Palmeiras (Bahia)

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Município de Palmeiras
Vista geral da sede do município

Vista geral da sede do município
Bandeira indisponível
Brasão indisponível
Bandeira indisponível Brasão indisponível
Hino
Fundação 23 de dezembro de 1890
Gentílico palmeirense
Prefeito(a) Ricardo Oliveira Guimarães (PSB)
(2017–2020)
Localização
Localização de Palmeiras
Localização de Palmeiras na Bahia
Palmeiras está localizado em: Brasil
Palmeiras
Localização de Palmeiras no Brasil
12° 31' 44" S 41° 33' 32" O12° 31' 44" S 41° 33' 32" O
Unidade federativa Bahia Bahia
Mesorregião Centro-Sul Baiano IBGE/2008 [1]
Microrregião Seabra IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Seabra, Lençóis, Iraquara, Mucugê, Boninal
Distância até a capital 439 km
Características geográficas
Área 695,719 km² [2]
População 8 408 hab. IBGE/2010[3]
Densidade 12,09 hab./km²
Altitude 697 m
Clima Seco subúmido, semi-árido e úmido subúmido
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,643 médio PNUD/2010 [4]
PIB R$ 32 737,925 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 3 916,96 IBGE/2008[5]
Página oficial
Nota: Para outros significados, consulte Palmeiras (desambiguação).

Palmeiras é um município brasileiro do estado da Bahia. Localiza-se a uma latitude 12º31'44" sul e a uma longitude 41º33'32" oeste, estando a uma altitude de 697 metros. Sua população estimada em 2004 era de 7 711 habitantes. Possui uma área de 698,462 km².

História[editar | editar código-fonte]

Antes da exploração colonial do interior do atual estado da Bahia, a região onde atualmente há o município de Palmeiras era habitado por indígenas da nação tapuia. Com o início da ocupação dos colonos na região, os nativos começaram a evacuar a região.

Povoação da Lavrinha[editar | editar código-fonte]

No início da segunda metade do século XVIII, famílias de pequenos agricultores, descendentes de portugueses, se fixaram em Lavrinha, às margens da estrada boiadeira. A Lavrinha teve o seu apogeu com a descoberta de pequenas lavras de diamantes. Logo, em 1855, vieram garimpeiros de Mucugê, Lençóis, Andaraí, do sertão da Bahia, e Minas Gerais. Com a exploração do diamante, Lavrinha de tapera se tornou um próspero arraial. A arquitetura se refinou, e parte da população nativa se tornou garimpeira. Com o dinheiro do garimpo, se investiu na agricultura e no próprio garimpo. Aos poucos, foram surgindo pequenas povoações como: Fundão, Cruz, Ribeirão, Laranjo e outras.

Com a diminuição de diamantes, o arraial entrou em decadência. Hoje, o berço de Palmeiras é um pequeno povoado baseado na agricultura.

Fazenda das Palmeiras[editar | editar código-fonte]

Em 1819, o fidalgo Joaquim Pereira dos Santos, construiu a sede da Fazenda das Palmeiras, onde plantou café. A sede dessa fazenda viria a se tornar a Praça Dr. José Gonçalves, a principal da sede do município. Um de seus descendentes acabou descobrindo diamantes na propriedade, porém evitou que a notícia se espalhasse, até abril de 1864. Neste mês, o Coronel Balbino de Oliveira Neves e o Comendador Geminiano Ferraz Moreira, em vez de seguir o tradicional caminho da Conceição dos Gatos para, de Lavrinha, chegar à Lençóis, foi pela estrada das Palmeiras. Ao passar pelo Córrego Lajedinho, onde atualmente há a ponte na rua Dr. Luís Viana, encontrou dois garimpeiros, cujos diamantes comprou. A notícia se espalhou por toda região das Lavras. Após uma semana, a fazenda já contava com mais de mil garimpeiros, vindos de várias regiões da província e de Minas Gerais. Em pouco tempo, a fazenda se tornou um próspero povoado.

