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Paraná

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Estado do Paraná
Bandeira do Paraná
Brasão de Armas do Paraná
(Bandeira) (Brasão)
Lema: "Que o povo aspire e o idolatre"
Hino: Hino do Paraná
Gentílico: paranaense

Localização do Paraná no Brasil

Localização
 - Região Sul
 - Estados limítrofes Mato Grosso do Sul (NO)
São Paulo (N e L)
Santa Catarina (S)
 - Mesorregiões 10
 - Microrregiões 39
 - Municípios 399
Capital Brasão de Curitiba.svg Curitiba
Governo
 - Governador(a) Beto Richa (PSDB)
 - Vice-governador(a) Cida Borghetti (PP)
 - Deputados federais 30
 - Deputados estaduais 54
 - Senadores Álvaro Dias (PV)
Gleisi Hoffmann (PT)
Roberto Requião (PMDB)
Área  
 - Total 199 307,922 km² (15º) [1]
População 2015
 - Estimativa 11 163 018 hab. ()[2]
 - Densidade 56,01 hab./km² (12º)
Economia 2010
 - PIB R$217.290.000 ()
 - PIB per capita R$20 813 ()
Indicadores 2010[3][4][5]
 - Esper. de vida 74,9 anos ()
 - Mort. infantil 12,0‰ nasc. ()
 - Analfabetismo 5,7% ()
 - IDH (2010) 0,749 () – alto [6]
Fuso horário UTC−03:00
Clima subtropical Cfa/Cfb
Cód. ISO 3166-2 BR-PR
Site governamental http://www.pr.gov.br

Mapa do Paraná

O Paraná é uma das 27 unidades federativas do Brasil, localizado ao norte da Região Sul, da qual é o único a ter área limítrofe com estados de outras regiões. Faz divisa com Mato Grosso do Sul a noroeste, São Paulo ao norte e ao leste, Santa Catarina ao sul, Argentina a sudoeste, Paraguai a oeste e oceano Atlântico a leste. Sua área é de 199 307,922 km², um pouco menor que a Romênia, país com formato semelhante. Está dividido em 39 microrregiões e 10 mesorregiões, subdivididos em 399 municípios. Sua capital é o município de Curitiba. Outros municípios importantes são Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel, São José dos Pinhais e Foz do Iguaçu. É o 4° estado mais rico do Brasil pelo PIB, ficando atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.[7]

Seu território que abrange toda a extensão da antiga República do Guairá à época do Império Espanhol, era a província mais nova do Império do Brasil, desmembrada de São Paulo em 1853, sendo primeiro presidente o senhor Zacarias de Góis e Vasconcelos. Foi criada por motivos diversos, podendo ser citados uma punição pela participação dos paulistas na Revolta Liberal de 1842, um acordo pelo apoio oferecido pelos paranaenses à Revolução Farroupilha e o cultivo lucrativo da erva-mate. É também o mais novo estado da Região Sul do Brasil, logo depois do Rio Grande do Sul (1807) e Santa Catarina (1738).

O estado é historicamente conhecido por sua grande quantidade de pinheirais espalhados pela porção do planalto sul, onde o clima é subtropical úmido, como nos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul enquanto o resto do Brasil é tropical. A espécie predominante na vegetação é a Araucaria angustifolia. Os ramos dessa árvore aparecem na bandeira e no brasão, símbolos adotados em 1947. Atualmente, esse ecossistema encontra-se muito destruído devido à ocupação humana.

O relevo do Paraná é dos mais altos do Brasil: 52% do território estadual tem altitude superior a seiscentos metros e somente 3% do território tem altitude inferior a trezentos metros. Os rios mais importantes do Paraná são o Paraná, o Iguaçu, o Ivaí, o Tibagi, o Paranapanema, o Itararé e o Piquiri e o clima do estado é classificado como temperado.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome do estado é derivado de "Paraná", termo da língua geral paraná, que significa "rio".[8] Refere-se ao rio Paraná, que delimita a fronteira oeste de seu território, onde ficava o salto de Sete Quedas (hoje submerso pela represa da Usina Hidrelétrica de Itaipu) na divisa com Mato Grosso do Sul, já na Região Centro-Oeste,[9] e com o Paraguai. O rio Paraná nasce da confluência dos rios Paranaíba e Grande, quase mais a oeste de Minas Gerais.[10] O potamônimo[nota 1] deu o nome à região, que foi elevada à categoria de província autônoma em 1853, desmembrando-se da Província de São Paulo, e à categoria de estado em 1889. A pronúncia "Paranã" era encontrada até há pouco tempo.[11][12] Os naturais do estado do Paraná são denominados paranaenses.[13]

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: História do Paraná

Período colonial[editar | editar código-fonte]

Capitanias hereditárias (Luís Teixeira. Roteiro de todos os sinais..., c. 1586. Lisboa, Biblioteca da Ajuda

A região ficou, no século XVI, esquecida por Portugal e uma grande diversidade de expedições de demais países fizeram-lhe uma visitação, buscando especialmente madeira de lei. As mais importantes destas expedições foram as espanholas, trazendo os religiosos da Companhia de Jesus, que fundaram centros de povoamento no oeste do Paraná, estado cujo território pertencia em grande parte à coroa Espanhola. Em 1554, Ontiveros, a uma légua do Salto das Sete Quedas, foi fundada por Domingo Martínez de Irala, Governador do Paraguai.[14] Posteriormente, a três léguas de Ontiveros, foi fundada a Ciudad Real del Guayrá, na foz do Rio Piquiri.[14] E em 1576, os espanhóis fundaram à margem esquerda do rio Paraná, Vila Rica do Espírito Santo.[14] Com três cidades e diversas "reduções" ou "pueblos" denominou-se a região com o status de "Provincia Real del Guaira".[15] Nos primeiros anos do século XVII, depois que se descobriu ouro em terras paranaenses e depois que os indígenas eram necessários para o trabalho escravo, os luso-brasileiros iniciaram a ocupação da região, por meio de bandeiras as quais saíam de São Vicente. Já em 1629, os estabelecimentos dos padres jesuítas, exceto Loreto e Santo Inácio, sofreram destruição completa dos bandeirantes paulistas[16] e, em 1632, Vila Rica, último reduto espanhol com capacidade oferecedora de resistência, sofreu cerco e destruição por Antônio Raposo Tavares.[17] Apenas em 1820 o território ocidental do Paraná foi entregue à coroa portuguesa passando a ser politicamente pertencente à Província de São Paulo, recebendo o nome de "Comarca de Curitiba".[18] No Paraná, uma região aurífera foi formada, antes que o ouro fosse descoberto em Minas Gerais. Os povoadores foram fixados assim no litoral como no primeiro planalto paranaense. O povoamento era mais concentrado em Paranaguá, núcleo, por certa época, da sociedade mais meridional da América Portuguesa, atual Brasil. Em 1693, Curitiba elevou-se à categoria de vila, sendo transformada em centro o qual comandaria a expansão territorial do Paraná. Era muito difícil explorar o ouro, porque relativamente não eram conhecidos os métodos de exploração e também porque a mão de obra era escassa, já que o indígena não tinha sido exterminado. Dessa forma, durante a descoberta de ouro em Minas Gerais, o ouro do Paraná deixou de ser totalmente importante.[19]

A Capitania de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá, fundada pelo Marquês de Cascais em 1656, substituiu a Capitania de Santana,[20][21] que, segundo o mapa elaborado por Cintra (2013, p. 27) teve início na foz da baía de Paranaguá e fim na atual cidade catarinense de Laguna,[20][22][23][24] tendo como limites a Capitania de Santo Amaro (parte da segunda seção de Capitania de São Vicente) ao norte,[20] as águas salgadas do oceano Atlântico a leste[25] e o Governo do Rio da Prata e do Paraguai a oeste,[26] estados extintos delimitados pelo Tratado de Tordesilhas.[25][27] O povo parnanguara começou a dedicar-se à lavoura e o curitibano, à pecuária. Curitiba prosperou porque era necessário alimentar e transportar os mineradores das Minas Gerais. Depois que o Caminho Viamão-Sorocaba, o qual fazia a ligação entre o Rio Grande do Sul e São Paulo por meio da região de Curitiba, foi aberto, teve início uma fase nova no passado histórico paranaense: o tropeirismo, o qual se prolongou pelos séculos XVIII e XIX. Disseminaram-se as fazendas de pecuária e a figura humana principal começou a ser o fazendeiro tropeiro, ou seja, aquele que vendia tropas de gado, principalmente muar.[19]

Período imperial[editar | editar código-fonte]

Dom Pedro II por volta dos 25 anos, dois anos antes da criação da província.

A comarca de Paranaguá e Curitiba, que integrava a Capitania de São Paulo, foi fundada em 19 de novembro de 1811. Mesmo depois que o Brasil foi proclamado independente, a região submetia-se continuamente à Província de São Paulo. Em 6 de fevereiro de 1842, Curitiba foi elevada à categoria de cidade por uma lei provincial paulista. Em 29 de agosto de 1853, enfim, o imperador Pedro II do Brasil aprovou o projeto que criou a Província do Paraná; Curitiba foi transformada em capital e Zacarias de Góis e Vasconcelos foi nomeado como o primeiro presidente da província. Naquele tempo, bem como o comércio de gado, a produção de erva-mate se expandiu muito. Devido à reduzida população provincial, foi iniciado um programa oficial de imigração europeia (especialmente poloneses, alemães e italianos), o qual colaborou para que a colonização e o aparecimento de economias novas fossem expandidas.[19]

No final do século XIX, a prosperidade econômica paranaense foi novamente impulsionada, depois que as ferrovias foram implantadas, porque isso possibilitou que a indústria de madeira crescesse, já que certas ferrovias faziam a ligação das matas de araucárias aos portos, como Paranaguá, e a São Paulo. Em igual tempo, o transporte de muares desapareceu e isso causou uma situação crítica na sociedade pastoril.[19]

Período republicano[editar | editar código-fonte]

Panteon dos Heroes, onde jazem os corpos dos legalistas que combateram no Cerco da Lapa.

