. A BBC teve isso como base para a proibição da canção nas rádios britânicas. Mais uma vez, John Lennon negou que a letra fosse sobre LSD, mas apenas tentando evitar a censura no país; é amplamente sabido o uso de substâncias psicoativas pelos membros da banda e até mesmo certo abuso à época. John Lennon era um dos membros mais abertos a essas práticas e inclusive mudou-se para os Estados Unidos após o fim da banda, em razão de acreditar tratar-se de um país mais tolerante, mas ainda lá passou por problemas relativos à sua percepção sobre psicoativos. Após a polêmica diminuir, passados anos desde o lançamento do álbum, Paul McCartney confirmou em várias outras oportunidades que a música de fato era sobre LSD e que o álbum teve grande - e importante - influência das drogas, mas jamais entoou o fato negativamente.

Lista de faixas[editar | editar código-fonte]

Todas as faixas foram compostas por John Lennon e Paul McCartney, exceto por "Within You Without You", composta por George Harrison.

Lado A

N.º Título Duração
1. "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band"   2:02
2. "With a Little Help from My Friends"   2:44
3. "Lucy in the Sky with Diamonds"   3:28
4. "Getting Better"   2:47
5. "Fixing a Hole"   2:36
6. "She's Leaving Home"   3:35
7. "Being for the Benefit of Mr. Kite!"   2:37

Lado B

N.º Título Duração
1. "Within You Without You"   5:05
2. "When I'm Sixty-Four"   2:37
3. "Lovely Rita"   2:42
4. "Good Morning Good Morning"   2:41
5. "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)"   1:18
6. "A Day in the Life"   5:33

As gravações[editar | editar código-fonte]

Sobre as canções[editar | editar código-fonte]

O disco começa com o ruído proveniente de um público espectador, que antecede os primeiros riffs de guitarra elétrica ao estilo hard rock da canção que dá título ao disco, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band.

Depois desse tema, sem pausas nem silêncios, começa "With a Little Help from My Friends", cantada pelo baterista Ringo Starr. Antes da canção começar só se ouve um coro apresentando Billy Shears, referindo-se a um sósia de Paul McCartney que teoricamente teria tomado o lugar do Beatle após um acidente fatal de automóvel. Ringo começa então a cantar "With a Little Help from My Friends", de autoria de Paul McCartney com colaboração de John na letra. "With A Little Help From My Friends" tornar-se-ia a número 1 nas paradas de sucesso em uma regravação com Joe Cocker um ano mais tarde.

"Lucy in the Sky with Diamonds" do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967). O filho de Lennon, Julian, inspirou a canção com um desenho na creche que chamou de "Lucy - no céu com diamantes".[91] Logo após o lançamento da canção, surgiu a especulação de que a primeira letra de cada um dos substantivos do título estava intencionalmente escrito "LSD". Apesar de Lennon negar isso veemente, a BBC proibiu a canção.

Amostra de "Within You Without You" do álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967). Esta canção de Raga Rock demonstra a influência da música clássica indiana sobre a banda.

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"Lucy in the Sky with Diamonds", de John Lennon, sofreu especulação que suas iniciais - LSD - seriam em referência à droga que os Beatles consumiam, ainda que John tenha desmentido isto, alegando que o título aludia a um desenho de seu filho. A psicodélica melodia foi alterada ao extremo que se pensa que cada nota está com uma velocidade superior ou inferior à anterior. Devido a suposta menção às drogas, a faixa foi banida pela BBC. Na época John e George Harrison já haviam experimentado LSD, mas em julho de 1967 Paul declarou na imprensa que também havia experimentado a droga. Em 2004, Paul McCartney disse em uma entrevista que "Lucy In The Sky With Diamonds" realmente era sobre LSD.

"Getting Better" é outro tema que mudaria as estruturas básicas do rock para transformá-las em algo totalmente novo. Com sua constante guitarra, este tema é um canto à felicidade e à esperança de mudança. Neste título se evidencia, na letra, o contraste das atitudes de Lennon e McCartney. Segundo os Beatles mesmos, "Getting Better" era uma frase muito repetida por Jimmy Nicol, o baterista que uma vez substituiu Ringo Starr em uma turnê.

"Fixing a Hole" parece ter sido influenciada pela época dos anos 20 ou 30, ainda que possuísse também algo inovador, como a combinação de guitarras e teclado e a capacidade de McCartney de alternar entre harmonias. Esta canção foi apontada como uma referência ao uso de heroína, o que nunca foi confirmado.