Emancipação[editar | editar código-fonte]

Apesar da prosperidade, o povoado das Palmeiras continuou ligado ao centralizador município de Lençóis. Era 1889, Palmeiras se tornara sede do distrito de Paz da Serra Negra, a república havia sido proclamada, e os políticos de Lençóis, monarquistas, estavam abalados com o evento no Rio de Janeiro. Utilizando do fato de serem republicanos históricos, da elevação de Palmeiras a sede de distrito de Paz, os coronéis do povoado pediram ao governo estadual (em 7 de dezembro de 1890) a elevação do povoado das Palmeiras em villa. No dia 23 do mesmo mês o povoado foi elevado a villa, com a denominação de Villa Bella das Palmeiras. Em 15 de janeiro de 1891 foi instalado o Município de Villa Bella das Palmeiras, e Antônio Affonso Teixeira como intendente.

Era dos Intendentes[editar | editar código-fonte]

A partir da administração de Affonso Teixeira, Palmeiras passou a ser um relevante exportador de café. Sendo produzido 100 mil arrobas do produto em 1893. O café produzido em Palmeiras foi exportado para Nova Iorque, Paris e Hamburgo sob a denominação de "Café da Chapada". O Vale do Capão era o maior centro produtor de toda a região. Por volta de 1907, o município já contava com engenhos de cana-de-açúcar, maquinaria para o beneficiamento de café e fábrica de aguardente. Também havia um relativo grande desenvolvimento da pecuária. Porém, no ano seguinte, devido a baixa do preço da arroba do café, houve um abandono de fazendas. Contudo, também se diversificou a agricultura com a plantação de cacau, abacate, sapoti, lima, pêssego, etc. Essas lavouras garantiram que Palmeiras não entrasse no processo de decadência que a Chapada estava vivenciando devido a diminuição da atividade mineradora.

Por volta de 1915, Palmeiras entrou em decadência, apesar de ainda não ser tão acentuada quanto a de outras cidades. O quadro só se reverteu em 1918, com o fim da Primeira Guerra Mundial. A década de 1920 foi marcada pelo combate à gripe espanhola e à peste bubônica e pelo início da tradição carnavalesca no município, que, atualmente, detém o maior Carnaval do interior baiano.

Era Vargas[editar | editar código-fonte]

Rua em Palmeiras, durante o São João.

Com a revolução de 1930, Palmeiras sofreu a intervenção militar com o desarmamento municipal e a nomeação de Otacílio Oliveira como primeiro prefeito. Otacílio teve o governo mais longo do município: 9 anos. Estando atenta a conjuntura nacional, houve representantes tanto do Partido Comunista Brasileiro quanto do Ação Integralista Brasileira. O segundo chegou a se tornar o segundo maior partido em 1937, tanto na sede quanto na zona rural. Com o Estado Novo, o terror político instaurado no município sob o comando de Salvador, havendo a prisão dos mais exaltados integralistas. Enquanto o então segundo maior partido estava sendo desmantelado tanto fisicamente quanto juridicamente, houve construções de diversos portes e importâncias no município nesse período.

Seu sucessor era um pacifista, apesar da conjuntura. Em 1944 o Partido Social Democrático, situacionista, foi fundado pelo prefeito Agripino Baptista, tendo a União Democrática Nacional como oposição única. A cidade viu o envio de seus filhos à Itália durante a Segunda Guerra Mundial, sendo que um dos convocados cometeu suicídio. Contudo, nenhum recém-alistado chegou a ver a guerra, tendo ela encerrado antes de suas viagens, evento largamente celebrado em Palmeiras.