Depois que a República foi proclamada (1889), intensificou-se o povoamento do Paraná, principalmente na região das terras roxas do norte do estado. Ali fazendas cafeeiras e cidades foram estabelecidas nos talvegues dos rios Paranapanema, Cinzas e Jataí. Durante a administração do presidente Floriano Peixoto, a Revolução Federalista e a Revolta da Armada repercutiram no Paraná, no qual foram travadas uma grande variedade de combates. Em 1912, iniciou-se a Guerra do Contestado, conflito de oposição entre os habitantes empobrecidos da região que situa-se dentre os rios Uruguai, Pelotas, Iguaçu e Negro e a forças oficiais. Bem como isso, o Paraná e Santa Catarina disputavam a região, motivando a denominação Contestado. A guerra somente acabou completamente em 1916.[19]

Os revolucionários de 1930, os quais puseram Getúlio Vargas como presidente do Brasil, não precisavam encarar grande resistência no Paraná. Na administração de Vargas, o único governante foi Manuel Ribas (duas vezes como interventor, uma como eleito), o qual mereceu destaque por realizar obras de importância. Nos anos 50, a ocupação territorial, que concluiu-se nos anos 60, foi efetivada.[19]

Antes de 1961, o Paraná era politicamente controlado por Moisés Lupion, por duas vezes governador (1947-1950, 1956-1961).[28] Lupion foi sucedido por Nei Amintas de Barros Braga, também, ocupante do cargo por duas vezes (1961-1966; 1979-1982).[29] Escolhido por voto popular nas eleições de 1982, José Richa foi governante do estado antes de 1986.[30] Depois vieram os governantes eleitos Álvaro Dias (1987-1991)[31] e Roberto Requião (desde 1991),[32] Requião ficou no cargo antes de abril de 1994,[32] data de sua substituição por Mário Pereira, que concluiu o mandato.[33] Em 1994, foi eleito o candidato pedetista, Jaime Lerner, que assumiu em janeiro de 1995, podendo ser reeleito em 1998.[34] Requião venceu as eleições em 2002, permanecendo no cargo até 2007, um ano depois de ser reeleito em 2006. Em 2010,[32] assumiu seu vice Orlando Pessuti, que completou o mandato.[35] Beto Richa foi eleito governador em 2010,[36][37][38][39] sendo reeleito em 2014.[40] O governo Beto Richa foi marcado por manifestações numa greve de professores e alunos da rede pública estadual em 2015.[41][42][43][44][45][46][47]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Geografia do Paraná

O Paraná é uma das 27 unidades federativas do Brasil, localizado a norte da região Sul, tendo como estatoides limítrofes os estados brasileiros de São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, os departamentos paraguaios de Canindeyú e Alto Paraná e a província argentina de Misiones.[48] A área do estado é de 199 307,922 km² (algumas fontes indicam 199 709,1 km²), equivalente a 2,34% do território brasileiro, onde 1 603,770 km² estão em perímetro urbano.[49]

O relevo do Paraná é formado por planaltos e planícies. Os planaltos ocupam a maior parte do território paranaense. Os principais planaltos são o Primeiro Planalto Paranaense no leste, o Segundo Planalto Paranaense no centro-leste e o Terceiro Planalto Paranaense no norte e no oeste. A principal planície é a Baixada Litorânea banhada pelo Atlântico.[50] As principais bacias hidrográficas do Paraná são: a bacia do rio Paraná, no oeste, a bacia do rio Paranapanema no norte, a bacia do rio Iguaçu no sul e as bacias do Atlântico Sudeste e do Atlântico sul no leste.[51]

Os principais climas do Paraná são: subtropical na porção sul planáltica e o tropical no norte, no nordeste, no noroeste, no oeste e no sudoeste.[52] O Paraná tem diferentes tipos de vegetação. Os principais são: a floresta ombrófila mista na porção sul planáltica, a vegetação litorânea na costa leste e a floresta tropical no norte, no nordeste, no noroeste, no oeste e no sudoeste, bem como os campos de Curitiba, Castro, Ponta Grossa, Guarapuava, Campo Mourão e Palmas.[53]

Geomorfologia e litoral[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Relevo do Paraná
Mapa físico do Paraná.

A terra roxa, o solo de maior fertilidade do Brasil, cobre 40% do território, no Norte do Paraná. Ela expandiu a cafeicultura, no estado, desde 1920. Tanto os solos das florestas como das formações campestres são inférteis. Nestes últimos, os agricultores estão usando tecnologias inovadoras para aproveitar melhor os solos.[54]

Mais de 52% do território do Paraná localiza-se numa altitude superior a 600m e 89% superiores a 300m; apenas três por cento localiza-se numa altitude inferior a 200m. As áreas aplainadas que dispõem-se às altitudes de maior elevação, as quais compõem planaltos de escarpas formando as serras do Mar e Geral, dominam o relevo do estado. Cinco unidades geomorfológicas são sucedidas do litoral ao interior, nessa ordem: baixada litorânea, serra do Mar, planalto cristalino, planalto paleozoico e planalto basáltico.[55]

A baixada litorânea constitui um cinturão de terras de menor altitude com mais de noventa quilômetros de comprimento médio. Abrange terrenos de menor altitude e de inundação (planícies de aluvião e areias) e morros cristalinos com mais de cinquenta metros de altitude. Em sua parte norte, a baixada litorânea encontra-se fragmentada para ser substituída pela baía de Paranaguá, cujo aspecto em formato de dedo é resultado da entrada do mar por meio de velhos vales de rios, ou seja, da formação de rias.[56] O Paraná possui 98 km de litoral, o segundo menor do Brasil, superado apenas pelo Piauí, com 68 praias,[57] além de 13 na ilha do Mel (embora, segundo o site Ilha do Mel Preserve, a ilha tenha mais 17 praias),[58] 18 em Pontal do Paraná,[59] 18 em Matinhos,[60] 4 em Caiobá[60] e 15 em Guaratuba.[61]

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Hidrografia do Paraná
Salto São Francisco, a maior queda d'água do sul do Brasil, com 196 metros.

A rede hidrográfica abrange rios que descem em direção ao litoral e rios que descem em direção a oeste, afluentes do rio Paraná. Os primeiros possuem cursos de água de pequena extensão, pois suas nascentes situam-se pouco distantes do litoral. Os de maior comprimento são os que vão em direção ao estado de São Paulo, onde engrossarão as águas do rio Ribeira de Iguape. A maioria da área do estado é, dessa forma, dominado pelos afluentes do rio Paraná, dos quais os de maior extensão são o Paranapanema, que limita-se com São Paulo, e o Iguaçu, que limita-se, parcialmente, com Santa Catarina e a província argentina de Misiones. Os limites ocidentais são assinalados pelo rio Paraná, a delimitar o estado homônimo a sudeste de Mato Grosso do Sul e a leste dos departamentos paraguaios de Alto Paraná e Canindeyú.[62]

O ponto de convergência dos limites de Mato Grosso do Sul-departamento paraguaio de Canindeyú, Paraná-Mato Grosso do Sul e Paraná-departamento paraguaio de Canindeyú era o local de encontro dos saltos de Sete Quedas, constituídos pelo rio Paraná logo na descida do planalto basáltico à garganta que o acompanhava à planície platina. Em 1982 o lago da represa de Itaipu pôs debaixo d'água os dois saltos,[63] mesmo depois que os ambientalistas protestaram.[64] Mais ao sul, o rio Iguaçu vai descendo do planalto basáltico dirigindo-se à mesma garganta. Constitui então os saltos do Iguaçu, que a barragem construída não afetou, por estar situada Itaipu a montante do encontro dos dois rios.[62]

Clima[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Clima do Paraná
Mapa climático do Paraná.
Curitiba é a capital mais fria do Brasil.[65] A temperatura mínima média da capital paranaense em julho é de 8,4 °C,[66] a máxima média de 26,7 °C em fevereiro[67] e a média anual de 16,5 °C.[68]

O Paraná caracteriza-se por três tipos climáticos: os climas Cfa, Cfb e Cwa da classificação de Köppen. O clima Cfa, subtropical com boa distribuição de chuvas anuais e verões de calor, acontece em ambas as porções diferentes do estado, na planície litorânea e nas partes de menor altitude do planalto, ou seja, em sua parte oeste. As temperaturas médias registradas por ano são de 19 °C e índice chuvoso de 1.500mm por ano, alguma coisa de maior elevação no litoral do que no interior.[69]

O clima Cfb, subtropical com boa distribuição de chuvas anuais e verões suaves, acontece na porção de maior elevação e abrange o planalto cristalino, o planalto paleozoico e a porção leste do planalto basáltico. As temperaturas médias anuais variam por volta de 17 °C e o índice chuvoso atinge mais de 1 200 mm por ano.[70]

O clima Cwa, subtropical com verões de calor e invernos de estiagem, tem como área de ocorrência a parte norte-ocidental do território estadual. É o que chama-se clima tropical de altitude, pois em contraposição aos dois descritos acima, cuja boa distribuição de chuvas é registrada ao longo do ano, este possui índice chuvoso característico dos regimes tropicais, com invernos de estiagem e verões de chuva. A média térmica por ano varia por volta de 20 °C e o índice chuvoso atinge 1 300 mm por ano. Quase todo o território estadual sujeita-se a um número superior a cinco dias de geada por ano, porém, na parte sul e nas porções de maior elevação dos planaltos é registrado um número superior a dez dias. A neve é um fenômeno raramente visto na região de Curitiba.[71]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Vegetação do Paraná
As florestas de araucárias são típicas da região Sul do Brasil e principalmente do Paraná.
Ilex paraguariensis.

Ambos os tipos de vegetação aparecem no Paraná: florestas e campos. As florestas são subdivididas em florestas tropicais e florestas subtropicais. Os campos, em campos limpos e campos cerrados. A floresta tropical é uma porção da Mata Atlântica, cobertura do total da fachada leste do Brasil com suas formações latifoliadas. No Paraná abrangia primitivamente uma área que equivale a 46% do estado, aí incluindo as partes de menor altitude (baixada litorânea, encostas da serra do Mar, vales do Paraná, Iguaçu, Piquiri e Ivaí) ou de mais baixa latitude (toda a porção norte do território estadual).[72]

Define-se por floresta subtropical como uma floresta mista, que compõe-se de formações de latifoliadas e de coníferas. O pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), não visível em agrupamentos puros, representa essas últimas. A floresta mista ou mata dos pinheiros revestia as partes de maior elevação do estado, ou seja, a porção mais extensa do planalto cristalino, o extremo leste do planalto basáltico e uma pequena porção do planalto paleozoico. Essa formação abrangia 44% do território do Paraná e ainda a porção dos estados paulista, catarinense e gaúcho. Hoje em dia, é a floresta mais economicamente explorada do Brasil, por ser a única que possui muitos indivíduos da mesma espécie (pinheiros) em conjuntos com densidade suficiente (apesar de não serem puros) para possibilitar fácil extração.[72]

Fora o pinheiro, a floresta ombrófila mista é considerada pelos geógrafos especializados em botânica como sendo uma cobertura vegetal oferecedora também de espécies latifoliadas economicamente valiosas, como a imbuia, o cedro e a erva-mate.[73] Nos últimos anos do século XX, somente uma diminuta porção das florestas continua existindo no estado.[73] A desflorestação para explorar madeira e formar campo para lavoura ou pastoreio quase eliminou completamente a floresta ombrófila mista. Os últimos remanescentes das florestas do Paraná são encontrados na planície litorânea, na encosta da serra do Mar e nos vales dos rios Iguaçu, Piquiri e Ivaí.[73]

Define-se por campos limpos como uma cobertura vegetal ocorrente sob o formato de manchas que se espalham por meio dos planaltos paranaenses. A de maior extensão dessas manchas é a dos que chamam-se campos gerais, cobertura do total da parte leste do planalto paleozoico e desenho de uma gigantesca meia-lua no mapa estadual de vegetação. Demais manchas de campo limpo são as de Curitiba e Castro, no planalto cristalino, as de Guarapuava, Palmas e demais, pequenas, no planalto basáltico. Os campos limpos abrangem mais de nove por cento do território do Paraná. Os campos cerrados são pouco expressivos no Paraná, onde abrangem área de maior redução — inferior a um por cento da superfície do estado. Constituem pequenas manchas no planalto paleozoico e no planalto basáltico.[73]

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Panorama aérea das cataratas do Iguaçu, fronteira Argentina-Brasil.