"She's Leaving Home", uma bela peça musical, contou com o uso de cordas clássicas e harpas, na dor de uma jovem que abandona seu lar. É comparada por muitos críticos com grandes obras da música clássica. Dizem que a ideia de compô-la surgiu de uma notícia que contava a história de uma jovem que fugiu de seu lar para poder viver com seu namorado, mas esta verdadeira história não durou muito tempo já que a jovem voltou para casa na semana seguinte. Na canção, John e Paul cantam acompanhados por músicos de estúdio. Os arranjos da canção não foram feitos por George Martin, o produtor dos Beatles. Segundo Paul, ele havia procurado George para fazer os arranjos, mas como este estava muito ocupado, Paul acabou chamando Mike Leander, o que ocasionou um certo aborrecimento em George Martin na época.

O som da seguinte canção, "Being for the Benefit of Mr. Kite!", remete a um grande circo, com clavicordes, órgãos, uma bateria hipnótica, voz nasal e fria de Lennon, com possivelmente uma das melhores atmosferas jamais criadas por um produtor. Esta canção, escrita por John, foi inspirada em um cartaz de um circo de 1843.

"Within You Without You" é ao estilo hindu de autoria de George Harrison, com sua sitar e acompanhamento de violinos com escalas orientais enquanto com sua voz nos fala de Deus, das pessoas e de amor. Só há a participação do próprio autor na gravação. Ela é acompanhada por músicos indianos e é baseada na música de Ravi Shankar. Foi a única composição de George a entrar no disco; ele também compôs e gravou "Only A Northern Song", que acabou ficando de fora e entrando no disco Yellow Submarine

"When I'm Sixty-Four", uma obra típica de McCartney, mostra uma história sobre o amor eterno, com ar de cabaret, devido ao uso de clarinetes, que a faz única e inconfundível, sem deixar de ser puramente ingênua. Esta canção foi escrita por McCartney na sua adolescência. Foi a primeira faixa a ser gravada para o disco.

"Lovely Rita" é um pop renovado em contraste com a canção anterior, com excelentes pianos e vozes de McCartney e Lennon. Conta a história de Rita, uma "Meter Maid" (controladora de parquímetros).

Este tema contém uma misteriosa mensagem aludindo a suposta morte de Paul McCartney. A lenda da morte do músico dizia que ele havia morrido em um acidente de carro (por isso muitas de suas canções fazem alusão a este dia e esta data), não notando que as luzes do semáforo mudaram por estar olhando para uma inspectora de parquímetros (em inglês, Meter Maid). Esta mensagem encontra-se, supostamente, na última canção do álbum, ainda que realmente não se saiba ao certo sobre a lenda da morte de McCartney e sua substituição por William Campbell (de nome artístico Billy Shears).

"Good Morning Good Morning" começa com um galo cantando anunciando o amanhecer, para dar lugar a uma canção um tanto rara e acelerada. Foi idealizada por Lennon a partir de um aviso de cereais de milho Kellogg's, uma conhecida marca identificada por um galo. No final foram incorporados uma série de ruídos de animais que aparentemente comem uns aos outros. O solo da canção foi feito por McCartney, e sua guitarra usada foi uma Fender Esquire. O solo possui características de hard rock e heavy metal, devido a sua rapidez e peso. Com o ruído do galo passa-se à canção seguinte.

Quase chegando ao final, a "Reprise" da primeira canção tem basicamente seu mesmo ritmo, ainda que um pouco mais rápida, somando-se uma guitarra que a faz inconfundível e mantém um ritmo hard rock.

Para terminar: "A Day in the Life", uma obra de arte criada tanto por Lennon como por McCartney, baseado em uma colagem de notícias tomadas de um jornal e suas respectivas reflexões na voz nasal e sonhadora de John, permitindo-lhe fazer uma visão crítica muito especial do que se descreve na canção. Todo em um meio difuso e quase acústico, que se vai sumindo pouco a pouco e ressurge em um ascendente ruído sinfônico até chegar às notas mais agudas possíveis para quebrar em um pedaço cantado e escrito por Paul McCartney. O relógio soa para sinalizar que esta divisão não é acidental. Sua função era avisar a Paul quando deveria começar cantar. A quantidade de instrumentos era tal que a gravação foi superposta quatro vezes com leves diferenças de tempo. Desta forma parecia uma orquesta de 160 instrumentos. O resultado final soa como uma aterrissagem de um voo, cortada subitamente por um relógio despertador.