República de 1946[editar | editar código-fonte]

As eleições de 1946 foram de notória democracia, momento da eleição da primeira vereadora mulher do município: a professora Generosa Vieira. Em 1950, o Partido Trabalhista Brasileiro foi fundado, a tempo de participar das eleições daquele ano como situacionista. A UDN, contudo, ganhou as eleições daquele ano. Salvador Lopes teve uma administração difícil, devido a nova decadência da mineração e a seca. A emigração do município foi notável, apesar de Palmeiras receber levas de imigrantes de regiões ainda mais atingidas. A fome tomou proporções grandes. Foi em sua administração que foi criado o distrito de Caetê-Açu com sede em Capão Grande.

Em 1954, o udenista Edson Botelho de Queiroz foi eleito prefeito. Ele procurou modernizar a cidade através da substituição do calçamento e da construção de escolas. Uma consequência de sua ação, contudo, foi a desfiguração das antigas fachadas das casas. Seu sucessor, o também udenista Newton Cathalat Guimarães, prometeu tornar Palmeiras uma pequena Veneza. Contudo, sua administração foi marcada por uma agitação próximo as eleições, havendo a presença de policiais armados com metralhadoras enquanto a oposição, do PSD, também andava armada. A eleição foi pacífica, sendo que a UDN novamente elegeu um sucessor: José Maria Gomes Bello. Este, naturalmente, continuou no governo depois do Golpe Militar de 1964.

Regime Militar[editar | editar código-fonte]

Com o regime militar e o bipartidarismo que se instalou no Brasil, a UDN, PDS e PTB foram dissolvidos. Os membros da UDN formaram a sub-legenda da Aliança Renovadora Nacional 1, a ARENA 1, enquanto os do PDS e PTB uniram-se na ARENA 2. Hélcio apoiaria, naturalmente, o candidato da ARENA 1, Álvaro Gomes de Castro Filho, que foi empossado em 1967. Este último marcou seu governo com ações ligadas à infraestrutura e educação.

Wilson de Souza Faria, candidato único pela ARENA, foi prefeito por apenas dois anos: 1971 a 1973. Seu sucessor foi Salvador Lopes, da tradicional ARENA 1, que já fora prefeito. Lopes priorizou a sede do município em detrimento do seu interior, fortalecendo a ARENA 2 que ganhara o apoio do Movimento Democrático Brasileiro. A consequência dessa política foi a eleição de José Soares de Queiroz, da ARENA 2, em 1977. O governo da ARENA 2 testemunhou um crescimento notável de Palmeiras, cujas ações na área de saúde ainda são visíveis, além da instalação da agência do Banco Bradesco. Com a emenda constitucional que dissolvia os partidos estabelecidos, criou-se o Partido Democrático Social 1, da ala do prefeito, e o PDS 2, da oposição. Seu mandato foi prorrogado por mais dois anos e fez sucessor: Hélcio de Matos Alves, em 1983.

O novo prefeito governou até a promulgação da Constituição agora vigente, em 1988. Concentrou-se sobretudo no interior do município, tendo como área de concentração a infraestrutura. Assistiu à fundação do Partido da Frente Liberal e o do Movimento Democrático Brasileiro.

Nova República[editar | editar código-fonte]

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O primeiro governo sob a nova constituição foi o de Jusselino Soares de Queiroz, do PFL, conhecido por priorizar a saúde pública, a construção de casas em mutirões e de prédios escolares nos povoados de Lavrinha e Esbarrancado. Sendo sucedido, em 1993, por Hélcio de Matos Alves do Partido Liberal (atual Partido da República). Este expurgou, através de demissões e transferências públicas, os funcionários que votaram contra sua candidatura, resultando em um clima de revolta e a apelações junto ao Direito do Trabalho, em Itaberaba. Fora isso, construiu algumas pontes e um cais no córrego de Mata Três.