No Paraná, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade existem 29 unidades de conservação, sendo 5 parques nacionais, 2 estações ecológicas, 3 florestas nacionais, 2 áreas de proteção ambiental, 1 refúgio de vida silvestre e 14 reservas biológicas.[74]

15 das 29 unidades de conservação administradas pelo governo brasileiro, através do IBAMA, órgão vinculado pelo Ministério do Meio Ambiente, são o Parque Nacional do Iguaçu, (em Foz do Iguaçu, São Miguel do Iguaçu, Serranópolis do Iguaçu, Matelândia e Céu Azul),[75] o Parque Nacional de Ilha Grande (em Altônia, São Jorge do Patrocínio, Vila Alta e Icaraíma),[76] o Parque Nacional do Superagui (em Guaraqueçaba, Paranaguá e Antonina),[77] o Parque Nacional dos Campos Gerais (em Ponta Grossa, Castro e Carambeí),[78] o Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (em Matinhos, Guaratuba, Paranaguá e Morretes),[79] a Floresta Nacional de Açungui (em Campo Largo),[80] a Floresta Nacional de Irati, (em Teixeira Soares e Fernandes Pinheiro),[81] a Floresta Nacional de Piraí do Sul (em Piraí do Sul),[82] a Área de Proteção Ambiental de Guaraqueçaba (em Guaraqueçaba, Antonina e Paranaguá),[83] a Área de Proteção Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná, (em Diamante do Norte, Marilena, Nova Londrina, Porto Rico, Querência do Norte e São Pedro do Paraná),[84] a Estação Ecológica de Guaraqueçaba (em Guaraqueçaba),[85] a Estação Ecológica da Mata Preta (em Clevelândia e Palmas)[86] a Reserva Biológica das Perobas (em Tuneiras do Oeste e Cianorte),[87] a Reserva Biológica das Araucárias (em Imbituva, Ipiranga e Teixeira Soares)[88] e o Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas (em Palmas e General Carneiro).[89]

Fauna[editar | editar código-fonte]

Segundo o ambiente geográfico são distintos, na fauna paranaense, animais de vida:[90]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Demografia do Paraná
Crescimento populacional
Censo Pop.
1872 126 722
1890 249 491 96,9%
1900 327 136 31,1%
1920 685 711 109,6%
1940 1 236 276 80,3%
1950 2 115 547 71,1%
1960 4 296 375 103,1%
1970 6 997 682 62,9%
1980 7 749 752 10,7%
1991 8 443 299 8,9%
2000 9 558 454 13,2%
2010 10 444 526 9,3%
Fonte: IBGE[91]

Segundo o censo demográfico de 2010 realizado pelo IBGE, em 2010, o Paraná contava 10 439 601 habitantes, sendo o sexto estado mais populoso do Brasil (depois de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul), concentrando 5,47% da população brasileira.[92][93] Segundo o mesmo censo, 5 128 503 habitantes eram homens e 5 311 098 habitantes eram mulheres.[92] Ainda segundo o mesmo censo, 8 906 442 habitantes viviam na zona urbana e 1 533 159 na zona rural.[92] Em dez anos, o estado registrou uma taxa de crescimento populacional de 9,27%.[94]

Em relação ao ano de 1991, quando a população era de 8 443 299,[95] esses números mostram uma taxa de crescimento anual de 1,4%, inferior a do Brasil como um todo (1,6% para o ano de 2000).[96] Segundo o censo de 2000, o Paraná é o sexto estado mais populoso do Brasil e concentrava 5,63% da população brasileira.[96] Do total da população do estado, 4 826 038 habitantes são mulheres e 4 737 420 habitantes são homens.[97] Para 2000, a estimativa é de 9 558 454 habitantes.[98] Cerca de 85,3% dos habitantes do estado moram nas cidades.[99]

A explicação para o motivo desse crescimento é essa: a população paranaense não só aumentou naturalmente, mas também o estado recebeu a imigração de colonos que vieram principalmente de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais. Os paulistas, os gaúchos, os catarinenses e os mineiros tiveram atração pela fertilidade dos solos de matas ainda virgens.[100]

Densidade demográfica do Paraná.
  0-25 hab/km²
  25-50 hab/km²
  50-100 hab/km²
  100-150 hab/km²
  150-200 hab/km²
  200-300 hab/km²
  300-400 hab/km²
  400-500 hab/km²
  > 500 hab/km²

A densidade demográfica no estado, que é uma divisão entre sua população e sua área, é de 52,37 habitantes por quilômetro quadrado, sendo a décima segunda maior do Brasil e com uma densidade comparada à do país africano Burkina Faso.[101] A maior parte da população do estado se concentra na Mesorregião Metropolitana de Curitiba, que corresponde à região leste paranaense, com mais de 30% da população paranaense.[102]

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do estado, considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), é de 0,820, sendo o sexto maior do Brasil e o menor da Região Sul.[103] Considerando apenas a educação, o índice é 0,913 (o brasileiro é 0,849); o índice de longevidade é 0,809 (o brasileiro é 0,638) e o índice de renda é 0,739.[103] A renda per capita é de 16 928 reais.[104] Entre 1991 e 2000, o estado registrou uma forte evolução tanto no seu IDH geral quanto na educação, longevidade e renda, critérios utilizados para calcular o índice.[105] A educação foi o critério que mais evoluiu em nove anos, de 0,778 em 1991 para 0,879 em 2000, e em 2005 o valor passou a ser 0,913.[105] Depois da educação, vem a longevidade, que em 1991 tinha um valor de 0,678, passando para 0,747 em 2000 e 0,809 em 2005.[103][105] E, por último, vem a renda, o critério que menos evoluiu entre 1991 (0,678) e 2000 (0,736),[105] subindo para 0,739 em 2005.[103] Quanto ao IDH-M, que é uma média aritmética dos três subíndices, a evolução também foi significativa, passando de 0,711 em 1991 para 0,787 em 2000, e em 2005 o valor passou para 0,820, saindo da categoria de médio IDH e atingindo o patamar de Índice de Desenvolvimento Humano elevado.[103][105] O município com o maior IDH é Curitiba, capital do estado, com um valor de 0,856, enquanto Ortigueira, situado na Mesorregião do Centro Oriental Paranaense, tem o menor valor (0,620).[106]

O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, é de 0,47, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor.[107] A incidência da pobreza, medida pelo IBGE, é de 39,07%, o limite inferior da incidência de pobreza é de 35,86% o superior é 42,27% e a subjetiva é 25 47%.[107]

Religiões[editar | editar código-fonte]

Catedral de Maringá, o segundo monumento mais alto da América do Sul.

De acordo com o censo demográfico de 2010, da população total do estado, existiam 7 268 935 católicos apostólicos romanos (69,60%), 2 316 213 evangélicos (22,18%), 108 805 espíritas (1,04%), 60 190 testemunhas de Jeová (0,58%), 15 295 budistas (0,15%), 8 949 umbandistas e candomblecistas (0,09%), 19 842 católicos apostólicos brasileiros (0,19%), 10 057 novos religiosos orientais (0,10%), 21 448 mórmons (0,21%), 8 706 islâmicos (0,08%), 7 218 católicos ortodoxos (0,07%), 4 122 judaístas (0,04%), 2 656 espiritualistas (0,03%), 2 466 esotéricos (0,02%), 1 946 pertencentes a tradições indígenas (0,02%) e 158 hinduístas (0,00%). Existiam ainda 485 086 pessoas sem religião (4,64%), 36 571 com religião indeterminada ou múltiplo pertencimento (0,35%), 7 266 não souberam (0,07%) e 548 não declararam (0,01%).[108]

Segundo a divisão da Igreja Católica no Brasil, o Paraná pertence à Regional Sul II e seu território é dividido em quatro províncias eclesiásticas e quatro arquidioceses[109] (Cascavel, Curitiba, Londrina e Maringá), mais 14 dioceses.[109]

Religião no Paraná[108]
Religião Porcentagem
Catolicismo romano
  
69,60%
Protestantismo
  
22,18%
Sem religião
  
4,64%
Espiritismo
  
1,04%
Outros
  
2,86%

O Paraná também possui os mais diversos credos protestantes ou reformados. Do total de evangélicos, 1 399 764 pertenciam às evangélicas de origem pentecostal (13,40%), 471 742 a igrejas evangélicas não determinadas (4,52%) e 444 707 às evangélicas de missão (4,26%). Dentre o total de seguidores das igrejas evangélicas pentecostais, 467 274 pertenciam à Assembleia de Deus (4,47%), 270 167 à Congregação Cristã do Brasil (2,59%), 195 069 ao Evangelho Quadrangular (1,87%), 75 638 à Universal do Reino de Deus (0,72%), 64 921 à Igreja Deus é Amor (0,62%), 26 563 à Igreja O Brasil para Cristo (0,25%), 16 125 a comunidades evangélicas (0,15%), 2 352 à Casa da Bênção (0,02%), 4 733 à Maranata (0,05%), 401 à Nova Vida (0,00%), 3 586 a igrejas pentecostais renovadas não determinadas (0,03%) e 272 935 a outras igrejas pentecostais (2,61%). Em relação às evangélicas de missão, 117 630 eram batistas (1,13%), 104 885 adventistas (1,00%), 97 952 presbiterianos (0,94%), 24 875 metodistas (0,24%), 88 467 luteranos (0,85%), 4 419 congregacionais (0,04%) e 6 480 distribuídos em outras igrejas de missão (0,06%). Havia ainda 56 117 pertencentes a outras religiosidades cristãs (0,01%).[108]