Canções que ficaram de fora[editar | editar código-fonte]

Os Beatles gravaram outras canções na época que não fizeram parte do álbum.

"Strawberry Fields Forever", na verdade a primeira canção gravada para fazer parte do álbum, escrita por John Lennon com o título em referência ao orfanato do Exército da Salvação que ficava perto da casa em que John viveu na infância em Liverpool.
"Penny Lane", escrita por McCartney, traz referências a sua juventude em Liverpool.

Tanto "Strawberry Fields Forever" como "Penny Lane" tinham sido originalmente gravadas para o novo álbum, mas em janeiro de 1967 o produtor George Martin respondeu a pressão da EMI para o lançamento de um novo compacto (os Beatles não lançavam um desde agosto de 1966) e lançou as duas canções em fevereiro de 1967. Como no reino Unido era prática não duplicar lançamentos de canções recém lançadas em compacto nos álbuns, as duas canções ficaram de fora do Sgt. Pepper. As canções fizeram parte do lançamento norte-americano para a trilha sonora do filme Magical Mystery Tour ainda em 1967, e foram lançadas no resto do mundo em 1973, no álbum homônimo ao americano de 73. George Martin mais tarde diria que a decisão de excluir as duas canções de Sgt. Ppper's foi o maior engano de sua carreira.[92]

"Only a Northern Song" é uma composição de George Harrison com um cometário sarcástico em referência ao contrato dos Beatles com a companhia Northern Songs. Depois de gravar esta canção, George resolveu gravar outra composição sua para o álbum, "Within You Without You". "Only a Northern Song" foi lançada posteriormente como parte da trilha sonora para o desenho animado Yellow Submarine em 1968.

"Carnival of Light", uma composição de Paul McCartney com colagens sonoras. A canção jamais foi lançada nem oficialmente nem em bootlegs.

A capa[editar | editar código-fonte]

Sgt. Pepper não só se destacou por sua música, mas pelo conceito e pela capa feita com uma fotografia de Michael Cooper com os quatro Beatles vestidos como sargentos diante de uma colagem feita por Peter Blake com vários rostos de pessoas célebres, entre os quais Marilyn Monroe, Marlon Brando, Bob Dylan, Cassius Clay, D.H. Lawrence, Aleister Crowley e até Shirley Temple. Também apareceriam Karl Marx, Gandhi, Hitler e Jesus Cristo, mas estes foram deixados de fora. Jesus Cristo não foi incluído por causa da declaração um ano antes de John dizendo que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo, Gandhi foi retirado por receio da gravadora em ofender o mercado indiano. Para evitar processos a gravadora pediu autorização às personalidades. O ator Leo Gorcey teve sua imagem retirada por pedir um pagamento pelo uso da sua imagem. O rosto do ator mexicano Germán Valdés "Tin Tan"(irmão do também consagrado ator Ramón Valdés,o Seu Madruga do seriado Chaves)aparecia na capa, mas ele se não autorizou sua exibição na última hora, enviando em seu lugar uma árvore da vida de Metepec (planta tradicional mexicana) que aparece em canto da fotografia. Em 2007, o jornal britânico The Independent On Sunday afirma que o ditador nazista Adolf Hitler estaria escondido na capa, aparecendo em parte entre o baterista Ringo Starr e o atleta e ator Johnny Weissmuller.[93]

Muitos acreditam que a capa contém uma mensagem oculta sobre a suposta morte de Paul McCartney, já que na parte inferior deles parece haver uma tumba adornada com flores e um contrabaixo (também feito de flores) e com três cordas apenas, o que significaría que faltava um Beatle.

Foi o primeiro disco que se vendeu com as letras das canções impressas.

Lista de celebridades que aparecem na capa do disco[editar | editar código-fonte]

Homenagens ao álbum[editar | editar código-fonte]

