Povos indígenas do Brasil

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Eleições
Presidenciais | Estaduais
Temáticas
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Regionais
Centro-Oeste | Nordeste | Norte | Sudeste | Sul
Generalidades
Bibliografia | Cronologia | Toponímia | Etimologia | Patrimônio | Fortificações

A dificuldade em classificar os povos indígenas do Brasil vem do fato de que a violência, durante cinco séculos de colonização em que tiveram tomadas suas terras, destruídos muitos de seus meios de sobrevivência, proibidas suas crenças religiosas, sendo explícita ou disfarçadamente escravizados, provocou enorme mistura de povos e transferência de áreas.[carece de fontes?]

Índice

[editar] Cultura

Índia guajajara e seu filho.
Índia guajajara e seu filho.

Há grande diversidade cultural entre os povos indígenas no Brasil, mas há também características comuns:

  • A habitação coletiva, com as casas dispostas em relação a um espaço cerimonial que pode ser no centro ou não
  • A vida cerimonial é a base da cultura de cada grupo, com as festas que reúnem pessoas de outras aldeias, os ritos de passagem dos adolescentes de ambos os sexos, os rituais de cura e outros
  • A arte faz parte da vida diária, e é encontrada nos potes, nas redes e esteiras, nos bancos para homens e mulheres, e na pintura corporal, sempre presente nos homens
  • A educação das crianças se faz por todos os habitantes da aldeia, desde cedo aprendem a realizar as tarefas necessárias à sobrevivência, tornando-se independentes

A família podia ser monogâmica ou poligâmica. Deixaram forte herança cultural nos alimentos, tendo ensinado o europeu a comer mandioca, milho, guaraná, palmito, pamonha, canjica; nos objetos, suas redes e jangadas, canoa, armadilhas de caça e pesca; no vocabulário: em topônimos como Curitiba, Piauí, etc; em nomes de frutas nativas ou de animais: caju, jacaré, abacaxi, tatu. Ensinaram algumas técnicas como o trabalho em cerâmica e o preparo da farinha. E deixaram no brasileiro hábitos como o uso do tabaco, mas sobretudo o excelente costume do banho diário.

No Brasil colonial os portugueses tiveram como aliados os índios aldeados, os quais se tornaram súditos da Coroa.

[editar] Origens e história

Debret: Família de um chefe Camacã se preparando para a festa
Debret: Família de um chefe Camacã se preparando para a festa
Debret: Caçador de escravos
Debret: Caçador de escravos

Pesquisas arqueológicas em São Raimundo Nonato, organizadas pela arqueóloga Niède Guidon no interior do Piauí, registram indícios da presença humana datados como anteriores a 10 mil anos.[1] A maioria dos pesquisadores acreditam que o povoamento da América do Sul deu-se a partir de 20 mil a.C.[2]


Indícios arqueológicos no Brasil apontam para a presença humana em achados datados de 16.000 a.C., de 14.200 a.C. e de 12.770 a.C. em Lagoa Santa (MG), Rio Claro (SP) e Ibicuí (RS).[2] Em Lapa Vermelha, (Minas Gerais), foi encontrado um verdadeiro cemitério com ossos datados em 12 mil anos, o primeiro dos quais encontrado por Annette Laming-Emperaire na década de 1970 e que foi "batizado" de Luzia[1] e que parecia mais aparentada com os aborígenes da Austrália ou com negrito das Ilhas Andaman.

[editar] Extermínio

Estimativas da população indígena na época do descobrimento apontam que existiam no território Brasileiro, mais de 1 000 povos, sendo dois a seis milhões de indígenas. Hoje em dia, são 227 povos, e sua população está em torno de 300 mil. As razões para isso são muitas, desde agressão direta de colonizadores a epidemias de doenças para as quais os índios não tinham imunidade ou cura conhecidas.

Durante o século XIX, com os avanços em epidemiologia, casos documentados começaram a aparecer, de brasileiros usando epidemias de varíola como arma biológica contra os índios. Um caso "clássico", segundo antropólogo Mércio Pereira Gomes, é o da vila de Caxias, no Sul do Maranhão, por volta de 1816. Fazendeiros, para conseguir mais terras, resolveram "presentear" os índios timbira com roupas de pessoas infectadas pela doença (que normalmente são queimadas para evitar contaminação). Os índios levaram as roupas para as aldeias, e logo logo, os fazendeiros tinham muito mais terra livre para sua criação de gado. Casos similares ocorreram por toda América do Sul[3]

[editar] Povos indígenas emergentes

Ver artigo principal: Povos indígenas emergentes

A partir das últimas décadas do século XX, aparecem novas etnias quando populações miscigenadas reivindicam a condição de povo indígena. Isto ocorre principalmente no nordeste brasileiro. São exemplos desse processo:

[editar] Dia do Índio

O Dia do Índio, 19 de abril, foi criado pelo presidente Getúlio Vargas através do decreto-lei 5540 de 1943, e relembra o dia, em 1940, no qual várias lideranças indígenas do continente resolveram participar do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México. Eles haviam boicotado os dias iniciais do evento, temendo que suas reivindicações não fossem ouvidas pelos "homens brancos".