Entre as novas religiões orientais, a mais predominante era a Igreja Messiânica, com 5 345 seguidores (0,05%). Dentre os sem religião, 30 900 eram ateus (0,30%), 6 236 eram agnósticos (0,06%) e 447 950 não eram ateus nem agnósticos (4,29%). 34 085 possuíam religião indeterminada ou mal definida (0,33%) e 2 487 declararam possuir múltiplas religiões.[108]

Composição étnica, migração e povos indígenas[editar | editar código-fonte]

Grupos étnicos no Paraná[110]
Etnia Porcentagem
Brancos
  
70,06%
Pardos
  
25,35%
Pretos
  
3,15%
Amarelos
  
1,19%
Indígenas
  
0,25%

Conforme pesquisa de autodeclaração do censo de 2010, 7 317 309 paranaenses eram brancos (70,06%), 2 647 895 pardos (25,35%), 328 949 pretos (3,15%), 124 279 amarelos (1,19%), 25 787 indígenas (0,25%) e 307 sem declaração (0,00%).[110] Considerando-se a nacionalidade, 10 415 925 eram brasileiros (99,73%) e 28 601 eram estrangeiros (0,27%). Entre os brasileiros, 10 394 109 eram natos (99,52%) e 21 816 naturalizados (0,21%).[111] Em relação à região de nascimento, 9 243 395 no Sul (88,50%), 795 139 no Sudeste (7,61%), 200 074 no Nordeste (1,92%), 72 888 no Centro-Oeste (0,70%) e 26 385 no Norte (0,25%).[97] 8 667 283 nasceram no próprio estado (82,98%) e 1 777 243 em outras unidades da federação e/ou no exterior (17,02%).[112] Muitas pessoas migram de outros estados brasileiros para Paraná em busca de trabalho ou melhores condições de vida. O estado com maior presença em território paranaense, em 2010, era São Paulo, com 552 191 residentes (5,29%), seguido por Santa Catarina, com 296 354 (2,84%), e pelo Rio Grande do Sul, com 279 758 (2,68%).[97]

De Immigrant (O Imigrante), moinho em estilo holandês na colônia neerlandesa de Castrolanda, em Castro.

A população do Paraná é composta basicamente por caucasianos, pardos, afro-brasileiros e povos indígenas.[113] No Brasil colonial, os colonizadores espanhóis foram os primeiros a iniciar o povoamento no território paranaense.[114] O Paraná foi colonizado por portugueses e demais imigrantes europeus (italianos, alemães, poloneses, ucranianos) e asiáticos (japoneses e árabes).[113] Há também minorias de imigrantes neerlandeses, coreanos, chineses, búlgaros, russos, franceses, chilenos, argentinos e muitos outros.[113] Em 2010, 106 099 pessoas emigraram do estado do Paraná para outros países, sendo 24 351 para a Europa (53,10%), 8 618 para a América do Norte (18,79%), 7 572 para a Ásia (16,51%), 812 para a Oceania (1,77%) 3 774 para outros países da América do Sul, (8,23%) 434 para a África (0,95%) e 268 para a América Central (0,58%). Entre os principais países destino estão os Estados Unidos, com 7 632 emigrantes (16,64%), o Japão, com 7 019 (15,30%), e o Reino Unido, com 4 831 (10,53%).[115]

Atualmente vivem no estado do Paraná 9 015 indígenas, distribuídos em dezenove grupos, que ocupam área de 85 235,030 hectares de extensão. Um total de 17 áreas já se encontram demarcadas definitivamente pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), órgão do governo brasileiro responsável pela questão, e nelas se encontra a totalidade dos indígenas residentes no estado.[116] São os seguintes os grupos indígenas residentes no estado do Paraná e suas respectivas áreas: Apucarana, Ava Guarani, Barão de Antonina, Faxinal, Ilha da Cotinga, Ivaí, Laranjinha, Mangueirinha, Marrecas, Ocal, Palmas, Pescada, Pinhalzinho, Queimadas, Rio Areia, Rio das Cobras, São Jerônimo, Superagüi, Tekoha-Añetetê e Tibagy/Mococa.[116]

De acordo com um estudo de 2006, a composição genética do Paraná é a seguinte: 79% de herança europeia, 14% de herança africana e 7% de herança indígena.[117] Um estudo mais recente, de 2013, encontrou 71,0% de contribuição europeia, 17,5% africana e 11,5% ameríndia.[118]

Hierarquia urbana[editar | editar código-fonte]

O território do Paraná situa-se dentro da área influenciada pela cidade de São Paulo. A metrópole paulista lidera a economia paranaense através das cidades de Ourinhos, em São Paulo, e Jacarezinho, Maringá, Londrina e Curitiba, no Paraná. Ourinhos e Jacarezinho exercem domínio, em grupo, sobre a parte leste do norte do Paraná; Londrina a parte central da região, e Maringá, o oeste.[119]

Curitiba domina o total do restante do estado do Paraná e ainda quase o total do estado de Santa Catarina, menos na porção oriental a região de Tubarão e, na parte ocidental, a de Chapecó. A capital age, na área influenciada pelo Paraná, diretamente ou através dos centros intermediários de Ponta Grossa e Pato Branco. A área de influência direta compreende o total das porções oriental e sul-oriental do estado. Pato Branco domina a parte sul-ocidental, e Ponta Grossa, o total das porções central e ocidental.[119]

Problemas atuais[editar | editar código-fonte]

O desenvolvimento social e econômico do Paraná, a par de transformar o estado em um dos mais ricos do Brasil, acarretou também os seguintes fenômenos:

  • Saúde: com 48% do total,[120] os problemas da saúde no estado são os seguintes: os médicos somente atendem os pacientes nas grandes cidades, um plano de carreira é ausente, há déficit no serviço psiquiátrico, o governo não investe muito em políticas de prevenção e, sobretudo, existe a insuficiência de verbas;[121]
Mapa da violência no Paraná.

Governo e política[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Política do Paraná
Beto Richa, do PSDB, é o atual governador.

O estado do Paraná, assim como uma república, é governado por três poderes, o executivo, representado pelo governador, o legislativo, representado pela Assembleia Legislativa do Paraná, e o judiciário, representado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná e outros tribunais e juízes. Também é permitida a participação popular nas decisões do governo através de referendos e plebiscitos.[127]

A atual constituição do estado foi promulgada em 1989, acrescida das alterações resultantes de posteriores emendas constitucionais.[128]

O poder executivo paranaense está centralizado no governador do estado, que é eleito em sufrágio universal e voto direto e secreto, pela população para mandatos de até quatro anos de duração, e pode ser reeleito para mais um mandato.[128] Sua sede é o Palácio Iguaçu, que desde 18 de dezembro de 2010 é novamente a sede do governo paranaense.[129] Quatro anos anteriores à retomada do edifício, o poder executivo fora transferido temporariamente para o Palácio das Araucárias, em 14 de maio de 2007.[129] O Palácio Iguaçu foi inaugurado em 1953, em homenagem às comemorações do centenário da emancipação política do estado.[130] A residência oficial do governador é a Granja do Canguiri.[131] Desde o começo do período republicano, assumiu pela primeira vez o governo do estado o fluminense Francisco José Cardoso Júnior, que esteve no poder entre 17 de novembro e 4 de dezembro de 1889. Foi apenas no ano de 1947 onde ocorreu a posse do primeiro governador eleito por sufrágio universal, Moisés Lupion, eleito pela segunda vez para um mandato entre 1956 e 1961.[132] Nos últimos anos, o cargo de governador tem sido exercido por Beto Richa, paranaense natural de Londrina.[133] Ele foi eleito no primeiro turno das eleições 2010,[134] com 52,44% dos votos válidos, equivalente a 3 039 774 votos, derrotando os candidatos Osmar Dias (2 645 341 votos, 45,63%) e Paulo Salamuni (81 576 votos, 1,41%), sucedendo Orlando Pessuti, que assumiu o cargo em 1º de abril de 2010, após a renúncia do governador Beto Richa para se candidatar ao governo do estado.[135] Em 2014, Beto Richa foi reeleito no primeiro turno, com 55,67% dos votos válidos (3.301.322 votos).[136] Além do governador, há ainda no estado a função de vice-governador, que substitui o governador caso este renuncie sua posição, seja afastado do poder ou precise afastar-se do cargo temporariamente. Atualmente, o cargo é exercido por Cida Borghetti.[137]

O poder legislativo do Paraná é unicameral,[128] constituído pela Assembleia Legislativa do Paraná,[128] localizado no Centro Legislativo Presidente Aníbal Khury.[nota 2] Ela é constituída por 54 deputados, que são eleitos a cada 4 anos.[128] No Congresso Nacional, a representação paranaense é de 3 senadores[138] e 30 deputados federais.[139]

O poder judiciário tem a função de julgar, conforme leis criadas pelo legislativo e regras constitucionais brasileiras, sendo composto por desembargadores, juízes e ministros.[140] A maior corte do Poder Judiciário paranaense é o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, localizado no Centro Cívico.[141]

Com base em dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral divulgou um balanço, em 4 de outubro de 2007, listando os estados com o maior número de parlamentares cassados por corrupção desde o ano 2000. O Paraná ocupa a décima-quarta posição na lista, com 16 parlamentares cassados, atrás somente de Roraima (17 cassações) e de Mato Grosso do Sul (18 cassações).[142] Ainda de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o estado possuía, em novembro de 2013, 7 873 088 eleitores, o que representa 5,380% dos eleitores do país, sendo um dos maiores colégios eleitorais do Brasil.[143]

O Paraná está dividido em 399 municípios.[144] O mais populoso deles é a capital, Curitiba, com 1,8 milhão de habitantes,[92] sendo o município mais rico do estado e da Região Sul do Brasil.[145] Sua região metropolitana possui aproximadamente 3,6 milhões de habitantes, com pouco mais de um terço da população do estado.[92]

Política do Paraná
O Palácio Iguaçu, em Curitiba, foi a sede do governo do Paraná de 1953 a 2007 e desde 18 de dezembro de 2010 voltou a ser novamente o que é hoje.
A Assembleia Legislativa como vista da Avenida Cândido de Abreu, em Curitiba.