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  • Um filme e sua trilha sonora, LP, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, foi lançado em 1978 homenageando não só o álbum original mas os Beatles, pois na produção da "RSO" contém canções de outros álbuns dos Beatles também. O filme produzido por Robert Stigwood e estrelado por Peter Frampton (como Billy Shears) e Bee Gees (como the Hendersons) inclui a participação de Steve Martin---na sua primeira atuação em filmes---, no papel do Dr. Maxwell; George Burns, no papel do Mr Kite; Alice Cooper, no papel do Sun King; Billy Preston, no papel de Sgt. Pepper; e inclusive a participação de George Harrison e Linda McCartney, como convidados da Heartland; além de várias outras celebridades.
  • Em 1988 o New Musical Express lançou um álbum tributo chamado Sgt. Pepper Knew My Father. As regravações das canções contaram com artistas como Wet Wet Wet, The Christians, e Sonic Youth entre outros.
  • Com o pseudônimo de The Beachles, o compositor e músico Clayton Counts misturou Sgt. Pepper's a Pet Sounds dos Beach Boys e lançou o trabalho Sgt. Petsound's Lonely Hearts Club Band em 2006.
  • A MOJO Magazine lançou o Sgt. Pepper…With a Little Help From His Friends em março de 2007, um tributo comemorativo pelo quadragésimo aniversário do álbum dos Beatles. As regravações incluíram entre outros o Simple Kid e o Echo & The Bunnymen.
  • Um regravação comemorativa do quadragésimo aniversário foi feita na rádio BBC em 1 de junho de 2007 e contou com a participação de Bryan Adams, Oasis, Travis e Stereophonics, entre outros.
  • Os Beatles nunca chegaram a tocar Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band ao vivo. Mas em 19 de maio de 1979, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr a tocaram juntamente com Eric Clapton, na festa de casamento de Clapton.
  • A banda Norte-Americana Panic! at the Disco lançou o Pretty Odd,um álbum inspirado em "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", principalmente nas músicas "Nine in the afternoon","We're so starving" "I Have Friends In Holy Spaces","Northern Downpour" e "From A Mountain In The Middle Of The Cabins".

Além disso a capa do álbum também serviu de inspiração, e o figurino do clipe "Nine in the afternoon" faz lembrar as roupas usadas no álbum da banda de Liverpool.

A capa também serviu de inspiração por muito tempo:

  • The Rutles com o seu Sgt.Pepper's.
  • Frank Zappa and the Mothers of Invention no álbum We're Only in It for the Money em 1968
  • O desenho animado The Simpsons fez uma paródia da capa de Sgt. Pepper's e de Abbey Road.
  • A revista Mad em uma edição de agosto de 2002 apresentando a "50 piores coisas sobre música" ("The 50 Worst Things About Music").
  • O cantor brasileiro Zé Ramalho, na capa do álbum Nação Nordestina.
  • A também britânica banda Def Leppard com a capa de seu álbum de 2008 Songs from the Sparkle Lounge.
  • Apenas 3 dias após o lançamento da canção homônima, Jimi Hendrix a tocou em um show no Teatro Saville em Shaftesbury Avenue, que foi alugado por Brian Epstein. Na platéia estavam Harrison e McCartney, que ficaram muito impressionados com sua versão e sua capacidade de aprender-la tão rapidamente. Outra versão de Hendrix para a canção também está presente em seu álbum ao vivo Blue Wild Angel: Live at the Isle of Wight, gravado no Festival da Ilha de Wight de 1970.

Prêmios[editar | editar código-fonte]