[editar] Os povos indígenas do Brasil

Índios kaiapó.
Índios kaiapó.
Menino índio.
Menino índio.
Índios guarani.
Índios guarani.
Mapa de etnias indígenas no nordeste brasileiro
Mapa de etnias indígenas no nordeste brasileiro
Índio pataxó.
Índio pataxó.

A denominação mais conhecida das várias etnias não é quase nunca a forma como seus membros se referem a si mesmos, e sim o nome dado a ela pelos brancos ou por outras etnias, muitas vezes inimigas, que os chamavam de forma depreciativa, como é o caso dos caiapó.

Os primeiros estudos sobre os povos indígenas brasileiros foram realizados no século XVI, pelo alemão Hans Staden e o francês Jean de Lery cujos livros fundamentam-se em relatos e descrições.[2] O primeiro inventário dos nativos brasileiros só foi feito em 1884, pelo viajante alemão Karl von den Steinen, que registrou a presença de quatro grupos ou nações indígenas, de acordo com as suas línguas: tupi-guarani, ou tapuia, nuaruaque ou maipuré e caraíba ou cariba. Von den Steinen também assinala quatro grupos lingüísticos: tupi, macro-jê, caribe e aruaque.

[editar] Reservas indígenas

A definição de áreas de proteção às comunidades indígenas foram lideradas por Orlando Villas Bôas que em 1941 lançou a expedição chamada Roncador-Xingu. Em 1961 foi criada a primeira reserva, o Parque Indígena do Xingu com forte atuação de Villas Bôas, seus irmãos Leonardo, Cláudio, Marechal Rondon, Darcy Ribeiro, entre outros,[4] para que a natureza, os povos nativos da região, suas culturas e costumes fossem preservados.[5] O modelo de criação das reservas indígenas mostrou-se como um dos únicos meios para que a cultura, os povos pré-coloniais remanescentes e mesmo a natureza sejam preservados nesses reservas. Em 1967 foi criada a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), que passou a definir políticas de proteção às comunidades indígenas brasileiras.

A demarcação de reservas indígenas é muitas vezes cercada de críticas favoráveis e desvaforáveis por vários setores da mídia e pela população afetada. O modelo das reservas indígenas demarcadas pela FUNAI difere no modelo norte-americano onde as terras passam a pertencer aos povos indígenas. No Brasil as reservas indígenas demarcadas pela FUNAI pertencem ao governo brasileiro para usufruto vitalício dos índios,[6] não havendo portanto como associá-las à uma perda de soberania. Uma crítica comum sobre as reservas indígenas brasileiras consideram a atuação de ONG's nacionais e internacionais junto às comunidades indígenas sem que se tenha o conhecimento preciso da natureza da atuação dessas organizações. Nesse sentido controles mais rígidos sobre a atuação das ONG's junto às comunidades indígenas estão sendo estudados.[7]

[editar] Povos indígenas atuais

Atualmente vivem no Brasil 227 povos, que falam mais de 180 línguas, classificadas por em dois grandes troncos ou formando famílias lingüísticas isoladas.

Famílias lingüísticas isoladas:

Dentro dessas famílias encontramos várias línguas, e dentro destas, dialetos.

[editar] Alguns grupos indígenas do Brasil

Referências

  1. 1,0 1,1 Novos dados lançam dúvidas sobre o homem americano. Com Ciência (10/09/2003). Página visitada em 2008-04-19.
  2. 2,0 2,1 2,2 Carlos Olivieri. Cinco milhões de índios estavam no Brasil antes do descobrimento. UOL Educação. Página visitada em 2008-04-19.
  3. O caso Caxias e outros mais
  4. Parque Nacional do Xingu (16 de Outubro de 2006). Página visitada em 2008-04-19.
  5. Xingu 40 Anos (20/05/2001). Página visitada em 2008-04-19.
  6. Jobim: é equívoco discutir demarcação de terra indígena. Terra On-line (23 de abril de 2008). Página visitada em 2008-04-25.
  7. "Há ONGs que encobrem suas finalidades". Estadão (22 de Abril de 2008). Página visitada em 2008-04-25.

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

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