Símbolos estaduais[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Bandeira do Paraná

Os símbolos do estado do Paraná são: a bandeira, o brasão, o hino e o sinete.[128]

A bandeira do Paraná foi desenhada por artista Paulo de Assunção e apresentada em uma seção realizada na Assembleia Legislativa do Paraná em 3 de julho de 1891 e oficializada por força do decreto estadual nº 8, de 9 de janeiro de 1892,[146] e tinha em seu centro o emblema, que foi oficialmente usado até 1905.[147] Aprovada pelo decreto-lei estadual nº 2.457, de 31 de março de 1947, ela não é classificada entre as heráldicas, por não ter contido nela escudo, mas, se não fosse simbolicamente defeituosa como David Carneiro tem defendido seu apontamento na Gazeta do Povo, em 1973,[148] sua descrição heráldica seria assim como foi descrita a Bandeira do Brasil por José Feliciano Ferreira, de acordo com as normas heráldicas:[149]

Em campo de sinople, uma banda de prata, descendente da dextra para a sinistra, carregada no centro de um globo ou roel de blau, com letras de sinople em faixa de prata, ondeando oblíqua da dextra para a sinistra; e cinco estrelas, das quais formam o Cruzeiro do Sul em pala (a passar no meridiano). Como suporte do globo ou roel de blau, à dextra, um ramo de Ilex paraguariensis frutificado, e à sinistra, um ramo de Araucaria angustifolia.[146]

O brasão atual, composto por escudo português apresentando um campo vermelho, cor das terras férteis setentrionais do estado, onde a figura de um lavrador cultiva o solo. Acima deste um sol nascente, que simboliza a liberdade, e três picos simbolizando a grandeza, a sabedoria, e a nobreza do povo, bem como, os três planaltos paranaenses: o Oriental ou de Curitiba; o Central ou dos Campos Gerais; o Ocidental ou de Guarapuava. Servindo como suporte para o brasão, estão dois ramos verdes. À direita, o pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia) e à esquerda, a erva-mate (Ilex paraguariensis).[150] No brasão aparece como timbre a figura de uma harpia (Harpia harpyja) que encontrou no estado condições para se reproduzir naturalmente, estando hoje em via de extinção. O símbolo foi anexado através da Lei n° 904, de 21 de março de 1910 e modificado várias vezes, chegando a ser anexado na bandeira na mesma data da adoção do símbolo (31 de março de 1947) e restabelecido em 27 de maio de 2002, por meio do decreto-lei n° 5 713, após a decisão de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da Lei Complementar n.º 52, de 24 de setembro de 1990.[150]

Criou-se o Hino do Paraná em 1903[151] e instituiu-se por meio do decreto-lei estadual nº 2.457,[152] com letra de Domingos Nascimento e música de Bento Mossurunga.[153]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Mais informações: Litígio territorial do Paraná

O Paraná é dividido em dez mesorregiões, 39 microrregiões e 399 municípios, segundo o IBGE.[154] Surgiu como unidade administrativa em 1853 com duas cidades, sete vilas, seis freguesias e quatro capelas curadas, sendo o município mais antigo, Paranaguá, fundado em 1648, e o último desse período foi Araucária, criado em 1890.[155] Com a Independência do Brasil as províncias foram organizadas em 1823 e nesse ano o território já pertencia à Capitania de São Paulo.[156] Durante todo o período republicano do Brasil o estado passou de dezenove localidades para 399 municípios que a partir da constituição de 1988 passaram a serem unidades constitutivas da união em patamar igual aos estados.[157]

Mesorregiões, microrregiões e municípios[editar | editar código-fonte]

Imagem mostrando a divisão do Paraná em mesorregiões, microrregiões e municípios.

Uma mesorregião é uma subdivisão dos estados brasileiros que congrega diversos municípios de uma área geográfica com similaridades econômicas e sociais. Foi criada pelo IBGE e é utilizada para fins estatísticos e não constitui, portanto, uma entidade política ou administrativa. Oficialmente, as dez mesorregiões do estado são: Centro Ocidental Paranaense, Centro Oriental Paranaense, Centro-Sul Paranaense, Metropolitana de Curitiba, Noroeste Paranaense, Norte Central Paranaense, Norte Pioneiro Paranaense, Oeste Paranaense, Sudeste Paranaense e Sudoeste Paranaense.[158]

Já uma microrregião é, de acordo com a Constituição brasileira de 1988, um agrupamento de municípios limítrofes, com a finalidade de integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum, definidas por lei complementar estadual. O Paraná é dividido em 39 microrregiões: Apucarana, Assaí, Astorga, Campo Mourão, Capanema, Cascavel, Cerro Azul, Cianorte, Cornélio Procópio, Curitiba, Faxinal, Floraí, Ibaiti, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Goioerê, Guarapuava, Ivaiporã, Irati, Jacarezinho, Jaguariaíva, Lapa, Londrina, Maringá, Palmas, Paranaguá, Paranavaí, Pitanga, Pato Branco, Ponta Grossa, Porecatu, Prudentópolis, Rio Negro, São Mateus do Sul, Telêmaco Borba, Toledo, União da Vitória, Umuarama e Wenceslau Braz.[159] Ao todo, o Paraná é dividido em 399 municípios, sendo a quinta unidade de federação com o maior número de municípios e a segunda da Região Sul do Brasil (atrás do Rio Grande do Sul e na frente de Santa Catarina.[160]

Regiões administrativas e metropolitanas[editar | editar código-fonte]

Durante a década de 2010, por sucessivas leis estaduais, foram criadas e alteradas regiões de gestão e planejamento, estabelecidas com o objetivo de centralizar a atividades das secretarias estaduais. Seus limites nem sempre coincidem com os das mesorregiões e microrregiões do Paraná.[161] As vinte e duas regiões administrativas do estado são: Paranaguá, Curitiba, Ponta Grossa, Jacarezinho, Londrina, Apucarana, Cianorte, Maringá, Paranavaí, Umuarama, Campo Mourão, Cascavel, Cornélio Procópio, Francisco Beltrão, Pato Branco, Guarapuava, União da Vitória, Irati, Toledo, Ivaiporã, Laranjeiras do Sul, e Pitanga.[161]

Uma região metropolitana ou área metropolitana é um grande centro populacional, que consiste em uma (ou, às vezes, duas ou até mais) grande cidade central (uma metrópole), e sua zona adjacente de influência. Geralmente, regiões metropolitanas formam aglomerações urbanas, uma grande área urbanizada formada pela cidade núcleo e cidades adjacentes, formando uma conurbação, a qual faz com que as cidades percam seus limites físicos entre si, formando uma imensa metrópole, que na qual o centro está localizado na cidade central, normalmente aquela que dá nome à região metropolitana. Oficialmente, existem oito regiões metropolitanas no Paraná: Apucarana, Campo Mourão, Cascavel, Curitiba, Londrina, Maringá,[162] Toledo e Umuarama.[163]

Economia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Economia do Paraná
Ver também: Turismo no Paraná
Exportações do Paraná - (2012)[164]

Em 2013, o Paraná possuía o quinto PIB do Brasil, com 179 270 000 bilhões de reais, representando 5,90% do PIB nacional no ano de 2005, contra 6,4% em 2003. Entretanto o crescimento do PIB paranaense vem apresentando sinais de desaquecimento nos últimos dois anos. Em 2003 a variação real foi de 5,2% em relação ao ano anterior. No ano seguinte, 2004, houve variação de 3,2%. Em 2005 a variação estimada pelo IPARDES é de apenas 0,3%. Essa desaceleração pode ser atribuída às crises no campo que vêm atingindo o estado nos últimos anos, e que acabam refletindo no comércio, serviços e até indústria. Cerca de 15% do PIB paranaense provém da agricultura. Outros 40% vem da indústria e os restantes 45% vem do setor terciário. Em 2007 apresenta um crescimento de mais de 7% do PIB, um dos melhores do país naquele ano.[165] Quanto a sua pauta de exportações, no ano de 2012 os principais produtos exportados foram a Soja (18,73%), Carne de Aves (10,50%), Açúcar in Natura (8,09%), Farelo de Soja (8,00%) e Milho (6,36%).[166]

As principais atividades econômicas são a agricultura (cana-de-açúcar, milho, soja, trigo, café, tomate, mandioca), a indústria (agroindústria, indústria automobilística, papel e celulose) e o extrativismo vegetal (madeira e erva-mate).[167] o Paraná tinha em 2009, o quarto maior PIB do Brasil, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.[168]

Setor primário[editar | editar código-fonte]

O setor primário é o menos relevante para a economia paranaense: em 2013, a agropecuária representava somente 10,4% do valor total adicionado à economia de todo o estado.[165] O setor agropecuário do Paraná tem grande diversificação e alta produtividade, bem como um progressivo setor industrial.[169][170] É o estado brasileiro que mais produz milho e soja e o segundo produtor de cana-de-açúcar.[171]

Plantação de soja em Guarapuava.

Os mais importantes produtos da agricultura paranaense são o trigo, o milho e a soja,[171] riquezas das quais foram obtidos recordes de safra, competindo com os demais estados.[171] O cultivo da soja é a de menor antiguidade das três e foi expandida tanto no norte como no oeste do estado, e depois no sul.[172] Tem importância, também, que o algodão herbáceo é especialmente produzido no norte.[172] A cafeicultura, que é uma das principais atividades agrícolas do estado, caso não desfrute da mesma grandiosidade de antigamente (o Paraná, sozinho, já chegou a produzir 60% do café de todo o mundo), ainda faz com que o Paraná continue sendo um dos principais produtores da federação brasileira.[173] As plantações mais densas de café revestem a área a oeste de Apucarana.[172] Em segundo lugar, o café é produzido nos terrenos da área zoneada de Bandeirantes, Santa Amélia e Jacarezinho.[172]

No que se refere à pecuária, o Paraná dispõe de uma imensa bovinocultura e é um dos estados brasileiros que mais criam porcos, principalmente no centro, sul e leste do estado.[174] Nos últimos vinte anos, a bovinocultura e a suinocultura foram muito expandidas.[172] Como nos demais estados da região Sul do Brasil, diferem, no Paraná, os modos de utilização das terras campestres ou florestais.[172] Geralmente, nas zonas campestres, a pecuária extensiva é praticada; nas zonas florestais, as plantações e pastos artificiais para engordar o gado são desenvolvidas.[172] No Paraná, a quantidade produzida de ovos, de casulos do bicho-da-seda, mel e cera de abelha ainda é expressiva.[174]

O subsolo paranaense possui grandes riquezas minerais. Há reservas significativas de areia, argila, calcário, caulim, dolomita, talco e mármore, bem como demais menores (baritina, cálcio). A bacia carbonífera é a terceira do Brasil, e a de xisto, a segunda. Em relação aos minerais metálicos, mediram-se depósitos de chumbo, cobre e ferro.[175]

Setor secundário[editar | editar código-fonte]

Embora o estado possua um grande parque industrial, na economia paranaense o setor secundário é atualmente o segundo menos relevante: em 2013, a participação da indústria representava somente 26,02% do valor total adicionado à economia de todo o estado.[165]

Em meados do século XX, as atividades econômicas da indústria impulsionaram consideravelmente a economia do Paraná.[176] Foi em consequência desse impulso que a urbanização cresceu, não somente na área ao redor de Curitiba, como em polos interioranos, exemplificando, Ponta Grossa — maior parque industrial do interior —, Londrina, Cianorte e Cascavel.[172] Os mais importantes gêneros industriais são o de alimentos e o madeireiro.[172] Curitiba é o município que possui mais indústrias e os mais importantes setores de sua atividade industrial são os de alimentos e de móveis, o madeireiro, de minerais não-metálicos, de produtos químicos e de bebidas.[172] Na Região Metropolitana de Curitiba, em São José dos Pinhais, encontram-se ainda unidades industriais (montadoras) da Volkswagen-Audi e da Renault, ambas de grande porte.[177] O setor madeireiro espalha-se no interior, com importantes centros em União da Vitória, Guarapuava e Cascavel.[172]

O centro mais expressivo dos alimentos produzidos é Londrina, sendo também muito importante a atividade em Ponta Grossa, considerado um dos maiores parques moageiros de milho e soja da América Latina.[172] A mais importante indústria do estado é a Companhia Fabricadora de Papel do grupo Klabin, que instalou-se no conjunto da Fazenda Monte Alegre, no município de Telêmaco Borba.[178]

Setor terciário[editar | editar código-fonte]

O Porto de Paranaguá é responsável pela maior parte das exportações paranaenses para o comércio exterior.