  • Os Beatles ganharam quatro prêmios Grammy pelo trabalho: "melhor álbum do ano", "melhor capa de álbum", "melhor álbum de música contemporânea" (atualmente conhecido como "melhor álbum vocal Pop") e "melhor engenheiro de som" (Geoff Emerick). Porém perdeu três indicações: "melhor desempenho" (para Anita Kerr), "melhor desempenho de grupo ou dupla" (para The Mamas & The Papas) e melhor arranjo instrumental (perdendo por "A Day In The Life" para "Strangers In The Night").
  • O álbum ganhou o título de melhor disco de todos os tempos, pela revista Rolling Stone.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Um homem com corte de cabelo desgrenhado e à tigela. Os mop-tops mais famosos foram os Beatles, que popularizaram o estilo de corte na década de 1960, quando o seu empresário lhes disse que o público iria apreciá-los mais se eles o usassem.[15]
  2. O Bible Belt (pt: Cinturão Bíblico) é uma região dos Estados Unidos onde a prática da religião protestante faz parte da cultura local. O Bible Belt está localizado na região sudeste dos Estados Unidos, devido às fundações coloniais do protestantismo. A origem do nome deriva da grande importância da Bíblia entre os protestantes.
  3. Durante o início e metade da década de 1960, o grupo americano Beach Boys lançou música que demonstrou um aumento no nível de sofisticação. Liderados pelo seu principal compositor e produtor, Brian Wilson, eles combinaram harmonias vocais inspiradas no jazz com surf music, criando seu som único.[36] Wilson, escrevendo no encarte de Pet Sounds, explicou sua inspiração: "A Dezembro de 1965, eu ouvi o álbum Rubber Soul. Foi definitivamente um desafio para mim. Eu vi que todo corte era muito interessante artisticamente e estimulante. Eu imediatamente fui trabalhar nas canções de Pet Sounds."[37] O biografo de Beatles Jonathon Gould escreveu: "dos tantos singles pop lançados durante o outono de 1966, nenhum teve mais forte influência dos Beatles que o Good Vibrations do Beach Boys"; uma música iniciada durante as sessões de Pet Sounds, mas lançada vários meses depois.[38]
  4. Freak Out!, de the Mothers of Invention é também citado como influenciador de Sgt. Pepper.[42] De acordo com o autor Philip Norman, durante as sessões de gravação de Sgt. Pepper, McCartney afirmou repetidamente: "Este é nosso Freak Out!".[43] O jornalista musical Chet Flippo ponderou que McCartney foi inspirado, no tocante à gravação de um álbum conceitual, após ouvir Freak Out!.[42] O autor Will Romano observou que Sgt. Pepper termina com vocais sem sentido, assim como Freak Out!.[44] O autor Barry Miles notou que "Carnival of Light", música não lançada do quarteto, gravada durante as sessões para o que depois evoluiu para Sgt. Pepper, tem uma notável semelhança com a última faixa de Freak Out!, "The Return of the Son of Monster Magnet". The Mothers of Invention posteriormente parodiou a capa de Sgt. Pepper com seu álbum de 1968, 'We're Only in It for the Money.[45]
  5. Na opinião de Emerick, os trabalhos em Sgt. Pepper marcaram a emergência de McCartney como o produtor de facto dos Beatles, já que Martin apresentava absenteísmo crescente próximo ao fim das sessões de tarde da noite, que sempre duravam até o amanhecer.[48] Emerick sustenta que, no tempo das sessões de Sgt. Pepper, "estava evidente que a personalidade de John estava mudando. Em vez de se mostrar teimoso a respeito de tudo, ele estava tornando-se complacente. De fato, ele parecia de certa forma contente de ter alguém pensando no lugar dele."[49]
  6. EMI era proprietária das gravações do grupo e do Abbey Road Studios. Por isso, a entidade não descontou taxas de tempo de estúdio dos pagamentos em royalties da banda durante a gravação e produção de Sgt. Pepper.[51]
  7. De acordo com o biógrafo de Beatles Hunter Davies, "a experimentação realmente séria" iniciou-se a Abril de 1966, com a última faixa de Revolver, "Tomorrow Never Knows".[58] Martin concorda, notando o uso da Tambura com vocais ao contrário em "Rain" como um importante avanço que levou à produção experimental de "Tomorrow Never Knows".[59] Na opinião de Emerick, a "maior diferença" entre Revolver e Sgt. Pepper e que com o último não houve prazo absoluto para conclusão. Ele também pondera que as sessões de gravação de Revolver foram primariamente marcadas para a tarde e começo da noite, enquanto que as sessões para Sgt. Pepper tipicamente começavam após as 19h.[60] Ele atribui a diferença em som entre os dois álbuns ao fato de que Revolver foi primariamente gravado no Abbey Road Studio Three, que é muito menor e dotado de "som de estúdio acusticamente mais sujo", em comparação ao Studio Two.[61]
  8. Martin e Epstein decidiram que era inapropriado requerir que fãs pagassem o dobro pelo mesmo material. Por isso, não incluíram "Strawberry Fields Forever" ou "Penny Lane" no álbum Sgt. Pepper.[65]
  9. Após três semanas, eles concluíram somente duas músicas. De acordo com Emerick, isso provocou críticas da parte de seus colegas da EMI, que foram respondidas com "somente espere".[68]
  10. A gravação de "Strawberry Fields Forever" foi a primeira ocasião em que o grupo pode trabalhar sem o fardo de um prazo, e marcou o início dos anos de estúdio dos Beatles.[70]
  11. Gravadores de oito faixas foram usados pela primeira vez em álbum dos Beatles em 1968, durante sessões para o Álbum Branco.[76]

Referências

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  2. The National Recording Registry 2003 Library of Congress (2003). Visitado em 14-3-2015.
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  91. news.bbc.co.uk Beatles song 'inspiration' dies
  92. DeRogotis, Jim: Kill Your Idols. Barricade Books, 2004
  93. Hitler foi escondido em capa dos Beatles, diz jornal BBCBrasil.com.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
"Headquarters" por The Monkees
Billboard 200 – álbum número um
1 de julho de 196713 de outubro de 1967
Sucedido por
"Ode to Billie Joe" por Bobbie Gentry
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