A eleição de seu sucessor, Carlos Alberto da Silva Lopes, da coligação PFL-PTB, foi marcada por conflitos, sabotagem e outros problemas[parcial?]. Carlos Lopes governou de 1997 a 2004, tempo o qual o permitiu concluir a construção do então Hospital de Palmeiras (atual Centro de Saúde de Palmeiras), a expansão da rede elétrica no município, além de conclusão de escolas, obras de infraestrutura. Em sua segunda gestão, ele prosseguiu com contribuições relevantes na área de educação, incluindo a construção do estádio de futebol. Em 2002, infelizmente, houve um incêndio que acabou por atingir o Fórum Ruy Barbosa, destruindo o cartório historicamente mais valioso do município, e, no mesmo ano, outro incêndio destruiu um sobrado de estilo colonial na praça Dr José Gonçalvez. Saiu de seu mandato caçado em Novembro de 2003 por corrupção, pela câmara de Vereadores. Durante 4 anos ele ficou apagado politicamente, reaparecendo na candidatura de sua esposa Lena Lopes, onde foi derrotado. Após 8 anos ele volta como o principal apoio político de Adriano Queiroz (Didico 23) que assumiu a prefeitura em Janeiro de 2013. [carece de fontes?]

Até o dia 14 de Agosto de 2012 o município era governado por Marcos Vinícius Teles(PR), porém o mesmo sofreu processo de cassação junto com o vice José Soares Júnior (PTB) fazendo-se assumir a prefeitura a segunda colocada das eleições de 2008 Lena Lopes (PSDB).

Economia[editar | editar código-fonte]

Originalmente baseada na extração de pedras preciosas, a economia de Palmeiras tem sido incrementada pelo ecoturismo, tornando o setor de serviços o mais importante do município. A cidade também depende de muitos de seus filhos que trabalham fora dela e remetem dinheiro a ela.

Composição econômica do município de Palmeiras[6]
Serviços

74,41 %

Agropecuária

14,58 %

Indústria

11,01 %

Geografia[editar | editar código-fonte]

Palmeiras se localiza na Chapada Diamantina, na região das Lavras. Todo o seu território está incluído no Polígono das Secas, e parte está no Parque Nacional da Chapada Diamantina.

Relevo[editar | editar código-fonte]

Vale do Capão.

O município apresenta um relevo montanhoso de altitudes elevadas comparado ao restante do estado. Portanto, seu território é cortado por numerosas serras, entre elas estão Sincorá, Dois Braços, Santa Isabel, Lajedinho, do Pati, Brejões, Serra Negra, do Sobrado, do Tejuco, do Gonçalo, do Frio e Gitirinha.

Clima[editar | editar código-fonte]

Palmeiras, como boa parte da região central da Bahia, possui um clima seco. As temperaturas variam entre 17 °C e 27 °C. No inverno, a temperatura chega a 11º e até menos. O período chuvoso é de novembro a janeiro, e a precipitação média anual é de 600 a 1200 milímetros de água. Há alto risco de seca no município.

Vegetação e flora[editar | editar código-fonte]

Devido a devastação do solo e do subsolo, o município conta com uma topografia muito acidentada. Por causa de queimadas, uso indiscriminado de fertilizantes, agrotóxicos, e a atividade mineradora, não há mais uma homogeneidade da Mata Atlântica. Atualmente há um Mosaico Misto de Vegetação, composto por:

A flora do território é rica em plantas medicinais como umburana, mastruço, carqueja e outras.

Geologia[editar | editar código-fonte]

Há predominância de formações antigas com presença de rochas (arenitos e granitos). Também há carbonados, diamantes e outras pedras cristalinas principalmente nos leitos dos rios. Ao norte, há presença de terras argilosas, predominando rochas calcárias.

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  3. «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 25 de agosto de 2013 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  6. «Produto Interno Bruto dos Municípios 2006». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais. Consultado em 25 de dezembro de 2008.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)

Zenilda Pina (2005). Encontro com a Villa Bella das Palmeiras. Salvador, Bahia: Secretaria da Cultura e Turismo. p. 370. CDD 981.42