O setor terciário é o maior e mais relevante setor da economia paranaense: em 2013, a participação dos serviços representava 63,4% do valor total adicionado à economia de todo o estado.[165]

Segundo a Pesquisa Anual de Serviços (PAS) realizada pelo IBGE em 2013, existiam no estado 94 352 empresas,[179] das quais 4 413 eram empresas locais.[180]

Em 2013, trabalharam para todas essas empresas 712 191 trabalhadores, que totalizavam ao todo uma receita bruta de 75 551 590 mil reais, juntos com salários e outras remunerações que somavam um total de 13 442 569 reais.[179]

No Paraná, existiam, em 2015, 1 559 agências (instituições financeiras), que renderam R$ 143 521 153 112 mil em operações a crédito, R$ 211 648 844 mil em depósitos à vista do governo, R$ 8 972 412 757 mil em depósitos à vista privados, R$ 37 528 225 778 mil em poupança, R$ 42 277 904 694 mil em depósitos a prazo e R$ 327 991 725 mil reais em obrigações por recebimento.[181]

Turismo[editar | editar código-fonte]

O Paraná é um dos estados os quais possuem maior quantidade de parques nacionais, sendo destacados o Parque Nacional do Iguaçu e o Parque Nacional de Superagui.[182] Foz do Iguaçu, com mais de 270 cachoeiras[183] e 80m de altura,[184] é mundialmente conhecida.[185] A Garganta do Diabo é um dos atrativos do mais extenso grupo de cataratas do mundo. Bem como a chegada de visitantes às atrações naturais, é um passeio de grande cotação visitar a hidroelétrica de Itaipú.[186]

Outra atração turisticamente interessante é o Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, na qual as pedras que os ventos e as águas esculpiram consideram-se aparentemente ruínas de um imenso centro urbano. Ainda em Ponta Grossa pode-se visitar o Buraco do Padre,[187] a Capela de Santa Bárbara (construída pelos Jesuítas)[188] e a Cachoeira da Mariquinha.[189]

Em Maringá existe a Catedral de Maringá (Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Glória), segundo monumento mais alto da América do Sul e décimo do mundo.[190] Crescente visitação tem ocorrido na região do Cânion Guartelá, (6° maior do mundo e o maior do Brasil) em Tibagi.[191]

Curitiba é hoje um importante destino turístico brasileiro, especialmente procurado por turistas oriundos de estados vizinhos que chegam à cidade por via terrestre.[192] Um importante aumento no "turismo de negócios" tem também se verificado nas últimas décadas.[193] Seja por razões de lazer ou trabalho, o fluxo de visitantes estimado no ano de 2006 chega a ser surpreendente: mais de 1 800 000 pessoas, ou seja, maior que o número de habitantes da cidade.[194]

Durante o ano inteiro, são realizadas feiras e festivais, sendo destacadas a Munchen Fest de Ponta Grossa,[195] a Oktoberfest de Rolândia,[196] Carnaval de Rua de Tibagi,[197] o Festival Internacional de Londrina,[198] Festival de Teatro de Curitiba (o principal do país),[199] Festival Folclórico e de Etnias do Paraná,[200] e a Feira de Móveis do Paraná (Movelpar).[201] Atraem ainda considerável interesse as feiras agropecuárias de grande porte, em especial a Expo Londrina.[202]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Saúde[editar | editar código-fonte]

Mortalidade infantil 20,0 por mil nascimentos (2005)[203]
Médicos 16,9 por 10 mil hab. (2005)[203]
Leitos hospitalares 2,3 por mil hab. (2005)[203]
Hospital Evangélico de Curitiba, um dos mais modernos e bem equipados do Paraná.

Consideram-se ótimas as condições de saúde do estado, o que torna elevado o nível de economia da população. Em 2005, funcionavam 4 780 estabelecimentos hospitalares,[204] os quais contavam com 28 340 leitos[204] e eram atendidos, em 2007, por 40 187 médicos,[205] 5 832 enfermeiros[205] e 19 229 auxiliares de enfermagem.[205] Em 2005, da população, 86,1% dos paranaenses possuem acesso à rede de água,[206] enquanto 68,5% são beneficiados pela rede de esgoto sanitário.[206]

De acordo com uma pesquisa realizada pelo IBGE em 2008, 77,0% da população paranaense avalia sua saúde como boa ou muito boa; 67,4% da população realiza consulta médica periodicamente; 48,1% dos habitantes consultam o dentista regularmente e 8,3% da população esteve internado em leito hospitalar nos últimos doze meses. 33,4% dos habitantes declararam ter alguma doença crônica e apenas 27,0% tinham plano de saúde. Outro dado significante é o fato de 52,2% dos habitantes declararem necessitar sempre do Programa Unidade de Saúde da Família - PUSF.[207]

Na questão da saúde feminina, 40,4% das mulheres com mais de 40 anos fizeram exame clínico das mamas nos últimos doze meses; 53,0% das mulheres entre 50 e 69 anos fizeram exame de mamografia nos últimos dois anos; e 78,7% das mulheres entre 25 e 59 anos fizeram exame preventivo para câncer do colo do útero nos últimos três anos.[207]

Educação[editar | editar código-fonte]

Educação Básica[editar | editar código-fonte]

Resultados no ENEM
Ano Português Redação
2006[208]
Média
38,07 (6º)
36,90
53,77 (3º)
52,08
2007[209]
Média
53,65 (8º)
51,52
56,15 (9º)
55,99
2008[210]
Média
43,50 (8º)
41,69
58,53 (13º)
59,35
Faculdade Estadual de Direito do Norte Pioneiro na década de 1970. Hoje CCSA da UENP.

Em 2009, foram registradas matrículas de 1 677 128 discentes , nas 6119 escolas de ensino fundamental do estado, das quais 769 073 eram municipais, 744 913 estaduais, 162 621 particulares e 521 federais.[211] Quanto ao corpo docente era o mesmo formado de 82 217 professores, sendo que 11 923 eram particulares.[211] Em 2009, ministrava-se o ensino médio, em 1713 estabelecimentos, com 74 114 discentes matriculados e 34 457 docentes.[211] Dos 474 114 alunos, 3560 estavam na escola pública federal, 418 117 na escola pública estadual, e 52 437 na escola particular.[211]

Em 2013, o total de alunos do ensino médio passou a 479.519 (queda de 1,06% em relação à 2012, quando havia 484.633 estudantes). Destes, 4.272 (0,9%) estavam na rede pública federal, 411.299 (85,8%) na estadual e 63.948 (13,3%) na particular.[212]

Inclusão de Portadores de Necessidades Especiais[editar | editar código-fonte]

Em 2013, as instituições de ensino públicas e privadas da Educação Básica do Paraná atenderam 10.721 alunos portadores de necessidades especiais, representando um aumento de 10,6% em relação à 2012. Deste total, 13 (0,12%) estavam matriculados na rede federal, 1.540 (14,36%) na estadual, 3.601 (33,59%) na municipal e 5.567 (51,93%) na particular.[213]

Ensino Superior[editar | editar código-fonte]

Quanto ao ensino superior, em 2009, o estado tinha 183 estabelecimentos, onde foram registradas matrículas de 109 592 discentes, sendo 35 494 alunos em escolas públicas federais, 71 419 em escolas públicas estaduais, 2679 em escolas públicas municipais e 177 291 em escolas particulares.[214]

De acordo com o PNUD do ano 2010 o IDH-Educação do Paraná é de 0,668, o quinto maior índice entre os estados brasileiros, perdendo apenas para RJ, SC, SP e DF.[215] Dentre os municípios do estado, o melhor resultado foi de Curitiba com 0,768 e o pior foi Doutor Ulysses com 0,362.[216] Ainda de acordo com a pesquisa, o índice de analfabetismo no estado em adultos acima de 25 anos era de 7,86%,[216] sendo o menor índice de 1,48%, registrado em Quatro Pontes,[216] e o maior de 24,51% no município de Itaúna do Sul.[216]

Em 1912 é fundada a Universidade Federal do Paraná, a primeira universidade do Brasil e a primeira da Região Sul do país.[217] Além da UFPR, o Paraná tem universidades espalhadas pelo estado nas principais cidades de cada região.[218] Ainda em Curitiba, encontra-se a sede da Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR[219] e do Centro Universitário Curitiba (UNICURITIBA), entidade sucessora da Faculdade de Direito de Curitiba criada em 1950.[220] O estado conta com uma universidade federal multicampi, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR.[221]

Em Ponta Grossa a universidade estadual é a UEPG, em Londrina é a UEL, Maringá conta com a UEM, Guarapuava é sede da UNICENTRO, Cascavel é a cidade-base da UNIOESTE, que ainda conta com campus espalhados por vários outros municípios, Jacarezinho é a cidade-base da UENP.[218]

O estado conta ainda a UNESPAR, Universidade Estadual do Paraná, em processo de implantação, a qual é composta por sete centros universitários, nas cidades de Apucarana, Campo Mourão, Curitiba, Paranaguá, Paranavaí e União da Vitória.[218]

Transportes[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Transportes do Paraná
Ver também: Rodovias do Paraná

No estado existem seis aeroportos comerciais, dos quais dois internacionais: o Aeroporto Governador José Richa, em (Londrina), o Aeroporto Internacional Afonso Pena e o Aeroporto do Bacacheri, de Curitiba, e o Aeroporto Internacional Cataratas, administrados pela Infraero, além dos aeroportos de Cascavel e Maringá, administrados pelas respectivas municipalidades.[222][223][224][225]

A rede de rodovias pavimentadas abrange duas estradas que penetram no estado, de leste a oeste: a conexão Ourinhos SP-Londrina-Apucarana-Maringá-Paranavaí (BR-369/BR-376) e a conexão Paranaguá-Curitiba-Ponta Grossa-Guarapuava-Cascavel-Foz do Iguaçu (BR-277). Em direção transversal, aparecem as conexões Apucarana-Ponta Grossa (BR-376), Sorocaba-Curitiba e São Paulo-Curitiba-Rio Negro. Esta última encontra-se prolongada até o extremo sul do Rio Grande do Sul e pertence à BR-116.[226]

Rodovia BR-277, próximo ao município de Matelândia, no extremo oeste do estado.

O sistema ferroviário paranaense participa notavelmente da vida econômica do estado. No setor sul, as linhas da Ferroeste (Antiga Ferropar), a Ferrovia da Soja, que a iniciativa privada em 1997 começou a operar e que o governo retomou no início de 2007, no trecho de Guarapuava a Cascavel, estendendo-se (em projeto) até Guaíra e Foz do Iguaçu. Uma outra estrada de ferro liga do Porto de Paranaguá até Curitiba, Guarapuava, Londrina, Ponta Grossa e Maringá. De norte a sul, são encontradas as linhas da Rumo ALL, ex-América Latina Logística, que corresponde à malha sul da ex-Rede Ferroviária Federal, que também privatizou-se na década de 1990, que liga o Paraná com aos estados de São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.[226]

O Paraná é ligado ao Brasil e ao exterior através dos portos de Paranaguá e Antonina.[227] Os moradores das vilas e povoados encontrados nas ilhas e às margens da baía de Paranaguá são servidos pelos serviços de barcos.[227] Alguns dirigem-se para a Ilha do Mel, demais para Guaraqueçaba, demais ainda para Cananéia e Iguape no estado de São Paulo, usando-se do canal do Varadouro.[227] Fazem-se serviços de ferry-boat na baía de Guaratuba, fazendo a ligação entre a cidade de igual nome (Porto Damião de Souza) e Caiobá (Porto da Passagem).[228] Faz-se o transporte fluvial em grande escala no rio Paraná, fazendo a ligação entre a cidade de Guaíra e o estado de São Paulo e, por meio de ferry-boat, com Mato Grosso do Sul.[227] A navegação fluvial também há em Foz do Iguaçu, ligando o Brasil com a Argentina.[227]

Energia[editar | editar código-fonte]

Vista aérea da Usina Hidrelétrica de Itaipu, a segunda maior usina hidrelétrica do mundo.

Bem como as hidrelétricas de Capivari-Cachoeira, no rio Capivari, a nordeste de Curitiba, e de Júlio Mesquita Filho, no rio Chopim, no sudoeste do estado,[229] opera no Paraná a Usina Hidrelétrica de Itaipu, a segunda maior do mundo em produção de energia (depois da Hidrelétrica de Três Gargantas, na China), mas ainda a maior em tamanho, na fronteira Brasil-Paraguai,[230] e erguida em grupo com este país.[231] Terminada em 1991, somente a partir daí o total da sua capacidade, de 12 000 MW, começou a ser utilizado, o que fez do Paraná o estado brasileiro que mais produz energia.[232] Mas o Paraná também é enriquecido de energia produzida pelas usinas de açúcar e álcool, produtoras de eletricidade desde a queima do bagaço da cana-de-açúcar.[233]

Serviços e comunicações[editar | editar código-fonte]

O estado conta com outros serviços básicos. No Paraná, existem várias empresas responsáveis pelo abastecimento de água. Em 345 dos 399 municípios paranaense, a empresa responsável por água e saneamento básico (esgoto) é a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar).[234] Outros municípios são abastecidos por outras empresas ou por empresas do próprio município - um exemplo ocorre em Antonina, na região do Litoral Paranaense, cuja empresa responsável pelo abastecimento de água é o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (SAMAE).[235]

DDDs[236]
Cidade DDD
Curitiba 41
Ponta Grossa 42
Londrina 43
Maringá 44
Foz do Iguaçu 45
Pato Branco 46

Em relação à energia elétrica, existem uma empresa no estado, a Companhia Paranaense de Energia.[237] Ainda há serviços de internet discada e banda larga (ADSL) sendo oferecidos por diversos provedores de acesso gratuitos e pagos. O serviço de telefonia fixa é oferecido por algumas operadoras, como a Brasil Telecom e a Sercomtel.[238] O código de área (DDD) do estado varia, desde 041 até 046.[239] No dia 2 de fevereiro de 2009, as regiões oeste e sudoeste passaram a serem servidas pela portabilidade, juntamente com outras cidades de DDDs 45 e 46, 19 (São Paulo), 93 e 04 (Pará).[240]

Sede da TV Iguaçu de Curitiba, afiliada à Rede Massa em março de 2008 e ao Sistema Brasileiro de Televisão desde 1981.

A secretaria responsável pelas comunicações em todo o Paraná é a Secretaria da Comunicação Social, que atua tanto na assessoria da imprensa, quanto no marketing e na Internet.[241] Existem diversos jornais presentes em vários municípios do estado, como por exemplo, Tribuna do Norte (em Apucarana), Tribuna do Interior (em Campo Mourão), Diário Popular (em Curitiba), Gazeta do Iguaçu (em Foz do Iguaçu), Diário dos Campos (em Ponta Grossa), Jornal do Oeste (Toledo), A Tribuna do Povo (Umuarama), Tribuna de Cianorte (Cianorte), entre outros.[242] Dois dos mais influentes jornais do país,[243] Gazeta do Povo e O Estado do Paraná, são paranaenses e mantém suas sedes na capital do estado. O Paraná também concentra um grande número de editoras que produzem algumas das principais publicações do estado. Entre elas destaca-se a Imprensa da Universidade Federal do Paraná, editora de livros didáticos, técnicos e científicos, teses, revistas e periódicos e encadernadora de brochuras e confeccionadora de impressos de qualquer natureza, de interesse aos setores, cursos, departamentos e unidades aos membros do corpo docente da UFPR.[244]

No campo da televisão, o estado foi pioneiro com a criação da primeira emissora do estado, a atual RPC TV Paranaense, pelo advogado e empresário Nagib Chede, em 29 de outubro de 1960.[245] Com o passar do tempo, várias outras emissoras desenvolveram-se no estado e ganharam projeção nacional e regional, como foi o caso da Central Nacional de Televisão,[246] a Rede Massa[247] e a Rede Mercosul,[248] todas com sede na região metropolitana de Curitiba. Além disso, há transmissão de canais nas faixas Very High Frequency (VHF) e Ultra High Frequency (UHF). O Paraná é sede de alguns canais/emissoras de televisão, como a RIC TV Cornélio Procópio,[249] a RPC Foz do Iguaçu,[250] a TV Educativa de Ponta Grossa,[251] a TV Carajás (em Campo Mourão)[252] e a TV Beltrão (em Francisco Beltrão).[253]

Segurança pública e criminalidade[editar | editar código-fonte]

As mais importantes unidades das Forças Armadas no Paraná são: no Exército Brasileiro, o Paraná é parte integrante do Comando Militar do Sul (junto com o estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina), sediado em Porto Alegre, pertencendo à 5ª Região Militar e 5ª Divisão de Exército (com o estado de Santa Catarina);[254] são destacados no estado o 13º Batalhão de Infantaria Blindado (Ponta Grossa)[255] e o 20º Batalhão de Infantaria Blindado (Curitiba);[256] na Marinha do Brasil, o Paraná pertence ao 5º Distrito Naval, sediado em Rio Grande;[257] e na Força Aérea Brasileira, o Paraná é parte integrante do V Comando Aéreo Regional (com o Rio Grande do Sul e Santa Catarina), cujo quartel-general está em Canoas (Rio Grande do Sul),[258] sendo destacado no estado o Cindacta II, sediado em Curitiba, que encarrega-se do radar na Região Sul, o total do Mato Grosso do Sul e porção sul de São Paulo.[258]

A Polícia Militar do Estado do Paraná (PMPR) tem por função primordial o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública no Estado do Paraná. Ela é Força Auxiliar e Reserva do Exército Brasileiro, e integra o Sistema de Segurança Pública e Defesa Social do Brasil.[259] Seus integrantes são denominados Militares dos Estados,[260] assim como os membros do Corpo de Bombeiros do Paraná.[259]

O Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Paraná é um Comando Intermediário da PMPR, cuja missão consiste na execução de atividades de defesa civil, prevenção e combate a incêndio, buscas, salvamentos e socorros públicos, no âmbito do Estado do Paraná.[261] A corporação é força auxiliar e tropa reserva do Exército Brasileiro, e integra o sistema de segurança pública e defesa social do Brasil. Seus integrantes são denominados militares dos Estados pela Constituição Federal de 1988, assim como os demais membros da Polícia Militar do Paraná.[262]

A Polícia Civil do Estado do Paraná é uma das polícias do estado brasileiro do Paraná, órgão do sistema de segurança pública ao qual compete, nos termos do artigo 144, § 4º, da Constituição Federal e ressalvada competência específica da União, as funções de polícia judiciária e de apuração das infrações penais, exceto as de natureza militar.[263] As principais instituições penitenciárias do estado são a Penitenciária Central do Estado[264] e a Colônia Penal Agrícola.[265]

Desde o final de 2014, o estado do Paraná utiliza tornozeleiras eletrônicas para fiscalização do cumprimento de pena por parte de presos do regime semi-aberto.[266] O uso desta tecnologia era estudado deste 2007, quando um modelo tornozeleira desenvolvido por uma empresa privada junto ao Lactec, órgão subordinado ao governo estadual, foi apresentada ao então governador, Roberto Requião.[267] Além de monitorar presos em regime semi-aberto do estado, o governo do Paraná fornece parte de suas tornozeleiras para uso da polícia federal,[268] mesmo que os monitorados tenham residência em outro estado, como é o caso do ex-diretor da Petrobrás preso durante a Operação Lava Jato, Paulo Roberto Costa, que cumpre prisão domiciliar no Rio de Janeiro.[269]

Críticas severas tem sido feitas a falta de efetivos tanto da polícia civil quanto da polícia militar e se mostrado uma preocupação dos paranaenses, os efetivos são os mesmos da década de 80 para quase o dobro de população.[270][271][272]

De acordo com dados do "Mapa da Violência 2010", publicado pelo Instituto Sangari, em 2007, o Paraná é a nona unidade federativa mais violenta do Brasil e lidera o índice de criminalidade da Região Sul do país.[273] A taxa de homicídios é de 29,6.[273] De acordo com dados do "Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros 2008", também publicado pelo Instituto Sangari, o município mais violento do Paraná e da Região Sul do Brasil é Foz do Iguaçu, no extremo oeste do estado;[123] é também o quinto mais violento do Brasil (98,7), registrando, em 2006,[123] taxas médias de homicídio superiores apenas às dos municípios de Guaíra, Tunas do Paraná, Rio Bonito do Iguaçu, Palmas e Campina Grande do Sul. O município com a menor taxa média de homicídios é Laranjal, na Mesorregião do Centro-Sul Paranaense, mais precisamente na Microrregião de Pitanga.[123]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Cultura do Paraná

Instituições e patrimônio cultural[editar | editar código-fonte]

A Universidade Federal do Paraná foi criada em 1912,[217] e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em 1959.[274] Dos museus que existem no estado, o de maior importância é o Museu Paranaense, em Curitiba, criado em 1876 pelo historiador Agostinho Ermelino de Leão, com coleções históricas, etnográficas e arqueológicas, bem como sua biblioteca especializada.[275]

Outra instituição de importância é o Museu Coronel Davi Antônio da Silva Carneiro, também na capital.[276] O Patrimônio Histórico e Artístico Nacional tombou suas coleções, como as do Paranaense.[277] Seu acervo tem peças arqueológicas, etnográficas e numismáticas.[276] Em Paranaguá, dois museus constituem um atrativo aos visitantes: o Museu de Arqueologia e Artes Populares, vinculado à Universidade Federal do Paraná e cujo local de funcionamento é no antigo Colégio dos Jesuítas, e o Museu do Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá.[278]

O Patrimônio Histórico também catalogou, no estado, uma grande diversidade de monumentos arquitetônica e historicamente valiosos, como a igreja matriz de São Luís, em Guaratuba,[279] a igreja matriz de Santo Antônio, a antiga casa da praça Coronel Lacerda, a casa na qual faleceu o general Carneiro, na rua Francisco Cunha, o pavimento de cima da Casa da Cadeia, em Lapa,[280] a histórica residência dos jesuítas, na rua Quinze de Novembro, e a fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres (ou da Barra), na ilha do Mel, em Paranaguá.[280]

Bibliotecas[editar | editar código-fonte]

A Biblioteca Pública do Paraná é a maior biblioteca pública do Estado e da Região Sul do Brasil em número de acervo bibliográfico.

As maiores bibliotecas encontram-se em Curitiba: a Biblioteca Pública do Paraná,[281] a Biblioteca do Museu Paranaense,[282] as bibliotecas dos setores de Ciências Jurídicas e Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná[283] e a Biblioteca Central do Campus da Pontifícia Universidade Católica do Paraná em Curitiba.[284] Há também bibliotecas especializadas, como a do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural, que possui um grande acervo relacionado com tecnologias agrícolas,[285] e a do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná, especializada em assuntos relacionados com o cooperativismo.[286]

Festivais[editar | editar código-fonte]

As principais festas religiosas do estado são a de Nossa Senhora da Luz, em Curitiba,[287] e a de Nossa Senhora do Rocio, em Paranaguá, que acompanha-se de grande procissão.[288] A principal festa popular é a Congada da Lapa, originária da África e que homenageia São Benedito, na cidade de Lapa.[289] Um grande número de danças folclóricas continua existindo em povoados do sertão: o curitibano, dança de roda aos pares, o quebra-mana, dança sapateada, a valsada, e o nhô-chico, no litoral.[290] As diversas comunidades originárias da Europa mantêm danças, cantos e trajes de seus países, principalmente as originárias da Alemanha.[291]

Pontos turísticos[editar | editar código-fonte]

Atravessado por ótimas estradas e por pontilhar-se de excelentes restaurantes, o Paraná é um estado de grande atrativo ao turismo.[292] São merecedoras da atenção do turista a capital, com seus museus, jardins e universidades, o teatro Guaíra, o Passeio Público (com o jardim zoológico),[293] os monumentos históricos de Guaratuba, Lapa e Paranaguá, e especialmente a Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá, uma das obras de maior fama da engenharia brasileira. Dos trens que a cortam, um grandioso panorama envolvente de paisagens serranas e litorâneas é descortinado ao mesmo tempo.[294]

Quem projetou a ferrovia, no segundo reinado, foi o engenheiro Antônio Rebouças, irmão (prematuramente morto) do engenheiro, monarquista e abolicionista André Rebouças.[295] Contrária à hipótese de peritos estrangeiros convidados pelo governo, a estrada, que abriu-se ao trânsito em 1885,[296] foi erguida em um traço em linha de simples aderência.[294] Possui 111 km de extensão, 41 pontes e treze túneis,[296] doze dos quais escavaram-se na rocha viva, bem como o arrojado viaduto Vicente de Carvalho, com 84m de extensão.[296] Várias destas obras de arte, criadas para superar os trechos de maior dificuldade, ainda consideram-se muito audaciosas, para a topografia da região.[294]

São inúmeros os acidentes naturais turisticamente interessantes no Paraná, como as rochas de arenito vermelho de Vila Velha, os quais têm aparência de dólmens, na periferia de Ponta Grossa; as grutas de calcário de Campinhos, em Tunas do Paraná, gruta da Lancinha (maior em biodiversidade do sul do Brasil em Rio Branco do Sul, e do Monge, em Lapa; as cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu; o Parque Nacional do Iguaçu, com suas florestas; a ilha do Mel, com seu lindo balneário, o farol, a gruta e a antiga fortaleza da Barra, em Paranaguá; as praias de Pontal do Sul, Praia de Leste, Matinhos, Caiobá e Guaratuba.[294]

Esportes[editar | editar código-fonte]

Ver artigos principais: Esporte do Paraná e Futebol do Paraná

No setor esportivo, a secretaria responsável por atuar nessa área é a Secretaria do Esporte,[297] que tem como secretário Douglas Fabrício,[298] formado em Administração pela Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (FECILCAM), atual Universidade Estadual do Paraná (Unespar).[299]

Estádio Joaquim Américo Guimarães (ou Arena da Baixada) durante o jogo entre Irã e Nigéria durante a Copa do Mundo FIFA de 2014.

O estado é sede de diversos clubes de futebol conhecidos nacionalmente, como, por exemplo, o Clube Atlético Paranaense, o Coritiba Foot Ball Club, Paraná Clube e o Londrina Esporte Clube.[300] O Campeonato Paranaense de Futebol é organizado pela Federação Paranaense de Futebol e realizado ininterruptamente desde 1915, sendo um dos mais antigos torneios de futebol organizados no Brasil.[301] O estado possui diversos estádios de futebol, como o Joaquim Américo Guimarães, o Couto Pereira e o Durival Britto e Silva (todos em Curitiba), o do Café (em Londrina), o Germano Krüger (em Ponta Grossa), o Willie Davids (em Maringá), o Estádio Olímpico Regional Arnaldo Busatto (em Cascavel), o Estádio Bom Jesus da Lapa (em Apucarana) entre muitos outros.[302] Curitiba é uma das doze capitais brasileiras que sediaram os jogos da Copa do Mundo de 2014.[303] Em 2010, segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o estado aparece na quinta colocação no ranking nacional das federações estaduais.[304]

Atualmente, o Paraná é sede de eventos esportivos, seja de importância nacional e/ou internacional. Exemplos são a Fórmula Truck, a Stock Car Brasil, e o Campeonato Mundial de Carros de Turismo, eventos que são realizados no Autódromo Internacional de Curitiba.[305][306][307]

Outros esportes também têm popularidade no estado. No vôlei, o órgão responsável pela atuação no esporte é a Federação Paranaense de Voleibol, que possui diversos clubes filiados e organiza todos os torneios oficiais que envolvam as equipes do estado.[308] No basquete, a federação responsável é a Federação Paranaense de Basketball.[309] Todos os anos, o estado realiza os Jogos Escolares do Paraná, evento da secretaria de esportes do governo estadual, que reúne diversas modalidades esportivas.[310]

Culinária[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Culinária do Paraná

As diversas origens de sua população são testemunhadas pela cozinha paranaense.[311] A exemplo da feijoada brasileira, o prato mais característico é o barreado, que aprecia-se no total do litoral e cujo ingrediente principal é o cozimento da carne, por uma grande quantidade de tempo, em panela de barro, até ser desmanchado.[311][312] O churrasco é, como no total do sul, um dos pratos mais típicos do interior, junto com os das comunidades de imigrantes alemães, poloneses e italianos.[311]

Personalidades[editar | editar código-fonte]

Postscript-viewer-blue.svgVer também as categorias: Paranaenses e Naturais do Paraná

Entre os principais paranaenses ilustres podemos destacar: David Carneiro, um dos mais renomados historiadores brasileiros[313] e pai do historiador David Carneiro Júnior;[314] Moysés Paciornik, médico curitibano;[315] Michel Teló, medianeirense, ex-integrante do Grupo Tradição;[316] Tony Ramos, araponguense, ator da Rede Globo;[317] Dalton Trevisan, escritor curitibano e autor de O Vampiro de Curitiba;[318] Sônia Braga, maringaense, atriz da Rede Globo;[319] a dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó, astorguense;[320] Jaime Lerner, político, Arquiteto e urbanista curitibano, autor da ideia do Ligeirinho;[321] Anízio Alves da Silva, inventor do supletivo (atualmente conhecido como Educação de Jovens e Adultos);[322] Deivid Willian da Silva, londrinense, jogador do Clube Atlético Paranaense;[323] Dirceu José Guimarães, jogador da Confederação Brasileira de Futebol entre as décadas de 1970 e 1980;[324] Fábio Campana, iguaçuense, jornalista;[325] Aramis Millarch, curitibano, editor do jornal O Estado do Paraná;[326] os ex-governadores Roberto Requião de Mello e Silva[327] e Moysés Lupion;[328] Laurentino Gomes, maringaense, escritor, jornalista e autor dos livros 1808 e 1822;[329] Grazi Massafera, atriz e modelo;[330], Maria Fernanda Cândido, atriz e modelo;[331] dentre vários outros.

Feriados[editar | editar código-fonte]

O Paraná não possui data magna nem feriados estaduais. Em 2014 foi apresentado e aprovado na Assembleia Legislativa do Paraná uma lei que instituía a dissolução do polêmico feriado da emancipação política do estado, passando a ser ponto facultativo. O feriado não era cumprido pelas empresas públicas e particulares.[332]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Notas

  1. Potamônimo ou potamónimo é um vocábulo que define um topónimo que tem origem num nome de um rio
  2. O nome oficial do prédio do poder legislativo é uma homenagem ao ex-deputado estadual do Paraná e catarinense de nascimento, falecido em 30 de agosto de 1999.

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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